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O professor de relações internacionais Manuel Furriela comentou o prazo de 48 horas dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), ao Irã para um acordo sobre a reabertura do estreito de Ormuz e os riscos de escalada militar.

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Transcrição
00:00O governo dos Estados Unidos confirmou, nesta tarde, o prazo de dois dias para o Irã fechar um acordo ou
00:06abrir o Estreito de Hormuz, a rota do petróleo.
00:09O presidente americano, Donald Trump, prometeu reagir com novas medidas se o Irã não cumprir o prazo.
00:16Nas redes sociais, Trump disse que, abre aspas,
00:20se lembram de quando dei ao Irã dez dias para fazer um acordo ou abrir o Estreito de Hormuz?
00:26O tempo está se esgotando, 48 horas antes que o inferno se abata sobre eles.
00:34Glória a Deus, Donald Trump.
00:36É o que escreveu nas redes sociais, ou seja, projetando para a próxima segunda-feira,
00:41depois de amanhã, quando se escoam essas últimas 48 horas, para que haja o inferno sobre o Irã.
00:48Nós vamos receber aqui no nosso Fast News, já já, o professor, aliás, já na tela conosco,
00:54o professor Manuel Furriella, sempre conosco aqui na Jovem Pan, professor de Direito Internacional
00:58e de Relações Internacionais, para nos ajudar a entender, já de começo, professor Furriella,
01:03o que significa esse inferno prometido para o Irã, no post de Donald Trump.
01:08Boa tarde, bem-vindo.
01:10Boa tarde.
01:11Bom, vários fatores fazem com que os Estados Unidos tenham que tomar uma atitude,
01:16efetivamente, em relação às agressões do Irã.
01:20Como a gente está acompanhando, o Irã tem atacado alvos americanos na região,
01:24desde bases militares, agora até mesmo empresas,
01:28que tenham atividades e instalações em países vizinhos.
01:31Mas o maior problema, realmente, efetivamente, que o Irã tem causado na região
01:36é a obstrução no trânsito, no tráfico de navios, de embarcações,
01:43principalmente petroleiros, pelo Estreito de Hormuz.
01:47Pelo Estreito de Hormuz, cerca de 20% do petróleo que é comercializado,
01:53que é exportado do mundo afora, transita, passa por aquele estreito.
01:58Essa obstrução tem enorme impacto econômico mundial,
02:02principalmente sobre a Europa e a China, que estão entre os maiores importadores,
02:07mas, em termos gerais, como trata-se de uma commodity,
02:10nos preços internacionais do barril, encarecendo o petróleo mundo afora,
02:16gerando risco de desabastecimento e, principalmente, pressionando a inflação.
02:21Então, os Estados Unidos estão sendo cobrados a tomar uma atitude.
02:26Já tentaram desobstruir atacando instalações militares iranianas,
02:31mas essa atitude não tem sido suficiente.
02:34O que os Estados Unidos planejam agora é ataques que desestruturem a atividade econômica no Irã.
02:42Estão entre essas principais instalações.
02:46Instalações militares, alvos, que são alvos pessoas físicas, lideranças militares e religiosas,
02:55e também outras que cuidam do abastecimento do país, principalmente de recursos hídricos,
03:02já que a dessalinização é um dos processos utilizados para abastecer não somente o Irã,
03:09mas outros países da região.
03:10Então, essas regiões e essas instalações que tenham infraestruturas e lideranças políticas e militares,
03:19provavelmente estão entre os primeiros alvos a serem atacados pelos Estados Unidos,
03:25se não houver um acordo ou a desobstrução do canal.
03:29Professor Fugiela, o senhor acredita que este post, esta ameaça, esse anúncio feito por Donald Trump,
03:36possa ser capaz de fazer com que o Irã ou faça um acordo ou libere o Estreito de Hormuz?
03:44Não, infelizmente eu não acredito que será capaz disso.
03:47Até mesmo porque o Irã vive uma situação onde, por conta da sua crise interna,
03:54precisa dar uma satisfação à população, já que corre o risco, o regime corre o risco de ruir,
03:59e esse é o principal fator que faz com que as autoridades iranianas
04:04tentem continuar dando sustentação ao regime atual dos Ayatolás instalado em 1979.
