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O professor de Relações Internacionais, Carlos Gustavo Poggio, explica as implicações do ultimato de duas semanas dado por Donald Trump ao Irã.

Com as negociações travadas em um dia de alta tensão diplomática, o especialista detalha como essa estratégia de pressão máxima impacta o tabuleiro geopolítico e quais os riscos de um desfecho militar caso o prazo expire sem acordo.

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https://youtube.com/live/CUIZXKV56qU

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Transcrição
00:00Vou aproveitar e perguntar para o professor Carlos Pódio.
00:02Seguinte, professor, Donald Trump parece ter dado agora o maior recuo da sua presidência
00:08desde que ele voltou à Casa Branca, pelo menos, no ano passado.
00:11Como é que fica a imagem de Trump perante a comunidade internacional?
00:15Porque são vários recus, vários recus, talvez o maior de todos,
00:19mas ele segue sendo o presidente dos Estados Unidos,
00:22que continuam tendo a sua posição de destaque, de soberania, digamos assim,
00:28diante do cenário internacional.
00:32Se a gente acompanhar, por exemplo, Donald Trump fez essa ameaça de aniquilar o Irã.
00:38Se isso fosse, de fato, levado a sério pelos diversos agentes econômicos,
00:43o que a gente veria seria uma movimentação muito grande na Bolsa de Valores.
00:46O preço do petróleo dispararia mais do que está disparando.
00:50E nós não vimos nada disso acontecer.
00:51Por que não vimos nada disso acontecer?
00:53Porque essas pessoas que mexem com dinheiro,
00:56já estava muito claro para todas elas
00:58que Donald Trump não cumpriria esse tipo de ameaça.
01:02Que isso ficaria no campo da bravata,
01:04coisa que se torna muito comum na linguagem do Donald Trump.
01:08Agora, a questão é que isso eventualmente pode funcionar,
01:11ou poderia funcionar,
01:12na época que o Trump era empresário.
01:15Ainda que a gente considere que ele faliu uma série de empresas,
01:18faliu uma meia dúzia de cassivos,
01:20tentou uma série de iniciativas que não deram certo,
01:22a Universidade do Trump, o BIF do Trump, a Vodka do Trump,
01:25as linhas aéreas do Trump, o banco do Trump,
01:29tudo falindo, talvez por conta desse tipo de ação do presidente norte-americano,
01:35muito impulsivo,
01:36e que nem sempre traz os benefícios que ele espera.
01:40O problema é que isso nas relações internacionais,
01:42todo mundo já entendeu como é que é o jogo do Donald Trump.
01:46Agora, como disse, que não tira o fato
01:48de que as palavras do presidente norte-americano
01:51são palavras que têm peso.
01:53Essa postura de muitos dos apoiadores do Donald Trump
01:56de dizer, ah, não, o Trump é assim mesmo,
01:58ele fala desse jeito,
01:59como se as palavras não tivessem nenhuma importância.
02:02Não, elas têm importância.
02:04Isso gerou uma preocupação muito grande
02:06por parte de aliados norte-americanos,
02:08e gerou um movimento muito grande nos Estados Unidos
02:10de que fazia alguma coisa contra o presidente.
02:13Já tem muitos mais deputados e políticos do Partido Democrático,
02:18que anteriormente estavam reticentes a pedir
02:21o impeachment do Donald Trump,
02:22ou a pedir que fosse chamada a 25ª emenda,
02:27que tem a ver com a incapacidade do presidente norte-americano.
02:30E isso começou a circular com muito mais força
02:32nos Estados Unidos após essas falas do Donald Trump.
02:36Então, o estrago foi feito.
02:38O estrago na reputação dos Estados Unidos
02:41do ponto de vista internacional,
02:43e o estrago do ponto de vista da própria aprovação
02:45do presidente Trump dentro dos Estados Unidos,
02:48esse estrago já foi feito
02:51e é mais difícil de se reverter.
02:53Então, essas questões têm, sim,
02:55um custo importante, um custo relevante,
02:58mas isso nós vamos agora,
02:59no que concerna especificamente a essa guerra no Irã,
03:02nós vamos descobrir nos próximos dias.
03:04Não significa nada dizer que há um cessar-fogo de duas semanas.
03:08O cessar-fogo pode ser facilmente quebrado
03:10em 24 horas ou em uma semana.
03:13Então, a gente vai ter que acompanhar como essas coisas vão evoluir.
