00:00Vê lá em Brasília, né, o que tá acontecendo lá.
00:04Uma dupla que hoje se reúne em um almoço que vai alinhar uma questão política muito importante.
00:10De um lado, o presidente Lula, do outro, o presidente da Câmara, Hugo Mota.
00:14O Marco Viana tá lá também e traz os detalhes desse encontro.
00:18Bom dia, Marco. Quais as expectativas desse encontro?
00:22O que a gente pode esperar? Bem-vindo ao Mornil Show.
00:28Bom dia pra você, bom dia a todos que nos acompanham.
00:31Um dia movimentado aqui em Brasília, meu amigo Fernando.
00:35Almoço importante, diga-se de passagem, com assuntos decisivos na mesa.
00:40O presidente Lula empossa hoje José Guimarães como novo articulador do governo.
00:47É ele quem vai ter que fazer essa receita entre Planalto e Congresso dar certo.
00:52Essa posse funciona como um aperitivo, uma entrada para preparar o terreno,
00:59porque logo na sequência vem o prato principal, um almoço com o presidente da Câmara, Hugo Mota.
01:06E aí, Fernando, não tem cardápio simples aí não.
01:09Na mesa, o assunto que mais pesa é a discussão sobre a escala 6x1 que o governo quer rediscutir.
01:17Mas que pode fazer muita gente engolir seco ou até queimar a língua,
01:23dependendo de como a proposta for servida aos deputados.
01:27E claro, por trás desse almoço tem todo um jogo de bastidor.
01:32É negociação pra cá, ajuste na base pra lá, tentativa de evitar aquela indigestão política
01:39que trava projeto e faz as pautas empacarem.
01:45No fim das contas, a posse de Guimarães e esse encontro com o Hugo Mota são parte da mesma receita.
01:52Primeiro, organiza a cozinha.
01:54Escolhe quem vai pilotar o fogão.
01:56E depois tenta servir um prato que agrade a maioria.
01:59Agora é ver se esse almoço termina em sobremesa tranquila
02:04ou se ainda vai ter muita gente saindo da mesa com gosto amargo
02:09ou talvez aquela velha possibilidade de acabar em pizza.
02:13Essa história da escala 6x1.
02:16Vamos aguardar esse tão esperado almoço.
02:20Expectativa enorme sobre esse cardápio, né?
02:22O que é que vai ser servido, né?
02:24Conta tudo pra gente, viu, Marco?
02:26Fica acompanhando aí, qualquer coisa chama a gente por aqui.
02:31Muito bem.
02:32Então, essa escala eu acho que vai movimentar.
02:35A gente ainda não tá falando...
02:38Ainda não existe uma posição devidamente política dela, você não acha, Fernando?
02:42Eu acho que ela vai ser um prato servido também nas eleições, você não acha?
02:47Pra mim, eu acho que isso é mais um fruto nefasto aí desse pacote de bondades
02:51que o governo tá promovendo pra poder tentar se reeleger.
02:54No discurso é muito bonito.
02:55Acabar com a escala 6x1, como se as pessoas fossem trabalhar menos.
02:59Mas isso não é verdade.
03:00Na verdade, a escala 6x1 é meramente uma redistribuição das mesmas horas semanais.
03:04Isso não há um impacto em trabalhar mais ou menos.
03:07Isso tira a liberdade dos empregadores e dos colaboradores
03:10em negociar como vão ser as escalas.
03:12Eu sou empresário no setor de hotelaria, eu sei muito bem disso
03:15porque a gente usa a escala 6x1.
03:16E ela é útil.
03:17E se ela for acabada, o que vai acontecer é
03:19haverá necessidade de contratação de mais pessoas, aumentando o custo do serviço prestado
03:25para o cliente final.
03:26Ou então haverá o efeito contrário.
03:28Vai ter automatização de funções ou a necessidade,
03:30ou um incentivo pra automatização de funções,
03:33o que vai acabar por reduzir o emprego das pessoas.
03:35Então isso mostra, mais uma vez, como o efeito que o Estado impõe
03:41ao fazer intervenções na relação livre entre as partes no mercado
03:46pode causar efeitos e consequências imprevistas
03:51e mais danosas do que a causa inicial.
03:54Pô, Fernando, o cardápio tem aqui, ó.
03:56A entrada é uma saladinha de mais impostos e taxas
03:59para a principal, o nosso dinheiro, mais uma vez.
04:02E de sobremesa, provavelmente alguma coisinha
04:04que eles vão levar para o bolso para não liberar o qual vai ser o prato.
04:07É, mais uma vez, o governo agindo com interesse eleitoral.
04:11É pegando o quê?
04:12Um ano que eles precisam de voto.
04:14E aí, o que você disse, por ser uma pauta muito populista,
04:17corre o risco do centro e, às vezes, até pessoas da direita
04:20quererem entrar nessa, embora eu ache que a direita, a centro-direita,
04:24ela precisa se posicionar, porque o problema não é a aprovação de benefícios ao trabalhador.
