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  • há 2 dias

Categoria

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Diversão
Transcrição
00:00E o corpo?
00:04Haverá um corpo totalmente irreconhecível.
00:08Sei, mas onde é que você vai arranjar esse corpo?
00:12Não é difícil.
00:15Indigentes morrem todos os dias, Montenegro.
00:18Eu comprei um.
00:21Você aqui...
00:24não acredita.
00:25Não, e não foi caro, e não foi difícil.
00:29Um coveiro está providenciando isso para mim.
00:31Amanhã.
00:33E você acha que isso vai dar certo, Heber?
00:38Mas por que não, Montenegro?
00:39Veja bem, desesperado com a falência.
00:43Eu me mato num precipício.
00:45Agora você vai saber de tudo.
00:49Eu vou ensopar o carro com gasolina,
00:52e quando ele cair, vai explodir.
00:55E vou encontrar o quê?
00:57Restos de um corpo irreconhecível.
00:59E alguns objetos meus, pessoais, coisas minhas.
01:05Pena que eu vou perder o meu relógio de ouro de estimação.
01:10Só uma coisa me preocupa nisso tudo.
01:13O quê, Montenegro?
01:15A sua família.
01:18Como é que fica a sua família?
01:22E, René?
01:24Como é que vai ficar a sua família?
01:33Que legal, nós dois velados aqui.
01:35Que nem me conheceram o dia que eu nasci.
01:38Que nem no banho, por baixo da etiqueta.
01:41É sempre tudo igual, curiosa, xereta.
01:43E gostoso, sempre escura, sem disfarce, sem fantasia.
01:48Que nem seu pai, sua mãe, salvou sua tia.
01:54Indecente é você ter que ficar descrito de cultura.
01:58Daí não tem jeito quando a coisa fica dura.
02:04Sem roupa, sem saúde, sem casa, tudo é tão imoral.
02:08A barriga pelada é com a vergonha nacional.
02:12Vai!
02:13Pelado, pelado, no compão, no poço.
02:18Pelado, pelado, no compão, no poço.
02:23Pelado, pelado, no compão, no poço.
02:27Nunca a mão, no poço, nunca a mão, no poço.
02:30Nozinho, pelado, no compão, no poço.
02:35Eu não posso fazer milagres, Moutinho.
02:38Não posso.
02:41Minha mulher e meus filhos há muito tempo estão praticamente longe de mim.
02:46Fazer o quê?
02:47Agora eu acho que as autoridades vão poupar a nossa casa, já que está em nome de Rafaela.
02:55Eu acho que eles vão ter que enfrentar uma vida completamente diferente da que levaram até agora.
03:01A Rafaela não vai suportar a Herbert?
03:04Vai, vai sim.
03:06Ao que eu saiba, trabalho nunca matou ninguém.
03:09A não ser por acidente, né?
03:12É, eu não sei, eu não posso fazer nada.
03:14Agora, eles vão sentir a minha morte no início.
03:18Nem tanto quanto possa parecer.
03:22Herbert, me diga uma coisa.
03:26Ela vai ficar sem nada?
03:27Vai ficar com a casa e com os dólares que, naturalmente, eu vou deixar com você.
03:32Quanto?
03:34O que eu pude arranjar, Montenegro?
03:36Uns 50 mil dólares por aí.
03:38Pelo amor de Deus, Herbert.
03:41Isso não dá pra nada.
03:43Você sabe o padrão de vida que eles têm?
03:45Eu não quero me preocupar com coisas fúteis, Montenegro.
03:49Eu não posso ir pra cadeia, isso nunca.
03:52Depois, eles são adultos, eles vão saber o que fazer.
03:56Deus.
03:58Você vai ser que esse plano maluco vai dar certo?
04:03Eu não sei.
04:05Eu tenho medo, mas eu...
04:07Eu vou tentar.
04:10Dois anos é muito tempo, Herbert.
04:12Eu sei.
04:13Talvez eu fique fora apenas um.
04:15Depende do que acontecer por aqui.