03:16É claro que a impressão que temos
03:18é que o presidente Donald Trump está muito ansioso
03:21para algum tipo de acordo,
03:23e isso pode fazer com que os Estados Unidos
03:25venham a ceder nessa negociação com o Irã.
03:28E o Irã, a despeito de toda a destruição,
03:31a despeito de todo o que sofreu em termos de bombardeio,
03:35pode acabar saindo dessa negociação
03:38numa situação do ponto de vista de relevância política
03:43maior do que tinha antes da guerra.
03:45Professor Carlos Podia, conversando com a gente
03:47nessa edição do nosso jornal Jovem Pan,
03:50depois da decisão do presidente Donald Trump,
03:52e agora a informação que vem do governo do Irã.
03:56Mano Ferreira, sua pergunta para o professor.
03:58Mano.
03:58Boa noite, professor.
03:59A gente tem falado sobre essa ultrapassagem
04:02de um limiar retórico por parte do presidente dos Estados Unidos
04:06e do quanto isso acaba revelando
04:10sobre a falta de limites ao poder do presidente americano.
04:15Algo que acaba atrapalhando ou fragilizando
04:19a credibilidade das próprias instituições
04:21da democracia americana.
04:23Até que ponto nós podemos esperar
04:25que o aumento dessa conversa
04:29sobre um eventual impeachment do presidente Trump
04:32renda algum tipo de limitação ao seu poder.
04:36As instituições americanas vão reagir?
04:39Qual o impacto de uma não-reação
04:42sobre a credibilidade do governo americano
04:44como fiador da frágil, cada vez mais frágil,
04:48ordem liberal internacional?
04:52Eu acho que você, Mano, foi no coração da questão.
04:57Ou seja, os Estados Unidos têm abdicado,
05:01claramente, de uma posição de liderança
05:05no sistema internacional
05:06para uma posição que se baseia apenas na força.
05:09A busca dos Estados Unidos como atuação
05:11no sistema internacional
05:13sempre se baseou na ideia de hegemonia,
05:16que a ideia de hegemonia é uma ideia que tem a ver com força,
05:18mas tem a ver também com o consenso.
05:20Tem a ver também com a busca de consenso entre aliados,
05:23tem a ver com uma certa aceitação de determinados valores.
05:27Ou seja, você não age.
05:29Inclusive, essa é uma estratégia
05:30para tornar a liderança americana menos custosa,
05:32que não é uma liderança que se baseia
05:34apenas em você ter que, eternamente,
05:37ter que fazer ameaças de uso da força militar.
05:40Que tem a ver com a construção de um certo consenso
05:42que passa especialmente pela ideia
05:46de você articular com aliados.
05:47coisa que o Donald Trump não tem feito.
05:50Vamos lembrar que antes mesmo
05:51desta guerra do Irã, ele estava ameaçando
05:53anexar a Groenlândia,
05:55criando, portanto, um mal-estar muito grande
05:58entre os seus próprios aliados,
06:00principalmente os aliados europeus,
06:02e aprofundando aí
06:03esta situação que você descreve
06:06de crise desta ordem liberal,
06:09que é a ordem que temos
06:10desde a Segunda Guerra Mundial.
06:12Sem falar na questão da ordem econômica,
06:15guerra tarifária, etc.
06:17Então, isso tudo tem, evidentemente,
06:19o seu custo no longo prazo.
06:21Se nós vamos ver algum tipo de impeachment,
06:24algum tipo de reação das instituições norte-americanas,
06:27eu acho que já está claro que não vamos ver.
06:29Já está claro que as instituições americanas,
06:31elas foram pegas de surpresa
06:34por um presidente que age da forma
06:38como o Donald Trump age.
06:40E não sabe, por conta do federalismo,
06:42separação de poderes,
06:43a Constituição americana,
06:45o crime de polarização nos Estados Unidos,
06:48que impede uma reação muito grande.
06:50Então, por mais que você tenha
06:52movimento entre os democratas,
06:54para você ter um processo de impeachment
06:57de um presidente norte-americano,
06:59você precisa passar pela Câmara
07:01e você precisa passar pelo Senado.
07:03Você precisa de dois terços dos senadores
07:06para aprovar um impeachment,
07:08que é uma marca muito difícil de alcançar
07:10e que não há a menor perspectiva
07:12que os democratas vão ter esses números
07:14no Senado norte-americano.
