00:00Ela já foi a bela e a feia na mesma novela, encarou cenas de ação sem dublê em filmes de
00:06Sylvester Stallone.
00:07Ela superou o terremoto na infância, mas a sua maior prova de coragem foi no papel de mãe, solo, será?
00:13Ela vai me contar.
00:14Hoje a gente vai falar de saúde mental e da sua peça que está em cartaz, toque, toque.
00:19Seja muito bem-vinda, Gisele Thierry.
00:21Obrigada, mãe.
00:23Bem-vinda.
00:24Obrigada.
00:24Vamos começar já falando da peça, que a gente já estava conversando um pouco aqui no off, do off, do
00:30off.
00:31Tem que assistir, né?
00:33Eu quero muito, porque é do lado da minha casa, já conta tudo.
00:37Bom, toque, toque é isso.
00:38São seis pacientes que se encontram num...
00:47Como é que fala?
00:48Num hall, assim, na pré-consulta de um psiquiatra.
00:54Maravilhoso.
00:54Um especialista.
00:55E todos eles têm...
00:57Todos têm esse transtorno...
01:00Concessivo-conclusivo.
01:01E o que que é essa...
01:03O que que é essa aconteceu?
01:05E por que que vocês escolheram falar sobre isso?
01:08Você já assistiu o filme?
01:10Não.
01:10Tem um filme espanhol.
01:12Que é divertido.
01:12Expose da apresentadora que veio, pode colocar aqui na...
01:15Expose, não assistiu o filme que deu origem à peça.
01:19Parabéns.
01:21É muita coisa pra gente ir atrás.
01:23Calma.
01:24Não seja cruel com você mesma.
01:25E assim a convidada passa um pano pro apresentador e a gente continua a entrevista.
01:30Ainda mãe, com criança de seis anos.
01:31Então, ó, a gente assista o filme.
01:32Se vocês quiserem saber o que é o toque, vocês assistam o filme.
01:34Não, não.
01:35Não faz isso com você.
01:37E é um filme que já faz um tempo, assim.
01:40Eu também fui assistir agora.
01:41É espanhol.
01:43Espanhol.
01:44Espanhol.
01:44É muito divertido.
01:46É isso.
01:46E aí conta, né?
01:48De uma forma...
01:49Um ângulo bem...
01:51Dá um...
01:52É uma comédia que barra, assim.
01:55É um...
01:56Tem um tom caricato.
01:58Porque realmente é muito delicado, né?
02:02Levantar, imagina, seis pacientes numa mesma sala, um cômodo fechado e...
02:08E todos eles têm uma questão a sua com limpeza.
02:10Também é com limpeza.
02:11Higiene, né?
02:12Ela tem toque de limpeza e nosofobia.
02:15Nosofobia é que tem medo de doença.
02:17Maravilha.
02:17Então, ela é toda...
02:19E onde tá passando?
02:21Até quando?
02:22Tá no Teatro UOL.
02:23Tá.
02:24E a gente...
02:25Em São Paulo.
02:26E a gente tá curtíssima temporada.
02:27São Paulo, no Shopping Genópolis, né?
02:30E vamos ficar até primeira semana de março.
02:34Primeira semana de março, então...
02:35Tipo um mês, né?
02:37É isso.
02:37É isso.
02:38Corram, assistam.
02:39Corram.
02:40Tá muito divertido.
02:41E me conta uma coisa.
02:42Você faz terapia?
02:43Faço.
02:44Faz há muitos anos?
02:46Há muitos anos.
02:48Te ajudo?
02:48Há muitos anos.
02:49Não, é...
02:51Eu não faço todos esses...
02:53Por quê?
02:54Eu iniciei muito novinha, com cinco anos.
02:57Depois do terremoto.
02:59E a gente falou um pouco na abertura.
03:00Vamos voltar pra isso, então?
03:02A sua história, né?
03:02Jesus, a gente vai pra cá.
03:07Mas é isso.
03:08Eu, como tava muito pequena, né?
03:11E saí do México, da cidade do México, pro Brasil, São Paulo.
03:16Nasceu na cidade do México.
03:17Eu nasci na cidade do México.
03:18Aí, um terremoto.
03:20Terremoto.
03:21Daí eles falaram...
03:22Meus pais, né?
03:25Conscientes ainda naquela época.
03:27Falaram, não, vamos colocar...
03:28Minha mãe é psicóloga.
03:29Tá.
03:30Então...
03:30E por causa disso, você tem irmãos ou não?
03:33Tenho.
03:34Mais dois.
03:35Mais dois irmãos?
03:35É.
03:36Foi todo mundo com terapia pra não ficar...
03:37Não, eu...
03:38A minha mãe tava grávida.
03:42De quase nove meses da minha irmã.
03:44Quase nasceu uma mexicana.
03:46Mas pelo terremoto, nasceu no Brasil, aqui.
03:49Mas como é que é isso?
03:50Aí começa o terremoto e você sai correndo na hora?
03:53Ou porque ia ter uma sequência de...
03:55Sai na hora.
03:56Na hora e sai correndo pro Brasil.
