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No novo episódio do Em Off, o lendário produtor Rick Bonadio faz uma análise sobre o impacto das redes sociais na indústria musical. Ele debate se a obsessão por viralizar e a cultura de "viver de cliques" estão transformando a forma como a arte é produzida, consumida e descartada pelo público e pelos próprios artistas atualmente.

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Diversão
Transcrição
00:00Eu já vou começar, então, puxando esse assunto que você tá trazendo agora mais superficialmente, que é...
00:06Eu sei que você já comentou em muitas entrevistas, de um pouco, uma certa decepção do que tem acontecido, né,
00:14na indústria musical
00:15e a mudança que foi ocasionada por conta do streaming, redes sociais, quer dizer, você teve uma mudança muito grande
00:23de cenário
00:24e em algum momento você se decepcionou.
00:27Passou?
00:28Você já conseguiu sim?
00:29Sim, claro.
00:30Por que você ficou decepcionado e o que você tá vendo hoje? Já se encontrou melhor? Ou ainda tá...
00:36Eu acho que não é... A palavra talvez não seja exatamente decepção, mas foi um processo, né, um processo que
00:42veio acontecendo
00:43com todo esse desenvolvimento da tecnologia, de as pessoas terem muito acesso à facilidade de gravação, à facilidade de lançar
00:54uma música.
00:54Então, muita gente começou a se achar artista e, no final das contas, as redes sociais contribuíram também para que
01:02tudo isso fosse...
01:04Antigamente, você se focava exclusivamente na qualidade da música, na emoção que a música te passava.
01:09Não necessariamente ser muito bom ou muito ruim, porque às vezes uma música ruim te passa uma emoção legal e
01:14você gosta de ouvir.
01:15Mas hoje, com esse advento de toda essa tecnologia e rede social, as pessoas começaram a clicar e as empresas
01:23que dominam esses mercados, elas ganham muito dinheiro simplesmente com a sua atenção.
01:29Então, não necessariamente te entregam uma coisa boa.
01:34Então, é um audiovisual, é um pacote de porcaria que eles te entregam, para que você fique viciado ali clicando.
01:40Então, saiu... Antes a gente conquistava as pessoas pela emoção.
01:45Então, o meu trabalho era encontrar uma harmonia bonita, com uma melodia bonita, com uma voz bonita, com um som
01:51de guitarra legal, com uma bateria pulsante,
01:53e com letras e palavras legais, que a gente possa captar a atenção dessa pessoa, para que essa pessoa vire
02:00fã do artista e vá no show desse artista.
02:02Hoje em dia, as pessoas, principalmente os jovens, ficaram muito dispersos, porque eles só estão ali clicando e vendo e
02:09é o meme do momento, é a trend.
02:12E isso tudo fez com que, de certa forma, eu me decepcionasse, porque, cara, tem muita gente que ainda quer
02:20viver de arte.
02:22E as pessoas estão vivendo de cliques.
02:25Então, assim, esse papo aqui, a gente pode ficar, né?
02:28Exato.
02:28Três dias conversando sobre isso.
02:30Não, que me interessa muito entender um pouco de como é que você enxerga...
02:34Por exemplo, será que existe ainda artista?
02:37Ou todo mundo agora virou influencer criador de conteúdo?
02:40Existe.
02:40Sabe, porque, né?
02:42Eu acho que várias indústrias vão sofrendo, né?
02:44Assim, ah, você tinha um jornalista que era especializado em moda e hoje você tem a menina que se veste
02:52legal e faz conteúdo e aí ela tem uma visibilidade enorme e aquela coluna de uma pessoa que está há
02:58anos ali estudando tal assunto, de repente ninguém mais está lendo.
03:02E é um pouco o que você está descrevendo, que acontece com a indústria da música.
03:07Ou qualquer, né?
03:08Tem muitas ainda.
03:09Teatro, televisão.
03:10Hoje vai para a televisão, eventualmente alguém que saiu da internet, né?
03:16O papel do produtor musical, ele ficou estranho, né?
03:22Ficou fácil de fazer, a máquina faz um pouco.
03:25A gente teve uma avalanche de, como eu estava falando, né?
03:31Todo mundo grava, todo mundo canta.
03:33Então, muita gente se transformou em artista e também muita gente se transformou em produtor musical.
03:39Que, assim, que sempre houve duas figuras no estúdio, vamos falar assim.
03:45O produtor musical, que cuidava do conceito e às vezes fazia o arranjo da música e ajudava na instrumentação.
03:51E tinha o arranjador, que era o cara que fazia as linhas dos instrumentos e cuidava do ritmo e tal,
03:58e fazia o arranjo da música.
04:00Hoje o cara pega um computador e faz lá uma base, ele se sente produtor, porém ele é o arranjador.
04:06O produtor vai muito além disso.
04:08Mas o produtor é o quê? Faz uma curadoria, tem um certo...
04:12O produtor pensa o que as pessoas precisam ouvir daquele artista.
04:17E hoje em dia tem um problema, porque o artista contrata esse arranjador, que se diz produtor.
04:23Só que no momento que ele contrata o arranjador, ele está pagando o cara.