07:16Então, o contexto político que nós temos hoje
07:19torna muito difícil qualquer tipo de reação.
07:22Outra reação que eu quis referência
07:24é a 25ª emenda,
07:25que demandaria que o próprio gabinete
07:28do Donald Trump, de alguma forma,
07:29se virasse contra ele,
07:30que declarasse o Donald Trump incapaz
07:32e, portanto, junto com o Congresso,
07:35afastasse o presidente.
07:36Mas isso também não vai acontecer,
07:38porque o que o Donald Trump fez
07:39nesse segundo mandato
07:41foi se cercar de pessoas
07:43cuja principal característica
07:45é a fidelidade ao Donald Trump.
07:47Para começar pelo vice-presidente,
07:48mas também o secretário de defesa
07:51e outras pessoas que o cercam.
07:53Essas pessoas têm uma lealdade
07:55muito grande ao Donald Trump,
07:56então também o que bloqueia
07:57essa segunda avenida
07:59em termos de reação institucional.
08:01Então, portanto,
08:02não teremos nenhum tipo de reação,
08:04não teremos nenhum tipo de consequência
08:07institucional para o Donald Trump.
08:08Podemos ter, sim,
08:09uma consequência política.
08:11Essa consequência política
08:12pode vir a começar
08:13nas eleições de meio de mandato,
08:15que são eleições que vão
08:16renovar o Congresso norte-americano
08:19e parte do Senado.
08:20Grande chance dos republicanos
08:22perderem a Câmara dos Deputados
08:24e têm uma boa chance também
08:26de perderem o Senado.
08:27Mas, de novo,
08:28é impossível,
08:30de acordo com os números
08:31que temos agora,
08:32não tem como os democratas
08:34atingirem,
08:35mesmo que consigam esmagar
08:37e apertar uma maioria no Senado,
08:39que já por si só
08:40seria muito difícil,
08:41uma maioria simples,
08:43não tem uma maioria suficiente
08:44para conseguir algum processo
08:46de impeachment.
08:47Mas uma mudança no Congresso
08:49que coloca uma maioria democrata
08:51certamente criaria
08:52muito mais dificuldades
08:53para o Donald Trump
08:55na segunda parte
08:56do seu mandato.
08:57Denise.
08:58Carlos Paulo de Boa Noite.
09:00Eu queria saber,
09:01a partir de toda essa sua análise,
09:02se mudaria alguma coisa
09:04da política interna de Trump
09:05a partir da derrota,
09:07dessa possível derrota
09:08de meio de mandato
09:10das eleições,
09:10ele perdendo a força
09:12que tem no Congresso,
09:14sendo que ele não tem
09:15respeitado muito o Congresso,
09:17não tem respeitado as leis
09:18dos Estados Unidos.
09:20A Suprema Corte,
09:21recentemente,
09:22que conseguiu barrar o tarifácio,
09:24mesmo assim ele busca
09:25outras alternativas
09:26para retomar
09:27algumas tarifas punitivas
09:29que aí entram
09:29na questão geopolítica.
09:31E de outro lado,
09:32no exterior,
09:33em termos geopolíticos,
09:35quem poderia barrar Trump?
09:36Porque é difícil imaginar
09:37que ele vai aceitar
09:38essa postura de derrotado
09:40em relação ao Irã,
09:41que deu uma grande demonstração
09:43de força agora
09:44e pode impor
09:45algumas condições
09:46para parar mesmo
09:47com a guerra.
09:48e Trump não pode
09:49buscar um outro
09:50foco de atenção,
09:52desviar as atenções
09:53para mostrar
09:53que ele ainda
09:54tem a posição
09:56de dominador,
09:57essa prepotência
09:58toda que ele tem
09:59demonstrado
10:00contra o mundo
10:00todo
10:01e internamente também?
10:04Pois é, Néz,
10:05boa noite.
10:06Eu acho que você
10:06foi aí também
10:07num ponto importante,
10:09ou seja,
10:09mesmo o presidente
10:11Donald Trump
10:12tendo a maioria
10:13no Congresso
10:14norte-americano,
10:15é verdade que a maioria
10:16que ele tem agora
10:17na Câmara dos Deputados
10:18é a maioria
10:18muito frágil,
10:19mas ele tem a maioria.
10:21Tendo a maioria
10:21na Câmara
10:22e a maioria no Senado,
10:23ele ignorou o Congresso
10:25em muitas questões.
