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DiversãoTranscrição
00:12Bom, gente, é isso, né?
00:15Eu queria pedir para aqueles que puderem, é claro, né?
00:18Eu acho que seria bom para o nosso próximo encontro, para a gente poder discutir, né?
00:22Eu queria que vocês pesquisassem sobre o papel da mulher na família na cidade do Rio de Janeiro,
00:27na segunda metade do século XIX, ok?
00:31Ok, espero não ter decepcionado vocês, né?
00:34Até a próxima aula, muito obrigado.
00:37Achei ótima aula, tão interessante, original, né?
00:42Porque não é só a história da cidade, é a formação da sociedade, as nossas raízes.
00:48E eu fiquei com vontade de reler uma porção de coisas, deixado de Assis.
00:53Oi, boa noite.
00:54Você já pensou em imaginar como viviam as pessoas naquela época, como era São Cristóvão, o Flamengo?
01:03Você não gostou, Lídia?
01:04Eu adorei, imagina.
01:05Então já sei que vou ter companhia no curso todo.
01:08Você está de carro?
01:09Estou.
01:10Não.
01:11Não, ele está na oficina e eu vou pegar um táxi.
01:14Não, eu levo você, que isso?
01:17Que exagero, Teresa, não precisa, eu pego um táxi.
01:19Deixa disso, vai ser ótimo, a gente conversa mais um pouco.
01:22Onde é que você mora?
01:23Você anda sempre sem segurança, sem motorista?
01:27Ah, motorista só quando eu sei que não vou ter onde estacionar, quando eu estou apressada.
01:31Segurança eu não gosto.
01:32É aqui que, Teresa.
01:33Eu não me sinto bem e acho que acaba sendo até mais perigoso, que chama a atenção.
01:39Pronto.
01:42Ó, com relação aos tapetes.
01:44Hoje mesmo, pelo amor de Deus, Teresa, você não vai voltar a falar nos tapetes de novo, não.
01:49Eles ficam na tua casa o tempo que você quiser.
01:53E depois, toda vez que você toca nesse assunto, eu me sinto como uma vendedora de tapete lá do mercado
01:57de Casablanca.
01:59Você é o amor.
02:00Te vejo amanhã na aula.
02:06Até amanhã.
02:07Obrigada pela garota.
02:08Tchau.
02:08Adorei o nosso papo.
02:09Eu também.
02:13Oi, mãe.
02:14Oi.
02:14Eu estou indo lá na casa da Cláudia.
02:16A Jurema deixou um empadão de frango pra você no forro.
02:19Casa da Cláudia depois.
02:20Agora você vai me levar correndo pra aquela droga daquele colégio que eu deixei meu carro lá pra me enturmar
02:24com ela.
02:25Tá valendo a pena, viu, Rodrigo?
02:27Mais alguns dias e a pirula vai ser minha amiga de infância e eu vendo esse apartamento.
02:31Não me chamaram, mãe.
02:33Conversaram a quatro paredes.
02:34Ele, doutor Fausto, Cristiano, advogado super importante.
02:37O que é que eu ia fazer lá dentro?
02:38Se enxertar.
02:40Ai, nessa idade ainda não aprendeu?
02:43Ai, mudidinho.
02:46Horas e horas a fio com o tio.
02:48Não consegue colocar uma insegurançazinha.
02:51Dá uma pichada, um passando, um dos advogados.
02:55Essa turma sempre tem algum ponto fraco.
02:59Ai, Murilinho.
03:00Você tem que se mostrar indispensável, entendeu?
03:03Quem vence na vida é furão.
03:06Entra na sala dele como quem não quer nada.
03:09Se mete.
03:11Murilo.
03:12Murilo, se você não conseguir se impor, eles vão começar a tomar decisões sem você estar lá.
03:17Tá pensando que bunda mole vai subir na roda, hein, é?
03:21Ai, Murilo.
03:22Meu filho, você tem que aprender a ter jogo de cintura.
03:26Eu vou tentar.
03:28Coloque mais dois lugares na mesa que a dona Úrsula mandou.
03:31Esses dois urubus aí, ó.
03:33Urubu deve reconhecer o urubu, não, Breno?
03:35Oi.
03:36Eu não sei nada disso, não.
03:37Eu não queria estar no lugar do Breno.
03:39Coitado.
03:40Imagina, éramos só nós três pra jantar.
03:42Aí chegaram Loreta e Murilinho.
03:44Ficamos cinco.
03:46E aí chegou o Raul e pediu pra jantar no quarto.
03:49Ficamos quatro.
03:49Ele não está se sentindo bem?
03:52Não, coitadinho.