04:29É isso ser feito a toque de caixa, sem estudo,
04:32sem prever como que o micro, o pequeno empresário, o médio ali,
04:36que já vivem, às vezes, no limite, como é que eles vão se adequar?
04:39Aquela pessoa que tem uma loja dentro de um shopping center,
04:42não é só rico que tem loja ali, não.
04:44Tem muita gente, batalhadora, com dois, três funcionários.
04:47Como é que eles vão escalar essa turma?
04:49Domingo é dia de ir ao shopping, né?
04:51E aí, vai chegar lá, a loja está fechada, você vai reclamar com quem?
04:55Domingo é dia...
04:56As lojas não vão fechar, vai ter a redistribuição mesmo.
05:00A gente vai ter...
05:01Assim, inclusive, é legal terem feito isso no governo,
05:04porque o exemplo tem que vir de cima mesmo.
05:06Ah, tem.
05:06Eles já trabalham um por seis, né?
05:08Olha só, olha aí, deixa eu ler um negócio que eu achei aqui na internet, ó.
05:12Sete por zero é igual a escravidão.
05:14Seis por um, desumano.
05:16Cinco por dois, ok.
05:19Quatro por três, perfeito.
05:21Três por quatro, deputado.
05:23Dois por cinco, herdeiro, 1.0.
05:26Um por seis, herdeiro, 2.0.
05:28Um por trezentos e sessenta e quatro, Roberto Carlos.
05:31E zero vírgula trezentos e sessenta e cinco, filhas de militares.
05:37Família de políticos.
05:39Mas esse negócio da escala seis por um que você está trazendo,
05:41que talvez gere uma automatização e tudo mais, isso é bom.
05:45Porque muito se fala do aumento da produtividade,
05:48e normalmente a produtividade é vinculada a questões da indústria e afins.
05:52E a indústria precisa dessa automação,
05:54a indústria precisa de investimentos
05:56para que tenha, claro,
05:58uma dependência menor de mão de obra humana.
06:01Normalmente quem trabalha na escala seis por um
06:03são os serviços, alguns serviços, né?
06:05Não todos.
06:06E se você reduz essa escala,
06:07o máximo que vai ter é uma redistribuição ali.
06:10Você não acha que vai ficar...
06:12Falando rasgado aqui,
06:13você não acha que a cervejinha do fim de semana vai ficar mais cara?
06:17Vai.
06:17Eu acredito que não.
06:17Eu acho que vai, você é do seu custo do empresário.
06:20Fala aí, Fernando.
06:21Não é contra a inovação e a automatização,
06:24ela é positiva.
06:25O problema é quando o Estado bota a mão para definir uma coisa
06:27e aumenta os custos forçadamente do empresário.
06:30Então, isso não vai ser uma solução natural
06:32feita pelo mercado, a automatização,
06:34por uma necessidade ou uma vontade do empresário.
06:37Não.
06:37É porque o governo entrou e transformou a carga de horário humana
06:40ou o trabalho humano tão caro
06:42que ficou mais barato investir na automatização
06:45do que investir no funcionário.
06:47Todo efeito nefasto de uma intervenção no governo
06:51vem por se tirar a liberdade da negociação livre entre as partes.
06:55Seja ela o cliente e o fornecedor,
06:57seja ela o empregado e o empregador.
07:00Quanto mais liberdade, isso é provado no mundo.
07:02Os países que têm mais liberdade de negociação entre as partes
07:04são os que têm melhores resultados,
07:07são os que têm maior riqueza sendo distribuída
07:09e os que têm mais intervenção são os que têm mais...
07:11Mas não tem uma parte mais fraca nessa negociação
07:14que aí entra esse posicionamento também coerente do Henrique.
07:18Se o Estado não intervisse nessas coisas,
07:19a gente não teria nenhum direito trabalhista hoje.
07:21Mas já interviu o suficiente.
07:23Eu acho que a discussão é essa.
07:24...do que ele próprio e o empregador.
07:26Não, e eu vou além...
07:27Você não pode entrar e dizer, eu acho que isso é melhor pra você.
07:29O empregador ser uma das partes...
07:31Se você considerar o empregador uma das partes
07:33que pensa no que é melhor pro funcionário,
07:34eu acho um erro.
07:35Porque a outra parte...
07:36Mas essa generalização também é perigosa, hein?
07:38Não todos, claro.
07:39Mas se não houvesse uma intervenção estatal
07:41pra criação de direitos,
07:43muito provavelmente esses direitos
07:44ou demorariam muito pra ser criados,
07:46a gente estaria num patamar muito menor de direitos,
07:48ou jamais teriam sido criados.
07:50Mas olha, compara com a qualidade de vida.
07:52Se a gente pega a legislação trabalhista dos Estados Unidos,
07:54se a gente pega a legislação trabalhista do Brasil,
07:56você não consegue afirmar pra mim
07:58que os direitos dos trabalhadores
07:59necessariamente são melhores no Brasil.
