Em entrevista ao Fast News, o professor de relações internacionais, Igor Lucena, detalha o impasse nas negociações de paz entre o governo Trump e o regime de Teerã. A análise foca nas exigências iranianas, consideradas inaceitáveis pela Casa Branca, e no risco de uma escalada militar no Oriente Médio.
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NotíciasTranscrição
00:00Estados Unidos e Irã encerraram as negociações pelo acordo de cessar fogo no Paquistão.
00:05Segundo a delegação iraniana, as conversas terminaram por conta de divergências sobre duas ou três questões importantes.
00:13Por outro lado, Donald Trump disse que vai bloquear os navios lá no Estreito de Hormuz imediatamente.
00:19Sobre esse assunto, a gente conversa ao vivo com o Igor Lucena, que é economista e também professor de relações
00:25internacionais.
00:27Professor, seja muito bem-vindo à programação da Jovem Pan News nesse domingo.
00:30Um dia extremamente importante, onde havia uma expectativa enorme para saber se aconteceria ou não esse acordo de cessar fogo.
00:39Gostaria, antes de tudo, desejar uma boa tarde e saber, na visão do senhor, o que acabou emperrando esse acordo
00:45de cessar fogo, pelo menos um acordo de paz entre ambos os lados.
00:51Muito boa tarde, é um prazer estar aqui com vocês.
00:53Olha, realmente, a gente tinha um acordo de cessar fogo extremamente frágil, quando a gente fala do ponto de vista
01:00de dados.
01:01O Paquistão se tornou um player importante, depois que o próprio Irã deixou de ter as chamadas relações diretas com
01:09os Estados Unidos.
01:10Mas, quando a gente entra no que iria a ser negociado, eu acho que tem dois pontos que são fundamentais
01:17e que eu acho que são grandes entraves.
01:19O primeiro deles, a gente está falando sobre os ataques ou cessar fogo contra os outros players, que a gente
01:29chama de braços do Irã.
01:30A gente está falando do Hamas, dos Houthis e, principalmente, do Hezbollah.
01:35Os iranianos queriam que o cessar fogo incluíssem esses agentes e que isso não foi aceito pelos Estados Unidos e,
01:43muito menos, pelos seus aliados.
01:46Por exemplo, os israelenses, que estão avançando contra o Hezbollah, inclusive no sul do Líbano, com apoio do exército do
01:55Líbano,
01:55não tem sentido colocar esses outros agentes dentro do conceito, mas os iranianos estão utilizando este momento para também dar
02:04sobrevida a esses grupos que são, sim, grupos terroristas.
02:08Um outro ponto, que eu também acho que é fundamental, seriam reparações.
02:12O Irã queria reparações de guerra dentro do conflito por causa do que aconteceu e uma reconstrução.
02:19E, ao mesmo tempo, o programa, e aí é um dos grandes problemas do programa militar nuclear iraniano, que deveria
02:27continuar, mas, claro, na visão iraniana,
02:29apenas para fins pacíficos, o que não é acreditado pela comunidade internacional, muito menos pelo governo de Donald Trump.
02:37Esses são pontos que são, acho que são, super importantes e são de contraponto que os americanos não aceitam.
02:44Existe um terceiro ponto que também foi colocado inicialmente, que seria a possibilidade dos americanos saírem do Oriente Médio.
02:52E, mais uma vez, os americanos não vão deixar as suas bases militares por dois motivos.
02:57Primeiro, manter em xeque os iranianos, defender Israel e, muito mais, as bases americanas que estão no Catar, na Arábia
03:05Saudita
03:05e nos Emirados Árabes Unidos e em outros países, servem de proteção dos aliados americanos na região.
03:12Os iranianos estão colocando negociações que são impossíveis.
03:17Mas, lembrando, essas negociações internacionais, tais como a gente viu na Ucrânia, demoram, muitas vezes começam, recuam, vão de novo,
03:26até que chegar a um chamado common ground.
03:29O grande problema é que, amanhã, na segunda-feira, isso vai ter um impacto no parril de petróleo e nos
03:34mercados internacionais.
03:35Acho que o presidente Donald Trump faz uma jogada diferente ao dizer que ele vai impedir a passagem no Estreito
03:42de Hormuz,
03:42porque os iranianos estão fazendo concessões.
