00:00O Empan é pra todo o Brasil. Muito obrigado sempre pela sua companhia, pela sua audiência.
00:03Voltando pra Brasília, o relator da CPI que investiga o crime organizado, Alessandro Vieira,
00:08informa que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não vai prorrogar os trabalhos da comissão.
00:14Repórter Janaína Camelo, chegando agora aqui com a gente.
00:17Oi, Janaína, boa noite pra você. Qual a justificativa para essa não prorrogação?
00:22Boa noite, bem-vinda.
00:26Muito boa noite pra você, Tiago. Olha só, segundo o Alessandro Vieira, o relator da CPI do crime organizado,
00:33a justificativa dada por Davi Alcolumbre, o fato de ser ano eleitoral.
00:37Mas essa justificativa não colou muito, não.
00:40O relator criticou bastante, fez críticas duras a Davi Alcolumbre, disse que ele presta um desserviço à nação.
00:47Só relembrando, Tiago, que ontem a CPI do crime organizado entregou, protocolou ali na mesa diretora do Senado
00:54esse pedido de prorrogação por mais 60 dias, porque o último dia da CPI do crime organizado é na próxima
01:00terça-feira,
01:01no dia 14, mas tem várias diligências ainda pendentes, tem documentos pra serem analisados,
01:08depoimentos de testemunhas, de investigados, tudo isso não vai ser possível acontecer, né,
01:12já que não vai então ser prorrogado. A gente vai ouvir um trecho da declaração do relator Alessandro Vieira mais
01:20cedo.
01:20Vamos ouvir.
01:21Os requisitos constitucionais e regimentais, mas o presidente Davi Alcolumbre decidiu não fazer a prorrogação do período.
01:29Ele justifica dizendo que se trata de um ano eleitoral e na visão dele não é bom ter uma CPI
01:37tramitando.
01:38É óbvio que a gente não concorda com esse posicionamento. Eu entendo que o presidente Davi presta um grande desserviço
01:45pra nação.
01:47A CPI tem assuntos importantes ainda a analisar, mas a gente não terá esse tempo.
01:56Tiago, só pra relembrar, a CPI do crime organizado foi instalada lá em novembro.
02:01E foi dois dias depois daquela mega operação no Rio de Janeiro, que acabou deixando mais de 120 pessoas mortas
02:06no complexo do Alemão e da Penha.
02:10Foi também logo depois que a Polícia Federal deflagrou a operação Carbono Oculto, né, pra investigar a lavagem de dinheiro
02:15no mercado financeiro envolvendo o PCC.
02:18Mas acabou que o Banco Master entrou na mira da CPI do crime organizado e muito diante de uma ausência
02:25de uma CPI específica pra investigar as relações de Daniel Vorcaro.
02:29A questão do Banco Master, enfim. E aí entrou também na mira com isso ministros do Supremo, porque a CPI
02:35do crime organizado acabou colocando como justificativa pra investigar também o Banco Master.
02:39O fato de que um dos fundos de investimento, investigado na Operação Carbono Oculto, é ligado ao Banco Master.
02:47Se tratando especificamente no caso da REAG, investimentos que geria, por exemplo, o Grupo Arlen, que comprou parte da sociedade
02:54do ministro, da empresa do ministro Dias Toffoli,
02:57no resort Itaiaiá, enfim. A CPI do crime organizado conseguiu autorizar a quebra de sigilo da empresa do ministro Dias
03:04Toffoli,
03:05quebra de sigilo desse fundo de investimento. Tudo isso acabou sendo anulado por decisão do ministro Gilmar Mendes,
03:11dizendo que esse não era o escopo da CPI. A CPI também tentou investigar o escritório da esposa do ministro
03:18Alexandre de Moraes,
03:19que teve o contrato milionário, teve, né, com o Banco Master, enfim.
03:22O relator, o senador Alessandro Vieira, disse que é muito difícil aqui no Brasil investigar poderosos e ricos.
03:31A gente vai ouvir isso agora.
03:33Eu tenho plena ciência de que é muito difícil investigar rico e poderoso no Brasil.
03:37A lei no Brasil, ela é feita para investigar pobre, para punir pobre.
03:42Aprovamos recentemente um projeto chamado Antifacção, que é desenhado para punir pobre na periferia.
03:49E a gente não faz nada, ou quase nada, para combater o crime onde ele verdadeiramente é mais perigoso,
03:54que é não andar de cima.
03:58Além disso, também, vários depoimentos que foram autorizados ali pelo colegiado,
04:03também foram derrubados, porque esses depoentes, né, testemunhas ou investigados,
04:08autoridades, por exemplo, conseguiram entrar com um pedido na justiça
04:12para conseguir um habeas corpus, um mandado de segurança, e não seriam obrigados a ir a CPI.