04:10Além disso, como o Irã não tem condições, pela distância e por fatores militares,
04:18de atacar efetivamente os Estados Unidos, o território americano,
04:23e só conseguem atacar o território israelense por via de envio de mísseis e drones,
04:30com poder efetivo muito pequeno, pouca eficácia,
04:34ou seja, eles não têm capacidade de um enfrentamento em guerra aberta
04:39que fizesse com que eles tivessem condições efetivamente de enfrentar seus inimigos,
04:44como eles não têm esses fatores nas suas mãos,
04:47só lhes resta causar danos econômicos na região.
04:52Por isso que atacam bases militares e principalmente atacam refinarias de petróleo,
04:59instalações relacionadas com atividades de empresas americanas na região,
05:03tudo isso objetivando causar prejuízos aos Estados Unidos, a Israel e ao Ocidente.
05:10E a obstrução do estreito é a maior carta que eles têm na manga,
05:14por isso ela é a capaz de gerar grande pressão.
05:18Neste momento, o Irã vive uma situação que ele sabe que não tem como ser vencedor do conflito,
05:23mas sabe que tem que causar grandes prejuízos econômicos e impacto internacional
05:29para, a partir disso, gerar uma negociação que traga um mínimo de atendimento aos seus interesses.
05:37Este é o jogo do momento, então eles não têm como sair disso
05:40enquanto não tenham condições efetivas de uma negociação mais ao seu interesse,
05:47seguindo efetivamente o que o regime iraniano busca,
05:50que é a sua perpetuação, mas também condições militares de manter algum poder geopolítico na região.
05:58O programa nuclear eles sabem que vão ter que abandonar,
06:01mas a questão dos mísseis balísticos e outras armas, equipamentos militares
06:06que ainda têm algum poder de dissuação, eles buscam manter.
06:10Para negociar, precisam continuar influentes.
06:13Para continuar influentes, precisam continuar atacando algos estratégicos.
06:17Professor, e aí a gente chega então numa situação que a pergunta é
06:22como então alcançarão, de alguma maneira, a possibilidade de liberação do Estreito de Hormuz?
06:28Porque se o Irã não tem ali grande tendência de liberar a passagem,
06:34de desbloquear o Estreito de Hormuz,
06:36se o presidente americano faz um anúncio de que vai atacar,
06:39e pelo menos se interpreta de que esse inferno se abatendo sobre o Irã
06:44seria ataques militares até mais densos e com mais força,
06:50com mais poder potencial de ataque contra o Irã,
06:55como é que a gente vai ter essa solução?
06:58A gente teve a proposta do Bahrein, para o Conselho de Segurança da ONU,
07:02de uso da força, que aparentemente não vai ter lá o seu sucesso.
07:07Inclusive tivemos o adiamento dessa votação.
07:10Como é que o senhor está projetando o futuro nessa discussão?
07:14Bom, aos Estados Unidos e a Israel, mas principalmente aos Estados Unidos,
07:20existem as seguintes alternativas.
07:22Uma, primeiramente, eles, com toda a força americana e israelense,
07:27buscaram essa desobstrução, mas conforme a gente mencionou,
07:31não tem tido sucesso.
07:32Os Estados Unidos tentaram, numa segunda etapa,
07:35buscar o apoio dos outros integrantes da OTAN,
07:38principalmente os europeus,
07:40já que, como se sabe, a Europa é uma das principais importadoras
07:44e uma das maiores interessadas
07:46na estabilização do abastecimento internacional do petróleo
07:50e dos preços desse produto.
07:52Por conta desse tipo de interesse e dessa situação,
07:56os americanos acreditavam que os europeus Biotan viriam a integrar essa força
08:02e favorecer a desobstrução.
08:04A Europa foi categórica em função pelos seus principais países
08:10no sentido de informar que não entrariam nesse conflito.
08:14Até mesmo porque a Europa pode ser alvo de mísseis balísticos iranianos
08:19por conta da distância.
08:20Esses mísseis são capazes de atingir cerca de 4 mil quilômetros,
08:25podendo atingir, por exemplo, Paris,
08:27só para a gente simplificar aqui a complexidade da situação.
08:31Partiram para um pedido ao Conselho de Segurança da ONU.
08:35Você tem 15 estados com direito a voto
08:37e cinco que são os permanentes com direito a veto.
08:40Qualquer um desses pode vetar uma decisão
08:43que seja tomada a favor, por exemplo,
08:46pelos outros 14 membros.
08:48China já afirmou também, categoricamente, que vai vetar.
08:52Então, aos Estados Unidos, existem agora duas alternativas.