10:26O Trump é alguém
10:27que não gosta
10:27de governar
10:28com o Congresso,
10:29o Trump é alguém
10:29que não tem paciência
10:31para os rituais
10:32da democracia,
10:33as negociações,
10:34os processos,
10:35etc.
10:35Então o que ele faz
10:36é governar
10:37por ordem executiva,
10:39ordem executiva
10:40quando o presidente
10:41não precisa
10:41de aprovação
10:42no Congresso.
10:43Então toda essa questão
10:44tarifária dele,
10:45nunca se preocupou
10:46em fazer algum tipo
10:47de acordo com o Congresso.
10:48Pelo contrário,
10:49quando a Suprema Corte
10:51reagiu depois de um tempo,
10:52dizendo que as ordens
10:54executivas,
10:54muitas delas
10:55eram inconstitucionais,
10:57ou seja,
10:57o presidente estava
10:58utilizando uma legislação
10:59da forma que não dava
11:01a ele o poder
11:01que ele estava
11:03alegando que esta ordem
11:04daria,
11:05ele falou,
11:05não se preocupe
11:06que eu vou arranjar
11:06uma outra forma,
11:08outra legislação
11:09e que não vai precisar
11:10de aprovação
11:10do Congresso.
11:11Ou seja,
11:11ele não gosta
11:12de trabalhar
11:13com o Congresso.
11:14Ele não tem paciência
11:15para esses ritos
11:17da democracia
11:17norte-americana.
11:18Então ele ignorou
11:19o Congresso.
11:20Agora o que aconteceu
11:20é que os republicanos
11:22foram ignorados
11:24no Congresso,
11:24mas também não criaram
11:25problemas para o presidente.
11:26Pelo contrário,
11:27tentaram de alguma forma
11:28facilitar as ações
11:29de Donald Trump.
11:30Ele vai em guerra
11:31contra o Irã,
11:32não tem o menor
11:33tipo de consulta
11:34ao Congresso
11:35antes da guerra
11:36contra o Irã.
11:37Mas os republicanos
11:38não criam problemas
11:39para o Donald Trump.
11:40Isso é o que pode mudar
11:41nas eleições
11:42de meio de mandato.
11:43Ou seja,
11:43os democratas,
11:44eles tendo a maioria
11:46na Câmara
11:46e eventualmente
11:47tendo a maioria
11:48no Senado,
11:49eles podem criar
11:49obstáculos e dificuldades
11:51para o Donald Trump.
11:52Eles podem abrir
11:52investigações,
11:54eles podem tomar
11:55uma ação talvez
11:56mais ativa
11:57que os republicanos
11:59escolheram não tomar.
12:00Os republicanos
12:00escolheram ser passivos
12:01viante de um presidente
12:02que ignora o Congresso.
12:04Os democratas talvez
12:05escolhem um outro caminho
12:06nesse sentido.
12:07E isso pode eventualmente
12:08criar dificuldades.
12:10Esse é um padrão
12:10que a gente já vê
12:12que não é exclusivo
12:13do Donald Trump
12:14no sentido dessa mudança
12:15nas eleições
12:16de meio de mandato.
12:18Historicamente,
12:19em eleições
12:20de meio de mandato
12:21legislativo,
12:22o partido do presidente
12:23tende a perder cadeiras,
12:24o que significa
12:25que normalmente
12:26o segundo mandato,
12:27a metade do mandato,
12:29ela é muito mais complicada
12:30do que a primeira metade.
12:31O Joe Biden,
12:32por exemplo,
12:33na primeira metade
12:34do mandato,
12:34ele aprovou
12:35uma série de leis,
12:36fez uma série
12:37de modificações
12:38que na segunda metade
12:40ele já não pôde fazer
12:41porque perdeu
12:42a maioria no Congresso.
12:43Isto é verdade
12:44para o Obama,
12:45isto é verdade
12:46para outros presidentes
12:47antes do Donald Trump.
12:49Então,
12:49o que nós vamos observar,
12:51talvez,
12:52vai ser um Congresso
12:53mais ativo,
12:54criando dificuldades
12:55para o presidente,
12:56o que não vai impedir
12:57do Trump
12:57continuar utilizando
12:58o seu estilo
12:59que é de ignorar
12:59o Congresso
13:00e governar
13:00via ordem executiva.
