Conflito entre Israel e Irã se intensifica, e o cenário global entra em alerta. Para analisar os desdobramentos da guerra, o impacto dos mísseis balísticos iranianos, a exaustão das defesas aéreas israelenses e os bastidores diplomáticos entre Irã e potências europeias, Marcelo Torres conversa com Hussein Kalout, PHD em política internacional e pesquisador da Universidade de Harvard. Kalout traz uma análise aprofundada sobre os riscos de escalada e os interesses geopolíticos de EUA, China e Rússia.
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00:00Sobre o conflito entre Israel e Irã, eu converso agora com o Hossein Kaluts, que é PhD em Política Internacional e pesquisador da Universidade de Harvard.
00:08Boa noite, professor. Seja bem-vindo.
00:11Boa noite. Muito obrigado pelo convite.
00:14Como é que você vê o início das conversas entre o Irã e as principais potências europeias?
00:18Olha, é uma tentativa diplomática de tentar reconstituir os laços de confiança quanto a um possível processo negociador.
00:31A negociação em torno do programa nuclear iraniano não é uma negociação fácil, não é uma negociação rápida.
00:37É uma negociação intrincada e complexa e que requer tempo.
00:42O governo Trump está tentando encurtar essa negociação, está tentando impor uma camisa de força ao Irã,
00:50está querendo resolver a equação negociadora em questão de cinco, seis, sete rodadas.
00:55Isso é muito difícil, porque a negociação que terminou em 2016 entre o Irã e o P5+,
01:05durante o governo Obama, que foi uma negociação bem sucedida,
01:10que foi concluída com um acordo aceito por todas as partes que faziam parte da mesa de negociação,
01:17Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, China e Rússia, ou seja, as seis potências mundiais,
01:27foi concluído e o Irã se comprometeu a cumprir todas as exigências
01:33no que diz respeito às inspeções e ao programa nuclear.
01:38É um processo que levou quatro anos para ser concluído.
01:42E aí não dá para concluir esse processo em seis rodadas, ou seja, em dois meses de negociação.
01:50E o que o governo Trump está propondo é basicamente que o Irã tem que renunciar por completo
01:56ao seu programa nuclear para fins pacíficos.
01:59Isso é uma condição inaceitável da perspectiva iraniana,
02:04porque seria uma concessão de soberania inaceitável para eles.
02:10Professor, só um minutinho.
02:12Enquanto a gente conversa aqui, a gente está vendo o céu de Tel Aviv aí,
02:15e esse barulho que a gente ouviu agora é de bombardeio acontecendo neste momento em Tel Aviv.
02:21A gente já ouviu pelo menos uns três disparos desde que eu comecei a focar neste vídeo aí.
02:28A gente tem visto várias análises de que o Irã tem uma capacidade militar,
02:34uma capacidade de ataque a Israel menor do que era previsto anteriormente.
02:38Agora, por mais difícil que seja para o Irã continuar fazendo ataques em larga escala,
02:45esse tipo de terror constante, por exemplo, para quem está em Tel Aviv,
02:52é um efeito já que o Irã consegue causar na população israelense.
02:57Bom, o que você está levantando é um ponto importante,
03:02mas retomando só um pouquinho da questão anterior,
03:05quer dizer, falando das negociações,
03:07Então, é um laço de confiança que precisa ser reconstituído.
03:11O ponto de partida é,
03:12se a disposição é que o Irã renuncie por completo ao programa,
03:17no criar parafins pacíficos, não vai haver negociação.
03:20Esse é um ponto fundamental para criar a confiança.
03:25Se o ponto de partida é esse,
03:26os herenenses não vão sentar à mesa pelo que parece estar claro.
03:31Avançando para a sua pergunta,
03:34eu acho que a escalada está entrando em uma fase muito perigosa,
03:40muito complexa.
03:42O Irã está introduzindo um novo tipo,
03:45um novo emprego de mísseis,
03:48antes desconhecido dentro do mundo militar.
03:53E isso está criando uma equação,
03:57uma sensação de insegurança em Israel
03:59e uma sensação de impotência.
04:04Porque a guerra, quanto mais se estender,
04:08ela desfavorece Israel,
04:10por vários aspectos.