04:27Como é que o cara que está recebendo vai falar pra ele, isso aí está uma porcaria?
04:30Não dá.
04:32Não dá pra um produtor, que está recebendo o dinheiro diretamente do artista, falar pro artista certas verdades.
04:38Porque ele vai falar assim, meu, você está achando uma porcaria? Então eu vou contratar outro.
04:42Não vou te pagar.
04:44Ainda não é capaz de dar um cano ali.
04:46Então assim, é uma situação completamente favorável a gente perder qualidade na música.
04:53Isso é favorável à porcaria.
04:55Porque quando você concorda com o artista em tudo, você não evolui.
05:00Ninguém pode concordar com tudo.
05:02Você acha que agora o teu papel fica mais em fazer essa curadoria do que que presta?
05:09Ou tem um pouco, talvez até, de tentar extrair o artista que tem num cara que eventualmente conseguiu alguma visibilidade?
05:17Não, com certeza. Eu tô nessa.
05:19É?
05:19Eu tô nessa.
05:20Eu tô nessa.
05:20Então você olha alguém que tem visibilidade e fala assim, cara, agora eu vou te dar um coach, um caminho,
05:26uma mentoria.
05:26Você conhece um artista que chama Zeus, um fenômeno da internet?
05:29Não conheço.
05:30É um cara que fala de banda, fala de religião de raízes africanas.
05:34Ele chama Zeus.
05:35Tá.
05:35O Instagram dele é oficial, Zeus MC. Ele tem 24 anos. É um gênio da música.
05:42Pô, põe um trecho aí na tela, hein, ô pastor?
05:45Aí ainda não lançamos.
05:46Lançamos uma música.
05:48Lançamos uma música.
05:49Esse menino, ele é super talentoso. Ele é capaz de fazer letras maravilhosas, falando de coisas muito diferentes do que
05:56a gente tá acostumado a ouvir.
05:58Ele faz rap, ele faz trap, ele canta. E ele não tem técnica, então eu tô pulindo ele.
06:04Ele não tem técnica musical, você disse?
06:06Não tem técnica musical, mas tem musicalidade original.
06:09Perfeito. Ele tem talento.
06:10Muito talento.
06:12E ele é um cara que tem uma visibilidade absurda na internet.
06:15Então ele é exatamente o que você percebeu.
06:17Eu tô tentando transformar um cara, que eu acho que é um artista moderno, né?
06:21Um cara que hoje consegue conversar com as redes sociais, mas ele também tá interessado em fazer música boa.
06:27Então a gente faz música boa.
06:28Eu faço música boa com Zeus.
06:30Quando a gente senta numa sessão ali pra compor junto, pra fazer música, é qualidade.
06:34Porque talvez no passado você fizesse exatamente o contrário.
06:38Você pega um cara que tem uma música muito boa e você fala, vamos produtificar esse cara e jogar ele
06:42pro mercado.
06:42Exatamente.
06:43Porque eu vou trazer o lado business dele.
06:44Porque eu acho que até o Vitor Clay foi assim.
06:47O Vitor esteve aqui comigo, hein?
06:49Eu sei.
06:49Quero saber, quero saber o seu lado da história.
06:52Ele foi focinho.
06:53O Vitor é meu filho.
06:53Ele falou que ele te ama muito.
06:55Eu também.
06:55Perguntei, teve treta?
06:56Ele falou, não teve treta.
06:58Não teve treta nenhuma.
06:59Eu e o Vitor só teve realmente um carinho muito grande.
07:02É um menino talentosíssimo que não tinha muita visibilidade.
07:05Quando eu conheci ele, ele tinha, sei lá, 15 mil seguidores, 13 mil seguidores.
07:09E a gente foi pela música.
07:10E eu fazia isso.
07:11A gente trabalhava os artistas pra que eles ficassem conhecidos e se transformassem em influencers, né?
07:18Influencers da época.
07:21Através da canção.
07:22Então, foi o quê?
07:24A gente fez um disco, o Vitor não deu certo.
07:26Fizemos outros símbols, não deu certo.
07:27Fizemos, sei lá, umas 30 músicas, não deu certo.
07:29Um dia, fizemos o Sol.
07:31Deu muito certo.
07:33E ele virou, começou a ter seguidor, começou a fazer show e virou o que ele é hoje.
07:36Um artista consolidado, que tem uma carreira linda, internacionalmente, inclusive.
07:42E eu, pelo que eu entendi um pouco ali, óbvio, não só do que ele falou, mas do que a
07:46gente também, né, foi acompanhando.
07:48Ele, talvez, tenha passado por essa coisa do agora, eu preciso fazer de uma forma mais autônoma.
07:54Eu quero, né, tipo, ou não.
07:57Não, passou agora, quando a gente deixou trabalhar.
07:59Quando vocês deixaram de trabalhar.
08:01Ele vai um pouco pra esse lado, tipo, eu quero fazer de uma forma mais autônoma, porque agora tá mais
08:05fácil de você conseguir ser autônomo nesse mercado.
08:10Não, não só pela questão do mercado, mas eu e ele, a gente fez tanta música.