13:02Professor, pode,
13:03antes de passar
13:04para mais uma pergunta
13:04do Fabrício,
13:05deixa eu tirar
13:05uma dúvida com o senhor,
13:06porque assim que
13:08esse anúncio
13:09de Donald Trump
13:09foi feito,
13:10o preço do petróleo
13:11já caiu,
13:12daqui a pouco a Denise
13:12vai trazer mais detalhes
13:14em relação a isso,
13:15mas eu pergunto
13:16para o senhor o seguinte,
13:17ele demonstra,
13:18e até pela percepção
13:19que o senhor tem
13:19aí nos Estados Unidos,
13:20ele demonstra
13:21que não está,
13:22entre aspas,
13:23ligando para a questão
13:24econômica,
13:24ou seja,
13:25ele desafia
13:25as questões econômicas
13:26porque isso
13:28acaba corroendo
13:28a popularidade dele.
13:30Com o próprio tarifácio
13:31foi assim,
13:32porque causou inflação
13:33dentro dos Estados Unidos
13:34e a situação
13:35do petróleo
13:36é uma situação
13:37que pressiona
13:38todos os países.
13:40De que forma
13:40o senhor acha
13:41que pessoalmente
13:42ele toma
13:43as decisões dele,
13:44faz os ultimatos dele,
13:46não ligando muito
13:47para essa questão econômica
13:48ou pelo menos
13:49deixando isso
13:49um pouco de lado?
13:50O senhor percebe
13:51isso ou não?
13:54É, Tiago,
13:54me parece que
13:55a principal questão,
13:57se a gente lembrar
13:58o que levou
13:59o Donald Trump
14:00a vencer as eleições,
14:02a vencer a Kamala Harris,
14:03a voltar
14:04à presidência
14:04da república
14:05foi a questão econômica.
14:07Essa foi a questão
14:08principal
14:09que o americano
14:10depois de um período
14:12de alta inflação,
14:13aumento dos custos
14:14de vida,
14:15ele viu no Donald Trump
14:17uma possibilidade
14:18de controlar
14:19esses preços
14:19e o Donald Trump
14:20fez uma campanha
14:21bastante forte
14:23nesse sentido.
14:24De novo,
14:25essa sua retórica
14:26hiperbólica
14:27dizendo,
14:27não,
14:27na primeira semana
14:28nós vamos controlar.
14:29Lembra que ele disse
14:30que acabar com a guerra
14:30da Ucrânia
14:31em 24 horas?
14:33Isso é que são
14:33essas promessas
14:34que o Donald Trump
14:35faz e que até
14:35os seus próprios
14:36apoiadores já começam
14:37a não levar
14:38tanto a sério.
14:39Começa a se colocar
14:41um pouco essa negativa
14:42do,
14:42ele é assim mesmo,
14:43ele fala assim mesmo.
14:44Mas, portanto,
14:45a questão da economia
14:46foi central
14:46na eleição
14:47do Donald Trump
14:47e ela, portanto,
14:48tem sido elemento central
14:49nessa queda abrupta
14:51que nós temos vendo
14:53de aprovação.
14:54Donald Trump,
14:55dos últimos
14:56presidentes norte-americanos,
14:57se você considerar
14:58os dois primeiros
14:59anos de governo,
15:00ele teve uma das maiores,
15:01se não a maior
15:02queda de aprovação
15:03entre o início
15:04do mandato
15:04e 18 meses depois.
15:07Ele parte
15:08do início
15:09de mandato
15:09que foi muito,
15:10com uma posição
15:12que ele estava
15:12muito boa
15:13do ponto de vista
15:14de aprovação,
15:14talvez a aprovação
15:15mais alta
15:16que ele tinha
15:16em muitos anos
15:17e rapidamente
15:18ele passa
15:19a aprovação
15:19mais baixa
15:20que ele tem.
15:21Então,
15:21essas ações
15:22do Donald Trump,
15:24principalmente na questão
15:24econômica,
15:25tem feito com que
15:26a aprovação
15:27do Trump
15:27se restringe
15:28cada vez mais,
15:29se aproxime
15:30cada vez mais
15:30apenas aqueles
15:31mais adeptos
15:33do núcleo maga.
15:34Aqueles mais adeptos
15:35são aqueles que,
15:36aquele grupo
15:37que diz que apoia
15:38o Donald Trump
15:38se ele atirar
15:39em alguém
15:39no meio
15:39da quinta avenida.