04:12Veja bem, é uma guerra aérea,
04:15não é a guerra clássica de infantaria nem de cavalaria,
04:19ou seja, não é uma guerra clássica de exército.
04:23Não é uma guerra de marinha,
04:24é uma guerra aérea de força aérea.
04:26O Irã não tem força aérea.
04:27A força aérea é sucateada.
04:30Então, eles empregam o que?
04:31A capacidade de utilização de mísseis,
04:34mísseis balísticos,
04:35alguns mísseis balísticos supersônicos,
04:38e outra categoria de mísseis balísticos hipersônicos.
04:42São de alta velocidade,
04:43cujas baterias antiaéreas não conseguem alcançar.
04:47Então, elas conseguem detectar mísseis balísticos convencionais,
04:51ou mísseis convencionais que não são necessariamente balísticos,
04:56mas que são de longo alcance.
04:59E o sistema de defesa antiaérea israelense tem um limite,
05:02ele já está chegando em seu ponto de exaustão.
05:07Ou seja, isso significa que eles têm mais cerca de uma semana,
05:12dez dias, com a capacidade de resistir aos ataques iranianos.
05:18Depois disso, eles não têm mais essa capacidade.
05:22Por mais que eles sigam bombardeando o Teherã,
05:25indo com os aviões aos céus de Teherã e bombardeando.
05:29Mas, em termos de ataque, eles têm uma superioridade clara.
05:34Em termos de defesa, essa superioridade está se esgotando.
05:38Eles precisam de reposição de material.
05:41E essa reposição demora, não é fácil de acontecer.
05:46Enquanto os iranianos ainda têm um estoque de cerca,
05:49estimado, pelo menos pelos americanos,
05:52de cerca de 2 mil a 3 mil mísseis.
05:55Vão botar uma média de 2.500 mísseis balísticos,
05:58entre os quais supersônicos e hipersônicos.
06:01Portanto, o prolongamento favorece o Irã nessa equação.
06:07Agora, o que Israel quer no momento?
06:09Ou encurtar esse tempo,
06:12e por isso que os europeus entraram na linha,
06:15para tentar encurtar o tempo do conflito,
06:18ou os Estados Unidos decidem entrar na guerra.
06:20Aí seria uma mudança na direção do conflito.
06:25Mas qual é o problema fundamental?
06:27Que se os Estados Unidos entrarem na guerra,
06:29a Rússia e a China vão entrar na guerra de forma indireta,
06:32apoiando o Irã com suprimento de material bélico e satelital,
06:38com posicionamento estratégico,
06:40porque nem Rússia nem China quererão perder o Irã
06:43para os americanos,
06:47porque o Irã é um aliado estratégico de Rússia e da China.
06:50Então, aí nós estamos falando já de uma outra camada,
06:53que é o jogo entre as superpotências mundiais.
06:55Agora, o Irã diz que para fazer qualquer tipo de acordo,
07:00o cessar-fogo tem que acontecer,
07:02os bombardeios têm que parar.
07:03A gente sabe que Israel não pretende fazer isso.
07:06Esse impasse aí pode ser vencido de que forma?
07:11Bom, eu acho que nenhum dos lados vai dizer que quer cessar-fogo,
07:17porque no momento de uma guerra dessa natureza,
07:21qualquer um que alega que deseja cessar-fogo é uma demonstração de fraqueza.
07:27Entendeu?
07:28Então, isso é comunicado nos bastidores, por canais de inteligência,
07:32que o cessar-fogo é necessário.
07:37Na minha avaliação, Israel já comunicou que deseja o cessar-fogo.
07:43Por isso que o lado europeu está reunido,
07:48pediu a reunião com os iranianos.
07:51Esse é o meu entendimento.
07:55Segundo, por que os americanos não participaram?
07:57Porque os iranianos entendem que os americanos não são mais o canal de confiança necessário,
08:02uma vez que quando essa operação militar aconteceu,
08:05os americanos anuíram com o ataque israelense,
08:10enquanto os iranianos estavam na mesa de negociação com os americanos.
08:14Porque o ataque ocorreu na sexta-feira passada.
08:17Os iranianos teriam uma reunião com os americanos no domingo em Omar.