03:45A China, alguns outros países que são aliados, e se o presidente americano também faz esse bloqueio,
03:51faz uma pressão contra os iranianos nos seus aliados.
03:55Lembrando também que, nas últimas horas, surgiram rumores de que os chineses, através de outros países,
04:02irão voltar a rearmar o Irã, passando armas, o que seria muito negativo e colocaria a China dentro do conflito.
04:11E tudo isso, obviamente, emperra as negociações.
04:14Professor, inclusive o senhor falou num ponto interessante, né, nessa questão envolvendo essa jogada diferente de Donald Trump.
04:20Mas se a gente ter, pelo menos a partir de amanhã, já uma reação negativa por parte da comunidade internacional,
04:27por parte do próprio mercado, a gente vendo o barril do petróleo do Brexit subindo ainda mais
04:33ou ultrapassando mais uma vez ali o valor de 100 dólares o barril.
04:38Tudo isso também não traz um desgaste muito interno para Donald Trump.
04:41O senhor acredita que ele vai seguir dobrando a aposta na tentativa de tirar o maior ganho político em relação
04:47a esse conflito?
04:49Olha, eu acho muito negativo, muito ruim para o presidente Donald Trump, um não acordo.
04:55A gente está se aproximando das eleições de meio de termo dos Estados Unidos em novembro,
04:59onde toda a Câmara dos Deputados vai ser reconstituída e parte do Senado.
05:05O presidente Trump não pode perder esse apoio, né, à maioria nas casas.
05:11Então, isso significa que quanto mais tempo o conflito dura, pior fica para o Donald Trump,
05:18porque os preços de barril de petróleo sobem, isso imediatamente bate no gasolão da gasolina dos Estados Unidos,
05:24que já passa os quatro dólares, podendo aumentar ainda mais.
05:28Então, acho que o presidente Donald Trump talvez vai ter que dosar muito isso,
05:33até que ponto ele pode ir nessas negociações, mas também uma situação nova, né,
05:40colocar dentro do acordo, por exemplo, não ataque a organizações terroristas,
05:44a paz com a organização terrorista, é inadmissível para os Estados Unidos,
05:48mesmo que não seja para os Estados Unidos, não será aceito pelos seus aliados, né,
05:53na região, principalmente Israel.
05:55Então, acho que o presidente Donald Trump também cria uma situação,
05:58ou que se criou uma situação até mesmo difícil para ele aceitar,
06:02o que pode, sim, custar sua popularidade e cadeiras dentro do parlamento.
06:07Eu acho que isso também é muito importante.
06:09Agora, eu vejo um outro ponto também.
06:12Segundo informações da União Europeia, em três meses,
06:16em três semanas ou quatro semanas, pode faltar querosene de avião para a União Europeia.
06:22Ou seja, voos vão ficar mais caros e podem ser paralisados.
06:25A minha posição também é que, se isso começar a acontecer nos europeus,
06:31aviões, empresas aéreas, isso impactar toda a cadeira de turismo,
06:34a pressão pode ser tão grande que os europeus podem ser chamados pela sua própria população
06:41a entrar com o presidente Donald Trump no conflito
06:44e tentar militamente abrir o estreito de Hormuz,
06:48coisas que os europeus não querem.
06:50Mas, se isso continuar, a situação econômica na Europa pode ficar tão forte
06:54e tão apressada que eles seriam estados, pela sua própria população,
06:59a tomar uma atitude militar para resolver o problema.
07:01Então, é uma situação extremamente complicada
07:04e que, semana a semana, pode envolver novos players.
07:07A gente não está falando de uma terceira guerra mundial,
07:09mas é uma guerra, sim, que está envolvendo todos os continentes.
07:14Professor, quando a gente fala também de uma negociação, ainda mais de um cessar-fogo,
07:17de um acordo de paz, é muito importante uma palavrinha-chave,
07:20a confiança.
07:21E o que a gente vê nessas discussões, há uma desconfiança muito grande por parte do Irã
07:26para os Estados Unidos seguirem nesse acordo e vice-versa.
07:30O senhor acredita que, diante de tudo que aconteceu nessas últimas seis semanas,
07:34de certa forma, falta confiança para o Irã acreditar nessa proposta
07:38e dos Estados Unidos também?
