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Nesta semana, o EM OFF recebeu uma das personalidades mais polêmicas do Brasil: Jean Wyllys! Dono de uma trajetória marcada por controvérsias, Jean revela histórias nunca antes contadas, fala de seu passado de onde saiu da extrema pobreza para o título do BBB 5 e sua conturbada e vencedora carreira política. Jean também conta pra Mari Cantarelli o que está fazendo depois de voltar do auto exílio e de seu retorno a disputas políticas. Prepare-se pra se surpreender com tantas revelações.

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Transcrição
00:00:00E aí você vê que essa pessoa é uma completa idiota.
00:00:13É, então, então vem.
00:00:15Vem, amor, vem.
00:00:17E artista visual, Jean Wyllys.
00:00:19Eita!
00:00:22Williams!
00:00:23Existe uma coisa que deveria doer, Mari.
00:00:27A burrice.
00:00:27De todas as enfermidades, a única que não dói é a burrice motivada.
00:00:40Ele já foi o namoradinho do Brasil.
00:00:43Hoje, parte da população o vê como o mal personificado.
00:00:46Mas ele ficou famoso, foi vencendo um reality.
00:00:49E viu a sua realidade ameaçada quando entrou na política.
00:00:53Após um exílio forçado, ele está de volta.
00:00:55O escritor, político e artista visual, Jean Wyllys.
00:00:59Seja muito bem-vindo ao Inoff.
00:01:00Muito obrigado.
00:01:02Muito obrigado, Mari.
00:01:03Eu acho importante que a gente converse, né?
00:01:07Que eu venha.
00:01:08Eu acho que muita gente deve estar achando estranho.
00:01:10Eu na Jovem Pan.
00:01:13Mas eu acho importante vir pra gente conversar.
00:01:15O diálogo nunca foi importante.
00:01:16E a gente pode começar com essa conversa, né?
00:01:20A ideia do mal personificado.
00:01:22Eu sou psiano com ascendência em aquário.
00:01:25Eu acho que eu conheço pouca gente no mundo que seja uma pessoa tão boa quanto eu sou.
00:01:31Eu sou uma pessoa boa de coração.
00:01:33Eu nunca fiz mal a ninguém na minha vida.
00:01:35Eu venho de uma realidade...
00:01:37Eu venho da extrema pobreza.
00:01:39E eu cheguei aqui com competência, decência, sem pisar em ninguém.
00:01:45Então, é curioso.
00:01:46Alguém me vê como um mal encarnado?
00:01:49É porque é uma pessoa desinformada e bombardeada pela desinformação, pela mentira.
00:01:55De onde vem isso, você acha?
00:01:56Eu acho que vem do fato...
00:01:58Primeiro porque o Brasil entrou numa onda de polarização em 2018, a partir de 2018.
00:02:04Uma polarização muito construída nas mídias sociais, a partir das mídias sociais.
00:02:10Onde eu fui alvo de uma campanha de informatória muito pesada.
00:02:14Então, muita gente sem escrúpulos, sem decência humana básica, me atribuiu coisas que eu nunca fiz na vida.
00:02:20Por exemplo, me associar à pedofilia, dizer que eu sou contra os evangélicos, inventar que eu queria mudar a Bíblia,
00:02:28dizer que eu queria aprovar o casamento entre pessoas e homossexuais.
00:02:32Ou seja, uma série de mentiras, Mari, que qualquer pessoa com dois neurônios, que fizesse uma sinapse entre dois neurônios,
00:02:39concluiria que não poderia ser verdade.
00:02:42Porque sendo uma pessoa pública como eu sou, e politicamente exposta, eu jamais defenderia essas coisas.
00:02:48Mas nas mídias sociais, as pessoas são bombardeadas pela desinformação, elas acreditam imediatamente naquilo, e elas não vão em busca
00:02:56da verdade.
00:02:57E quando elas entram em contato com a verdade, elas sentem uma vergonha, e elas não compartilham a verdade.
00:03:04Elas compartilham a mentira, mas não a verdade.
00:03:08Elas ficam envergonhadas com o próprio ato delas de fazerem isso.
00:03:12E a gente está vivendo um problema grave de falta de empatia, se colocar no lugar do outro.
00:03:17Você hoje é uma apresentadora de televisão, você está, portanto, politicamente exposta como eu.
00:03:22Você, eu tenho certeza, absoluta, que você é uma pessoa correta, por isso eu estou no seu programa.
00:03:28Mas como uma pessoa politicamente exposta, por inveja, porque alguém quer lhe derrubar do seu lugar,
00:03:34podem fazer circular uma mentira sobre você na internet, contra a qual você não pode fazer nada.
00:03:40Porque a disseminação, ela é viral.
00:03:43É como um vírus mesmo, vai se espalhando, e as pessoas vão acreditando.
00:03:47Acho que tem a ver com o fato de eu ser gay.
00:03:50A gente vive num país muito homofóbico ainda, muito machista.
00:03:54Você vê agora os índices alarmantes de feminicídio, de ódio às mulheres.
00:04:00Esse caso recente do pai que decidiu matar dois filhos para poder culpar a própria mulher dele.
00:04:07Então, num país machista, em que se odeia mulheres e se odeia gays, é muito fácil acreditar em mentiras contra
00:04:16gays.
00:04:17E na própria televisão, na própria imprensa, que deveria seguir um certo rigor ético.
00:04:24Eu sou jornalista de formação.
00:04:26Trabalhei dez anos na imprensa.
00:04:29Trabalhei num jornal de direita, chamado Correio da Bahia, que pertence à família de Antônio Carlos Magalhães, por exemplo.
00:04:36Trabalhei dez anos nesse jornal, sendo um homem de esquerda.
00:04:39Eu nunca, nunca, publiquei uma matéria que os fatos não estivessem apurados.
00:04:44Eu nunca acusei ninguém de algo que aquela pessoa não era.
00:04:48Então, eu acho que a própria televisão, a partir de 2018, determinados canais, foram perdendo o senso ético.
00:04:54Você acha que tem um antídoto eficaz contra isso?
00:04:58Porque a gente está falando um pouco da responsabilidade dos grandes veículos.
00:05:02Mas, na medida em que as pessoas hoje têm voz a partir das redes sociais e a coisa viraliza,
00:05:07não importa muito se você é o Estadão, a Jovem Pan, ou se é a Mariana ou o Jean Wyllys
00:05:13que está falando,
00:05:15eventualmente você pode viralizar.
00:05:18Podemos. Podemos, porque é isso.
00:05:21Houve uma mutação nos meios de comunicação.
00:05:24Se eu estiver falando um pouco complicado, você me dá um toque,
00:05:27porque eu sou professor e eu sou professor da área de comunicação.
00:05:31Era professor de teoria da comunicação na universidade.
00:05:34Então, pode ser que, às vezes, eu caia um pouco nesse papel de professor.
00:05:37Mas os meios de comunicação passaram por uma transformação.
00:05:41Saímos dos meios de comunicação de massa para os meios digitais.
00:05:46Os meios digitais democratizaram.
00:05:48Todo mundo agora pode fazer um programa com celular.
00:05:51Tem um canal no YouTube, né?
00:05:53E aquela ética, aquele rigor ético que os meios de comunicação seguiam
00:05:58e eram obrigados a seguir, porque podiam ser responsabilizados judicialmente,
00:06:03isso se perdeu na internet, nesses novos meios.
00:06:07E esse comportamento nefasto contaminou a própria TV de massa.
00:06:12Entendeu?
00:06:13Então, a partir de 2018, nós vimos muitas pessoas com irresponsabilidade com a informação pública.
00:06:20Gente que estava ocupando lugares em TVs de prestígio.
00:06:25Por exemplo, eu não vou citar nomes, mas tem uma pessoa que é um apresentador de programa de televisão
00:06:31numa TV, que é a segunda maior TV do país,
00:06:35que disse que o PT pintou as ciclovias de vermelho
00:06:40para poder fazer uma propaganda comunista.
00:06:42Pelo amor de Deus, as ciclovias são vermelhas.
00:06:44Isso é um código no mundo.
00:06:47As ciclovias são sempre vermelhas em qualquer lugar do mundo.
00:06:50Então, não é porque você está fazendo uma propaganda...
00:06:53É questão de segurança também, de contato da lana, né?
00:06:55Claro, óbvio, mas aí você vê um apresentador de programa caindo nesse tipo de estupidez.
00:07:00E isso é muito sério.
00:07:02Então, por causa dessa mentira, talvez essa frase que você usou tenha sentido,
00:07:08porque eu sou mal encarnado a partir da mentira.
00:07:11Mas veja, sem querer taçar nenhuma comparação minha com outras figuras da história que sofreram injustiças,
00:07:19como o Nelson Mandela, que ficou 20 anos preso, o Pepe Mujica, que foi presidente do Uruguai.
00:07:25E se a gente for mais atrás, eu não estou me comparando mesmo, atenção, audiência, não quero comparar.
00:07:31Só quero dizer que mesmo pessoas boas e absolutamente boas, como foi Jesus, por exemplo,
00:07:39que era uma figura movida pelo amor ao próximo, acabou sendo crucificado, insultado e trocado por um bandido comum.
00:07:48Então, as pessoas cometem injustiça.
00:07:51As pessoas cometem injustiça e as pessoas têm vergonha das injustiças que cometem e de pedir desculpas.
00:07:58Mas voltando ao ponto, você vê alguma solução ou alguma forma da gente dirimir um pouco esse fenômeno,
00:08:05que é espalhar mensagens falsas que acabam, enfim, não só prejudicando pessoas,
00:08:11mas também, muitas vezes, acabam com a vida das pessoas.
00:08:16Com vidas. No Guarujá, aqui em São Paulo, teve uma mulher que foi linchada.
00:08:22Isso.
00:08:22Porque espalharam uma notícia, uma informação falsa de que ela fazia sacrifício de criança.
00:08:28E fizeram com base essa acusação mentirosa, com base no fato de que ela é adepta de uma religião de
00:08:36matriz africana.
00:08:37Então, juntaram esse preconceito para espalhar uma mentira que despertou o ódio das pessoas
00:08:43e as pessoas foram lá e cometeram essa barbárie.
00:08:47Então, esse é o tema do meu doutorado.
00:08:49Eu tenho estudado as fake news, esse processo de desinformação.
00:08:52Acho que o caminho é uma regulamentação das big techs.
00:08:58Elas precisam ser responsabilizadas.
00:09:01O X, o antigo Twitter, ele não pode colocar em funcionamento uma ferramenta em que alguém vai lá
00:09:10e dá um simples comandos e constrói uma cena de pornografia infantil com a menina.
00:09:17Perfeito.
00:09:18Não pode deixar.
00:09:19Perfeito.
00:09:20Eu diria que o elixir, assim, o que move a audiência hoje da internet
00:09:26são uma coisa que o filósofo Espinosa chama de afetos tristes, né?
00:09:33Que é o ódio, a inveja, o ressentimento.
00:09:37Posso puxar o gancho para falar de dois livros seus para você explicar um pouquinho?
00:09:42Um deles é o Falsolatria, que passa um pouco por esse tema.
00:09:46E você tem um livro agora novo, se não me engano.
00:09:49Me corrija, se eu estiver errada.
00:09:51O anonimato dos afetos escondidos.
00:09:52Isso.
00:09:53É um pouco por aí.
00:09:54O Falsolatria, principalmente, eu conheci esse...
00:09:58Na verdade, eu estava fazendo a minha tese de doutorado, escrevendo,
00:10:02e faltava a mim um conceito, assim, que cristalizasse,
00:10:08que materializasse esse momento que a gente está vivendo.
00:10:12E Márcia Tiburi, que é uma filósofa muito interessante, minha amiga,
00:10:15ela me deu esse conceito.
00:10:18Falsolatria.
00:10:19Então, a gente está vivendo...
00:10:20O que é a Falsolatria?
00:10:21É o culto coletivo à mentira a partir desse ambiente que é a internet.
00:10:29A internet, ela é um ambiente tecnológico, né?
00:10:33Quer dizer, ela não é em si mesma uma tecnologia,
00:10:36mas ela é um ambiente para onde convergiu todas as tecnologias.
00:10:42A internet engoliu o rádio, engoliu a televisão, engoliu o cinema.
00:10:49Ela é hoje...
00:10:49Todas essas tecnologias que existiam fora dela,
00:10:53hoje existem dentro dela, de maneira muito mais acessível e muito mais barata.
00:10:57Só que os aplicativos que operam na internet,
00:11:04eles atuam a partir de comandos matemáticos, que a gente chama de algoritmo.
00:11:08Esses algoritmos são criados por pessoas.
