00:00A gente vai seguir acompanhando e, claro, a gente está aqui nesse dia seguinte a um evento global
00:04que foi justamente o ataque americano ao líder supremo iraniano e com a morte de Ali Khamenei.
00:13E isso tem repercutido, inclusive, nessa manifestação aqui em São Paulo.
00:16Em sua chegada ao ato Acorda Brasil, aqui na Avenida Paulista,
00:20o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, lamentou o episódio, mas apoiou os bombardeios no Irã.
00:26Nós vamos acompanhar.
00:30Ninguém apoia isso. Ninguém apoia o pior.
00:32Mas acontece que nós temos que ter na cabeça que o Irã, com uma bomba atômica na mão, pode acabar
00:40com o mundo.
00:41Então nós temos que ter esse controle.
00:43Nós não podemos deixar isso na mão de quem não tem juízo.
00:47E o povo é muito radical.
00:50E você veja que eles mataram 40 mil pessoas recentemente lá nessa manifestação, uma judiação.
00:57Eu não gosto, não fico contente com o que o Trump fez, mas eles tinham que fazer para defender a
01:07própria sobrevivência.
01:09A manifestação do presidente do PL a respeito do evento acontecido ontem no Irã, do ataque americano contra o regime
01:19iraniano.
01:20E o Valdemar Costa Neto leva esse debate justamente para o perigo de um regime teocrático, autoritário, ter consigo uma
01:26bomba atômica.
01:27É claro que não é só o Irã o único país que teria consigo uma bomba atômica.
01:32A gente tem muitos outros países nessa condição também, como por exemplo Coreia do Norte, entre outros.
01:38Mas é claro que essa relação dos Estados Unidos com o Irã passa também pelo problema com o Israel,
01:45já que o Irã é financiador direto de todos os grupos terroristas que têm intencionado os seus ataques ao território
01:53israelense nos últimos anos todos.
01:55Para a gente entender melhor o cenário a respeito de como é que fica agora as relações internacionais,
02:01a situação da sucessão no regime iraniano, a posição dos líderes globais, a popularidade interna e externa de Donald Trump
02:10nos Estados Unidos,
02:10a gente recebe agora o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba, Augusto Teixeira,
02:17chegando conosco aqui nesta edição do Fast News.
02:19Professor, boa tarde, bem-vindo.
02:23Olá, muito obrigado pelo convite. É um prazer falar com você e com sua audiência.
02:26Professor, quero já uma análise inicial do senhor a respeito deste ataque que foi feito e da morte de Ali
02:34Khamenei.
02:35Como é que fica a situação no Irã agora?
02:37Porque caiu o líder supremo, mas aparentemente não caiu o regime, não é isso?
02:42Sem dúvida.
02:43Até o momento, o objetivo maximalista de mudança de regime ainda não foi obtido pelos Estados Unidos e por Israel.
02:51Entretanto, o ataque foi um sucesso.
02:54Primeiro, na perspectiva dos Estados Unidos e Israel conseguirem identificar a localização do Khamenei,
03:01que se encontrava protegido em um bunker, em um protocolo de segurança e movimentação extremamente bem organizado e robusto,
03:09dado que ele sobreviveu a diversas tentativas de ataque já na Guerra dos Doze Dias.
03:14E segundo, pelo fato de que, apesar do Irã possuir linhas sucessórias no campo político e militar,
03:21ocorre um potencial efeito de redução da qualidade da futura liderança.
03:25Isto porque líderes como Khamenei, eles possuem, para aqueles que o apoiam,
03:31um elemento de legitimidade e um fator de coesão social importante.
03:35Algo que um novo nome talvez não consiga trazer com o mesmo ímpeto.
03:39Então, é uma situação que, para o Irã, é extremamente deletéria, especialmente na dimensão simbólica
03:45de não conseguir proteger a sua principal liderança política e militar e religiosa,
03:51que, no contexto de uma guerra como essa, ganha contornos dramáticos.
03:56Entretanto, o Irã já colocou a morte do Khamenei sobre a perspectiva do martírio,
04:01o que pode ser utilizado pelo país como um instrumento ou combustível
04:05para organizar e manter a resistência contra os Estados Unidos e Israel,
04:10o que, sem dúvida alguma, pode contribuir para a prorrogação do conflito.
04:14E olha só, o governo dos Estados Unidos confirmou que os bombardeiros furtivos B-2,
04:19desarmados com bombas de quase mil quilos, foram usadas para atingir instalações fortificadas
04:25de mísseis balísticos do Irã.
04:27Além disso, outras ações militares americanas resultaram no afundamento de nove navios de guerra
04:33da marinha iraniana, enquanto o Pentágono nega que o regime tenha atingido
04:37o porta-aviões americano Abraham Lincoln neste domingo.
04:41As forças iranianas haviam informado que a embarcação americana teria sido atingida
04:45por quatro mísseis balísticos, mas, de acordo com o Pentágono,
04:49os ataques nem sequer chegaram perto da embarcação.
04:53Diante da escalada dos conflitos e da confirmação da morte de Ali Khamenei,
04:57o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a nova liderança do Irã
05:01deseja conversar com seu governo e que ele planeja fazê-lo.