15:41Nesse meio
15:41do caminho
15:42ele está perdendo
15:42independente,
15:43ele está perdendo
15:44uma série de grupos
15:45que o apoiaram
15:46nessas eleições,
15:47como mais jovens,
15:49como minorias,
15:50negros e latinos,
15:51ele está perdendo,
15:52já tem um grupo
15:53importante aí
15:54de eleitores
15:55que tem dito
15:56que se arrependeu
15:57de votar
15:58no Donald Trump.
15:59Ele está no seu
16:00segundo mandato,
16:01ele está com 80 anos,
16:02ele tem uma personalidade
16:03muito própria,
16:04não parece que para isso
16:06seja um grande problema,
16:07mas vai ser um problema
16:08para quem fica
16:09notadamente,
16:10para quem vai
16:11herdar o legado
16:12do Donald Trump,
16:13que são os republicanos.
16:14Nós vamos ter
16:15uma primeira resposta
16:16a isso
16:17nas eleições
16:18de novembro.
16:19Já temos
16:20alguns indícios
16:20de outras eleições
16:21que aconteceram,
16:22que é um descontentamento
16:23muito grande,
16:24mas as eleições
16:25de novembro
16:25vão ser
16:26um termômetro
16:26importante para isso.
16:28Você continua
16:28mais um tempinho
16:29aqui com a gente,
16:30professor?
16:30Por gentileza,
16:31o Fabrício faz
16:31a próxima pergunta.
16:32Professor,
16:33a gente recebeu
16:33também agora
16:34pouca informação
16:35de que o governo
16:36de Israel
16:36teria concordado
16:37com esse cessar-fogo,
16:38teria dado
16:39um sinal positivo
16:40à Casa Branca,
16:41a esse cessar-fogo
16:42de duas semanas.
16:44O que a gente pode
16:44esperar das relações
16:45entre Estados Unidos
16:46de Israel
16:47daqui para frente
16:49até com o eventual
16:50fim da guerra?
16:51Ainda há uma discussão
16:51muito grande
16:52sobre quem levou quem,
16:53quem é o responsável,
16:55quem é o pai
16:56desse conflito.
16:57Como é que pode
16:58alterar essa relação?
17:01É, Fabrício,
17:02fundamentalmente
17:03o que a gente
17:04tem visto
17:05acontecer
17:05nos Estados Unidos,
17:06se a gente olha
17:07a situação
17:08da opinião pública
17:09nos Estados Unidos,
17:10sempre houve um apoio
17:11muito maior
17:12quando pergunta assim,
17:13você tem mais simpatia
17:15pela causa israelense
17:16ou pela causa palestina?
17:18Sempre,
17:19historicamente,
17:20houve mais simpatia
17:21do público americano
17:22por Israel
17:23do que pela causa palestina.
17:25Muito bem,
17:26essa questão
17:27recentemente
17:28ela praticamente
17:29se inverteu.
17:30Hoje o que as pesquisas
17:31mostram
17:32é um empate
17:33entre aqueles
17:34que apoiam Israel
17:34e entre aqueles
17:35que apoiam a Palestina.
17:36Nós temos tomado
17:38a isso,
17:38tem um processo
17:41legítimo
17:41de crítica
17:42ao Estado de Israel,
17:42etc,
17:43mas tem também
17:44um processo
17:44de antissemitismo
17:46crescente,
17:47tanto à direita
17:47quanto à esquerda.
17:49Então também
17:50é uma outra questão,
17:51muitos daqueles
17:52que estão no núcleo
17:53magra,
17:54inclusive,
17:55que criticam
17:55as ações
17:56do Donald Trump,
17:57eles vão utilizar
17:58essa hipótese
18:00que você levantou,
18:01que na verdade
18:01as ações
18:02do Donald Trump
18:03são guiadas
18:04pelo Netanyahu,
18:05são guiadas
18:06por Israel.
18:07Então tem
18:07esse elemento também.
18:09Então isso tem mudado
18:10um pouco
18:10nos Estados Unidos
18:11como essa questão
18:13é lidada.
18:13e o governo
18:15israelense,
18:15notadamente o governo
18:16Netanyahu,
18:17percebeu uma janela
18:18de oportunidade
18:19aqui com a questão
18:20do Irã,
18:21que o Irã estava
18:21enfraquecido.
18:22O Netanyahu
18:23já há muitos anos
18:24vem falando
18:25de atacar o Irã,
18:26isso é uma obsessão
18:27que ele já tem
18:27há mais de uma década,
18:29que ele já vem
18:29batendo nessa tecla.