04:17Porque o importante é que o Banco Central se contente com o que vai me confiscar e me esqueça.
04:25Prepare-se, hein?
04:27Montenegro, você não vai me reconhecer quando eu voltar.
04:32Meu Deus.
04:34Eu acho isso...
04:36tão maluco.
04:40Você vai deixar uma viúva.
04:43E se ela se casa de novo?
04:46Bom, eu não acredito.
04:47Isso eu não acredito porque...
04:50Rafaela sempre dependeu muito das minhas decisões.
04:54Mas, Montenegro, isso é um risco que eu tenho de correr.
04:57Eu não posso fazer nada.
04:59Desculpe, Herbert.
05:01Eu não acho justo.
05:04E seus filhos?
05:06Eu realmente vou ficar mais preocupado com a Ana Cláudia.
05:09Porque essa menina sofreu realmente um golpe muito duro.
05:13Os outros não.
05:14Os outros vão ter que trabalhar para viver.
05:17Inclusive esse meu gênero, que é um inútil, né?
05:20Acredita em mim, Montenegro.
05:22Eles vão sentir muito mais falta da mordomia do que de mim mesmo.
05:28E até me dá um certo prazer.
05:31Saber que eles vão ter que trabalhar para viver.
05:40Mas eu não acredito.
05:42Eu estou apavorada, Zilda.
05:43Não sei o que fazer.
05:45Mas você não pode fazer nada.
05:47Nós vamos ficar na miséria, Zilda.
05:49O que é isso?
05:50Você ainda tem o Herbert.
05:51Ele pode começar tudo de novo, minha querida.
05:54Meu Deus.
05:54Primeiro essa coisa de Ana Cláudia.
05:56Depois essa notícia que o Herbert me deu.
05:59Zilda, e se ele for preso, como é que a gente vai se arranjar?
06:03Mas o que é isso?
06:04Ele tem muito patrimônio.
06:06Tem imóveis, fazendas, empresas.
06:09O que é isso?
06:10Sabe o que representa o nosso patrimônio em relação à dívida?
06:13Um terço, Zilda.
06:14Um terço da dívida.
06:15Zilda, eu acho que você está se preocupando à toa.
06:19O Herbert é um homem muito esperto.
06:22Aliás, eu acho que é um homem que nasceu para fazer dinheiro.
06:25E depois, minha querida, ele adora vocês.
06:28Não é bem assim não, Zilda.
06:30O lema do Herbert sempre foi primeiro os negócios, depois a família.
06:35Então, mas ele fazia isso por vocês.
06:38É, pode ser.
06:40Ah, eu acho que você está muito pessimista.
06:43É que ele disse que é inevitável, Zilda.
06:45Você se lembra em 82, Rafaela?
06:47Ele passou por uma crise muito difícil.
06:50É verdade, conseguiu superar.
06:52Então, quem é que te garante que desta vez ele não vai superar também?
06:57É, pode ser.
07:00Mas sabe o que me assusta?
07:02O tom dele.
07:03O tom dele ontem foi assustador.
07:05Eu nunca vi o Herbert tão pessimista e tão preocupado, Zilda.
07:10Nunca.
07:20Vai, vai, vai.
07:24Vai, vai, vai.
07:27Calma lá, calma.
07:29Calma lá, calma.
07:29Calma lá, calma.
07:31Calma aí, né?
07:32Quero ver.
07:34Grande Baltar, grátis, velho.
07:36Vai.
07:36É, tipo Alvarez, não.
07:37Tinha espiado.
07:38Eu podia ter rajado entregado, mas eu bolo sozinho com a saranta aqui, porque eu não preciso.
07:42Sai pra barato comer bem.
07:43Mas você não tem nada em casa, nem um fordão pequeno.
07:45É lá, cozinha lá, mas você só vai fazer café.
07:48Pô, aquela uma que sabe da sua vida, né?
07:50Ah, Amadeu.
07:52Sabe quem eu conheci?
07:54A Rosemary.
07:55É?
07:56Bonitona, né?
07:57Bonitona, opinião.
07:58É gostosa, pai.