00:11:11E os algoritmos dos aplicativos, das mídias sociais,
00:11:15eles são desenhados para, primeiro, capturar sua atenção,
00:11:19manter você o maior tempo possível ali.
00:11:22Então, tem gente, por exemplo, que começa a olhar o Instagram
00:11:25e quando vê, passaram-se duas horas ela ali rolando o Instagram,
00:11:30vendo o perfil das pessoas.
00:11:33Então, o algoritmo é desenhado para capturar sua atenção
00:11:35e ele é desenhado para interpelar você naquilo que você tem de pior.
00:11:44Então, a inveja, aí você vê uma série de perfis de influencers
00:11:48mostrando uma vida de rico, café da manhã, a maquiagem.
00:11:52Aí você fica ali porque você tem uma inveja,
00:11:55você quer ser como aquela pessoa.
00:11:58Essa inveja, muitas vezes, desperta uma coragem
00:12:01que a pessoa não tem pessoalmente.
00:12:02Então, você está linda, belíssima aqui, você faz.
00:12:06Aí, alguém vai ver você, em vez de ela dizer o elogio assim,
00:12:10a Mari está linda, ela vai lá e vai encontrar um defeito em você
00:12:14porque a sua simples presença, a sua felicidade,
00:12:20a apresentação da sua felicidade ou a ostentação que a gente está vivendo
00:12:24agora nas mídias sociais, desperta esse lugar das pessoas.
00:12:28Então, o caminho, como você me perguntou, é uma regulamentação,
00:12:32a gente precisa regulamentar.
00:12:34Eu disse numa entrevista recente que o vício nas mídias sociais
00:12:39é o novo tabagismo.
00:12:42A gente enfrentou a indústria do tabaco.
00:12:44O mundo inteiro enfrentou a indústria do tabaco
00:12:47que pagava, assim, valores exorbitantes para passar um comercial.
00:12:51Você é muito nova, eu tenho 51 anos, eu sou um homem velho.
00:12:56Então, eu sou da época em que a Souza Cruz pagava, montava,
00:13:03fazia um comercial do cigarro Hollywood
00:13:05que associava o cigarro a esporte, a uma vida saudável.
00:13:10Quando o cigarro, na verdade, fazia o contrário.
00:13:13A gente enfrentou isso, a gente proibiu o cigarro,
00:13:17quer dizer, você fuma em ambientes fechados,
00:13:19você proibiu que crianças tenham acesso a cigarro.
00:13:23A gente colocou informação na embalagem
00:13:26dizendo que cigarro pode causar disfunção erétil, câncer, cegueira.
00:13:30A gente enfrentou a indústria do tabaco.
00:13:32A gente também pode enfrentar as big techs.
00:13:35Porque as big techs, elas são responsáveis não só
00:13:38pelo comércio, por exemplo, de pornografia infantil,
00:13:42pela venda de armas, pela formação de grupos masculinistas,
00:13:47mas ela é responsável pela depressão e pela ansiedade.
00:13:51Recentemente teve só um ponto aqui pra gente trocar rapidamente sobre esse assunto.
00:13:56Recentemente, nos Estados Unidos, houve uma decisão
00:14:00de prosseguir com o julgamento de um caso
00:14:04onde uma moça alega que ela passou 15 anos da vida dela,
00:14:08da adolescência e da juventude dela, sendo exposta a redes sociais.
00:14:10E pela primeira vez, uma juíza aceita a denúncia que é oferecida,
00:14:15enfim, aceita seguir com o caso e levar a julgamento pelo júri popular
00:14:21as big techs que sempre se amparavam num determinado...
00:14:25Uma lei.
00:14:26Uma lei, num artigo específico que limitava ali
00:14:30a possibilidade de responsabilização das big techs.
00:14:34E o que é bacana e o que me lembra um pouco do que você está falando
00:14:39é que, no processo, a advogada dela faz duas colocações,
00:14:44duas analogias interessantes.
00:14:46A primeira é justamente com o tabaco, que é
00:14:48não adianta você, como big tech, dizer
00:14:50olha, eu posso ser omisso, porque você sabe, você entende
00:14:56que o algoritmo que está sendo desenhado ali é potencialmente...
00:15:01Aditivo.
00:15:02Aditivo, enfim.
00:15:04E o outro ela faz com jogos de azar, porque ela diz
00:15:07você faz um algoritmo que é como se fosse uma máquina de caça-níquel,
00:15:11porque a máquina de caça-níquel você joga ela
00:15:13e ela já está pronta para fazer você perder.
00:15:15Ela é viciada.
00:15:16E ela é viciada.
00:15:17Exato.
00:15:17Então, da mesma forma ali, o algoritmo ele também trabalha...
00:15:21Exatamente.
00:15:22Com isso, né?
00:15:23Perfeito.
00:15:23O algoritmo ele é desenhado para isso.
00:15:26Ele é desenhado para...
00:15:28Primeiro assim, essas tecnologias, elas estão extraindo
00:15:31dados nossos que nós não estamos dando.
00:15:36Eles estão extraindo compulsoriamente.
00:15:39Que é tirar sem seu consentimento.
00:15:43Então, digamos, cada informação, cada pesquisa que você faz, cada busca que você faz no Google,
00:15:52cada site que você acessa, cada mídia social que você frequenta, cada like que você dá,
00:15:58cada comentário que você deixa, todas essas informações são passadas para as Big Techs.
00:16:04Eles guardam essa informação.
00:16:05Então, eles vão traçando uma espécie de mapa psíquico do que você é.
00:16:10Perfeito.
00:16:11E a partir daí, ele vai dirigindo para você produtos que ele sabe que você gosta
00:16:16e vai dirigindo ideias que confirmam os seus preconceitos.
00:16:21Então, por isso...
00:16:23Mas isso é o que a gente já sabia, né?
00:16:24Que a mídia é direcionada, que o produto entregue é direcionado.
00:16:27Mas o que a gente, às vezes, passa batido é alguns conteúdos, ainda que conteúdos que
00:16:33sejam agressivos, que sejam prejudiciais à saúde, também são direcionados.
00:16:38E não porque tem um anunciante pagando para expor aquele produto, mas porque eu quero te
00:16:43viciar.
00:16:44Porque se eu te mantenho viciado, ainda que o conteúdo seja terrível, eu consigo te...
00:16:49Você está ali.
00:16:49Você está ali com uma audiência.
00:16:51Só que tinha uma diferença.
00:16:52Quando você assistia à televisão, antes da internet, antes dessa revolução, dessa
00:16:58mutação nos meios, dessa revolução digital, quando você assistia à televisão, a televisão
00:17:03não roubava nada de você.
00:17:05E você tinha o tempo de assistir televisão.
00:17:07Quando você ia para o trabalho, você não carregava a televisão no bolso.
00:17:11Até porque a televisão, ela tinha um tamanho, né?
00:17:15Quer dizer, o próprio hardware impedia que você seguisse no fluxo de informação ou
00:17:24desinformação.
00:17:25Com essas transformações, o que acontece?
00:17:27A televisão hoje está no bolso.
00:17:29É o celular.
00:17:31Então, essa nova tecnologia, ela mantém você.
00:17:36Você não tem mais.
00:17:37Você não desconecta mais dela.
00:17:38Na televisão, você desconectava, ia trabalhar, voltava, ligava a televisão.
00:17:42A televisão não roubava nada de você.
00:17:45Enquanto você assistia o Jornal Nacional, ou você assistia o seu programa aqui na Jovem Pan,
00:17:52não estava sendo extraído nenhuma informação de você.
00:17:55Quando você usa o celular ou o tablet, tem uma informação extraída.
00:18:00Olha, vou te dizer uma coisa que as pessoas não sabem.
00:18:04A câmera frontal dos tablets e dos aparelhos celulares, parece que elas foram feitas, parece
00:18:12que essa câmera foi feita para tirar selfie.
00:18:15Não é verdade.
00:18:16Essa câmera, ela foi feita para medir quanto tempo sua retina se demora no informação.
00:18:21Quando você está olhando ali, o algoritmo calcula que você demorou tanto tempo nessa informação
00:18:27sobre maquiagem.
00:18:28Então, ela sabe que lhe interessa.
00:18:30Ela capturou essa informação, a partir daí você começa a receber publicidade de maquiagem
00:18:35que você nem imaginava.
00:18:37Que você diz assim, nossa, eles leram o meu pensamento, eles estão lendo o nosso pensamento
00:18:42dessa maneira.
00:18:43Então, essa é a diferença e isso é muito grave, Mari.
00:18:46É muito grave, principalmente para as crianças, por exemplo.
00:18:49Vamos prosseguir aqui no nosso papo.
00:18:51Eu queria relembrar aqui que em 2015, você foi considerado pela revista britânica The Economy
00:18:58em cima das 50 personalidades mundiais que mais lutaram pela diversidade.
00:19:03E eu não me lembro de a imprensa ter reverberado tanto quanto eu imaginaria hoje se soubesse
00:19:12que algum brasileiro tivesse sido mencionado nessa lista.
00:19:15Você tem essa mesma percepção?
00:19:17Eu tenho, eu tenho essa mesma percepção.
00:19:18Eu fui colocado nessa lista das 50 pessoas que mais defendem a diversidade no mundo,
00:19:24junto com figuras que ganharam, inclusive, o Prêmio Nobel da Paz.
00:19:28E claro que The Economist, que é uma revista que não é uma revista de esquerda,
00:19:33é uma revista liberal, me colocou graças ao meu trabalho.
00:19:38O meu trabalho como deputado, ele ganhou uma notoriedade mundial.
00:19:42Eu fazia parte do EPI, que é um organismo da ONU que congrega, digamos, os parlamentares do mundo inteiro.
00:19:51A ONU congrega os chefes de Estado, digamos assim, e o EPI congrega os parlamentares.
00:20:00E eu era membro também do parlamento do Mercosul, do ParlaSul.
00:20:04Então, minha atividade tinha um reconhecimento mundial e ainda hoje eu sou muito conhecido.
00:20:10Eu, recentemente, tive uma, fui capa do jornal espanhol, que é o concorrente do El País,
00:20:16que chama El Público, quando eu lancei o Falsolatria, que é um livro de 2024.
00:20:22O livro de 2025 eu lancei por uma editora chamada Tusques Editores,
00:20:27que é uma editora catalã, que também publica no mundo inteiro.
00:20:32Então, eu acho que a imprensa, ela esconde essa informação
00:20:36porque tem uma certa homofobia social, sabe, Mari?
00:20:40Você atribui isso à homofobia, nem tanto ao pensamento político.
00:20:44Eu acho que muito mais a homofobia.
00:20:46A homofobia social, não o fato de eu ser de esquerda.
00:20:49Eu acho que é o fato de uma...
00:20:51O Brasil e o mundo ocidental, mas o Brasil particularmente,
00:20:55tem uma dificuldade de tratar homens gays,
00:20:58ou pessoas travestis, ou mesmo mulheres como heróis.
00:21:01Veja, por exemplo, agora essa cientista, a doutora Tatiana.
00:21:06Sim.
00:21:06Muita gente disse que ela está deslumbrada,
00:21:11que ela ainda não fez todos os testes conclusivos.
00:21:14Mas você pergunta, eles diriam isso de um homem?
00:21:18Se fosse um cientista, esse cara estaria sendo celebrado...
00:21:21Ou vacionado.
00:21:22Ou vacionado.
00:21:23Sem dúvida.
00:21:23E todo mundo estaria dizendo que ele ganharia o Nobel de Ciência.
00:21:27Mas como é uma mulher, tem sempre essa dúvida.
00:21:31Então, eu acho que essa informação foi escondida.
00:21:34Por exemplo, o próprio fato de...
00:21:36No exílio, eu tive que me refazer como pessoa.
00:21:40Vamos lembrar um pouco sobre esse episódio, né?
00:21:42Em dado momento, você, deputado, começou a ser ameaçado de morte.
00:21:49Sim.
00:21:50O que você ouviu?
00:21:51Como é que foi?
00:21:52E como é que foi essa tomada de decisão de você sair do Brasil?
00:21:55Olha, as ameaças, elas se intensificaram muito a partir de 2016,
00:21:59que foi o ano em que a Dilma sofreu o golpe parlamentar.
00:22:03Michel Temer assume o governo, né?
00:22:05Todo mundo conhece essa história.
00:22:07Ele trai Dilma Rousseff.
00:22:09Ele participa daquele golpe contra ela.
00:22:12E eu fui uma pessoa que tomei a defesa de Dilma.
00:22:15Eu não era filiado ao PT.
00:22:17Eu era deputado federal pelo PSOL.
00:22:19E mesmo assim, eu tomei a defesa de Dilma,
00:22:23porque Dilma é uma mulher honesta, uma mulher decente,
00:22:26e a primeira presidenta do país numa história da República
00:22:30que começa em 1889 e que chegou até 2010
00:22:35sem que uma mulher ocupasse a presidência da República.