18:31Então ele está
18:31realizando um desejo
18:33dele,
18:33um sonho geopolítico
18:35que ele carrega
18:36há mais de uma década.
18:37Então a questão
18:38que se coloca é
18:38Donald Trump
18:39não tem as mesmas
18:40preocupações
18:40de Netanyahu.
18:41O que nós estamos vendo
18:42é que Estados Unidos
18:43e Israel
18:44tem uma agenda comum,
18:46mas também tem
18:47as suas agendas
18:47separadas.
18:48Israel tem uma agenda
18:50que não é a mesma
18:51agenda dos Estados Unidos.
18:53Então isso vai adicionar
18:54um elemento
18:54de complexidade
18:56nessas negociações.
18:57À primeira vista,
18:58é claro,
18:58que para evitar
18:59qualquer tipo
19:00de mal-estar
19:01com a administração
19:02Trump,
19:02o governo Netanyahu
19:04vai aceitar
19:05aquilo que a administração
19:06Trump pedir,
19:07mas o que a gente
19:08tem visto,
19:09o padrão que nós
19:09vimos em Gaza,
19:10o padrão que nós
19:10temos visto
19:11em outros lugares,
19:12é que o governo
19:12israelense tem
19:13a sua própria agenda
19:14que vai colocar
19:15em funcionamento
19:16a despeito
19:17daquilo que pensa
19:18o presidente
19:19Donald Trump.
19:20Mano Ferreira?
19:21Professor,
19:22eu queria aproveitar
19:23que estamos falando
19:24da situação
19:25do envolvimento
19:26de Israel
19:27nesse conflito
19:28para pedir uma avaliação
19:30do senhor
19:30sobre o contexto
19:31político atual
19:33do governo
19:34israelense,
19:35porque muito se falou
19:36sobre a fragilidade
19:37do governo Netanyahu
19:39e o quanto que
19:40o envolvimento
19:41em conflitos externos
19:42e o prolongamento
19:43dos conflitos
19:44era também
19:45uma estratégia
19:46de sobrevivência
19:47política interna.
19:49Qual a situação
19:50hoje?
19:51Como que a população
19:53israelense
19:54tem assistido
19:55aos desdobramentos
19:56desse conflito?
19:58A gente tem visto
19:59claramente
20:00se a gente olhar
20:01para o governo
20:02Netanyahu
20:03e pensar
20:04como estava
20:0512 meses atrás
20:06estava em uma situação
20:07bastante fragilizada.
20:09Hoje
20:10nós não vemos
20:12a mesma situação
20:13de fragilidade
20:15que a gente via
20:15há 12 meses atrás.
20:17O que acontece
20:18é que o Netanyahu
20:19já há muitos anos
20:21como parte
20:22da vida
20:23política
20:24israelense
20:25tem se mostrado
20:26um sobrevivente
20:27alguém que sabe
20:28navegar
20:29nesses detalhes
20:30da política
20:31israelense
20:32entre as diversas
20:33alas que você
20:34encontra
20:34nos diversos
20:36elementos que
20:37compõem
20:38o gabinete
20:39do Netanyahu
20:40ele tem que navegar
20:41uma linha
20:42um pouco delicada
20:43mas ele tem sido
20:44relativamente
20:45bem sucedido
20:46em se manter
20:46no poder
20:47e tem sido
20:48bem sucedido
20:48principalmente
20:49mais do que isso
20:50em saber
20:51como lidar
20:52com o Donald Trump
20:54ele entendeu
20:55como o pé
20:56Donald Trump
20:56se mostrou
20:58extremamente
20:59bem sucedido
21:00em convencer
21:01os Estados Unidos
21:02a entrar
21:03numa aventura
21:03militar iraniana
21:04no ano passado
21:05e agora
21:06neste ano
21:07então os dados
21:08que nós temos
21:09todos concretos
21:10é que o Netanyahu
21:12ele tem conseguido
21:13avançar
21:13os seus objetivos
21:15de enfraquecimento
21:16do Irã
21:17enfraquecimento
21:17do Qasbola
21:18enfraquecimento
21:19do Hamas
21:19em Gaza
21:20eventual ocupação
21:21da faixa de Gaza
21:22e portanto
21:23colocando em prática
21:24todos os seus objetivos
21:25políticos
21:26a despeito
21:26de ter uma coalizão
21:28bastante frágil
21:29no seu governo
21:30então isso mostra