08:00Como foi que você conheceu ela?
08:02Ah, foi lá em casa com a filha.
08:03Sabe aqui, imagina, pra pedir pra fazer a cara do cachorro lá.
08:06Sai do toque.
08:07E você não fez?
08:08Não tem mais o que fazer, né, Justino?
08:09E nem deu em cima dela.
08:11Ah, ela chegou lá com uma ponte, uma ponte de madama, narizinho pra cima, assim.
08:15Sai, botei os cachorros em cima dela.
08:18A Rosemary é uma idiota, como parece, não.
08:19Ela não dá bola pra qualquer um, não.
08:21Ela tem classe, entendeu?
08:23Ah, se o tio queria, botava ela no bolso, tá?
08:26Se o tio quisesse.
08:28Não adianta.
08:29Nem assim você quis fazer pra ela?
08:31Oh, Mariel, eu sou o Baltasar.
08:33Oh, Marci, deu fazer casinha de cachorros?
08:34Ela, né, tinha o cachote?
08:35Ah, Bruno, bem que você podia ter feito.
08:38Ah, porque eu...
08:40Eu obedeço o tio aqui, ele que manda.
08:42E você, Mariel?
08:43Já conseguiu alguma coisa?
08:45Para com essa conversa, vai.
08:46Por quê?
08:47Por quê?
08:47Você é um cara boa pinta, cabelão brisário e tal.
08:50Nenhuma mulher resiste ao charme do seu figuote.
08:53Ah, Rosemary é diferente.
08:55Não é assim, não.
08:56Oh, vale quanto?
08:58Vale o quê, ô cara?
09:00Dois papos e ela já tá na minha.
09:02O que você quiser.
09:03Ah, é?
09:04Ah, 200 pau.
09:07Ai, dois papos só não vai dar, não.
09:10Ah, olha com essas lágrimas do tio aqui.
09:13E como é que eu vou saber que eu quero apenas em dois papos?
09:15Em dois dias, eu levo ela no papo e ela vai ao cinema comigo.
09:19É, eu posso fazer filme, larga.
09:20Eu levo ela ao cinema.
09:21Isso que eu te juro que você fica na minha esquina olhando
09:23e me parte, sai grande.
09:26Fechado.
09:27200 pau, dois dias.
09:28Certo?
09:29Certo.
09:30É, amanhã e depois.
09:31Tá aqui, ó.
09:32200, descansa aqui.
09:34Vai.
09:35Isso, não sei.
09:37Isso.
09:38Os dias você fica com a grana, mas não vai gastar ela, hein?
09:40Ah, tá legal.
09:41Ah, pô, pô, pô, você não tem idade pra isso.
09:45Quer dizer, depois de amanhã cedo, encerra o prazo.
09:48Palavra de Baltazar.
09:49Olha, Baltazar, eu tenho a impressão que você dançou em 200 paus.
09:54Ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah.
09:58Vai jogar, vai jogar.
10:00É, não.
10:02É, não, não.
10:03Baltazar vai ao cinema com a Rosemary e vai ganhar 200 paus.
10:10Como é que você está?
10:14Com ódio.
10:17Como eu nunca senti em toda a minha vida.
10:21Ele vai pagar, Ana Cláudia.
10:23Tudo que se faz nesse mundo se paga.
10:25Papo furado, Tamires. Papo furado.
10:29Tanto pilantra, tanto assassino solto por aí.
10:33Estou espantada.
10:35Meu próprio pai não fez nada, não mexeu uma palha sequer.
10:39Para ele é como se nada tivesse acontecido.
10:42O Maurício diz que ele está com problemas no escritório.
10:45Você pode imaginar problema maior do que o meu, Tamires?
10:49É.
10:50O teu foi duro.
10:53Mas o que o papai poderia fazer? O que você queria que ele fizesse?
10:57Mandar se matar o João Antônio. Matar!
11:02Como eu sei que isso é impossível.
11:04Queria que ele arrasasse o João de alguma maneira.
11:09Realmente foi incrível.
11:11O que será que pode ter acontecido com ele?