00:22:39Então, para mim, aquele golpe era muito mais que um golpe
00:22:43contra uma mulher de esquerda e era um golpe contra uma mulher.
00:22:46Era um golpe misógino.
00:22:48Então, eu tomei a defesa de Dilma.
00:22:51A partir daí, as ameaças se intensificaram.
00:22:54Eu fui fazendo denúncias à Polícia Federal,
00:22:58deixando claro para o presidente da Câmara
00:23:01o que estava acontecendo comigo.
00:23:04E nenhuma providência era tomada
00:23:06até que chegou o ano de 2018,
00:23:09que foi um ano horrível, um ano que nunca vamos esquecer.
00:23:12E Marielle Franco foi assassinada.
00:23:15Aliás, os mandantes foram agora condenados.
00:23:19O que você achou?
00:23:20Maravilhoso.
00:23:21Maravilhoso.
00:23:22Alguma justiça tinha que haver.
00:23:23O crime contra Marielle foi um crime político,
00:23:26foi um crime das organizações criminosas
00:23:29associadas à extrema direita,
00:23:31que decidiram em 2018 dar um recado
00:23:33de que podiam, sim, acabar com a vida de um de nós.
00:23:37E claro que o que moveu essa escolha,
00:23:41essa seleção de Marielle,
00:23:44foram preconceitos,
00:23:45foi a misoginia, o racismo e o machismo.
00:23:48Achar que matar uma parlamentar negra
00:23:51não ia dar em nada.
00:23:53Então, a condenação deles, para mim,
00:23:55foi maravilhosa.
00:23:56Estamos todos em festa.
00:23:57Mas naquele ano, Marielle foi executada.
00:24:01Ela foi executada no dia 14 de março.
00:24:04Eu fiz aniversário dia 10.
00:24:05A última vez que eu encontrei com ela
00:24:07foi aqui em São Paulo.
00:24:09A gente estava num evento junto.
00:24:11Eu a convidei para o meu aniversário.
00:24:13Ela estava com o cabelo descolorido.
00:24:15Ainda lembro disso.
00:24:17Eu falei, nossa, você está linda.
00:24:19Ela falou, eu estou criloura.
00:24:20Fez uma brincadeira com crioula e criloura.
00:24:23E eu viajei, foi um sábado.
00:24:27Viajei no domingo para Montevidéu,
00:24:30para o Parlaçu.
00:24:31E voltei na quarta-feira.
00:24:33E quando eu voltei, eu recebi a notícia do assassinato dela.
00:24:37Então, depois do assassinato dela,
00:24:39a Câmara, por fim, decidiu colocar uma escolta
00:24:43para me proteger.
00:24:45E aí, eu estava já num estado de depressão
00:24:48sem diagnóstico.
00:24:50Porque eu não tinha uma vida mais.
00:24:52Eu não podia sair.
00:24:53Eu não podia ir para o cinema, ir para a praia.
00:24:55Eu era insultado em todos os lugares onde eu ia.
00:24:58Tem um grupo aqui de São Paulo,
00:25:01que é um grupo especializado em difamação e assédio moral.
00:25:06Ninguém te defendeu?
00:25:07Ninguém me defendeu.
00:25:09Nem a comunidade LGBTQIA+.
00:25:10Nem a comunidade.
00:25:11A própria comunidade foi infectada pelas mentiras.
00:25:14Por quê?
00:25:15Porque a comunidade também frequenta as mídias sociais.
00:25:18A comunidade LGBTQIA+,
00:25:20deveria se unir melhor, mais?
00:25:23Ou já existe essa união?
00:25:24Existe essa união, mas a comunidade LGBT,
00:25:27ela também, como todo mundo,
00:25:28ela também é atacada pela desinformação.
00:25:30O que você acha de alguém da comunidade LGBTQIA+,
00:25:34ter um posicionamento de direita firme e até polarizado?
00:25:40Eu acho que uma pessoa LGBT, ela pode ser de direita.
00:25:43O que ela não pode ser é uma fascista.
00:25:45Você entende de onde ela vem
00:25:46quando ela defende outras ideias que não são iguais às suas?
00:25:50Entendo.
00:25:50Por exemplo, eu entendo que Eduardo Leite seja um homem de direita.
00:25:54Perfeito.
00:25:55Eduardo Leite é um homem de direita
00:25:57e eu respeito que ele seja de direita.
00:25:59Ele é um homem branco,
00:26:01ele é um homem rico,
00:26:03ele foi criado numa bolha econômica
00:26:05que sempre o protegeu
00:26:07de uma série de coisas que eu não fui protegido.
00:26:09Ele gozou de privilégios,
00:26:11ele estudou nas melhores escolas,
00:26:13ele aprendeu inglês muito cedo.
00:26:15Ele tem uma rede de relações
00:26:17que permite a ele gozar de todos os privilégios.
00:26:20Ele tem todo o direito de ser de direita.
00:26:23O que ele não pode ser é fascista.
00:26:25Gay fascista e lésbica fascista,
00:26:27eu não admito,
00:26:28porque o fascismo,
00:26:29o fascismo histórico,
00:26:31aquele que aconteceu na Itália,
00:26:33o nazismo na Alemanha,
00:26:35o franquismo na Espanha,
00:26:37todas essas ideologias de extrema direita,
00:26:40elas são fundamentalmente homofóbicas e misóginas,
00:26:44e racistas.
00:26:45Então, por exemplo,
00:26:47a Alemanha levou aos campos de concentração,
00:26:49os judeus,
00:26:51os ciganos,
00:26:53os comunistas,
00:26:54as pessoas gays e lésbicas.
00:26:57Foram essas pessoas que foram mortas
00:26:59de maneira...
00:27:00E as bruxas.
00:27:00As mulheres bruxas.
00:27:02E as bruxas,
00:27:03imagine,
00:27:03o caça às bruxas acontece antes do nazismo,
00:27:06e no nazismo isso é tomado.
00:27:07É, ciganos, é, ciganos.
00:27:09É tomado de novo.
00:27:10Mulheres que tinham...
00:27:11É o chamado de bruxa.
00:27:12Que eram chamados de bruxa,
00:27:13que tinham conhecimento.
00:27:14Então, eu não posso admitir um gay fascista.
00:27:17Gay de direito eu até admito, certo?
00:27:19Que ele seja de direita,
00:27:21que ele pense, por exemplo,
00:27:22que o rumo da economia pode ser outro,
00:27:26porque o debate entre direita e esquerda,
00:27:28digamos,
00:27:29de uma maneira muito simples,
00:27:30para não entrar aqui numa teoria
00:27:33em economia política
00:27:35ou ciência política,
00:27:37é de uma maneira muito simples.
00:27:38A diferença entre direita e esquerda,
00:27:40seria sobre a responsabilidade do Estado
00:27:43em relação a nós.
00:27:45Vamos lá, vamos daí.
00:27:46O que, para você,
00:27:47é a definição de uma pessoa de direita?
00:27:49Olha, uma pessoa de direita
00:27:51e de uma direita decente
00:27:52é uma pessoa que acredita, por exemplo,
00:27:54que o Estado,
00:27:56ele precisa ser mínimo
00:27:58e as liberdades econômicas e de mercado
00:28:01precisam ser maiores, certo?
00:28:03Certo.
00:28:04Digamos assim,
00:28:04uma pessoa de direita
00:28:06acredita que o Estado
00:28:07não deve assumir determinadas funções,
00:28:09porque isso cabe ao mercado,
00:28:12que o mercado se autorregula,
00:28:14digamos assim.
00:28:16Uma pessoa de esquerda
00:28:18acredita que, ao contrário,
00:28:20existem coisas que o Estado
00:28:22precisa segurar,
00:28:23como, por exemplo,
00:28:24saúde,
00:28:25segurança pública,
00:28:27educação,
00:28:29e o que mais que...
00:28:31Digamos que as três principais coisas,
00:28:33que é a alimentação,
00:28:34insegurança alimentar.
00:28:35Para você,
00:28:36a definição de uma pessoa de esquerda,
00:28:37então,
00:28:38estaria ligada a essa atuação do Estado
00:28:40em relação a políticas públicas
00:28:42para prover o mínimo necessário
00:28:43para que uma pessoa tenha uma vida digna.
00:28:45Exato.
00:28:46A esquerda luta por essa justiça social.
00:28:50A esquerda entende
00:28:52de que nem todo mundo parte
00:28:53do mesmo lugar.
00:28:55Certo?
00:28:56Essa é uma ideia,
00:28:57essa é a ideia do liberalismo clássico,
00:29:00não do neoliberalismo.
00:29:02A ideia do liberalismo está ligada,
00:29:05o liberalismo nasce
00:29:06contra a monarquia.
00:29:08Perfeito.
00:29:08Contra a atuação da monarquia
00:29:10e todo o poder absoluto do rei.
00:29:13Então,
00:29:14o liberalismo busca defender
00:29:16as liberdades individuais,
00:29:17limitar o poder do Estado,
00:29:19que era o poder do soberano,
00:29:20o poder do rei,
00:29:22do príncipe,
00:29:23da monarquia,
00:29:24defender as liberdades individuais,
00:29:25mas mesmo os liberais,
00:29:27esses liberais clássicos,
00:29:29eles não acreditavam
00:29:31que o Estado deveria desaparecer.
00:29:32O Estado deveria ser
00:29:33um mínimo ali
00:29:34para arbitrar,
00:29:35inclusive,
00:29:36as questões
00:29:38os conflitos
00:29:39entre os individuais.
00:29:40Exatamente.
00:29:42Isso é o liberalismo.
00:29:44O neoliberalismo
00:29:45é uma revisão disso
00:29:47após uma crise do capitalismo.
00:29:49E uma revisão nefasta,
00:29:52porque é uma revisão
00:29:52que acredita
00:29:53que tudo
00:29:54pode virar mercadoria,
00:29:56tudo pode virar negócio,
00:29:57inclusive, por exemplo,
00:29:59órgãos.
00:30:00Tem um famoso jornalista,
00:30:02também não precisa citar
00:30:03o nome dele,
00:30:03ele sabe quem é,
00:30:05ele teve a coragem
00:30:06de dizer
00:30:07e defender com base
00:30:08nesse neoliberalismo radical,
00:30:10que os pobres
00:30:11deveriam ter o direito
00:30:12de comercializar
00:30:13os seus órgãos.
00:30:15Isso é imoral,
00:30:17isso é indecente,
00:30:18nem tudo pode virar mercadoria.
00:30:20Corpos de criança
00:30:21não podem ser mercadoria,
00:30:22o mercado
00:30:23não pode ser livre
00:30:24em absoluto.
00:30:26Se tudo vira mercadoria,
00:30:28a gente perde
00:30:29noções de justiça,
00:30:31de decência.
00:30:32então,
00:30:33a esquerda
00:30:34compreende
00:30:34que há uma disparidade
00:30:36na largada.
00:30:37Digamos que a vida
00:30:38é uma corrida.
00:30:39Há pessoas
00:30:40que começam
00:30:41muito na frente,
00:30:42porque elas são
00:30:43brancas,
00:30:44porque elas são ricas,
00:30:45porque elas estudaram
00:30:46nas melhores escolas,
00:30:47porque elas têm
00:30:48uma rede de relações
00:30:49incríveis,
00:30:50porque os pais
00:30:51são donos de empresa,
00:30:52então elas vão sair
00:30:53dali direto
00:30:54para a empresa
00:30:55do pai dela
00:30:55ou para a empresa
00:30:56do amigo do pai.
00:30:57e tem pessoas
00:30:58como eu,
00:30:59que nascem
00:30:59na extrema miséria,
00:31:02água potável
00:31:03foi chegar na minha casa
00:31:04quando eu tinha 12 anos,
00:31:06luz elétrica também,
00:31:08meu pai era um homem
00:31:09semi-analfabeto,
00:31:10minha mãe era uma
00:31:10empregada doméstica,
00:31:11a gente não tinha banheiro
00:31:12em casa,
00:31:13eu passava fome
00:31:14e ainda assim
00:31:15eu me tornei
00:31:16quem eu sou.
00:31:18Então,
00:31:19eu saí muito antes,
00:31:20na largada
00:31:22eles saíram
00:31:22muito da frente,
00:31:24eu saí muito depois
00:31:25com muitos obstáculos
00:31:26na minha frente.
00:31:27O Estado te ajudou?
00:31:28Não,
00:31:29o Estado não me ajudou,
00:31:30mas eu acho que o Estado
00:31:31tinha que ajudar.