21:31em certa medida
21:32como ele sabe
21:33operar
21:34a máquina política
21:35israelense
21:36para fazer
21:36perseguir
21:37os seus objetivos
21:38Denise
21:39Carlos Poggio
21:40a gente estava falando
21:41de mercado financeiro
21:42só para registrar
21:43no aftermarket
21:44depois do anúncio
21:46de Trump
21:46o petróleo WTI
21:47que é referência
21:48dos Estados Unidos
21:49agora cai mais de 15%
21:5195 dólares
21:52no barril
21:52o Brent recuo menor
21:54na faixa de 5%
21:55ainda acima
21:56dos 100 dólares
21:57o barril
21:57essa é a referência
21:59global
21:59então a gente vê
22:00o impacto
22:01no mercado
22:01que foi muito maior
22:02do que o anterior
22:03registrado
22:04durante o dia todo
22:06que era um dia
22:07de ameaça
22:08de grande expectativa
22:09as variações
22:09foram pequenas
22:10de mercado financeiro
22:11e se especulou
22:13nesses últimos dias
22:14com a possibilidade
22:15de Trump
22:16e aliados dele
22:17do próprio governo
22:17na área de defesa
22:18estarem
22:20combinando
22:21eventuais declarações
22:22com operações
22:23de mercado financeiro
22:24a guerra começou
22:25num sábado
22:26depois tem declarações
22:27que batem
22:28com movimentações
22:28mais bruscas
22:29de mercado financeiro
22:30há esse tipo
22:32de especulação
22:32internamente
22:33nos Estados Unidos
22:34junto à população
22:35que Trump buscava
22:36tenha vantagens
22:37pessoais
22:38nesse tipo
22:39de procedimento
22:41Ah sim
22:42isso tem sido
22:43plenamente
22:44reportado
22:45houve um caso
22:46do secretário
22:47de defesa
22:48que também fez
22:49investimentos
22:49ligados a isso
22:50você tem aí
22:52empresas ligadas
22:53ao gênero
22:54do Donald Trump
22:55que está diretamente
22:56envolvido
22:56nessas negociações
22:58no Oriente Médio
22:59os filhos
23:01do Donald Trump
23:01também tem
23:02ligações
23:03com empresas
23:04e se aproveitando
23:05de momentos
23:06de instabilidade
23:07no mercado
23:08você tem
23:09alguns indícios
23:11de que algumas pessoas
23:12têm se aproveitado
23:13do mercado
23:13de apostas
23:14nos Estados Unidos
23:15então houve por exemplo
23:16um apostador
23:17que de forma misteriosa
23:19fez uma grande aposta
23:21algumas poucas horas
23:22antes do ataque
23:23dos Estados Unidos
23:25ao Irã
23:25dizendo que os Estados Unidos
23:26iriam atacar o Irã
23:27e ganhar uma fortuna
23:28com isso
23:29então nós temos aí
23:30os casos de corrupção
23:32que tem sido reportados
23:34com relação a aproveitar
23:35esses movimentos
23:36do mercado
23:37e pessoas que
23:38por alguma razão
23:40misteriosa
23:41conseguem entrar
23:42e sair
23:43no momento exato
23:44em que o mercado
23:45se movimenta
23:46tem gerado
23:47uma especulação
23:48bastante grande
23:49ainda
23:49um grau
23:50de corrupção
23:51que talvez
23:53seja inédito
23:54na história
23:55dos Estados Unidos
23:56do ponto de vista
23:57de como isso
23:58tem
23:58tido participação
24:00de pessoas
24:01ligadas
24:02ou próximas
24:03ao governo federal
24:04professor Carlos Pódio
24:06do Billy College
24:07do Kentucky
24:08nos Estados Unidos
24:09mais uma vez
24:10com muita gentileza
24:11nos atendeu
24:11a gente passou um pouco
24:13o tempo
24:13né professor
24:14mas os assuntos
24:15eram cada vez
24:17mais necessários
24:18para que o senhor
24:19fizesse essa avaliação
24:20e mais uma vez
24:20agradeço o senhor
24:21e volto sempre
24:22aqui a Jovem Pan
24:23um abraço professor
24:25obrigado senhor
24:26um prazer
24:26um abraço a todos
24:27tem
24:27ame
24:27ame
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