08:02Até porque, Henrique, nós temos 40% de informalidade.
08:07O nosso mercado hoje tem 40% de informalidade.
08:11Eles são trabalhadores informais,
08:13os quais nenhum desses benefícios, ele é atingido.
08:16Quando você coloca mais barreiras e aqui,
08:19vamos lá, tem área que já tá no 5x2
08:21e tem área que opera no 6x1.
08:23Claro que ter uma proibição a 6x1
08:26vai afetar o valor do serviço prestado,
08:29porque esse custo será repassado.
08:31E eu vou até além.
08:32É um incentivo pra informalidade.
08:35É um incentivo que vai deixar o trabalhador
08:37ainda mais em risco.
08:38Vai virar um freelance.
08:39Vai virar um freelance.
08:40E muitas vezes nós vamos ter mais dificuldade nesse mercado.
08:43A CNI coloca um prejuízo ano, ano,
08:46de 167 bilhões,
08:49ou até mesmo, no pior cenário, 267 bilhões.
08:53Então, a nossa economia, ela perde esse aquecimento.
08:56Ela perde toda essa margem.
08:58Isso é negativo.
08:58Mas eu quero levar essa discussão da 6x1,
09:00que até teve um desses debates lá em Harvard.
09:02Foi jovens debatendo os dois lados.
09:04Ficou muito claro que o 6x1,
09:06criticar essa imposição do Estado,
09:09em termos lógicos, é a forma.
09:11Só que eles vendem muito bem,
09:13porque todo mundo quer um dia mais de folga.
09:15Mas eu queria ir além.
09:16Uma das partes dessa notícia é o anúncio de agora,
09:19um novo ministério ali,
09:20quem vai ficar responsável pela articulação política do governo.
09:24Quem vai ficar responsável é José Guimarães.
09:26Você se lembra quem é José Guimarães?
09:29José Guimarães é um nome que é um parlamentar,
09:31foi líder do governo nessa legislatura,
09:33mas que em 2005 foi indiciado ali pelo Ministério Público
09:38e também em ações da Polícia Federal
09:40em relação ao pagamento de propina.
09:43Por quê?
09:43O assessor, chefe de gabinete dele,
09:45foi pego com nada mais, nada menos,
09:47do que 100 mil dólares na cueca.
09:51Além disso, uma mala com 200 mil.
09:53E aquilo foi investigado,
09:54chegou uma situação que seria uma propina
09:57referente a um banco de desenvolvimento ali do Nordeste.
10:02Tanto o assessor como também José Guimarães
10:05foram indiciados, esse processo seguiu.
10:07Ele foi inocentado e arquivado pelo STJ.
10:10Mas o que eu quero chamar a atenção aqui
10:12é que se lá atrás, em 2005,
10:14é muito estranho, né?
10:15Uma pessoa ter 105 mil na cueca.
10:18Quem nunca carregou 105 mil na cueca.
10:21Não é nem na mala.
10:22Na mala tinha 200, mas ali ia ter 65 na cueca.
10:24Não é muito estranho?
10:25E aí o tempo passa, talvez lá em 2005,
10:28quem viu o jornal aqui assistia,
10:31escutava a Jovem Pan,
10:32estava pensando,
10:33isso vai ser investigado.
10:35O Ministério Público ofereceu.
10:37Foi ali, teve vários, vai e vai o processo.
10:39Aí o STJ anulou.
10:41E hoje, ele, que talvez em 2005,
10:43todo mundo achasse que não estaria mais
10:45dentro do jogo política,
10:47será o responsável pela articulação política
10:49do presidente Lula.
10:50É esse o Brasil.
10:51Só deve ter trocado a cueca.
10:53Mas não tenham dúvidas, né?
10:55Nem o nosso sofá.
10:55É o careca do INSS, um dia vai ser ministro?
10:57Fica o que eu chamar, né?
10:58Se esse hoje, hoje é dia 14 de abril de 2026,
11:04esse programa em 2056 vai estar gravado
11:08e a gente fala, não é possível, gente.
11:10A Jazz virou um ícone da esquerda mundial.
11:14Não.
11:14Não.
11:15E uma provocação.
11:16Gente, o mundo mudou tanto.
11:18O Henrique na direita.
11:20Mudou, né?
11:21Já que a direita e a esquerda,
11:22uma provocação final.
11:23Tanto os Estados Unidos quanto a China,
11:25os dois maiores países do mundo
11:27em termos de economia,
11:28não tem justiça do trabalho,
11:30não tem CLT,
11:31as regras de emprego e de contratação
11:34são livres entre as partes.
11:36Não é à toa que um é o país mais rico do mundo
11:38e o outro é o país que mais cresceu.
11:40E o Henrique é fã da China, hein?
11:41Vale dizer que é só da China.
11:43E tudo parte de articulação política.
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