00:31:33Eu estava conversando
00:31:33com o Tati,
00:31:34que foi a responsável
00:31:35por nos trazer aqui,
00:31:36nossa amiga,
00:31:37eu estava dizendo
00:31:37isso para ela,
00:31:38é uma pena que na minha época
00:31:40não tivesse Bolsa Família,
00:31:42porque se tivesse
00:31:43Bolsa Família
00:31:43eu não teria passado fome.
00:31:45Não quer dizer
00:31:46que nós ficaríamos
00:31:47para sempre
00:31:48com o Bolsa Família.
00:31:49É aí que eu ia tocar
00:31:50num ponto,
00:31:51na verdade
00:31:51dois pontos
00:31:52que eu quero trazer.
00:31:53O primeiro é,
00:31:54você consegue entender
00:31:56a cabeça
00:31:58de quem tem
00:31:58uma história
00:31:59muito similar à sua,
00:32:00de também ter passado
00:32:01por dificuldades,
00:32:02também ter passado fome,
00:32:03também vir de uma origem
00:32:04muito humilde
00:32:04e ter construído
00:32:06uma carreira de sucesso,
00:32:08mas ainda assim
00:32:09defender
00:32:10o extremo oposto
00:32:11daquilo que você está dizendo
00:32:13que é
00:32:13eu sou contra
00:32:15o assistencialismo
00:32:16sem limites.
00:32:16eu não entendo,
00:32:18quer dizer,
00:32:18eu só entendo
00:32:19na medida
00:32:19em que existe
00:32:20uma coisa humana
00:32:22que a psicanálise
00:32:24vai tratar disso,
00:32:27Freud vai tratar disso
00:32:29e depois
00:32:29todos os outros
00:32:31discípulos dele
00:32:32que deram continuidade
00:32:34ao edifício
00:32:35da psicanálise,
00:32:36que é uma vontade
00:32:37humana
00:32:38de ocupar
00:32:40o lugar do opressor.
00:32:41Então tem muita gente
00:32:42que se desloca
00:32:43do lugar de oprimido
00:32:44e quer ser opressor.
00:32:46Não é o meu caso.
00:32:48Então eu jamais,
00:32:50quando as pessoas dizem assim,
00:32:51mas Jan,
00:32:52você chegou até aqui,
00:32:54você virou deputado,
00:32:55você é uma pessoa famosa,
00:32:57você é um artista visual,
00:32:58você...
00:32:58Eu digo, olha só,
00:33:00eu sou uma exceção,
00:33:01eu não sou a regra.
00:33:02Eu não posso ser pego
00:33:04como exceção
00:33:06para dizer
00:33:08que todo mundo
00:33:08vai seguir esse caminho
00:33:09porque não vai seguir.
00:33:11Tem gente que desenvolve
00:33:13problemas cognitivos
00:33:15porque não come
00:33:16na idade certa.
00:33:18A falta de determinados nutrientes
00:33:20numa certa época da vida
00:33:22faz com que muitas pessoas
00:33:24tenham problemas cognitivos.
00:33:27Jan, você não acha
00:33:28que a gente tem que ter
00:33:30um cuidado
00:33:31de olhar
00:33:31para o assistencialismo social
00:33:33para que os programas
00:33:34tenham porta de saída
00:33:36e que a gente não acabe
00:33:37ficando sempre refém?
00:33:39Tem uma frase
00:33:41que a gente escuta
00:33:43muito do outro lado
00:33:44em relação ao seu,
00:33:45que seriam as pessoas
00:33:46da direita
00:33:47que dizem
00:33:50se todo mundo comer bem,
00:33:52se todo mundo tiver tudo,
00:33:53quem é que vai votar em vocês?
00:33:56Essa é uma mistificação
00:33:58das pessoas.
00:33:59A ideia de que,
00:34:00por exemplo,
00:34:01as pessoas votam
00:34:02na esquerda
00:34:03por causa
00:34:03dos programas sociais.
00:34:06E aí,
00:34:07isso não é verdade
00:34:08porque nesse exato momento
00:34:09a Europa rica,
00:34:12a Europa que nos colonizou,
00:34:15que serviu
00:34:16em um certo momento histórico
00:34:18como predadores
00:34:20da África,
00:34:22do continente africano,
00:34:23das Américas
00:34:24e do Caribe,
00:34:25a Europa,
00:34:26nesse momento,
00:34:27está lutando
00:34:28para a garantia
00:34:29de políticas sociais
00:34:30que contemplem
00:34:32todo mundo.
00:34:33Quais são essas políticas?
00:34:34Uma saúde
00:34:37básica
00:34:38universal
00:34:38sustentada pelo Estado
00:34:40e uma renda mínima
00:34:42básica
00:34:43a todo
00:34:44e qualquer
00:34:44cidadão.
00:34:46Veja só,
00:34:47não é um debate
00:34:47do Brasil,
00:34:48é um debate
00:34:49da Europa.
00:34:50Os países nórdicos,
00:34:52a Europa
00:34:53ocidental
00:34:54como toda
00:34:55está nesse exato momento
00:34:56discutindo isso.
00:34:58É possível garantir
00:34:59a todo ser humano
00:35:00uma renda
00:35:01básica
00:35:02universal
00:35:03que lhe permita
00:35:04é caso você
00:35:06caia
00:35:07na miséria,
00:35:09caso você
00:35:09perca o seu emprego,
00:35:11caso você sofra
00:35:12um acidente,
00:35:12caso aconteça
00:35:13algum revés,
00:35:14você não vire
00:35:15um párea,
00:35:17um morto de fome,
00:35:18um sem teto.
00:35:19Esses países
00:35:20que você mencionou,
00:35:22muitos deles
00:35:23têm uma carga tributária
00:35:24até bastante parecida
00:35:25ou até maior
00:35:26do que a nossa
00:35:26aqui no Brasil.
00:35:27Exato.
00:35:27Então,
00:35:28existe um raciocínio
00:35:30próximo no sentido
00:35:31de arrecadação
00:35:32e, portanto,
00:35:33aplicação desse dinheiro
00:35:34para garantir,
00:35:35para assegurar
00:35:35os direitos básicos
00:35:37mínimos necessários.
00:35:38Essa é a ideia.
00:35:39E por que
00:35:39aqui no Brasil
00:35:40a gente não consegue
00:35:41atuar como a gente
00:35:42vê em outros países
00:35:44como esse?
00:35:44Mari,
00:35:45deixa eu te explicar
00:35:45uma coisa.
00:35:46A tributação no Brasil
00:35:47ela é regressiva,
00:35:49ela não é progressiva.
00:35:51Desde que Lula
00:35:52se tornou presidente,
00:35:54desde a primeira vez
00:35:55que ele vem tentando
00:35:58modificar a tributação
00:35:59no Brasil,
00:35:59criar,
00:36:00fazer reformas tributárias
00:36:01de modo a tornar
00:36:02a tributação
00:36:03em vez de
00:36:05regressiva,
00:36:05progressiva.
00:36:06O que é uma tributação
00:36:07regressiva?
00:36:08É uma tributação
00:36:09que incide
00:36:09sobre o consumo.
00:36:11Todo produto
00:36:12que a gente compra,
00:36:13todo serviço
00:36:14que a gente recorre,
00:36:15a gente paga por ele
00:36:17de maneira equânime.
00:36:19Então,
00:36:20eu e você,
00:36:21eu que sou uma pessoa
00:36:22de classe média
00:36:22e você,
00:36:23quando a gente entra
00:36:24num supermercado
00:36:25pra comprar
00:36:26um pacote de arroz
00:36:27e feijão,
00:36:28a gente tá pagando,
00:36:30já embutido
00:36:31naquele preço
00:36:31que a gente tá pagando,
00:36:32um imposto,
00:36:33que é o imposto
00:36:35sobre o consumo.
00:36:36Então,
00:36:37eu e você
00:36:38pagamos a mesma coisa
00:36:39que o cara
00:36:39que tá na porta
00:36:40do supermercado
00:36:41esmolando.
00:36:42Quando ele pega
00:36:43a esmola dele,
00:36:44ele vai lá,
00:36:45entra,
00:36:46compra o mesmo pacote
00:36:47de feijão
00:36:47e paga a mesma coisa.
00:36:50Então,
00:36:51quem,
00:36:51na verdade,
00:36:52mais contribui
00:36:54pros cofres públicos
00:36:56no Brasil
00:36:56são os pobres.
00:36:58E,
00:36:59se você olhar
00:37:00em termos de acesso
00:37:02a serviços,
00:37:04os pobres
00:37:04têm os piores serviços.
00:37:06Por quê?
00:37:06Porque existe
00:37:07uma ideologia
00:37:09privatista
00:37:09no Brasil
00:37:10que aí tem a ver
00:37:11com a ideologia
00:37:12de direita
00:37:12que é essa ideia
00:37:14de que o Estado
00:37:14não pode dar
00:37:15uma saúde
00:37:16de qualidade,
00:37:17não pode dar
00:37:18uma escola
00:37:18de qualidade,
00:37:20não pode dar
00:37:20uma segurança
00:37:21de qualidade,
00:37:22sendo que,
00:37:23e os ricos
00:37:24gostam muito
00:37:24de usar esse argumento
00:37:25de que eles
00:37:26estão pagando
00:37:27impostos
00:37:28para sustentar
00:37:29pobres,
00:37:29quando,
00:37:30na verdade,
00:37:30é o contrário.
00:37:31Os pobres
00:37:32estão sustentando
00:37:34a economia
00:37:35do Brasil
00:37:35porque os pobres
00:37:36são os que mais
00:37:37contribuem
00:37:38porque a tributação
00:37:39é regressiva,
00:37:40é sobre o consumo
00:37:41e não sobre a renda.
00:37:42A gente está tendo
00:37:43uma luta agora
00:37:44para tributar
00:37:46as pessoas mais ricas,
00:37:47tributar os bilionários
00:37:49e milionários
00:37:49e veja o que
00:37:50é que os milionários
00:37:52e tributários
00:37:52e bilionários
00:37:54estão fazendo.
00:37:54Uma campanha
00:37:55de desinformação.
00:37:57Mas,
00:37:59a minha pergunta é,
00:38:00por que no Brasil
00:38:01a gente não conseguiu
00:38:02ainda fazer
00:38:04com que
00:38:04toda essa arrecadação
00:38:06vire de fato
00:38:07políticas públicas
00:38:08efetivas
00:38:09com porta de saída
00:38:10eventualmente
00:38:11para que o Brasil
00:38:12melhore?
00:38:13Duas coisas,
00:38:14corrupção
00:38:15e patrimonialismo.
00:38:18as elites
00:38:19políticas
00:38:20que não por acaso
00:38:22são as elites
00:38:23econômicas,
00:38:24elas se confundem,
00:38:26elas são corruptas
00:38:27e patrimonialistas.
00:38:29Então,
00:38:29hoje nós temos
00:38:30no Congresso Nacional,
00:38:32Lula disse essa frase
00:38:34nos anos 80
00:38:34e eu vou repetir agora,
00:38:36nós temos pelo menos
00:38:37no Congresso Nacional
00:38:38300 picaretas
00:38:40que estão lá
00:38:41para enriquecer
00:38:42os seus negócios,
00:38:43as suas famílias,
00:38:44os seus currais eleitorais,
00:38:47ali onde eles
00:38:48controlam
00:38:49e onde eles
00:38:50enriquecem.
00:38:50E aí eles praticam
00:38:52algo chamado
00:38:53patrimonialismo,
00:38:54que é pegar,
00:38:54por exemplo,
00:38:55o dinheiro das emendas
00:38:56PIX,
00:38:58essa emenda
00:38:59que não tem
00:38:59transparência nenhuma,
00:39:00que a Tulira
00:39:01conseguiu aprovar
00:39:02junto com o Eduardo Cunha
00:39:03e aprovou
00:39:05no governo Bolsonaro,
00:39:08eles recebem
00:39:08essas emendas PIX
00:39:09de milhões,
00:39:11eles não dizem,
00:39:13não tem uma transparência
00:39:14sobre o gasto
00:39:15dessa emenda
00:39:15e para onde vai
00:39:16essa emenda?
00:39:17Provavelmente para
00:39:18prefeituras,
00:39:19onde eles têm
00:39:20o controle político,
00:39:21para obras
00:39:22que nunca são construídas,
00:39:24notas frias
00:39:25que são apresentadas
00:39:26e esse dinheiro
00:39:27é drenado
00:39:28dos cofres públicos
00:39:29para o enriquecimento
00:39:30privado.
00:39:31Essas pessoas então
00:39:32viram empresárias,
00:39:33investem em empresas
00:39:34privadas
00:39:35com dinheiro público
00:39:36e depois
00:39:37elas ainda são capazes
00:39:38de vir da televisão
00:39:40e dizer que
00:39:40elas estão pagando
00:39:42mais impostos
00:39:43e elas não estão.
