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Em meio à escalada militar no Oriente Médio, o cientista político André Lajst, presidente da StandWithUs Brasil, afirmou que o regime do Irã enfrenta seu momento mais frágil desde 1979, após a morte do líder supremo Ali Khamenei e de integrantes da cúpula militar. Ainda assim, a possibilidade de mudança de regime dependeria de divisões internas e mobilização doméstica.

Direto de Tel Aviv, ele relatou rotina sob alertas de sirenes e abrigos antiaéreos, destacando que parte da população israelense vê o enfraquecimento iraniano como oportunidade estratégica diante do histórico de confrontos indiretos envolvendo Hamas e Hezbollah.

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Transcrição
00:00E seguindo aqui na nossa cobertura especial, a gente vai falar mais sobre as consequências que podemos esperar
00:05caso os conflitos no Oriente Médio se prolonguem para entender os riscos, os efeitos regionais, as possíveis respostas no mercado.
00:14A gente conversa com o André Lasti, que é cientista político e presidente executivo da Stendway Fuzz Brasil.
00:21André, bom dia. Muito obrigada pela presença aqui ao vivo.
00:24Bom dia, Natália. Prazer estar com vocês.
00:26Prazer o nosso te receber. Espero que eu tenha falado o seu sobrenome direitinho, senão você pode me corrigir, viu,
00:32André?
00:32Tá ótimo.
00:33Então tá bom.
00:34Não tem problema nenhum.
00:35Bom, vamos lá. Como é que você tá vendo os possíveis cenários políticos que se abrem daqui pra frente, nos
00:43próximos dias?
00:44Lembrando que a gente ainda tá no meio dessa névoa, dessa poeira, e não tá muito fácil entender a dimensão
00:50do que tá acontecendo,
00:52quem tá ganhando, quem não tá ganhando.
00:55Com certeza absoluta, o regime iraniano tá passando por um, por o seu pior momento, desde o seu, desde a
01:02sua chegada ao poder, né?
01:05O regime perdeu o seu principal líder, o que ficou mais tempo, né?
01:11O Ayatollah Khamenei, o anterior a ele, o Khomeini, ficou 10 anos no poder, e esse estava desde 89 até
01:20agora,
01:21ou seja, estão falando aí de 37 anos, 36 anos no poder.
01:26A morte dele, a morte do comando militar, a morte do ex-presidente Ahmadinejad, a destruição de diversas bases e
01:36infraestrutura das guardas revolucionárias e do exército iraniano,
01:41tá enfraquecendo bastante o regime.
01:43Agora, não dá pra saber o que vai acontecer depois disso, porque em algum momento, esses ataques aéreos, a guerra
01:49aérea, ela tem um, ela acaba uma hora,
01:53porque o número de alvos que você pode criar e o banco de dados, né?
01:58O banco de alvos já pré-estabelecidos, ele tem um limite e existe toda uma logística pra que eles sejam
02:05atingidos.
02:06Então, politicamente, o Irã tá muito enfraquecido, o Irã, inclusive, atacou diversos países árabes na região,
02:14prejudicando a sua relação com diversos países árabes, os quais ela tem relação, ou tinha relação até então,
02:22os Emirados Árabes, o Catar, o Bahrein, o Irã diz ter atingido apenas alvos americanos nesses países,
02:30mas o que não é verdade, a gente já viu que eles atacaram o aeroporto de Dubai, atacaram um prédio
02:35residencial no Bahrein,
02:37além de bares americanos na região, então, e, obviamente, atacou a Arábia Saudita.
02:44Acredito eu que a intenção aqui é criar uma plataforma pra que a população iraniana consiga derrubar o regime.
02:54E a derrubada do regime requer também que pessoas de dentro do regime queiram que ele acabe.
03:00Nem todos, talvez, que fazem parte do regime dos ayatollahs concordam com o regime dos ayatollahs, né?
03:07Eles estão dentro de um regime opressor e fundamentalista.
03:10Falar alguma coisa contra o regime significa prisão e morte pra essas pessoas.
03:15Então, quero acreditar que muitas pessoas que fazem parte das forças de segurança do Irã,
03:20estou falando até de baixo escalão, não necessariamente concordam com o que o regime tem feito contra a população civil
03:31do país
03:31e em relação à sua política externa, a política agressiva em relação a Israel,
03:36a política de... o programa nuclear, que custa uma fortuna pro país e não traz nenhum benefício,
03:42a política de pagamento e financiamento de grupos terroristas na região,
03:46enquanto que o Irã está com uma desvalorização da sua moeda de mais de 50%,
03:50que a população está cada vez mais pobre, etc.
03:54Então, eu acho que há um ambiente pra uma troca de regime,
03:58mas muito cedo ainda, Natália, pra gente poder avaliar se isso vai acontecer e se isso vai acontecer em breve.