03:53Ele chegou com muita dor de cabeça.
03:54Mas não é nada demais, não.
03:57Cansaço.
03:58Mas é cedo ainda, meu amor.
04:00Toma sua ducha, aí você desce.
04:02Toma seu whisky e relaxa.
04:03Eu só vou querer um prato de sopa mais tarde, aqui mesmo no quarto.
04:09Raul.
04:10Não há motivo algum pra preocupação, Tereza.
04:15Raul, você...
04:19Esse inquérito...
04:20Você não comenta nada.
04:22Muita coisa eu fico sabendo pelos jornais.
04:25Tantas calúnias.
04:26Mas é claro que eu sei que são calúnias.
04:30Eu estou aqui, Raul.
04:32Do seu lado eu tenho vontade...
04:35Raul, você não se sentiria melhor se abrindo um pouco comigo?
04:42Raul, você...
04:45Você corre mesmo algum risco de...
04:50De ser processado?
04:52De ter algum problema sério?
04:56Eu acho que não.
04:59Está tudo sob controle.
05:01Fica tranquila.
05:04Por que é que você diz que acha que não?
05:07Você não tem certeza?
05:08Por quê?
05:10Por quê?
05:15Cautela, Tereza.
05:18Porque resolvido mesmo o caso ainda não está.
05:21Eu quero esse inquérito acabado, encerrado.
05:24Até lá eu fico inseguro, sim.
05:25Qualquer um ficaria no meu lugar.
05:35Ai, está linda a foto, né?
05:37Pô, achava a lice mais bonita de cabelo comprido.
05:40Mas deve ser legal aparecer assim no jornal, né?
05:42Fico pensando se fosse comigo, ia achar o maior barato.
05:45É, mas para isso você tinha que ter coragem de fazer o que ela fez, né, Luciano?
05:49Ai, eu queria só ver.
05:50Eu não teria essa coragem, não.
05:53Um cara desses já passou de sacanagem que a gente pode fazer?
05:56É, mas pelo que eu estou entendendo, nesse caso ele não vai poder fazer sacanagem nenhuma, não.
06:01Espero que não, né?
06:02Sei lá.
06:03Mas estou afimzona de ver o que vai acontecer.
06:06Vai ser punido, sim, Marina, e vai ser muito bom para ele, eu acho.
06:11Eu conheci o Raul, garoto.
06:13Era o furor dos bailes do Petropolitano.
06:17Bom menino, lutador.
06:20Mas à medida que foi crescendo, certos valores foram...
06:24Meu Deus, muitas vezes eu tenho tido vontade de conversar com o Raul sobre tanta coisa que eu acho errada.
06:36Ganância, sonegação de impostos, jogadas para ganhar concorrência e o desprezo total pelos pobres.
06:46É, você está descrevendo, papai, a classe dominante toda.
06:53Não, não é verdade, não, minha querida, não é verdade.
06:57Eu conheço uma moça bem classe dominante,
07:03que ao invés de exufruir só os prazeres que o dinheiro pode proporcionar,
07:08abriu um colégio e dedica a vida à formação de jovens.
07:14E eu? Eu sou um corrupto?
07:18O hotel pode não estar bem como há 10, 20 anos atrás,
07:25mas classe dominante, sim.
07:28E estamos lutando.
07:31Uns barquinhos muito frágeis, eu acho.
07:34Um mar de lama.
07:36Não, não, não, as coisas estão melhorando, marininha.
07:39Eu tenho confiança.
07:40Veja essa moça aqui.
07:42Alice, aluna do seu colégio, por exemplo.
07:45Que exemplo!
07:47É, desta vez o Raul vai pagar pelo que fez.
07:51E essa é mais uma prova, entre tantas outras que a gente tem tido,
07:56é uma prova de que esse país tem jeito.
08:00Tem jeito.
08:19E aí, localizaram a testemunha?
08:22Ah, tá o Adelina.
08:24Antes não tivessem localizado.
08:27O que que houve?
08:28Fala, Leitor.
08:29Ela não tá mais morando na Rocinha.
08:31Se mudou.
08:33Foi um subúrbio muito bom.
08:35Eu fui lá ver, ela não me deixou entrar.
08:38Prestou depoimento essa tarde.
08:40Falou o quê?
08:42Que quem tava dirigindo o carro era o segurança.
08:44Eu não acredito.
08:45Gente, eu não acredito!
08:46Essa mulher tava do meu lado, viu?
08:48Muito bem, comentou comigo.
08:49E quem deu esse apartamento pra ela, Alice?
08:51Por um apartamento, muito pouca gente ia ser capaz de não se vender por um apartamento.