00:39:46Jean Wyllys,
00:39:47verdade que você
00:39:48se tornou um respeitado
00:39:50artista visual?
00:39:52Me tornei.
00:39:53Conta isso,
00:39:54porque esse é um lado B,
00:39:55seu,
00:39:55que eu não conhecia.
00:39:57Pois então,
00:39:58olha,
00:39:58isso eu sempre desenhei.
00:40:00Tem uma frase
00:40:01que a minha mãe
00:40:02me disse,
00:40:03eu desenhava no chão
00:40:04ao lado dela,
00:40:05ela lavava a roupa
00:40:06no geral
00:40:06e eu ficava ali
00:40:07desenhando no chão
00:40:07com palito de fósforo
00:40:09e eu lembro
00:40:10que foi a primeira coisa
00:40:11que eu disse assim
00:40:11que eu queria ser
00:40:12quando criança,
00:40:13né?
00:40:14A criança diz assim,
00:40:14ah,
00:40:15eu quero ser médico,
00:40:16eu quero ser astronauta,
00:40:17eu disse,
00:40:18eu quero ser artista.
00:40:19E minha mãe,
00:40:21né?
00:40:21Uma mulher pobre,
00:40:22mãe de muitos filhos ali,
00:40:24vendo a pobreza,
00:40:25ela foi muito dura
00:40:26comigo e ela disse assim,
00:40:27isso não é pra você.
00:40:29Então,
00:40:30eu desenho desde criança,
00:40:32nunca entrei em escola
00:40:33de belas artes,
00:40:34foi uma habilidade,
00:40:35eu sou uma pessoa
00:40:36com altas habilidades,
00:40:38na época se chamava...
00:40:39Diagnosticada?
00:40:40É porque eu não gosto
00:40:41da palavra diagnóstico,
00:40:43mas identificado,
00:40:44eu fui identificado
00:40:46como uma pessoa
00:40:47com altas habilidades,
00:40:49super dotada,
00:40:50estudei numa escola
00:40:51voltada para alunos
00:40:52com altas habilidades,
00:40:53chamada Fundação José Carvalho,
00:40:56e sempre desenhei,
00:40:58mas sempre foi uma coisa
00:41:00paralela,
00:41:00que ninguém sabia
00:41:01que eu fazia.
00:41:02Mas no exílio,
00:41:03quando eu fui pro exílio,
00:41:05assim,
00:41:05e foi um período
00:41:06de muito sofrimento,
00:41:07porque coincidiu
00:41:08com a pandemia,
00:41:09eu estava em lugares
00:41:10muito frios,
00:41:11então eu tive uma crise
00:41:13de depressão ansiosa,
00:41:15e foi a primeira vez
00:41:16que eu tive, assim,
00:41:17a borda da loucura,
00:41:18eu vi que a loucura
00:41:19realmente tem um sofrimento.
00:41:20O que você sentia?
00:41:23Cara,
00:41:23como descrever,
00:41:24é como se eu estivesse
00:41:25à beira de um abismo,
00:41:26eu achava que a humanidade
00:41:27seria aniquilada,
00:41:29que a gente viveria algo
00:41:31como na peste negra,
00:41:32que metade da humanidade
00:41:34seria morta
00:41:35pela Covid-19,
00:41:36porque a gente não tinha
00:41:37informação sobre a vacina.
00:41:39Então,
00:41:39diante dessa crise,
00:41:40eu tive uma crise de pânico,
00:41:42aquela sensação
00:41:42de que eu ia morrer,
00:41:44fui levado
00:41:45para o hospital de Boston
00:41:46pelos meus amigos
00:41:47lá da Universidade de Harvard,
00:41:48eu estava na Universidade de Harvard
00:41:50nesse momento,
00:41:51num programa
00:41:52de professor convidado
00:41:53na universidade,
00:41:54e aí eu fui
00:41:56para o hospital,
00:41:57inclusive achando
00:41:58que era Covid,
00:41:59porque eram sintomas respiratórios,
00:42:00e não era,
00:42:01era uma crise de pânico,
00:42:02então Mari,
00:42:04eu comecei a criar
00:42:05uma rotina
00:42:06para não pirar,
00:42:08e dessa rotina
00:42:09começou a fazer parte
00:42:10pintar,
00:42:12eu comprei pincéis,
00:42:13tintas,
00:42:14e voltei a pintar,
00:42:15e comecei a pintar,
00:42:17pintar,
00:42:17e aí tudo aquilo
00:42:18que ficou recalcado
00:42:21a vida inteira
00:42:21voltou com uma força
00:42:23muito grande.
00:42:24Então,
00:42:25nos Estados Unidos,
00:42:26eu,
00:42:27uma,
00:42:28uma,
00:42:28Heloísa Barbosa,
00:42:30que tinha um podcast
00:42:31famoso,
00:42:32chamado Faxina,
00:42:34foi a primeira pessoa
00:42:35a comprar um trabalho meu
00:42:36para servir
00:42:38como ilustração
00:42:38do podcast,
00:42:39e depois eu fui convidado
00:42:40para uma exposição
00:42:42coletiva em Nova York,
00:42:44que eu coloquei
00:42:44um trabalho meu,
00:42:45que é um Donald Trump,
00:42:46inclusive,
00:42:47feito de têmpera,
00:42:48chamado Mentira,
00:42:49e depois,
00:42:50quando eu mudei
00:42:51para a Espanha,
00:42:52eu fiz,
00:42:54eu tenho todo um trabalho
00:42:55sobre desinformação
00:42:56e mutação dos meios,
00:42:59e artes visuais,
00:43:00que eu trabalho com jornais
00:43:02como suporte,
00:43:03então eu fui convidado
00:43:04pela fábrica de arte
00:43:05Roca Humbert,
00:43:06que é um grande
00:43:07equipamento de cultura,
00:43:09para dar uma oficina
00:43:10para adolescentes
00:43:12de toda a rede
00:43:13de educação,
00:43:14aí fiz essa exposição,
00:43:16e depois,
00:43:17Ana Oswaldo Cruz,
00:43:18que é uma fotógrafa,
00:43:19que é parente
00:43:20do Oswaldo Cruz,
00:43:21da Fundação Oswaldo Cruz,
00:43:23a Ana me apresentou
00:43:24a Valentim Roma,
00:43:25que é o curador
00:43:26do Palau de la Virreina,
00:43:28e aí,
00:43:29quando ele viu
00:43:29o meu trabalho,
00:43:30ele ficou fascinado,
00:43:31e eu fiz uma grande
00:43:32exposição chamada
00:43:33Desesílio,
00:43:34e aí,
00:43:35Barcelona inteira
00:43:36tinha cartazes,
00:43:37assim,
00:43:38com uma imagem,
00:43:39e era curioso,
00:43:40porque nessa época,
00:43:41os brasileiros
00:43:41que viajavam,
00:43:42eram os brasileiros
00:43:43mais de direita,
00:43:45que estavam viajando,
00:43:46era o governo Bolsonaro,
00:43:47e eles viam
00:43:48aquele cartaz enorme,
00:43:49assim,
00:43:50escrito,
00:43:50Jean Wyllys,
00:43:51Desesílio,
00:43:52e eles perguntavam,
00:43:53será que é a mesma pessoa?
00:43:54E eles iam para a exposição...
00:43:56Achando que era uma pessoa...
00:43:58Um homônimo,
00:43:59e era eu.
00:44:00Bom,
00:44:01e depois,
00:44:01essa exposição foi para o Museu
00:44:03de Arte Contemporânea da Bahia,
00:44:05e agora a gente está tentando
00:44:07trazer para São Paulo.
00:44:08Uau,
00:44:09parabéns.
00:44:09Obrigado.
00:44:10Muito bom.
00:44:11Falando em arte,
00:44:13eu fiquei sabendo
00:44:14que você é super próximo
00:44:15de vários artistas.
00:44:17Sou.
00:44:17E que em Lisboa,
00:44:18você esteve com o Caetano.
00:44:20Eu dividi o palco.
00:44:21E dividi o palco com ele,
00:44:22eu quero saber essa história,
00:44:23me conta alguma coisa
00:44:24que a gente não sabe,
00:44:25mas agora estou no bloco,
00:44:27coisas que a gente não sabe
00:44:27sobre o meu índice,
00:44:28entendeu?
00:44:29Olha,
00:44:29eu sempre adorei
00:44:31Caetano Veloso,
00:44:32de muitos artistas
00:44:33que me influenciaram,
00:44:34muitos,
00:44:34ele,
00:44:34digamos assim,
00:44:35é o que mais,
00:44:37eu tenho uma influência
00:44:38muito grande sobre mim.
00:44:39E eu me tornei amigo dele depois,
00:44:41depois que eu fiquei famoso,
00:44:43ele declarou voto em mim
00:44:45através de um artigo
00:44:46no Jornal Globo,
00:44:47ele escrevia para o Jornal Globo.
00:44:49Quando eu me candidatei
00:44:50em 2010,
00:44:51ele fez um artigo
00:44:53abrindo o voto em mim.
00:44:55E então nos aproximamos,
00:44:57nos tornamos amigos.
00:44:58Quando eu estava no exílio,
00:45:01a Mídia Ninja
00:45:02abriu uma casa em Lisboa
00:45:03e abriu com uma conferência
00:45:05entre eu e Caetano Veloso.
00:45:07Então eu dividi o palco
00:45:08com um cara
00:45:10que eu admiro
00:45:10e ele é maravilhoso.
00:45:13Assim,
00:45:13eu tenho uma...
00:45:14Por ele e pela Paula.
00:45:15Eu adoro a Paula.
00:45:17Conta,
00:45:17qual é a sua visão
00:45:18sobre a Paula?
00:45:19Olha,
00:45:20a Paula é maravilhosa.
00:45:21Paula,
00:45:22Paula às vezes
00:45:22encarna a Megera,
00:45:23né?
00:45:24Muita gente a vê
00:45:25como uma Megera
00:45:26e ela brinca com ela mesma
00:45:28encarnando esse papel.
00:45:29Mas Paula
00:45:30é uma das pessoas
00:45:30mais generosas
00:45:32que eu conheço.
00:45:33Pode não parecer
00:45:34aquele jeitão dela,
00:45:35mas ela é muito generosa
00:45:36e ela foi muito generosa
00:45:38comigo,
00:45:39por exemplo,
00:45:40quando eu estava no exílio.
00:45:42Me convidou,
00:45:43eu fui a Nova York
00:45:44no apartamento deles.
00:45:46Ela tem...
00:45:47A Paula é muito engraçada.
00:45:48Vou contar só uma história
00:45:49para você
00:45:50que é muito curioso
00:45:51do humor que ela tem.
00:45:53Ela fez uma reunião
00:45:54antes do exílio,
00:45:55ela fez uma reunião
00:45:56no apartamento deles
00:45:57em Ipanema.
00:45:59E estávamos eu
00:45:59e Marcelo Freixo
00:46:00e a nata da música
00:46:02popular brasileira
00:46:03estava presente.
00:46:04Todo mundo.
00:46:05E aí começamos
00:46:06a falar,
00:46:07a conversar
00:46:08e aí eu estava
00:46:09no meio da minha fala
00:46:11estava explicando
00:46:11sobre os processos
00:46:13democráticos,
00:46:14a origem da democracia
00:46:15e aí ela com
00:46:17um humor maravilhoso
00:46:17fumando,
00:46:18ela falou assim,
00:46:19peraí,
00:46:19peraí,
00:46:20peraí que eu estou
00:46:22aprendendo esse negócio
00:46:22de democracia agora.
00:46:24Na minha empresa
00:46:24sou eu que dou as ordens
00:46:25e ponto.
00:46:28Ela é maravilhosa,
00:46:29então ela tem esse humor,
00:46:30ela ri.
00:46:31Deixa eu entender agora
00:46:32essa coisa de democracia,
00:46:33não faz parte
00:46:34do meu repertório não,
00:46:35que aqui quem manda
00:46:36sou eu.
00:46:37Exatamente.
00:46:37Caso eu também
00:46:38sou desse jeito aí,
00:46:39então Paula,
00:46:40beijo,
00:46:40precisamos da mesma escola.
00:46:42Paula,
00:46:42beijo meu amor,
00:46:43eu adoro Paula Lavine
00:46:44e adoro,
00:46:45os dois são maravilhosos
00:46:46e a gente tem que agradecer
00:46:47muito a eles dois,
00:46:49assim,
00:46:50eles foram muito importantes
00:46:51na defesa da democracia
00:46:53naquele momento,
00:46:54né?
00:46:55Então,
00:46:56além deles,
00:46:57você também tem uma relação
00:46:58próxima com o Chico Duarque?