04:05André, o Pablo Valles se juntou a nós pra essa conversa e, lembrando, você tá em Israel, né?
04:12Tel Aviv que a gente vê ao seu fundo?
04:14Sim, vocês estão vendo Tel Aviv em direção ao norte do país.
04:18Tá, e como é que estão as coisas nesse momento por aí?
04:21Teve sirene a manhã inteira, desde as 5 e meia da manhã.
04:25Eu tô hospedado num local que tem um abrigo antiaéreo dentro do apartamento,
04:29então a gente não precisa descer pra nenhum lugar.
04:33É um abrigo antiaéreo que é um quarto muito pequeno, com paredes super reforçadas e uma porta de aço.
04:40A gente recebe uma mensagem pelo celular, estilo a mensagem que a Defesa Civil aí em São Paulo, por exemplo,
04:48manda quando tem chuvas fortes e tudo mais, que toca muito alto o celular.
04:53E isso já é um aviso em quatro línguas, hebraico, árabe, russo e inglês,
04:58pra as pessoas se prepararem que vai tocar a sirene onde a gente tá.
05:02Não necessariamente a sirene toca na região que a gente tá.
05:06Se a sirene não toca, não precisamos entrar no abrigo antiaéreo.
05:09Mas se a sirene que toca fora, na cidade, é muito alta, daria pra escutar.
05:14Se tocasse agora, vocês também iriam escutar aí, mesmo com esse vídeo atrás de mim.
05:18Aí tem que entrar no abrigo antiaéreo, tem mais ou menos um minuto, um minuto e meio pra entrar no
05:22abrigo antiaéreo
05:23e tem que ficar por até a Defesa Civil mandar uma mensagem dizendo que já pode sair.
05:27Por causa dos estilhaços eventuais da interceptação dos mísseis.
05:31Depois do meio-dia, meio-dia e meio, teve uma sirene só e não teve mais.
05:36Então, essa tarde tá diferente da tarde de ontem, que teve mísseis.
05:40A cada 40 minutos teve sirene, a cada meia hora, às vezes, três vezes em 10 minutos teve sirene.
05:47Então, a gente ficou bastante tempo no abrigo antiaéreo ontem.
05:52Hoje, amanhã, foi de entrar e saída do abrigo, mas de tarde já não teve tantas sirenes assim.
05:58O que leva a entender que o Irã tá ou passando por alguma necessidade, alguma dificuldade operacional de logística,
06:05ou que, eventualmente, Israel e os Estados Unidos estão conseguindo destruir boa parte dos lançadores
06:09e não estão conseguindo operacionalizar isso, ou que eles estão guardando alguma coisa
06:13pra daqui a algum tempo, pra tentar fazer algum tipo de ataque surpresa em algum outro momento.
06:19É, que coisa. Pabllo?
06:20André, você é brasileiro, certo?
06:23Mas tem essa ligação muito sentimental e até de família com Israel, certo?
06:29Você poderia contar pra gente como é que os israelenses estão vendo toda essa situação?
06:33Por quê?
06:35Lógico, eles também têm interesses.
06:37Sempre houve esse conflito, é histórico, entre Israel e o Irã.
06:43Aí, os Estados Unidos sempre apoiou Israel, sempre apoiaram Israel.
06:47Só que agora, vocês podem estar sob os interesses de Donald Trump, desse governo atual americano.
06:55E, pelo que se vê, eles não estão tão interessados assim em derrubar o regime.
07:01Talvez eles queiram apenas uma abertura pra negociação do petróleo.
07:05E aí, de que forma, então, que Israel acaba ganhando com isso, né?
07:09Porque ela está aliada aos Estados Unidos.
07:13Mas, pelo que se vê até então, né, o que tá acontecendo com Israel é apenas um contra-ataque,
07:19ou seja, mais sofrimento pra vocês, né?
07:21Então, como é que os israelenses estão vendo toda essa operação?
07:24Com bons olhos? Estão divididos?
07:29Perfeito.
07:30Eu sou brasileiro, nasci no Brasil, eu vivi 10 anos em Israel também,
07:34eu tenho essa daninha israelense, tenho a relação sentimental com Israel,
07:38da mesma forma que tenho com o Brasil.
07:39Vejo os dois países como países de onde eu sou cidadão,
07:43e também como um sentimento de pertencimento.
07:47A sensação aqui em Israel, em relação ao Irã, ela é, por muito tempo, foi o grande inimigo do país,
07:57né?
07:57Eu quero recordar a vocês que lá atrás, quando Israel foi fundado em 48, o grande inimigo de Israel era
08:03o Egito.
08:04O Egito que travou grandes guerras nas fronteiras, faz fronteira com Israel, tem mais de 200 quilômetros de fronteira.