03:58É, minha mãe é brasileira.
03:59Minha mãe é brasileira, né?
04:01Então, existe uma história, assim, que é real.
04:05Que o meu vô, pai da minha mãe, chegou e falou assim...
04:09O seu mexicano, filho da...
04:11Traz a minha filha, minha neta, agora pra cá.
04:15E, realmente, ele trouxe.
04:18Você fala espanhol?
04:20Falo.
04:21Fala espanhol fluente?
04:22Falo, falo.
04:23Você já trabalhou em Hollywood.
04:25E a sua personagem, ela era um pouco isso.
04:27Você atua em inglês no filme, mas com um pouco de sotaque latino, tem um pouco essa...
04:33Ela vinha de uma cidade, de um país fictício da América Latina.
04:41E como é que foi trabalhar em Hollywood?
04:44Como é que...
04:44Foi uma experiência incrível, assim.
04:48Foi muito bacana e muito bom, assim, você ver, né?
04:53Um profissional tão...
04:55O Stallone, ele dirige, ele produz, ele atua, ele ensaia, ele faz tudo, né?
05:04Ele é muito...
05:05Mas você consegue, você conseguiu ter trocas, assim, tipo, aprender coisas ali, ou você ia mais seguindo o roteiro e
05:14fazer o que tinha que fazer, ou você conseguiu conhecer ele, assim?
05:18Conhecer ele? Ah, sim, como a gente conhece, né?
05:21Superficialmente.
05:22É, é sempre...
05:24A maioria das vezes é assim, né?
05:26Vira uma familhinha, aí depois dá uma separada.
05:32E aí, é verdade essa história de que você, então, não quis fazer a cena de ação com o dublê?
05:38Foi, o waterboarding, nossa, foi uma confusão, assim.
05:43Foi uma confusão, porque imagina que eles sempre faziam sem o dublê.
05:48Aí, a cena mais dramática da personagem da Sandra era esse waterboarding, não sei o quê.
05:57Até então, eu achava que eu ia fazer, eu falei, não, eu quero fazer.
06:00E aí, ele falou, não, você não pode fazer.
06:02Eu falei, não, mas por que eu não posso fazer?
06:04Aí, eu fiquei nessa, quero, não quero, vai, não vai.
06:08Aí, eu tive que assinar papéis e papéis.
06:11Mas, porque você tem risco, tinha risco de você acontecer alguma coisa com você?
06:15Porque é uma cena de, como é que fala isso?
06:22Você se afoga na cena, né?
06:24Tá a personagem aqui e começa a jogar água.
06:28É uma cena de tortura, né?
06:30Exatamente.
06:31Algum gatilho, assim, não é uma coisa, eu não sei, eu fico muito abalada, assim, com o tema.
06:37Eu quase morri, realmente.
06:39Já pensou?
06:40Então, aí eu parei, não fui mais pra Hollywood, porque realmente...
06:45Realmente me trouxe problemas neurológicos.
06:49Ah, mas foi uma experiência boa.
06:52E depois disso, você não quis mais ficar em Hollywood?
06:55Ou tentou?
06:56Cara, eu fiquei, eu fiz o filme, aí depois voltei pro Brasil, fiz a Bela.
07:05Foi assim?
07:08Foi.
07:08Eu não tenho certeza, mas em algum momento...
07:11Faz tempo, né?
07:13Aqui.
07:14E voltei, fui pra Los Angeles, porque tinha aquela coisa, nossa, vai estrear o filme, vamos começar, vamos fazer uma
07:23carreira.
07:24Você chegou a sonhar com isso?
07:26Aí que tá, teve muito tem que, esse tem que...
07:31Eu, essa parte que eu...
07:33Pega uma coisa, fica um pouco pesado, tem que, tem que por quê?
07:38Calma, né?
07:39Vira uma pressão, como você não vai aproveitar essa oportunidade?
07:41É isso, é esse lugar?
07:43Exatamente.
07:43Daí, fui eu lá, no tem que, aí, enfim, aí, meu namorado, na época, voltou o câncer dele, aí voltou
07:58o câncer, não sei o que, não, não.
07:59Aí eu olhei na hora, eu falei assim, é agora que o tem que vai ser Brasil.
08:06Fui pegar minhas coisas depois de, nossa, depois de quatro anos, deixei minhas coisas tudo num closet, não sei o
08:15que, tipo, pedi pras minhas amigas, como é que fala, desmontarem.
08:22Não, eu morava sozinha, e minhas amigas, assim, vizinhas, brasileiras, elas super me ajudaram, e foi isso.
08:30Depois de quatro anos, eu fui pegar as minhas coisas, que eu achava que eu queria, e é, e foi
08:39a melhor coisa que eu fiz.
08:40É, não se arrependeu, não ficou com essa pressão?
08:43Nossa, tinha que ter.
08:44Não, tive no início, mas um, não fazia sentido pra mim.
08:52Quantos anos eu tinha? 26, 27, não sei, tô com 44.
09:00É, 27, é, por aí.
09:02Parabéns, 44, maravilhosa.
09:06Ah, graças.
09:06Não diria.
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