08:55Uma é efetivamente buscar um acordo, uma composição de paz,
09:00mas os termos são difíceis,
09:02pois o Irã já rechaçou vários dos 15 pontos apresentados por Donald Trump,
09:07ou seja, não aceitou grande parte daqueles pontos.
09:10E o outro é a utilização da força.
09:12Então, neste momento, a tentativa de obstrução,
09:16ela vai para um caminho infeliz,
09:18que vai causar muitos danos aos países da região,
09:21à economia mundial e atingindo potencialmente muitos civis.
09:26Qual é essa alternativa?
09:27Eles continuarem se atacando mutuamente,
09:31medindo forças para tentar, no futuro,
09:33chegar numa composição que atenda a seus interesses.
09:36Então, a gente tem aí grande chance de uma continuidade do conflito
09:41muito mais acirrado do que nos moldes atuais.
09:44Já que a gente sabe que o Irã tem um poder de agressão
09:47muito maior do que vem executando,
09:49os Estados Unidos, por conta do seu potencial,
09:52do seu poderio militar muito maior,
09:55vão continuar nesses ataques a pontos estratégicos
09:58com mais intensidade.
10:00Se não houver uma composição entre as partes,
10:03infelizmente, tende o conflito a se acirrar
10:07com ataques ainda muito maiores
10:09do que a gente tem observado atualmente.
10:11Quem tem chance de sofrer mais?
10:13População civil desses países e economia mundial.
10:18Professor Furiel, uma última pergunta.
10:20Já pensando nas próximas jogadas desse xadrez geopolítico,
10:26se a gente tiver o decurso do prazo,
10:28as 48 horas, sem uma solução,
10:31um ataque, por consequência, americano contra o Irã,
10:35um ataque forte contra o Irã,
10:37o que pode vir depois?
10:39Como é que a comunidade internacional,
10:40os outros países reagiriam
10:42diante de uma escalada desse conflito?
10:46Nós temos aí a chance,
10:48caso o conflito se acirre,
10:50de dois tipos de desgastes para os Estados Unidos.
10:53Um, se efetivamente eles decidirem enviar tropas por terra.
10:57Aí eles vão entrar no conflito de uma forma
11:00onde eles têm aí consequências que são totalmente fora de controle.
11:06A gente teve isso no Iraque,
11:08nós tivemos isso no Vietnã nos anos 70.
11:11A utilização de forças terrestres,
11:13a utilização de soldados,
11:15em alguns casos,
11:17por uma lógica militar,
11:19torna-se necessário por quem quer sair o vencedor.
11:21Mas os riscos são enormes.
11:24Aí você tem o potencial de um grande número de baixas de soldados americanos,
11:29o que é sempre muito impopular,
11:31por motivos óbvios,
11:33para a população americana.
11:34E outra alternativa
11:36é começar a atacar instalações
11:38que sejam ou possam ser consideradas crimes de guerra.
11:43Por exemplo,
11:44se eles prejudicarem o abastecimento de água à população,
11:47isso não é permitido pelas normas internacionais
11:50como estratégia de guerra,
11:52vai causar desgaste pela comunidade internacional
11:56e no próprio Oriente Médio.
11:58Então, acirrar,
11:59intensificar o conflito
12:01pode trazer muitos riscos aos Estados Unidos.
12:05Seja por tropas,
12:06seja por ser criticado pela comunidade internacional,
12:09se decidir atacar alvos estratégicos
12:12que não sejam militares,
12:14mas com o intuito de pressionar o Irã,
12:17que já está com a sua economia
12:19combalida principalmente desde o ano passado,
12:22a recuar.
12:23Essas estratégias são de alto risco,
12:26mas o governo americano,
12:28numa tentativa de liberar o estreito
12:32de uma vez por todas,
12:33pode partir para essas alternativas
12:35de alto risco,
12:37mas para o governo americano
12:38as opções começam a se esgotar.
12:41ele partir para um ataque mais intenso
12:44vai ser a última alternativa
12:45que poderá ser usada.
12:47Mas eu acredito que ela está próxima
12:49em função das anteriores,
12:51conforme eu mencionei,
12:52via OTAN e via Conselho de Segurança,
12:55não terem acontecido.
12:57Vai ter que ser uma iniciativa americana
12:59de maior intensidade
13:00e também de maior risco.
13:02Obrigado.
13:02Obrigado.
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