05:05A declaração foi dada em entrevista concedida à revista The Atlantic.
05:09Neste momento, sirenes que foram disparadas em algum momento em Israel
05:16deixam a atenção ainda maior lá no território israelense.
05:20Deixa eu chamar aqui o professor para falar justamente sobre isso.
05:23Professor, o presidente americano está sinalizando para a possibilidade
05:28de uma conversa com os sucessores de Ali Khamenei.
05:33Qual é a possibilidade disso?
05:35Levando justamente em consideração o regime teocrático, a religião,
05:39a fé que está impregnada no regime, onde negociações às vezes não são uma hipótese.
05:47Como o senhor avalia essa manifestação do presidente americano?
05:52Veja, Kobayashi, o Trump tem uma perspectiva muito específica
05:57sobre o uso da força militar nas relações internacionais.
06:00Da forma que eu interpreto, o Trump usa o instrumento militar
06:04como uma alavanca coercitiva em negociações.
06:08Ou seja, ele emprega ou ameaça empregar um vultoso dispositivo militar
06:14voltado a alavancar a negociação nos termos que lhe são favoráveis.
06:19Ele fez isso, por exemplo, em relação à Venezuela,
06:22quando antes da subtração de Maduro,
06:25se considerava que os Estados Unidos,
06:27dada a magnitude do dispositivo militar no Caribe,
06:30poderia engendrar uma derrubada do regime.
06:33E o que vimos, na verdade, foi a subtração de Maduro
06:35e uma negociação com a linha sucessória,
06:39mantendo o regime, mas este complacente com os objetivos americanos.
06:44No caso do Irã, que é um país muito mais sólido,
06:47robusto, com programa militar expressivo,
06:50isso é muito mais difícil de ocorrer.
06:52Mas o Irã tem uma linha diplomática expressiva
06:55na perspectiva de tentar colocar o tabuleiro novamente
06:59no campo político diplomático.
07:01E o Trump tem isso como algo importante,
07:04já que ele recebe pressões dos democratas, dos republicanos,
07:08e também, obviamente, da dimensão de potencial sequestro de direitos de guerra
07:13em relação ao seu parlamento.
07:14Ou seja, o tempo joga contra Trump nessa perspectiva.
07:19Então, a cenar para a negociação pode ser vista como positivo
07:23para que ele ganhe margem de ação, liberdade de ação em relação ao Irã.
07:27Agora, ele só negociará se tiver os seus objetivos na mesa
07:32e o Irã for capaz de poder comply com os objetivos americanos.
07:37Algo que é muito difícil,
07:39mas a abertura da linha sucessória para o novo membro
07:42pode colocar isso como algo necessário para a sobrevivência do regime,
07:46que seria um objetivo defensivo importante para o Irã.
07:50Vou trazer aqui nossos comentaristas para essa conversa.
07:53Quem faz a próxima pergunta é o Diego Tavares.
07:57Professor, boa tarde.
07:58Um prazer revê-lo ao vivo aqui na Jovem Pan News.
08:00Professor, nas redes sociais tem ganhado cada vez mais volume
08:03a teoria de que esse ataque iraniano antecipado em cerca de seis dias
08:07por Donald Trump seria uma forma de aliviar a pressão política interna
08:10decorrente do desaparecimento de arquivos do caso Epstein.
08:15Na sua perspectiva de um profissional das relações internacionais,
08:18como o senhor vê essa hipótese?
08:21Diego, é uma hipótese que ela tem uma coerência lógica,
08:25ou seja, ela tem sentido,
08:27mas eu creio ser muito difícil acreditar
08:30que toda a dimensão do poderio militar
08:33que vem se concentrando próximo ao Irã nos últimos meses
08:36seja apenas pela questão de um problema interno dos Estados Unidos.
08:41Você tem, apesar de ter uma dinâmica importante
08:44da disputa política eleitoral americana
08:46que pode afetar cálculos estratégicos no campo internacional,
08:49mas esta campanha agora,
08:52ela ocorre em uma importante relação de contato
08:55entre Estados Unidos e Israel
08:56entre uma leitura e planejamento relacionado ao futuro do Oriente Médio
09:00entre contatos muito estratégicos com a Arábia Saudita, por exemplo.
09:05Ou seja, o que nós estamos vendo agora
09:08pode ter um efeito importante para Netanyahu e para Trump
09:11relacionado às suas eleições,
09:14para Netanyahu eleição geral e para Trump eleições de lei de mandato,
09:18mas o objetivo por trás é muito mais voltado
09:21aos objetivos estratégicos e militares do campo,
09:24do poderio militar,
09:25de um ator que é percebido como ameaça no Oriente Médio.
09:28É por isso que são questões que podem estar relacionadas,
09:31mas não creio que a guerra nesse momento
09:34seja apenas para ocultar um problema de caráter doméstico
09:37que sem dúvida cobra e cobrará um preço a Trump,
09:41até porque ele usou dessa cartada contra os democratas
09:44e agora ele sofre com o mesmo tipo de acusação.
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