11:13Não sei, não quero saber.
11:16Só quero que ele pague.
11:17Pague a vergonha que eu passei.
11:20Que nós passamos.
11:23E você vai ficar trancada nesse quarto a vida inteira?
11:28Eu tenho vergonha de botar minha cara para fora de casa, Tamires.
11:36Você mandou o Maurício no apartamento dele?
11:40Mandei.
11:41Lá ninguém sabe dele.
11:42Ninguém viu entrar, ninguém viu sair.
11:45E ninguém atende a porta.
11:47Fugiu, canalha. Fugiu.
11:51Mas isso é muito estranho, Ana Cláudia.
11:54Porque ele trabalha.
11:55E lá no escritório também ninguém sabe dele.
11:59Ai, se eu tivesse o dinheiro que o papai tem.
12:02Eu mandava matar aquele desgraçado, Tamires.
12:06Estou com ódio.
12:07Ódio do mundo, da vida.
12:10Estou com ódio de homem.
12:12Ódio de homem, Tamires, sabe?
12:14Ódio de homem.
12:15Calma.
12:16Calma, Ana Cláudia.
12:18Tem um tempo que tudo isso vai passar.
12:23Sabe de uma coisa?
12:26Você está muito mais furiosa pela vergonha que passou do que por ter perdido o João Antônio.
12:33Mas pensa em amor numa hora dessa, Tamires.
12:37É, eu acho que ele não é o cara da sua vida.
12:40É, claro que é.
12:42Pois não parece.
12:43Você só fala em vingança pela vergonha que passou.
12:47Calma, me eis, Tamires!
12:49Você entendeu bem.
12:52Entendi, sim.
12:53Eu acho isso tudo uma loucura, mas você acha que vai dar certo?
12:57Eu vou arriscar.
12:58Dentro de um ano eu devo voltar.
13:00Dependendo do que acontecer por aqui.
13:03Essa que é a verdade, mas...
13:04A situação é muito séria, Montenegro.
13:08Você sente a confiança que eu estou depositando em você?
13:12Porque você será a única pessoa no mundo a saber o que realmente aconteceu comigo.
13:18Herbert, eu gostaria que você não se esquecesse de uma coisa.
13:22Eu não posso fazer nada para a sua família.
13:25Eu tenho recursos suficientes.
13:27Afaste-se deles.
13:29Trate da sua vida, Montenegro.
13:31Eu vou ficar isolado.
13:33Eu não vou querer saber notícias de nada.
13:37E...
13:37Se você não voltar?
13:41Bom, se isso acontecer...
13:44Guarde silêncio e segredo pelo resto da sua vida.
13:52Claro.
13:54Eu acho que em um ano eles esquecerão de mim.
13:56Vão ficar satisfeitos, como confiscaram.
14:01E...
14:01Se eu voltar...
14:03Se eu voltar...
14:04Será que um outra cara...
14:06Um outro nome...
14:10Eu acho isso uma loucura.
14:12E agora, Montenegro, eu quero que você faça um juramento solene.
14:17Eu conheço o teu caráter há dez anos.
14:20Mas eu quero que você jure solenemente...
14:22Que você não contará isso a ninguém.
14:26Você sabe que pode contar comigo.
14:29Jure, Montenegro.
14:30Eu juro, Herbert.
14:33Juro que de mim não sairá uma só palavra sobre você.
14:39Eu juro.
14:40Muito obrigado.
14:42Olha, você terá dinheiro suficiente para sobreviver...
14:44Enquanto você não arranjar um emprego.
14:47Mas você é um homem inteligente e dedicado.
14:49Isso não vai ser difícil.
14:50Não se preocupe com isso.
14:52Eu dou um jeito.
14:54Obrigado, Montenegro.
14:56Eu confio no teu silêncio.
14:58E faça com que todo mundo, Montenegro...
15:01Acredite que seu amigo, Herbert Alvaray...
15:04Se suicidou realmente.
15:08Bom, agora nós vamos nos despedir aqui.
15:11Eu tenho muitas coisas a fazer até a noite.