00:46:59Tenho,
00:47:00tenho.
00:47:00Quem me apresentou a Chico,
00:47:01eu sou amigo de Silvia,
00:47:02de Silvia Duarque,
00:47:03né?
00:47:03Que é atriz maravilhosa,
00:47:05filha dele com o Severo,
00:47:06então eu conheci Silvinha primeiro,
00:47:08tive uma relação com Silvia
00:47:09e Silvia me apresentou a Chico,
00:47:11que, enfim,
00:47:12gosta de mim,
00:47:13me apoiou na campanha
00:47:14de 2018
00:47:17e eu conto isso,
00:47:18as pessoas morrem de inveja,
00:47:19eu digo,
00:47:19olha só,
00:47:20ele passou um café pra mim
00:47:21e é verdade.
00:47:23estava no apartamento dele,
00:47:25ele falou,
00:47:25você quer tomar um café?
00:47:26Eu falei,
00:47:27quero,
00:47:27ele foi lá
00:47:28e ele mesmo
00:47:29passou o café.
00:47:30Então eu ia encostar
00:47:31nem na xícara,
00:47:32eu ia ficar contemplando
00:47:33por alguns minutos,
00:47:34dizendo,
00:47:35esse café foi passado
00:47:36pro Chico Duarque,
00:47:37maravilhoso.
00:47:38Agora,
00:47:38quer que eu te diga uma coisa,
00:47:39ele tem uma timidez
00:47:40muito grande
00:47:41e ele,
00:47:42embora seja esse gênio
00:47:43que tem uma obra musical
00:47:45incrível
00:47:45e literária,
00:47:47ele fica muito
00:47:48sem jeito
00:47:49quando você chega
00:47:50elogiando ele.
00:47:51Então,
00:47:51a melhor maneira
00:47:52de chegar pra Chico
00:47:53não chega elogiando.
00:47:54É falando mal,
00:47:55você é bem qualquer coisa.
00:47:56Não é falar,
00:47:57fala em qualquer coisa.
00:47:57Eu,
00:47:58eu,
00:47:58eu acho você
00:47:58um pouco qualquer coisa,
00:47:59viu Chico?
00:48:00Eu assim,
00:48:00querer te conhecer,
00:48:01eu,
00:48:02por mim.
00:48:03É que ele é muito tímido,
00:48:05assim,
00:48:05a gente se encontrou em Paris,
00:48:08foi feito um evento em Paris
00:48:09quando o Lula estava preso,
00:48:11Lula recebeu,
00:48:12né,
00:48:13centenas de milhares
00:48:14de cartas
00:48:15de brasileiros inteiros
00:48:16enquanto ele estava preso.
00:48:17E eu fui uma das pessoas
00:48:19que escrevi uma carta pra ele
00:48:21e foi feito em Paris
00:48:22pelo Tomás Guilherdá,
00:48:24que é um ator de lá,
00:48:24um evento
00:48:25pra leitura das cartas
00:48:27do Lula
00:48:28e a minha carta
00:48:28foi lida por mim
00:48:29e por Maria de Medeiros,
00:48:30que é a atriz portuguesa
00:48:32que faz o filme do Tarantino.
00:48:33Perfeito.
00:48:34O,
00:48:35é,
00:48:36Pulp Fission.
00:48:37Isso.
00:48:38E aí,
00:48:38nesse evento,
00:48:39depois desse evento
00:48:40da leitura da carta do Lula,
00:48:41Chico marcou um jantar comigo,
00:48:44eu e ele e Carol,
00:48:45a prona,
00:48:45a mulher dele,
00:48:46que é uma advogada incrível,
00:48:47uma jurista,
00:48:49e aí,
00:48:50marcou num lugar
00:48:51e eu peguei o endereço
00:48:52e eu fui de metrô,
00:48:53só que eu,
00:48:53né,
00:48:54me perdi
00:48:55e desci,
00:48:56eu acho que assim,
00:48:57quatro estações antes.
00:48:58Aí desci,
00:48:59eu falei,
00:48:59ah,
00:48:59vou andando,
00:49:00tô em Paris,
00:49:01aí eu tava assim,
00:49:02andando,
00:49:03era um dia de tarde,
00:49:04assim,
00:49:05lindo,
00:49:05aquele sol se pondo,
00:49:08naquela cidade linda,
00:49:10e eu indo ao contrário
00:49:10de Chico Buarque,
00:49:11eu pensei,
00:49:12gente,
00:49:12se eu morrer agora,
00:49:14eu morro feliz.
00:49:15Morro feliz.
00:49:18Eu quero agora
00:49:19chamar o meu quadro
00:49:20A Verdadeira Tradução,
00:49:23e nesse quadro,
00:49:24Jean,
00:49:25é o seguinte,
00:49:25eu vou trazer frases suas,
00:49:27pra gente conversar sobre elas
00:49:29e ver se você mudou de opinião,
00:49:30se você reafirma,
00:49:31se você quer explicar exatamente
00:49:32o que você quis dizer
00:49:33quando você disse.
00:49:34Tá bom.
00:49:35Então vamos lá.
00:49:37Primeiro é o seguinte,
00:49:38aspas,
00:49:40os dirigentes partidários
00:49:41de esquerda
00:49:41não dão muitos ouvidos
00:49:43a mulheres
00:49:44e homens gays.
00:49:45Eu,
00:49:46é,
00:49:47continua,
00:49:48reafirma.
00:49:48Reafirmo.
00:49:49A esquerda,
00:49:51embora goste
00:49:52de parecer
00:49:53muito moderna,
00:49:55a esquerda
00:49:56ainda é comandada
00:49:57por homens
00:49:57e comandada
00:49:58por homens brancos,
00:49:59os dirigentes partidários
00:50:00ainda são...
00:50:01O mundo ainda é comandado
00:50:02pelos homens?
00:50:03O mundo ainda é comandado
00:50:04pelos homens,
00:50:04mas a esquerda
00:50:05deveria ter dado
00:50:06um passo adiante,
00:50:08mas ainda tem muitos
00:50:08homens dirigentes
00:50:10controlando partidos
00:50:11e sindicatos
00:50:12e não costumam
00:50:13dar ouvido
00:50:14a mulheres
00:50:14e gays.
00:50:16Isso continua sendo
00:50:17uma verdade.
00:50:17Por quê?
00:50:19Machismo estrutural.
00:50:20E homofobia estrutural.
00:50:21As duas coisas.
00:50:23Aspas.
00:50:24Alguém que defende
00:50:25a decência básica
00:50:26hoje é feminista.
00:50:28Eu acho,
00:50:28totalmente.
00:50:29Em que sentido?
00:50:30Eu acho que
00:50:33o feminismo,
00:50:34porque assim,
00:50:35tem muita deturpação
00:50:37sobre o que é feminismo.
00:50:38Minha mãe,
00:50:39por exemplo,
00:50:39que é uma mulher
00:50:41semanalfabeta,
00:50:42foi empregada
00:50:43doméstica e tal,
00:50:44minha mãe
00:50:44era muito feminista.
00:50:46Ela não sabia,
00:50:48ela nunca teve contato
00:50:50com o que é o feminismo,
00:50:51mas ela era feminista,
00:50:53porque minha mãe
00:50:53tinha isso,
00:50:54decência humana básica.
00:50:56Minha mãe jamais
00:50:57abandonaria os filhos,
00:50:58as mulheres não
00:50:59abandonam os filhos,
00:51:01as mulheres ficam
00:51:02com os filhos,
00:51:02as mulheres são solidárias,
00:51:04as mulheres estão
00:51:05salvando o mundo
00:51:06desde sempre.
00:51:07Então,
00:51:08o futuro
00:51:08ou será feminista
00:51:10ou não será.
00:51:11E aí,
00:51:12é realmente,
00:51:13nós homens,
00:51:13sejam homens gays,
00:51:14homens héteros,
00:51:15nós temos
00:51:16que aprender
00:51:16com as mulheres.
00:51:17Se houvesse mais
00:51:18mulheres na política,
00:51:20a gente não estaria
00:51:20à beira da guerra.
00:51:21Por exemplo,
00:51:23eu acho que
00:51:23nesse momento,
00:51:24nesse exato momento,
00:51:25tem mais ou menos
00:51:26uns 136
00:51:28conflitos
00:51:29armados
00:51:29no mundo,
00:51:31conduzidos por homens,
00:51:33não por mulheres.
00:51:34Entendeu?
00:51:35Então,
00:51:36ter decência humana
00:51:37básica
00:51:38é ser feminista.
00:51:40Aspas,
00:51:41o aborto
00:51:42é hoje
00:51:42um assunto proibido
00:51:44em quase todos os espaços
00:51:45e não importa o motivo
00:51:47pra interrupção
00:51:47da gravidez.
00:51:48O assunto é tratado
00:51:49como um tabu,
00:51:50evitado em quase
00:51:51todas as campanhas
00:51:53eleitorais
00:51:53e a prática
00:51:55é criminalizada
00:51:56segundo
00:51:56o Código Penal.
00:51:58Ele é,
00:51:59mas independentemente
00:52:00disso,
00:52:01da proibição,
00:52:02da condenação,
00:52:03as mulheres
00:52:04abortam.
00:52:05Qual a sua opinião
00:52:06sobre isso?
00:52:07Eu acho que,
00:52:07primeiro,
00:52:08eu não tenho que ter
00:52:09uma opinião
00:52:09porque eu não engravido.
00:52:10Eu acho que
00:52:10se os homens
00:52:11engravidassem,
00:52:12se os homens
00:52:12parissem pelo pinto,
00:52:14o aborto
00:52:15já teria sido
00:52:16legalizado.
00:52:17Porque eu acho
00:52:19que uma mulher
00:52:19deve decidir
00:52:20quando ela
00:52:22quer ser mãe
00:52:23ou não,
00:52:23quando ela pode
00:52:24ser mãe
00:52:25ou não.
00:52:26Esse é um assunto
00:52:26das mulheres,
00:52:28sempre foi delas.
00:52:29Os homens
00:52:29tentam proibir,
00:52:31os homens tentam
00:52:31controlar,
00:52:31porque no fundo
00:52:32eles querem ter
00:52:33um controle
00:52:34sobre as mulheres
00:52:35e os corpos.
00:52:36Mas vou dar um exemplo.
00:52:37Minha mãe
00:52:38teve três filhas,
00:52:40minha terceira irmã
00:52:41morreu de desnutrição,
00:52:44nasceu eu,
00:52:45que também quase morri,
00:52:47depois de mim,
00:52:48minha mãe teve
00:52:48três outros filhos.
00:52:49E eu lembro,
00:52:50eu tinha mais ou menos
00:52:51uns oito anos,
00:52:52e eu tenho
00:52:53uma excelente memória,
00:52:54eu lembro de minha mãe
00:52:56conversando com as outras
00:52:56mulheres,
00:52:57que ela estava grávida
00:52:59de mais um filho
00:53:00e ela não podia
00:53:01ter mais um filho.
00:53:02Ela já criava
00:53:03muitos filhos,
00:53:04ela é uma mulher pobre.
00:53:06Como é que ela
00:53:07ia ter um novo filho?
00:53:09Então ela estava discutindo
00:53:11meios de contracepção
00:53:14com as mulheres.
00:53:16Então as mulheres
00:53:16sempre praticaram
00:53:18o aborto,
00:53:18gostem as pessoas ou não.
00:53:20Mulheres católicas,
00:53:21mulheres evangélicas,
00:53:22elas praticam,
00:53:24porque elas sabem
00:53:24quando podem
00:53:25e quando não podem.
00:53:27Mas você é a favor
00:53:27ou contra o aborto?
00:53:28A legalização?
00:53:29Eu sou totalmente a favor.
00:53:31Não sou só a favor
00:53:32como eu apresentei
00:53:33o projeto de legalização
00:53:35do aborto
00:53:37no período
00:53:38em que a ciência
00:53:39diz que ali
00:53:39ainda não há
00:53:40uma vida.
00:53:42Certo?
00:53:43Uma vida consciente.
00:53:44Quer dizer,
00:53:44o aborto vai ser praticado
00:53:45em qualquer período.
00:53:47Tem o período certo
00:53:48para você praticar
00:53:49quando aquilo ali
00:53:49ainda não é uma vida,
00:53:51ainda não é um ser vivo.
00:53:54Então assim,
00:53:55eu acho que os homens
00:53:56não têm o direito
00:53:56de se meter nessa história.
00:53:58Mas não é a responsabilidade
00:53:59dos homens também
00:54:00se meterem nessa história,
00:54:01já que eles se meteram
00:54:02até agora dizendo
00:54:02que a gente não poderia fazer?
