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A relação entre a população brasileira e as instituições públicas volta ao centro do debate após pesquisas apontarem níveis elevados de desconfiança no país.

No Visão Crítica, o cientista político Victor Missiato analisa o tema a partir da cultura partidária e da formação da democracia brasileira. Segundo ele, historicamente o país nunca desenvolveu uma relação sólida de confiança entre cidadãos e instituições, o que ajuda a explicar o cenário atual.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/uXNqQhA7hUk

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Transcrição
00:00A régua do indivíduo faz com que ele tome essa decisão?
00:03Eu queria que você discorresse um pouco sobre o quanto o universo da política colabora com esse processo.
00:12Olha, são muitas colocações interessantes aqui que me faz pensar no meio do programa.
00:19Essa desconfiança com relação ao núcleo político que você colocou,
00:24está muito ligada historicamente.
00:28A fragilidade da nossa cultura partidária.
00:31O Brasil é um dos países onde o partido político demorou muito mais do que em outros lugares para se
00:37consolidar.
00:38E quando se consolidou, logo em seguida nós tivemos um regime militar.
00:42Então, para você ter uma ideia, quando a gente fala em partido político de caráter nacional,
00:46nós estamos falando depois do Estado Novo aqui no Brasil, de caráter nacional.
00:51Então, nós não temos ainda nem 100 anos de cultura partidária
00:54e no meio disso nós tivemos um regime militar.
00:57Portanto, politicamente, nós nunca tivemos uma relação de confiança com o sistema partidário.
01:04Embora, apesar de nós vivermos esse grande momento de desconfiança,
01:09eu gosto muito de pensar a ideia de que nós não vivemos uma crise da democracia,
01:14mas uma crise contínua na democracia.
01:17E essa crise contínua na democracia, essa desconfiança contínua na democracia,
01:23nada mais é também do que o desenvolvimento da própria democracia.
01:27Felizmente, nós podemos desconfiar das nossas instituições sem colocá-las à prova,
01:32sem ter um...
01:33Qual é o projeto alternativo ao STF?
01:36Qual é o projeto alternativo às eleições a cada quatro anos?
01:40Qual é o projeto alternativo a uma imprensa livre?
01:43Não há.
01:45Portanto, essa contínua desconfiança é provável que ela se mantenha,
01:48ainda mais no mundo em que a gente vive com o celular,
01:51com todo mundo dando a sua opinião o tempo todo.
01:54Talvez caberá à cultura das instituições
01:57se adaptar a esse tempo contínuo da própria desconfiança social.
02:02Então, eu diria que isso é uma crise própria de um regime democrático.
02:08E não é de hoje.
02:09O Toquevili, lá atrás, quando foi visitar a democracia americana
02:13e viu toda aquela pujança cultural,
02:15ele viu também esses elementos da desconfiança nas associações,
02:20nas instituições,
02:21e ele alertou para os problemas disso.
02:24Quais eram os problemas?
02:25A questão de uma democracia de massa que pode, inclusive,
02:29se transformar em algo autoritário.
02:31Mas esse é o risco que a democracia corre o tempo todo.
02:34Pois é, eu quero tentar conectar esses muitos elementos
02:37que são apresentados nessa fase inicial do programa
02:41com questões desse atual momento da República
02:46ou talvez de um passado recente, professor Geraldo.
02:49Essa desconfiança talvez tenha ganhado tração nos últimos anos.
02:54É possível nós destacarmos, elencarmos alguns fatos,
02:59alguns eventos específicos que ajudam a população a desconfiar?
03:03Porque essa é a percepção para a grande parte do público.
03:06Ah, não se deve confiar em políticos.
03:08Ah, a justiça não costuma punir exemplarmente
03:13aqueles que cometeram crimes e que estão em cargos de poder.
03:17Me lembro daquela expressão não tão recente,
03:22mas o crime do colarinho branco, enfim.
03:24Ah, essa máxima, inclusive,
03:26é preciso também considerar esses aspectos, não?
03:30Olha, sem dúvida, eu acho que ao longo dos últimos 20 anos
03:36nós vivemos uma normalidade democrática,
03:41mas ela foi pontuada de crises.
03:44Nós tivemos o Petrolão, nós tivemos depois a Operação Lava Jato,
03:51nós tivemos o impeachment da presidenta Dilma.
03:55Quer dizer, houve muitos saltos,
04:00muitas crises que ocorreram ao longo desse tempo.
04:04E as crises, elas têm como um dos seus resultados
04:10o fato que a população passa a ter uma imagem muito negativa da política.
04:17Eu costumo dizer que quando um partido briga com o outro,
04:21os dois acabam perdendo, porque a imagem da política para a população
04:26é de que essas pessoas não se importam com a população,
04:32e sim com os seus próprios interesses.
04:34Aliás, tem um número do Datafolha,
04:36que mostrou, essa é a pesquisa de 2024,
04:42que 78% das pessoas achavam que o Congresso Nacional
04:47só se preocupava com os seus próprios interesses,
04:50e não com os interesses da população.
04:52Então, tem esse aspecto, vamos dizer, do espetáculo, da política,
04:57e tem aspectos mais estruturais, que eu queria levantar aqui,
05:00a partir de um trabalho de um sociólogo colonês,
05:05já de cara na Inglaterra, que é Zinglund Bauman,
05:08escreveu um livro chamado Em Busca da Política,
05:10nesse livro e em outros livros, ele nos traz a seguinte tese,
05:15a gente tem uma separação hoje entre política e poder.
05:20O poder, basicamente, no mundo globalizado, transnacional,
05:26dos bilionários, é um poder que passa muito longe do cidadão,
05:30é um poder econômico, é um poder global, um poder tecnológico,
05:36as grandes decisões são feitas no âmbito desses poderes,
05:41e a política tradicional, como nós imaginamos,
05:46aquela política de eleições, enfim, de processo institucional,
05:53não consegue mais dar conta dessa distância entre o poder e a população.
06:00Então, a política acaba se convertendo numa arte de tentar lidar
06:06com as consequências nefastas desse processo de globalização,
06:10como, por exemplo, a violência, como, por exemplo, a pobreza,
06:14a miséria, a transformação tecnológica que tira os empregos das pessoas.
06:20Então, a população dirige ao poder político essas demandas de solução desse problema,
06:31mas o poder político não consegue mais, ele não tem meios,
06:35ele não tem estrutura para dar conta disso,
06:37ele acaba tendo que lidar da maneira possível com os resultados mais nefastos desse processo.
06:44Então, eu concordo com essa tese,
06:49eu acho que há, sim, um aspecto estrutural mais profundo
06:53em relação ao modelo econômico e tecnológico,
06:58e isso é a raiz da insatisfação,
07:03porque tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos, quanto no Brasil,
07:06a gente vê essa desconfiança em relação ao político,
07:11ou, melhor dizendo, essa falta de confiança no político.
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