00:00Vamos dar sequência aqui ao Jornal da Manhã, porque o governo federal pretende, então, pautar com urgência o fim da
00:07escala 6x1.
00:08E para conversarmos sobre esse assunto, estamos recebendo agora Marco Vignoli, que é presidente do Sebrae São Paulo.
00:15Marco, qual que é a sua avaliação em relação a essa escala?
00:18Nós sabemos que existe toda a questão humanitária das pessoas, um dia a mais de folga.
00:24Mas também, do outro lado, os empresários estão reclamando o seguinte, o governo apoia, vai inclusive colocar um projeto em
00:32caráter de urgência para tramitação, para que isso possa acontecer no ano eleitoral, evidentemente.
00:37Mas o governo não tem aí nenhuma participação, nenhum incentivo, nenhuma redução de carga de empregatícia para que possa haver
00:47justamente esse maior volume de emprego.
00:49É aquela coisa, eu vou convidar você, você me convida para o churrasco, você paga a picanha, dá o local,
00:56toda a estrutura, e eu só entro com apoio, viu Marco? Bom dia.
01:00Bom dia, Marcelo, bom dia, Beatriz.
01:03Bom, é importante registrar a apreensão com esse tema, a gente observa a maneira que foi conduzido no mundo todo,
01:13onde, através de um processo lento, onde a gente observa o aumento da produtividade como fator crítico para a redução
01:23da jornada de trabalho.
01:25Então, quando a gente vê, por exemplo, países como a Noruega, que está ali no topo, ele tem 93 de
01:33produtividade por hora, e o Brasil com 17 lá embaixo, a gente vê que a gente está muito distante de
01:39ter, de fato, essa produtividade que permita uma redução mais drástica.
01:44Olha, a realidade das empresas, sobretudo as pequenas empresas do Brasil, é uma realidade de muita competitividade, 62% dessas
01:54empresas quebram antes dos 5 anos de existência.
01:57Então, é claro que passar mais um custo, e um custo impactante como esse, está se estimando 22% de
02:04carga, de custo para a empresa, então isso, muitas vezes, é maior do que a margem que ela tem de
02:11lucro.
02:11A gente poderia ter aí uma perda de postos de trabalho, e além dessa perda de postos de trabalho, um
02:18custo que seria repassado para o consumidor final, que significa, na prática, a inflação.
02:24É por isso que a minha posição pessoal é de que é necessária uma compensação tributária, e mais que isso,
02:31um modelo de negociação, porque cada setor tem uma realidade, você não pode tratar o varígio igual outro tipo de
02:40setor.
02:41Então, é necessário um aprofundamento nessa discussão, e eu creio que é um tema que demanda aí uma construção coletiva,
02:52de diálogo coletivo entre os setores.
02:54É óbvio que todos querem que os trabalhadores possam ter as melhores condições possíveis, mas se não tiver uma empresa
03:02funcionando e tendo o seu resultado, não vai ter um posto de trabalho.
03:07Só corrigir aqui, é diretor aqui do SEBRAE em São Paulo.
03:11Perfeito, Marco Vinholi, diretor então do SEBRAE em São Paulo.
03:15Bom dia para você também, Marco.
03:17Para a gente trazer até todo o contexto dessa situação, o governo federal está com urgência, quer pautar ainda para
03:23o primeiro semestre desse ano a votação.
03:25E diferente do que se espera por parte do setor produtivo, os políticos apenas se colocam como grandes salvadores da
03:33classe trabalhadora, que é claro, pode aí enfrentar sim falta de descanso, dificuldade de acesso a atividades culturais, de lazer
03:41no país.
03:42Mas a gente tem no Brasil um cenário que pode sustentar a extinção da escala 6x1, porque eu lembro aqui,
03:50principalmente para o pequeno, micro, pequeno empreendedor, que tem um ou dois funcionários, que como você disse, enfrenta também grandes
03:57problemas econômicos de empresas que fecham, que não tem condições de se manter em pé.
04:02Como vai fazer para conseguir cumprir com toda essa jornada de trabalho, levando ainda por cima um outro contexto em
04:09consideração aqui, que é a falta de mão de obra qualificada.
04:13Essa capacitação já está escassa, não é de hoje, há muito tempo aqui no país, né?
04:18Justamente, Beatriz, quando a gente observa o combo aí, a mão de obra qualificada é escassa, sobretudo quando a gente
04:28observa também realidades por setor.
04:30Então, tem setor que essa mão de obra é mais escassa ainda, quando a gente coloca nessa balança o número
04:38de empregos que estão nas pequenas empresas.
04:40Mais de 80% dos empregos do país estão nas pequenas empresas e elas não têm condição de assimilar esse
04:48impacto financeiro.
04:50Então, a gente tem que apontar para aquilo que deu certo no mundo.
04:54E o que deu certo é uma negociação lenta, passo a passo, que considera os setores de maneira distinta e
05:02que não amarra dentro desse contexto,
05:04onde você tem ciclos econômicos que às vezes permitem, às vezes não permitem você ter uma jornada maior ou menor.
05:11Quando eu trago o exemplo, por exemplo, dos Estados Unidos, em 15 anos foram reduzidas 11 horas em negociação.
05:18A gente está aqui no Brasil observando um projeto que tenta reduzir 480 horas abruptamente.
05:25Então, veja só o impacto que seria causado nisso.
05:29Nós precisamos avançar com mais produtividade e daí sim a gente vai conseguir.
05:34É óbvio que a tecnologia, a inteligência artificial, tudo isso vai permitir que as pessoas trabalhem menos.
05:38Mas essa realidade precisa chegar, ela precisa acontecer para que, de fato, a gente possa suportar essa redução da jornada
05:48e ter as empresas mantendo os postos de trabalho e sem aumentar o custo também para o consumidor.
Comentários