00:54:04Eles têm que se meter
00:54:05apoiando vocês.
00:54:06Exatamente.
00:54:07É aquela coisa,
00:54:07sabe assim,
00:54:08a piadinha machista,
00:54:09o cara que fica quieto
00:54:10hoje em dia,
00:54:11a gente já tem que...
00:54:12Não é apoio.
00:54:13Olha,
00:54:13agora tem que ter
00:54:14uma postura mais ativa,
00:54:16talvez.
00:54:16Mais ativa e de apoio,
00:54:17de entender,
00:54:18por exemplo,
00:54:19há mulheres que não podem
00:54:20tomar contraceptivos,
00:54:22certo?
00:54:23Não podem tomar,
00:54:25por exemplo,
00:54:25uma mulher que teve
00:54:26princípio de câncer de mama,
00:54:28ela não pode fazer
00:54:28reposição hormonal,
00:54:30porque senão
00:54:31o câncer pode voltar.
00:54:32As mulheres vivem
00:54:33uma tormenta de hormônios
00:54:35que o anticoncepcional
00:54:37só faz agravar.
00:54:38Então,
00:54:39pelo amor de Deus,
00:54:40caso aconteça
00:54:41dela engravidar
00:54:42sem ela querer,
00:54:43ela tem que ter o direito
00:54:44de interromper
00:54:45essa gravidez indesejada
00:54:47no período
00:54:48em que é,
00:54:50em que essa gravidez
00:54:51pode ser interrompida.
00:54:53Entendeu?
00:54:54Isso não é ser contra a vida.
00:54:55E eu acho curioso,
00:54:56Mari,
00:54:57porque tem muita gente
00:54:57que assim,
00:54:59é contra a legalização do aborto,
00:55:00mas quando a criança nasce
00:55:02e é pobre
00:55:03e está no sinal
00:55:04de trânsito lá
00:55:06pedindo esmola,
00:55:07ela fecha o vidro.
00:55:09Ela quer que a pessoa,
00:55:10que aquela criança morra.
00:55:12Ela defende chacina
00:55:13daquela criança.
00:55:14Então,
00:55:15é um discurso hipócrita.
00:55:17Caetano Veloso
00:55:17tem uma música dele
00:55:18chamada
00:55:19Vamos Comer,
00:55:21que ele gravou
00:55:21com Luiz Melodia
00:55:22em 88,
00:55:23que ele diz assim,
00:55:24o padre na televisão,
00:55:26pode ser padre,
00:55:27mas pode ser pastor também,
00:55:28o padre na televisão
00:55:29diz que é contra a legalização
00:55:31do aborto
00:55:32e a favor da pena de morte.
00:55:34Eu disse não,
00:55:34que pensamento torto.
00:55:36Porque é um pensamento torto.
00:55:38Se você diz assim,
00:55:39eu sou a favor,
00:55:41eu sou contra a legalização
00:55:42do aborto
00:55:43porque eu sou a favor da vida,
00:55:44você vai lá
00:55:45e defende a pena de morte,
00:55:47que é a interrupção da vida.
00:55:49Decidir que o Estado
00:55:50mate uma pessoa.
00:55:52Então,
00:55:52não dá para,
00:55:53as duas coisas
00:55:54não dão para conciliar.
00:55:54Ou você
00:55:56é a favor da vida
00:55:57e é a favor da vida
00:55:58da mãe,
00:55:59por exemplo,
00:56:00primeiro da mãe.
00:56:01Porque uma mulher
00:56:02quando engravida,
00:56:03na segunda semana
00:56:04de gravidez,
00:56:05não tem vida ali.
00:56:07Ali tem um conjunto
00:56:07de células.
00:56:08A única vida
00:56:09que tem é a vida
00:56:10da mulher.
00:56:11Se tem um risco
00:56:12para ela,
00:56:12se aquilo vai ser
00:56:13um problema
00:56:14para ela,
00:56:15é um direito
00:56:15dela dizer,
00:56:17eu quero interromper
00:56:18essa gravidez
00:56:19indesejada.
00:56:20Pronto.
00:56:21Os homens tinham
00:56:21mais que apoiar.
00:56:23Bem.
00:56:24Eu vou agora
00:56:25para o meu quadro
00:56:25Toma que o rei canseu
00:56:27E neste quadro,
00:56:28a gente já falou
00:56:29bastante de redes sociais,
00:56:30mas agora é o espaço
00:56:31para a gente falar
00:56:31com os haters.
00:56:33Você já me contou
00:56:34aqui,
00:56:34em off do off,
00:56:36que você nem lê
00:56:37muito mais,
00:56:38assim,
00:56:39comentários
00:56:39e coisas tóxicas
00:56:41e até você falou
00:56:41um pouco sobre
00:56:42a psique humana
00:56:44e como é que
00:56:44as pessoas olhando
00:56:46para os outros
00:56:46nas redes sociais
00:56:47acabam emanando ali
00:56:48palavras de ódio
00:56:49e isso gera inveja
00:56:50e tal.
00:56:52Mas aqui
00:56:53a gente vai olhar
00:56:54para o que eles falaram,
00:56:54sim,
00:56:55e a gente pode rir,
00:56:57a gente pode chorar,
00:56:58a gente pode responder.
00:57:00Vamos lá.
00:57:01Aspas.
00:57:02Eu admiro muito
00:57:04a capacidade dele
00:57:05de falar
00:57:05de forma eloquente
00:57:07as mais absolutas
00:57:09besteiras.
00:57:13Aí você vê
00:57:14que essa pessoa...
00:57:15É isso, não é bem, né?
00:57:16Mas você vê
00:57:17que essa pessoa
00:57:17é uma completa
00:57:19idiota
00:57:20porque tudo
00:57:21não é,
00:57:22porque, pelo amor de Deus,
00:57:23eu sou uma pessoa
00:57:24com uma formação
00:57:24intelectual sólida.
00:57:26Tudo que eu estou falando
00:57:27aqui está sustentado
00:57:28em anos de dedicação
00:57:30à leitura rigorosa
00:57:32de diversos autores.
00:57:34Eu sou uma pessoa
00:57:35que penso,
00:57:37trabalho e produzo.
00:57:38Eu escrevi
00:57:39para os maiores jornais
00:57:40do mundo.
00:57:40Eu já dei aula
00:57:42para as mais importantes
00:57:43universidades.
00:57:44Aí uma pessoa
00:57:44diz isso
00:57:45é porque ela é uma idiota
00:57:47e é uma idiota
00:57:48movida pela inveja
00:57:49ainda por cima
00:57:49porque, na verdade,
00:57:50o que ela gostaria
00:57:51era de falar
00:57:53como eu falo.
00:57:53Com a eloquência
00:57:54que você fala.
00:57:55E com a consistência,
00:57:56na verdade.
00:57:57Muito bom.
00:57:58Aspas.
00:57:59Como uma bosta dessas
00:58:01ganhou para deputado?
00:58:03Foi um comentário
00:58:04no post
00:58:05sobre o orgulho gay.
00:58:06É bosta
00:58:07uma questão de perspectiva, né?
00:58:08Para quem vive
00:58:09na merda como ele,
00:58:10tudo é bosta.
00:58:14Desculpa, querido.
00:58:15Você foi indelicado, querido.
00:58:16Agora você tomou também.
00:58:17Mas é verdade.
00:58:18Você toma de volta
00:58:19que o rei te é seu.
00:58:19Amor, eu vivo
00:58:20num jardim.
00:58:21Eu vivo num jardim.
00:58:22Ao meu lado
00:58:23só brotam flores.
00:58:24Às vezes,
00:58:25é vadoninha.
00:58:26Mas ele vive
00:58:26numa fossa.
00:58:28Para alguém
00:58:28que vive numa fossa,
00:58:30tudo é merda.
00:58:31Tudo é bosta.
00:58:33Aspas.
00:58:34Essa é a cara do Brasil.
00:58:35Um ex-BBB,
00:58:36o programa mais lixo da TV,
00:58:38vira um intelectual,
00:58:40filósofo, referência.
00:58:42Paciência, gato.
00:58:42A vida é assim.
00:58:43Quando eu entrei no BBB,
00:58:45eu era mestre
00:58:46em letras e linguística
00:58:47e coordenava
00:58:48o núcleo de mídia
00:58:49e cidadania
00:58:50de formação
00:58:51de documentários,
00:58:52de formação
00:58:53de documentarista
00:58:54da Universidade
00:58:54de Jorge Amado.
00:58:56Eu me inscrevi no BBB
00:58:57porque é um programa
00:58:57interessante.
00:58:58No fundo,
00:58:59essa pessoa
00:59:00não é nada.
00:59:02Nada.
00:59:02E aí,
00:59:03na verdade,
00:59:05ela quer parecer
00:59:06inteligente
00:59:07dizendo que o BBB,
00:59:08o programa,
00:59:09é como chamar
00:59:10o seu programa,
00:59:11de nada,
00:59:12porque está na televisão.
00:59:13Na verdade,
00:59:13essa pessoa...
00:59:15E um programa
00:59:16que movimenta,
00:59:17faz o Agenda 7
00:59:19do Brasil.
00:59:20As pessoas estão comentando
00:59:22mais o Big Brother.
00:59:23Hoje, por exemplo,
00:59:24estamos falando mais
00:59:25de Ana Paula Renault
00:59:26e Jonas 22
00:59:28do que no caso
00:59:28do Banco Master.
00:59:29E vem cá,
00:59:30e desde quando
00:59:31uma pessoa
00:59:33passar por um programa
00:59:34de televisão
00:59:36apaga a formação dela?
00:59:38Então,
00:59:38você vê que essa pessoa
00:59:39não pensa.
00:59:40Essas pessoas
00:59:41são vazias de pensamento.
00:59:43Elas não param sequer
00:59:44para pensar na frase
00:59:45que escreveram.
00:59:46Você ainda acha
00:59:47o Big Brother
00:59:47uma coisa interessante?
00:59:48Eu acho.
00:59:49Eu só não vejo mais
00:59:50porque eu não tenho tempo.
00:59:51Não é tempo, né?
00:59:52Tem mais o que fazer.
00:59:53Não,
00:59:53é porque a vida é curta, Mari.
00:59:55É verdade.
00:59:55Assim,
00:59:56meu trabalho
00:59:57é um trabalho intelectual.
00:59:58É um trabalho de leitura,
00:59:59de escrita.
01:00:00E tem as séries
01:00:01de streaming
01:00:02que eu vejo.
01:00:03Ou seja,
01:00:03não dá mais tempo
01:00:04para ver.
01:00:05E eu também não quero
01:00:06que imbecis como esse,
01:00:07por exemplo,
01:00:08essas pessoas
01:00:09com vazio de pensamento,
01:00:10me acusem
01:00:11de estar querendo
01:00:12pegar carona
01:00:13no programa.
01:00:14Então,
01:00:14eu evito
01:00:15falar completamente
01:00:16do programa
01:00:17porque
01:00:19eu existo
01:00:20para além dele.
01:00:21Eu existia antes
01:00:22e depois que eu passei
01:00:23por ele,
01:00:23eu existo
01:00:24para além dele.
01:00:25Aliás,
01:00:26tem toda uma geração
01:00:27que não me associa
01:00:27ao programa.
01:00:28Então,
01:00:29só uma pessoa
01:00:30com muito vazio
01:00:31de pensamento,
01:00:32uma pessoa que
01:00:32não conecta realmente
01:00:34as ideias,
01:00:34é capaz de escrever
01:00:35uma coisa dessa.
01:00:37Antes da gente
01:00:38terminar o nosso papo,
01:00:39eu vou chamar
01:00:39o meu último quadro
01:00:40que é o Ping Pong.
01:00:41E aqui eu vou trazer
01:00:43coisas para você
01:00:44fazer escolhas objetivas.
01:00:46Meu Deus.
01:00:46Com explicações curtas,
01:00:47se quiser.
01:00:48Tá bom.
01:00:49Vamos lá.
01:00:50Quem representa melhor
01:00:51a causa LGBTQIA+,
01:00:53Jean Wyllys
01:00:54ou Evandro Santos?
01:00:56Gente,
01:00:56mas aí é
01:00:57me colocar
01:00:58num lugar de cabotino
01:00:59que é uma coisa
01:01:00que eu detesto,
01:01:01que é o autoelogio.
01:01:03Mas Evandro Santos
01:01:04não representa em nada
01:01:05a comunidade LGBT,
01:01:06nem a causa LGBT.
01:01:07Ele é um homem gay,
01:01:09ele pertence
01:01:09à nossa comunidade,
01:01:11mas ele não representa,
01:01:13ele não tem
01:01:13uma função representativa,
01:01:15ele não é um ativista político,
01:01:16ele não dedicou
01:01:17a vida dele
01:01:18a lutar
01:01:19pelas causas
01:01:20da comunidade LGBT,
01:01:22nem a defender algo
01:01:23e materializar algo
01:01:24como eu fiz.