08:14Eu não consigo contar quantas músicas a gente fez.
08:16Chegou uma hora que eu também não agregava mais nada a ele e nem ele a mim.
08:20Sabe, chega uma hora que você fala assim, meu, artisticamente, a gente começa a fazer as mesmas coisas.
08:24Eu já sei o que ele vai falar, ele já sabe o que eu vou falar.
08:27Então, começa a ficar um pouco desnecessário.
08:29Então, a gente fala, ah, vamos dar um tempo, beleza.
08:31Não significa que a gente não possa fazer música no futuro, novamente, entendeu?
08:35Mas é bom esse ar.
08:36E aí, voltando, então, ao ponto que a gente tava falando, antes, talvez, você pegasse pessoas que tinham qualidade musical,
08:43às vezes, a técnica, ou tivesse já uma coisa, e você tentava produtificar isso.
08:47Eu enxerguei um artista aqui, e agora eu vou fazer o business, e aí, agora, tá todo mundo no business,
08:53mas não tem o artista e não tem o talento.
08:55Então, você tá tentando, talvez, extrair isso.
08:57Exatamente isso.
08:58Exatamente isso.
08:59Eu acho que tem muita gente no business, todo mundo é famoso, todo mundo é influencer, todo mundo faz posts
09:05pagos, ganha dinheiro com isso, mas o cara não se desenvolve artisticamente.
09:11Porque a internet e as redes sociais, elas jogam contra a arte.
09:16Porque a internet é como se fosse um cassino.
09:19Você tá ali jogando com o algoritmo.
09:21Então, você vai fazer um corte aqui meu, né, a tua produção, vai jogar lá.
09:25Talvez o algoritmo mostre pra várias pessoas, ou talvez não mostre.
09:28O artista tá nessa hoje.
09:30Então, ele fica ali, faz um post.
09:32Então, é tipo assim, a decisão não é puramente artística com o público.
09:36Tem um algoritmo no meio.
09:38Quem é esse cara?
09:39Quem é esse algoritmo?
09:40Quem determina?
09:41O que que é?
09:42Ele determina pra quantas pessoas vai mostrar.
09:44E isso acontece também lá no Spotify, na Apple, no Deezer, na Amazon, nas plataformas de música.
09:51Existe um algoritmo lá que sugere músicas.
09:53Então, cara, virou uma coisa muito robô, muito computador e pouco artista.
09:59E o computador não consegue olhar, né, se aquela música é tocante, se ela é emocionante.
10:02Não, mas mesmo as pessoas que trabalham nessas empresas, eles são pagos pra olhar clique.
10:08Porque no final das contas, o board, a empresa, vai valorizar se tiver muito atenção.
10:15A gente tá vendendo atenção e comprando atenção.
10:19E arte não é isso.
10:21Arte você faz uma música, eu tava falando com a minha mãe ontem, né, que eu tava tendo um papo
10:25até parecido com esse.
10:26Que legal.
10:26E a mãe, ela vai pro fundo nas coisas, né, e ela falou assim pra mim, ah, filho, por quê?
10:31Não sei se ela foi o Van Gogh que ela falou, mas ela falou, ele morreu pobre.
10:35Os álbuns, perdão, os quadros dele, ninguém via, não dava um valor.
10:41E cem anos depois, cinquenta anos depois, que aquilo começou a ter valor e tal.
10:46E hoje eu conheço muitos artistas fazendo arte na música e arte de primeiríssima qualidade sem reconhecimento nenhum.
10:54Aumentou muito essa proporção.
10:56Porque sempre houve, né, os que não eram reconhecidos e os que faziam sucesso.
11:00Ah, por que que fulano não faz sucesso e é tão bom?
11:02Sempre houve isso.
11:03E sempre, eu acho que...
11:05Mas hoje a balança desequilibrou demais.
11:07Hoje tem muita gente famosa, conhecida, que não sabe, que não tem talento nenhum.
11:13Sabe, que não consegue fazer uma música, que não fala bem, que não é jornalista, que não é músico, que
11:18não é...
11:19Que não tem talento de nada.
11:20Simplesmente caiu nas graças o tal do algoritmo.
11:23Então isso pra mim é, de certa forma, assim, um pouco motivador, porque eu preciso virar esse jogo.
11:31Eu ainda me sinto nessa.
11:33Você encontrou, então, aí um novo espaço, uma nova forma de atuar?
11:38Ah, eu acho que sim.
11:40Acho que eu tô me encontrando.
11:41Na verdade, eu não sei exatamente o que vai acontecer.
11:43É, porque eu vi você falando, né, que você falou, pô, às vezes eu fico meio deprê, assim, com isso.
11:48De ver, né, que a coisa tá tão ruim.
11:52Deprê faz parte da vida de quem trabalha com música, né?
11:56A gente fica alegre e deprimido no mesmo, no mesmo, num curto período de tempo, vai.
12:01Mas, assim, não é exatamente deprê, mas é uma luta pra você se manter motivado.
12:10É, é.
12:11Sabe, assim, se manter motivado apesar de tantas adversidades.
12:15Tchau.
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