08:21Então, para você montar uma mesa entre três chanceleres da Troika Europeia,
08:29França, Alemanha e Reino Unido,
08:31é porque nos bastidores alguém comunicou,
08:34olha, precisamos parar dessas águas, quais são as condições preliminares para o cessar-fogo.
08:42Está entendendo?
08:43E os iranianos, quando decidiram encontrar os europeus,
08:46por que eles também têm disposição de um cessar-fogo?
08:50Por quê?
08:50Porque eles não querem os americanos na guerra também.
08:54Enquanto isso ocorre, eles vão elevar a intensidade dos ataques.
08:58E eles estão elevando a intensidade dos ataques.
09:00Se a gente olhar de ontem para hoje, eles utilizaram mísseis de alta precisão
09:05em lugares muito estratégicos.
09:07Destruíram o centro de comando do Estado Maior,
09:11onde estão basicamente todo o aparato de decisão de comando,
09:18todo o aparato de inteligência eletrônica,
09:21todo o aparato de inteligência militar em Bexheba,
09:28no sul de Israel.
09:29Então, esse tipo de ataque não ocorreria,
09:33porque como isso parece que está chegando ao fim,
09:36normalmente, na lógica da guerra,
09:38eles intensificam esse tipo de operação perto do fim
09:42para dar uma demonstração de força.
09:44Mas, aonde nós podemos chegar,
09:47como eu te disse, o cenário é complexo e intrincado.
09:50Nós estamos diante de três, quatro dias
09:53em que se pode concluir essa guerra
09:56ou ela pode perder o controle.
09:59Então, essa é a minha impressão.
10:04Os próximos quatro, cinco dias são muito decisivos
10:07para o curso da guerra.
10:12O Netanyahu, no início, estava ganhando
10:17e, de fato, ele conseguiu alcançar objetivos relevantes,
10:20que é danificar parte das plantas nucleares iranianas,
10:26mas ele não exterminou o programa nuclear iraniano.
10:29Ele danificou parte do programa de mísseis balísticos do Irã,
10:33mas ele não exterminou.
10:35Ele alvejou parte da cadeia do comando do Irã,
10:39mas isso foi reposto,
10:40mas é uma importante conquista da perspectiva da inteligência israelense
10:45que conseguiu se infiltrar de forma magistral
10:48dentro das fileiras da guarda revolucionária.
10:52Mas isso não leva à derrocada do regime,
10:56que é all in all, como dizem em inglês,
10:59é o objetivo máximo dos Estados Unidos e de Israel nesse confronto.
11:04Eles imaginavam que chegariam a um ponto
11:07que isso levaria à queda do regime,
11:09aparentemente isso não vai acontecer.
11:11Portanto, quanto mais dura com a guerra,
11:18na minha opinião, o Netanyahu se enfraquece mais
11:23e a sua narrativa se enfraquece mais,
11:26porque ele perde o controle sobre a guerra.
11:29Por quê?
11:30Vou dar um exemplo completo.
11:31Como é uma guerra aérea,
11:33os aviões estão a 1.400 quilômetros de distância.
11:37Você precisa abastecê-los no ar.
11:41E quando você utiliza a aviação
11:43e utilizou uma grande quantidade
11:45nos primeiros dias do bombardeio,
11:48200 caças,
11:49o avião não consegue voar em dois, três dias.
11:52Você precisa fazer revisão no avião, no caça.
11:57E você precisa repor peças.
12:00E a reposição de peças demorada.
12:03E o que está acontecendo é que vai faltar peça
12:05para a reposição do avião
12:06para seguir a guerra aérea.
12:09Então, naturalmente, a intensidade
12:11das operações aéreas vão diminuir.
12:14Está entendendo?
12:15Então, por isso,
12:15quando mais se prolonga esse conflito,
12:20mais exposto fica Netanyahu
12:23e fica exposto, digamos, Israel.
12:29Os iranianos estão emparedados.
12:32Quer dizer, enfim,
12:33eles já sabem o que eles perderam
12:35e não tem outra opção a não ser usar...
12:38Não tem outra opção a não ser usar
12:39o que eles têm de mísseis
12:40para atacar Israel.
12:42Está certo.
12:44José Encalut, muito obrigado pela entrevista.
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