01:01:25Por exemplo,
01:01:26o casamento civil
01:01:26igualitário no Brasil
01:01:27existe graças
01:01:29à minha atuação.
01:01:30Ponto.
01:01:31Então,
01:01:31não tem termos
01:01:32de comparação.
01:01:33Agora,
01:01:33me autoelogiar
01:01:34é uma coisa
01:01:34que eu não gosto,
01:01:35mas ele não tem
01:01:37representação
01:01:37na comunidade LGBT.
01:01:39Se tivesse
01:01:40esse poder,
01:01:42o que você gostaria
01:01:43de erradicar antes?
01:01:44O machismo estrutural
01:01:46ou a homofobia?
01:01:47O machismo estrutural.
01:01:49Porque o machismo
01:01:50pare a homofobia.
01:01:51Perfeito.
01:01:53Por isso que eu gosto
01:01:54de pessoas inteligentes.
01:01:55Se você não entendeu,
01:01:55a gente explica depois.
01:01:58O que dói mais?
01:02:00Te chamarem de sionista
01:02:01ou de defensor
01:02:03da islamização
01:02:04das escolas?
01:02:05Nenhum dos dois me dói,
01:02:06porque nenhum dos dois
01:02:07são verdadeiros, né?
01:02:09Eu não sou sionista.
01:02:10Quando você ouve uma coisa
01:02:11que não é verdade,
01:02:11isso não te dói?
01:02:12Não.
01:02:13Me dói se vir...
01:02:15Tipo,
01:02:16se vir de pessoa inteligente
01:02:18ou que eu considero
01:02:20inteligente,
01:02:20me dói.
01:02:21Mas quando vem de idiotas,
01:02:22não.
01:02:22Porque uma pessoa
01:02:23que me chama de sionista,
01:02:25ela não sabe nem
01:02:25o que é o sionismo.
01:02:26Eu não sou um membro
01:02:27da comunidade judaica.
01:02:29Eu não tenho
01:02:30ascendência judaica.
01:02:31Então, eu não posso
01:02:32ser sionista.
01:02:33E o sionismo,
01:02:34ele é um fenômeno
01:02:36complexo, né?
01:02:36Que envolve, assim,
01:02:38uma história de um povo
01:02:39que é milenar.
01:02:41A busca por uma
01:02:41terra prometida,
01:02:42que pode ganhar
01:02:44contornos de esquerda,
01:02:45de direita,
01:02:46que pode ganhar
01:02:47contornos bélicos
01:02:49ou não.
01:02:50O sionismo é uma
01:02:50complexidade.
01:02:51E você foi chamado
01:02:52de sionista porque
01:02:53você visitou Israel?
01:02:54Eu fui chamado de sionista
01:02:55porque eu fui convidado
01:02:56pela esquerda israelense
01:02:58para um programa
01:02:59para dar uma aula
01:03:01na Universidade Hebraica
01:03:02de Jerusalém
01:03:02e visitar a Palestina.
01:03:04Mas essa acusação
01:03:05é uma acusação
01:03:06de gente burra de esquerda.
01:03:07E gente burra de direita,
01:03:09diz que eu quero
01:03:10islamizar
01:03:11as escolas.
01:03:12Essa pessoa que diz isso,
01:03:14ela é tão estúpida
01:03:15que ela não sabe
01:03:16que a gente usa
01:03:18os algoritmos
01:03:20arábicos.
01:03:21Que a herança
01:03:22é árabe.
01:03:23Não vou nem falar
01:03:24do Kibe,
01:03:25certo?
01:03:26Não vou nem falar
01:03:29da arquitetura,
01:03:30nem da comunidade.
01:03:32Eu vou falar
01:03:32de coisas básicas
01:03:34que foram herdadas,
01:03:35que a gente herdou
01:03:36dos povos árabes.
01:03:37E que é isso,
01:03:39o projeto,
01:03:40quando a gente apresentou,
01:03:41era para dizer isso
01:03:41para as escolas,
01:03:42nas escolas.
01:03:43Olha,
01:03:43o alfabeto,
01:03:45a numeração
01:03:46que vocês,
01:03:46os algoritmos,
01:03:47vem da cultura árabe.
01:03:49E não do islamismo.
01:03:50O islamismo é uma outra,
01:03:52o islamismo é a religião
01:03:53muçulmana.
01:03:54Mas aí,
01:03:55é aquela estupidez motivada.
01:03:57Existe uma coisa
01:03:58que deveria doer,
01:03:59Mari,
01:04:00a burrice.
01:04:01de todas as enfermidades,
01:04:03a única que não dói
01:04:05é a burrice motivada.
01:04:06Se a burrice doesse
01:04:07como qualquer outra doença,
01:04:09haveria muito menos
01:04:10gente burra no mundo.
01:04:13Qual já o Brasil
01:04:14precisa conhecer melhor?
01:04:16O escritor
01:04:17ou o artista plástico?
01:04:18Eu acho que o artista plástico.
01:04:21Estamos aguardando
01:04:22a sua exposição
01:04:25aqui em São Paulo, hein?
01:04:27Não me convide
01:04:28para um chope.
01:04:29Tarciso de Freitas
01:04:30ou Adrílis Jorge?
01:04:32Nenhum dos dois.
01:04:34Eu não iria para o chope
01:04:35com nenhum dos dois.
01:04:36Mas se fosse assim,
01:04:37absolutamente obrigado,
01:04:39o Adrílis.
01:04:40Porque,
01:04:41sei lá,
01:04:42o Adrílis,
01:04:43eu acho que tem muito mais
01:04:44de performance.
01:04:44Adrílis é aquele menino
01:04:45de vereador,
01:04:47que é,
01:04:48participou pelo Big Brother
01:04:49e é vereador.
01:04:50Não é isso?
01:04:51Não é ele?
01:04:52Isso.
01:04:52Não é esse, rapaz?
01:04:53Então, com ele,
01:04:54se fosse assim,
01:04:55absolutamente obrigado,
01:04:56com ele,
01:04:56talvez até sentasse
01:04:57para conversar,
01:04:58porque talvez mudasse
01:04:59com o outro
01:05:00de jeito nenhum.
01:05:02Prefiro dialogar
01:05:03com MBL
01:05:04ou Família Bolsonaro?
01:05:06Com nenhum dos dois.
01:05:07Não tem diálogo
01:05:08com um fascista.
01:05:09Tem um ditado
01:05:10que diz o seguinte,
01:05:11que se tem dez fascistas,
01:05:13se você está sentado
01:05:14numa mesa
01:05:15e sentam dez fascistas
01:05:17e você não se levanta,
01:05:19é porque tem onze fascistas.
01:05:21eu não dialogo com o MBL
01:05:23nem com a família
01:05:24Bolsonaro,
01:05:24não tem diálogo
01:05:25com essa gente.
01:05:26É uma gente
01:05:27indecente,
01:05:28imoral,
01:05:29covarde
01:05:29e que, de fato,
01:05:31não respeita
01:05:31a honra dos outros.
01:05:34Jair,
01:05:35o que eu não te perguntei
01:05:36nessa entrevista
01:05:37que você gostaria
01:05:38que eu tivesse te perguntado?
01:05:39Você tem um namorado ou não?
01:05:40Você tem namorado,
01:05:41Jair Willis?
01:05:42Ah,
01:05:42então já estamos sabendo
01:05:44aqui,
01:05:44começando agora
01:05:45uma campanha,
01:05:46quem vai achar
01:05:47um namorado
01:05:47para o Jair Willis?
01:05:48Mas você está assim,
01:05:49você está em busca
01:05:51de um amor?
01:05:51Não,
01:05:51até que eu não estou não,
01:05:52porque com essa vida
01:05:55que eu estou levando
01:05:55de muito trabalho,
01:05:57e ainda mais com essa
01:05:57pré-campanha,
01:05:59digamos assim,
01:05:59que está começando agora,
01:06:02eu estou sem muito tempo
01:06:03para me dedicar
01:06:03e eu acho que relação
01:06:04é dedicação.
01:06:06É assim,
01:06:07relação é um ponto
01:06:08de partida,
01:06:09nunca é um ponto
01:06:10de chegada.
01:06:11O que você está
01:06:13pensando aí
01:06:14em colocar
01:06:16na sua campanha política
01:06:17e o que a gente
01:06:18tem que esperar
01:06:19caso você venha
01:06:19a ser eleito?
01:06:20Eu acho que,
01:06:21além de tudo
01:06:21que eu já defendia,
01:06:22por exemplo,
01:06:23o direito dos trabalhadores,
01:06:24das trabalhadoras,
01:06:26o direito a um salário
01:06:26digno,
01:06:27a saúde de qualidade,
01:06:28a educação de qualidade,
01:06:29a uma segurança
01:06:30pública de qualidade,
01:06:32você comprar seu celular
01:06:33e não ter que ser roubado
01:06:35ali e ter uma segurança
01:06:36de uma cidade
01:06:38mais humana,
01:06:39além de tudo isso,
01:06:40tem duas questões
01:06:40que eu acho importantes
01:06:41que a gente precisa
01:06:43tratar mundialmente,
01:06:45que é a crise climática,
01:06:47e a gente está vendo
01:06:48agora
01:06:48essa tragédia aí
01:06:50que envolveu
01:06:52a Zolanda Bata
01:06:53de Minas Gerais,
01:06:54por exemplo,
01:06:55a própria casa
01:06:56da minha mãe
01:06:57já foi alagada
01:06:58numa chuva
01:06:59muito grande,
01:07:00temos que enfrentar
01:07:01a crise climática,
01:07:02o aquecimento global,
01:07:03pensar, então,
01:07:04portanto,
01:07:05numa transição energética,
01:07:07defender os povos
01:07:07da floresta,
01:07:08porque são eles
01:07:09os guardiães,
01:07:10digamos assim,
01:07:11da regulação do clima
01:07:12no planeta,
01:07:13e enfrentar
01:07:14as Big Techs,
01:07:15enfrentar as Big Techs
01:07:17e essa permissividade
01:07:18a coisas horríveis,
01:07:20como permitir
01:07:22que crianças
01:07:22se viciem
01:07:23muito cedo
01:07:24nas mídias sociais,
01:07:26que pornografia infantil
01:07:27seja comercializada,
01:07:29que haja planejamento
01:07:30do assassinato
01:07:31de mulheres,
01:07:32porque está rolando isso,
01:07:34então,
01:07:34essa é uma coisa
01:07:35que vai estar mais clara
01:07:36agora,
01:07:36nesse novo mandato,
01:07:38caso ele aconteça.
01:07:39E você continua
01:07:40com a sua luta
01:07:41em relação
01:07:42à comunidade LGBT?
01:07:43Isso não vai sair
01:07:45porque eu sou gay,
01:07:45então,
01:07:46eu pertenço
01:07:47a essa comunidade,
01:07:48a vida das pessoas LGBTs,
01:07:50a nossa existência,
01:07:51o direito à vida,
01:07:52o direito de nos expressar,
01:07:53é algo que,
01:07:54para mim,
01:07:54é minha luta principal
01:07:56porque eu pertenço
01:07:57a essa comunidade.
01:07:58As outras lutas,
01:07:58elas vêm juntas
01:08:00dessa luta aqui,
01:08:01mas eu não sou só
01:08:02o candidato LGBT,
01:08:04até porque nós não somos
01:08:05só pessoas LGBTs,
01:08:06nós somos trabalhadores,
01:08:08as mulheres lésbicas
01:08:09são mulheres,
01:08:10não é isso?
01:08:12nós temos religião,
01:08:13identidade religiosa,
01:08:14temos que ter o direito
01:08:15a expressar nossa religião,
01:08:17então,
01:08:17combinar tudo isso
01:08:19é o que pode esperar.
01:08:21Obrigada,
01:08:21eu adorei,
01:08:22prazer meu,
01:08:23obrigada.
01:08:24Você é belíssima
01:08:24e inteligente.
01:08:26Obrigada.
01:08:27Esse foi o meu papo
01:08:28com o Jean Wyllys
01:08:29aqui no InOff,
01:08:30e não perde
01:08:31o próximo episódio
01:08:32com o meu próximo convidado
01:08:33na semana que vem.
01:08:34Tchau.
01:08:42A opinião dos nossos comentaristas
01:08:45não reflete necessariamente
01:08:47a opinião do Grupo Jovem Pan
01:08:49de Comunicação.
01:08:54Realização Jovem Pan
01:08:56Jovem Pan
01:08:57Jovem Pan
01:08:57Jovem Pan
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