07:40E como reverter essa situação?
07:42De que forma os dois lados, tanto Donald Trump como também o regime iraniano,
07:48vão conseguir construir essa relação para que não tenha novos bombardeios,
07:52para que não tenham ambos novos ataques
07:53e para que o estreito seja reaberto e não fechado de outra forma?
07:58Olha, de fato, falta confiança dos dois lados por dois motivos fundamentais.
08:03Primeiro, o presidente Donald Trump vai e volta de suas posições quase que diariamente.
08:08Essas informações que saem, de certa maneira, encruzilhadas ou sem um ponto final de colocamento
08:17dentro dos acordos faz com que as lideranças iranianas não confiem nas palavras do presidente americano.
08:24Por outro lado, não há uma liderança unificada iraniana.
08:27O próprio novo Ayatollah, há informações que está debilitado,
08:32não tem condições físicas ou mentais de tomar as decisões.
08:35Você tem generais na Guarda Revolucionária e o Conselho Religioso
08:40que tomam decisões que muitas vezes estão sendo vistas e colocadas como uma contra a outra.
08:46Não há uma liderança unificada iraniana.
08:48O próprio presidente iraniano também não tem dentro do arcabouço iraniano
08:53toda essa capacidade operacional de ser, de fato, um líder.
08:57Então, dos dois lados, fica muito difícil a negociação.
08:59A única maneira, independente de conflitos,
09:02de que haja uma confiança são demonstrações claras
09:06de que não ficaram apenas em palavras, mas sim em reações.
09:10O que seriam?
09:11Primeiro, Israel e Estados Unidos pararem, de fato, seus ataques ao Irã.
09:18Isso seria um modelo de confiança, pelo menos 48, 72 horas, contra isso.
09:23Os iranianos também teriam que forçar suas próxias a não atacarem
09:27e, ao mesmo tempo, abrir o Estreito de Hormuz.
09:31Se o Estreito de Hormuz começar a passar, mesmo que não seja na totalidade,
09:35a gente está falando de 50%, algo assim,
09:38que normalizem parcialmente as relações e os navios que estão naquela região,
09:43você começa a ter uma confiança.
09:45E essa confiança começa a ser, não sei dizer, digerida,
09:48mas reconectada dia a dia, conversa a conversa.
09:53Isso não está acontecendo.
09:54Por mais que tenha tido o cessar-fogo,
09:56nós assistimos ataques das próxias iranianas,
10:00nós assistimos a incapacidade dos iranianos de abrir o Estreito de Hormuz.
10:04Informações que temos é que nem mesmo os iranianos sabem
10:07onde estão a totalidade das minas marinas.
10:10Então, sem saber onde estão as minas, como reabrir o Estreito de Hormuz.
10:14Então, cria-se uma situação que as duas partes não conseguem criar o mínimo de confiança.
10:20Imaginávamos que com o Paquistão e essas negociações haveria algum tipo de reação.
10:26Não acredito que as teremos.
10:28Porém, também é possível que ao longo da semana tenha uma nova rodada de negociações
10:33com novos termos, ao estilo do que nós vimos na Ucrânia.
10:37Apesar de não ter se tornado realidade, alguma coisa avançou.
10:41O grande ponto é que os dois lados estão em uma situação difícil.
10:46E, para o presidente Donald Trump, ele corre contra o tempo
10:49em relação às suas próprias visões eleitorais internas dos Estados Unidos
10:53e os iranianos correm contra o tempo pela falta de armamento que eventualmente vai chegar.
10:57E sim, com medo de que novos players possam entrar.
11:02E, ao meu ver, países da União Europeia, militares e potências atômicas
11:07podem ser instados a apoiar os Estados Unidos, mesmo sem querer,
11:12caso isso comece a impactar diretamente as suas economias.
11:15E isso, sim, os iranianos não querem.
11:18Professor, e você falou nessa questão da possibilidade de entrar novos players.
11:22Mas também seria importante termos, pelo menos, outros países,
11:27ou pelo menos a comunidade internacional, na tentativa de intermediar essas negociações?
11:31A gente vai ter agora mais uma rodada por intermediação por parte do Paquistão.