08:56Mas é claro que sim, doutor.
08:58Eu compreendo perfeitamente sua posição como delegado, doutor Alencar.
09:01Eu só não quero que pense que eu estou pensando em algum tipo de privilégio,
09:05alguma regalia, pelo fato de ser uma pessoa assim, digamos, um homem tão conhecido.
09:10Claro, claro.
09:11Meu estilo foi sempre assim.
09:14Eu vou fundo nas minhas investigações.
09:15O depoimento daquela mulher Adelina muda tudo, não muda?
09:19Bem, mudar propriamente não muda, mas fortalece muito a nossa posição.
09:25Não fortalece, doutor?
09:29Naturalmente.
09:32Diante de depoimentos tão contraditórios, né?
09:37É duas jovens isentas afirmando cada uma exatamente o oposto, o contrário do que diz a outra.
09:45É, eu vou providenciar uma cariação entre essa menina Alice e a mulher do segurança.
09:53A cariação?
09:56Mas não é bom?
09:58Então, lembra, Natália?
10:01A mulher daquele segurança que pediu pra Alice contar toda a verdade,
10:05com medo que o marido fosse preso,
10:07não é a melhor coisa que podia acontecer?
10:09Não.
10:10Não.
10:10Não.
10:10Não.
10:11Não.
10:13Não.
10:13Não.
10:15É só uma declaração, gente.
10:18Por favor.
10:21Caria, essa tal de iracêntia me implorou pra Alice falar a verdade.
10:24É, o marido dela foi tendo a loja da Camita pra agradecer.
10:27Eu não queria.
10:28Eu não queria.
10:29Desde o primeiro momento que eu não queria.
10:31A minha filha envolvida com o Raul Pelegrini.
10:34Quem tá pegando esse safado?
10:37Disse e tô repetindo, delegado.
10:39Quem tava dirigindo o carro era o Raul Pelegrini.
10:41Eu vi, essa mulher Adelina viu também.
10:45Se veio aqui depois dizendo uma outra coisa,
10:47bom, eu sou eu que tenho que descobrir.
10:49Mas todo mundo que tava lá só pode ter visto
10:51que o Raul Pelegrini tava sozinho no carro e dirigindo.
10:54Em seu depoimento, você declara
10:56que momentos antes de vir até a delegacia
10:59foi abordado por Dona Iracema, aqui presente,
11:02esposa do segurança Aderbal Fajardo Mesquita.
11:06Confirma isso?
11:07É claro que confirmo.
11:10Por quê?
11:11Ela disse que não falou comigo?
11:13Ela teria confidenciado a você
11:16que o marido estaria assumindo a culpa no lugar do patrão.
11:20É, ela tava morta de medo
11:21porque a Aderbal não era réu primário.
11:23Foi preso uma vez, cumpriu pena.
11:25Acusado de ferir um homem gravemente,
11:27a barria pesar pra ele.
11:28Não, não foi isso não.
11:29Você entendeu tudo errado.
11:30O quê?
11:32Calma, Alice.
11:33É que não foi bem assim.
11:34Você tá coragem de dizer na minha cara
11:35que não tava morta de medo dele ser preso outra vez
11:37e cair de uma vez no mundo do crime?
11:39É, isso eu falei.
11:40Então entendi errado o quê?
11:42Eu tava com muito medo do meu marido pra cadeia,
11:45assim, isso eu falei.
11:45Mas eu nunca disse que ele não tava dirigindo o carro.
11:48Ele foi responsável pelo acidente.
11:51Você tá mentindo.
11:51Calma.
11:52Tá mentindo, senhor?
11:53Eu tô maluca que ele não diz coisa com coisa.
11:55Seu delegado, eu conheço meu marido.
11:57Tá certo, ele errou no passado,
11:59mas ele nunca ia ser capaz de fazer uma autoacusação falsa.
12:03Autoacusação falsa?
12:04Não, Greta.
12:05Você que foi que eu vou falar assim?
12:06Não, Greta.
12:06Você não tá vendo que essa mulher foi instruída por advogado?
12:10Compraram essa mulher.
12:11Minha filha de queira esse tipo não, tá?
12:12Tô comprando todo mundo, meu Deus.
12:13Nossa, você não vai fazer isso.
12:14É, é, é, é.
12:15Não vai na tela, mas eu tô com todo o tempo.
12:16Meu Deus, eu tô com toda a verdade.
12:18Você vai se arrepender pelo resto da sua vida.
12:26Não vai na tela, mas eu tô com toda a vida.
12:50Não vai na tela, mas eu tô com toda a vida.