00:00Os Estados Unidos não descartam uma operação militar por terra no Irã.
00:04O risco do desembarque de tropas cresce desde ontem, quando um novo Ayatollah foi nomeado.
00:11Donald Trump havia dito que não aceitaria a sucessão se ele, Trump, não participasse do processo de escolha do líder
00:20chiita.
00:21Mas o quão difícil é desembarcar tropas estrangeiras no Irã?
00:25As respostas aqui no mapa. Mas antes, eu recuperei uma frase do Pete Hegseth, que aí antes era chamado de
00:36secretário de defesa,
00:38mas nessa atual gestão de Donald Trump, ele preferiu mudar o nome da pasta para secretaria de guerra.
00:45Então, o atual secretário de guerra, o Pete Hegseth, disse o seguinte,
00:50não é preciso enviar 200 mil pessoas e ficar por 20 anos.
00:55Ele remonta a um dos traumas dos Estados Unidos, que é a guerra no Vietnã, que durou duas décadas e
01:03envolveu 200 mil militares.
01:07Agora, respondendo a pergunta, como seria um desembarque de tropas,
01:12boots on the ground, como é uma expressão dos americanos,
01:15as botas no solo, falando de presença física de soldados americanos aqui no Irã?
01:23Quais seriam eventuais opções dos americanos?
01:26Eu vou começar aqui pelo norte, em que a gente tem a Turquia, a Armênia e o Azerbaijão,
01:32que são as fronteiras nortes, então, do Irã.
01:35A Turquia já deixou claro que não vai se engajar nesse conflito armado.
01:41Não há um pronunciamento claro, tão direto quanto fez a Turquia,
01:47entre Armênia e Azerbaijão.
01:50Turquia tem uma outra posição nesse confronto,
01:55porque a Turquia faz parte da OTAN, tem uma aliança com os ocidentais,
02:01então, isso levaria ao engajamento de outras nações, de outros países,
02:06por causa do envolvimento da Turquia no Tratado do Atlântico Norte.
02:11Então, pelo norte, a gente não vê uma certeza absoluta.
02:16O Iraque.
02:17O Iraque tem uma nova posição, depois das operações militares dos Estados Unidos,
02:23no pós-11 de setembro, ainda nos anos 90,
02:28e as incursões militares dos Estados Unidos no Iraque
02:32deixaram duas grandes bases americanas lá,
02:35sendo uma delas a maior base militar dos Estados Unidos, fora dos Estados Unidos.
02:41Então, aqui os americanos teriam condições.
02:46Há uma invasão por terra, já que existe uma enorme fronteira seca
02:51entre o Iraque e o Irã?
02:53Pois é.
02:54Esta fronteira, ela é traçada por uma cadeia de montanhas
03:02de 1.600 quilômetros de extensão,
03:05sendo que alguns picos chegam a 4.000 metros de altura.
03:10Ou seja, uma barreira física muito difícil de ser ultrapassadas por militares
03:17e, principalmente, o transporte de veículos pesados, suprimentos.
03:22O terreno aqui é muito pouco favorável, olhando pelo Iraque.
03:27Na Arábia Saudita, uma grande dúvida.
03:30Houve uma enorme reaproximação dos sauditas com os Estados Unidos,
03:35inclusive, acordos de cooperação, investimentos sauditas nos Estados Unidos
03:39na casa do trilhão de dólares.
03:42Mas a Arábia Saudita não deixou muito claro,
03:45embora esteja nitidamente apoiando,
03:49inclusive, na retórica, os Estados Unidos.
03:52Sobra o Kuwait, que também tem uma relação próxima nos Estados Unidos,
03:58depois de guerras nos anos 90, nos anos 2000,
04:01em que houve uma participação aqui dos Estados Unidos como um ponto de apoio.
04:07Hoje, os americanos têm 13.500 militares dentro do Kuwait,
04:12podia ser uma ponta de lança.
04:14A questão é que teria de haver uma travessia ou pelo Iraque ou pelo Golfo Pérsico,
04:23que é fortemente monitorado e protegido pelo Irã.
04:28Então, essa parte de água também tem o seu complicador.
04:32Os Emirados Árabes Unidos, que têm aqui uma projeção de terra
04:37que aproxima muito com o Irã, no famoso Estreito de Hormuz,
04:43já disse que também não vai se engajar militarmente,
04:46apoiando nenhum dos lados.
04:49Olhando para o sul, tem o Golfo de Oman.
04:52Oman é esse país que está aqui,
04:54essa via naval que leva para o Estreito de Hormuz
04:58e que é fortemente também monitorada e protegida pelos mísseis iranianos.
05:05Poderia ser uma opção de invasão americana,
05:09desembarque de tropas pelo litoral,
05:12mas a gente não pode esquecer que essa parte territorial do Irã
05:15é muito bem protegida por mísseis de curto e médio alcance
05:22e mísseis de precisão.
05:23E aí tem a parte leste, com o Afeganistão,
05:29cujas relações com os Estados Unidos estão completamente deterioradas.
05:33Depois de dez anos de ocupação,
05:35uma saída afobada dos Estados Unidos
05:38na transição entre Biden e Trump,
05:42a retomada do Talibã aqui,
05:45então seria muito pouco provável um apoio afegão
05:49de tropas americanas para entrar no Irã.
05:51Mas vamos supor que eles conseguissem isso.
05:55Existe outra barreira geográfica aqui,
05:58áreas desérticas que dificultam de novo o avanço de tropas em terra
06:03e o transporte de veículos pesados.
06:06Nesse caso, o Irã tem uma certa proteção física
06:11e de outros aliados que deixam essa fortificação natural.
06:17seria, então, o chamado ou a chamada operação pick-up
06:22de alvos específicos.
06:25E nisso, os Estados Unidos têm frotas,
06:28têm esquadrões especializados nessas operações especiais
06:33chamadas de decapitação.
06:35É uma operação rápida para a captura ou eliminação de um alvo específico.
06:40E aqui tem a Força Delta, o Regimento Ranger,
06:44os Night Stalkers, que são, por exemplo, muito bem treinados
06:48em voar visibilidade quase zero,
06:53os SEALs e aqui a equipe de desabilitação nuclear,
06:59porque, como disse a Casa Branca,
07:01um dos objetivos, não só a captura de alvos específicos,
07:05mas também a tomada de algum tipo de combustível nuclear
07:10que tenha sido enriquecido para o Irã
07:13e que isso pudesse se tornar ogivas nucleares,
07:17que esse material teria que ser capturado,
07:21diluído, anulado.
07:25Quem poderia fazer isso são as equipes de desabilitação nuclear.
07:30Esse é o cenário mais provável.
07:35O que é o cenário mais provável é o cenário mais provável.
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