04:17Hoje, por exemplo, seria ouvido o ex-governador aqui do Distrito Federal, Ibanez Rocha,
04:22mas ele conseguiu um habeas corpus com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
04:27Amanhã, Tiago, tem dois depoimentos muito importantes marcados, tá?
04:31De Gabriel Galípulo, diretor do Banco Central, disse já que vai sim comparecer.
04:35Tem também marcado depoimento de Roberto Campos Neto, ex-diretor do Banco Central,
04:40mas essa foi uma reconvocação dele, da primeira vez ele também conseguiu na justiça
04:45o direito a não precisar comparecer à CPI, né?
04:49Então, vamos ver se ele vai amanhã comparecer.
04:52E aí, o relator disse que no último dia, então, da CPI, que vai ser no dia 14,
04:57será apresentado o relatório final.
05:00Tiago.
05:00Pois é, últimos dias dessa CPI, que não terá os trabalhos prorrogados,
05:06terá que a pouquinho, Janaína, deixa eu conversar mais uma vez com os nossos comentaristas,
05:09Denise Campos de Toledo e Mano Ferreira.
05:11Começo por você, Mano, dois pontos.
05:14Primeiro, essa justificativa do senador Davi Alcolumbre, cola, não cola,
05:19e a declaração do senador, ou as declarações, né, do senador Alessandro Vieira,
05:23falando dessa investigação, que os poderosos não são investigados no Brasil?
05:27A justificativa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não cola, né?
05:32O que a gente está vendo atuar, na verdade, é a frente ampla pela impunidade.
05:38Há um desejo majoritário no Congresso Nacional,
05:42que acaba representado pelos presidentes das casas,
05:46no caso Hugo Mota e Davi Alcolumbre,
05:49pela não continuidade das investigações que possam chegar nos desdobramentos
05:54e nas conexões do caso Master com o poder no Brasil,
06:00seja com o poder legislativo, com o poder executivo ou com o poder judiciário.
06:05Essas forças, que são a maior frente ampla que existe no Brasil,
06:10se unem para que nada ande.
06:12E é isso que acaba acontecendo para, infelizmente,
06:17confirmar o que disse o senador Alessandro,
06:20o relator dessa CPI, que é muito difícil, de fato,
06:24punir quem é poderoso no Brasil.
06:26E muitas pontas soltas ainda, não é, Denise?
06:29É, exatamente, Diago.
06:30Há o risco de isso tudo acabar em pizza,
06:32se não houver alguma delação para valer de Vorkaro,
06:34que tenha um alcance abrangente que a gente espera
06:37para saber de todo esse processo que houve,
06:40toda a triangulação, o uso do mercado financeiro,
06:43de fundos de investimento, de fintechs,
06:45todas as relações que houve com integrantes do judiciário.
06:49Quando a gente fala de CPI, de CPMI,
06:51a gente viu que houve ações para barrar o avanço das investigações,
06:55até por decisões de ministros do STF.
06:59Então, fica uma suspeita sobre políticos,
07:01sobre integrantes do STF, que é a Suprema Corte do país,
07:05de todos os empresários que possam estar envolvidos,
07:08e como funciona isso no sistema financeiro.
07:10O presidente do Banco Central atual, Gabriel Galípolo,
07:13tinha confirmado o depoimento dele amanhã na CPI,
07:16talvez ele traga alguma coisa a mais,
07:18se bem que já encontraram dois quase funcionários de Vorkaro,
07:22que eram diretores do Banco Central,
07:23e atuavam tentando barrar também as investigações.
07:26Então, a gente vê que há uma estrutura de poder
07:29no sistema financeiro, junto aos políticos,
07:32e no próprio sistema judiciário,
07:34para tentar barrar as investigações.
07:36Então, dependemos muito da atuação da Polícia Federal,
07:39na prática, por onde houve maior avanço
07:41e todas essas operações que relacionaram,
07:44inclusive, as operações de mercado financeiro
07:46com o crime organizado.
07:47Isso aconteceu na Operação Carbono.
07:49Há pouco tempo, se viu também ligações
07:51do Comando Vermelho,
07:53que usava determinadas práticas
07:54que também eram utilizadas pela equipe de Vorkaro.
07:58Então, a gente tem uma relação, sim,
08:00com o crime organizado,
08:01e não se sabe o quanto que há de infiltração,
08:03fora toda essa criminalidade que está por trás
08:06desses escândalos financeiros que a gente está vendo.
08:09Então, depende muito do trabalho agora da Polícia Federal
08:12e que a Justiça deixe todo esse trabalho
08:15seguir adiante.
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