11:35Inclusive, o próprio Paquistão ser palco dessas negociações já chama bastante atenção.
11:40Mas o próprio presidente da Rússia, Vladimir Putin, já se colocou à disposição.
11:44Você acredita que outros players importantes aí da comunidade internacional
11:48podem conseguir avançar nessas negociações?
11:50Ou, diante desse cenário de impasse, de incerteza, nem isso é suficiente?
11:56Eu acho que é importante.
11:58Não sei se o presidente Vladimir Putin é a pessoa mais, não diria, gabaritada,
12:03mas com maior capacidade para fazer isso,
12:05tendo em vista que ele está em um conflito contra o Ocidente
12:08e contra os países que estão apoiando a Ucrânia.
12:11Porém, acho que Xi Jinping poderia ser um player importante.
12:14A China é um grande parceiro importante do Irã.
12:17E poderia, sim, tentar intermediar algum ponto agora.
12:21Eu acho que o ponto principal que pode intermediar
12:23são aqueles parceiros que podem pressionar os iranianos,
12:29pressionar os iranianos a, de fato, entrarem em uma negociação.
12:33O Irã está, no momento, digamos assim, com uma faca e o queijo na mão,
12:39ou talvez uma faca na garganta da comunidade internacional
12:42por causa do Estreito de Hormuz,
12:43mas, eventualmente, haverão outras situações
12:47que vão tentar desfazer esse bloqueio internacional.
12:50Se houver uma resolução do Estreito de Hormuz
12:54pelas Forças Armadas de algum país ou de uma comunidade de país,
12:58os iranianos ficaram totalmente incapazes de se defender.
13:02Então, é uma situação extremamente delicada.
13:04Mas, sim, o Paquistão é um player importante,
13:07a Índia é um player importante,
13:08talvez a China.
13:09Esses países têm negociações muito fortes,
13:12tanto com os Estados Unidos como com os iranianos,
13:15e podem, sim, impactar diretamente nas negociações.
13:20Aparentemente, a negociação direta entre Estados Unidos e Irã
13:23não está avançando,
13:25mas precisa, sim, ter um intermediário.
13:28Acho que o Paquistão,
13:30e é um pouco surpreendente o Paquistão ter tomado esse papel,
13:33mas é um papel positivo.
13:36Geralmente, essas negociações vinham por meio dos países árabes
13:41do Oriente Médio,
13:42porém, o Irã os atacou quase todos.
13:45Nenhum país.
13:46Porém, a Arábia Saudita, Qatar ou Manquer,
13:48fazer esse papel com medo de ser atacado.
13:51Então, pela questão religiosa,
13:53o Paquistão, talvez, tenha sido a escolha mais próxima.
13:56E a gente vai acompanhar, vai continuar acompanhando isso.
13:59Agora, os termos que o Irã coloca,
14:01acho que são muito radicais.
14:03Acho que os Estados Unidos têm, sim,
14:05o objetivo de tentar renegociar,
14:06inclusive, abrir as sanções internacionais
14:11aos recursos iranianos no exterior,
14:13mas tentar colocar dentro dessa negociação
14:16as suas próxias, que são grupos terroristas,
14:18eu acho que isso não é aceitável,
14:20nem para os Estados Unidos,
14:22que estão em uma situação meio que presa neste conflito,
14:25mas pelos aliados.
14:27Mesmo que os Estados Unidos fizessem um acordo,
14:29não seria respeitado por nenhum dos seus aliados na região.
14:32As organizações terroristas não podem ser confundidas com os Estados,
14:36e o Irã, ao fazer esse tipo de demanda,
14:39coloca dentro do seu próprio Estado
14:43uma abertura para a comunidade internacional,
14:45que é o patrocinador do terrorismo.
14:47E isso, sim, impede qualquer tipo de negociação séria.
14:50Perfeito, professor.
14:52Muito obrigado pela sua participação,
14:53trazendo mais esclarecimentos para a gente entender um pouquinho
14:55esse cenário de momento que a cada dia muda,
14:58por isso que esse conflito se torna tão dinâmico,
15:01é importante a gente poder acompanhar as questões
15:03envolvendo o âmbito militar, político, estratégico,
15:06e, é claro, também econômico.
15:08Um bom domingo para o senhor.
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