08:10O Egito tem um dos exércitos mais fortes da região, teve guerras em 48, 56, 67, 73.
08:17Depois que Israel fez a paz com o Egito, foi justamente na mesma época que teve a Revolução Islâmica no
08:22Irã.
08:23Antes da Revolução Islâmica, Israel tinha relação com o Irã do Shah,
08:27que era uma ditadura monárquica, bastante opressora, porém um país,
08:32não estou aqui passando pano, mas um país muito mais livre para as pessoas que viviam dentro do Irã.
08:37Não tinham regras religiosas e tudo mais.
08:40Depois da Revolução Islâmica, que veio a combater e tentar tirar a monarquia ditatorial do Shah,
08:46e se instalou uma outra ditadura, porém essa fundamentalista islâmica,
08:51com aspirações expansionistas para várias outras regiões do Oriente Médio.
08:56Desde então, Israel não tem relação com o Irã, Estados Unidos também não.
08:59E o DNA do regime sempre foi um DNA bastante anti-Israel e anti-americano.
09:06O slogan deles sempre foi, a imprensa sempre reporta esses gritos de ordem,
09:13morte à América, morte à Israel, que eles fazem nas passeatas, nos protestos,
09:18tanto do governo quanto do público que apoia o governo no Irã.
09:23De 20, 30 anos para cá, o programa nuclear iraniano passou a ser cada vez mais importante
09:28para os israelenses, pois é um programa nuclear militar e o Irã é uma potência em mísseis balísticos.
09:35Lembrando que bombas nucleares podem ser lançadas de três formas,
09:40ou através de mísseis, ou através de aviões, ou através de submarinos ou navios.
09:44Então, uma vez que o Irã tem a forma de enviar uma bomba nuclear e tem um programa nuclear,
09:49e também tem essa ideologia de querer destruir Israel,
09:52os israelenses passaram a ficar cada vez mais preocupados com esse tema,
09:56e esse tema tem acompanhado os noticiários internacionais já há 25 anos, cada vez mais.
10:02Então, para os israelenses, o Irã é um perigo existencial.
10:05É um país muito grande, com uma população muito grande, com um PIB relativamente grande,
10:10com muitos recursos, longe de Israel, a 2 mil quilômetros de distância,
10:14que apoia grupos terroristas aqui na região, perto de Israel,
10:19que já atacaram Israel no passado, como o Hamas, a jihad islâmica,
10:22o Hezbollah no Líbano, os rutsis do Iêmen, milícias chiítas no Iraque,
10:27lembrando que o Iraque é 60% chiíta, depois da queda do Saddam Hussein,
10:31o governo do Iraque tenta ter um controle no território,
10:34não consegue ter controle de todo o território.
10:37Essas milícias já lançaram mísseis contra Israel também no passado.
10:41Ou seja, os israelenses enxergam no Irã um problema muito mais sério
10:45do que o Hamas em Gaza, do que o Hezbollah no Líbano,
10:47porque eles têm muito mais recursos, muito mais capacidades militares
10:52e muito mais disposição e muito menos vulneráveis.
10:57Porque para atacar o Irã, você tem que iniciar uma guerra,
10:59atacar um outro país, tem que voar até lá, etc.
11:03Dentro desse contexto, os israelenses enxergam o ataque ao Irã
11:08e uma possível queda do regime como a grande chance de se livrar
11:12daquele que é o grande financiador das guerras que tem acontecido
11:16na região nos últimos 20 anos.
11:17Lembrando que a gente teve a guerra em Gaza em 2009, em 2012, 2021, 2014,
11:24teve a guerra contra o Hezbollah no Líbano em 2006, agora também.
11:28Todos esses grupos são financiados pelo Irã.
11:30Uma vez que o regime cai, Israel talvez enxergue a possibilidade
11:34de conseguir dialogar com o Líbano e dialogar com a autoridade palestina
11:38sem a influência iraniana.
11:40Então, alguns especialistas, para terminar, acreditam que a queda do regime
11:45é a forma mais fácil de se chegar à paz aqui.
11:49Por mais que seja um país não árabe, sim persa, e esteja a 2 mil quilômetros
11:54de distância, o Irã está totalmente envolvido com as últimas guerras
11:58assimétricas que ocorreram aqui na região de Israel,
12:02territórios palestinos e no Líbano nos últimos 20 anos.
12:05Quero agradecer demais, André Lastes, cientista político,
12:09presidente executivo da Stendorf Brasil, falando ao vivo com a gente
12:14direto de Tel Aviv.
12:15Então, André, muito obrigada, que você fique bem em segurança aí
12:19e até logo mais.
12:20Obrigado, André.
12:21Obrigado, obrigado pelo convite. Um abraço.
12:23Outro.
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