- há 10 horas
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DiversãoTranscrição
00:05Você entendeu bem?
00:08Acho que sim.
00:11Eu...
00:13Entendi, sim.
00:15Mas é que fica difícil, né?
00:19Eu vi esse cara despedir o motorista.
00:22O jeito dele... Não, a senhora não pode imaginar.
00:26Horrível.
00:27Olha, eu acho que eu nunca tinha visto.
00:28Eu acho que só em filme de gangster.
00:30Horrível mesmo, nojento.
00:34Sabe, eu não acho que esse tal de Raul Peregrino esteja tendo falta de sorte, não.
00:39Pra mim, ele já aprontou muito por aí.
00:42Olha, dona Marininha.
00:44Eu não acho certo ficar livrando a cara dele, não.
00:47Mas eu não estou dizendo que o Raul seja um exemplo de generosidade, porque eu sei que ele não é.
00:51A mulher dele, sim, é extraordinária, maravilhosa, uma grande amiga.
00:57Alice, essas dúvidas que você está tendo agora, eu tive também.
01:02E cá entre nós, a mulher dele, a Tereza, ela também, ela ficou bastante preocupada.
01:06Tanto que nós duas fomos até a clínica onde esse senhor está internado e é verdade que o Raul está
01:11bancando um tratamento muito bom.
01:16Agora, se o Raul mudar de ideia, se ele desistir de ajudar aquele pobre homem e é o tipo da
01:22coisa que pode acontecer,
01:23o Raul é um homem impulsivo, ele é um homem de temperamento difícil.
01:27Ele próprio já deu a entender que pode mudar de ideia, sim, aquele senhor vai ficar sem tratamento nenhum.
01:41Alise, não é pelo Raul que eu estou pedindo a você o que parece um absurdo.
01:46É por aquele senhor que você viu ser atropelado.
01:51A minha mãe, a senhora, os professores aqui do colégio, todo mundo que eu acho bacana, que eu respeito.
01:59Puxa, dona Marilinha, eu fico até meio sem jeito de falar de, sei lá, ética.
02:06Mas mentir numa delegacia de polícia, para livrar a cara de um homem que...
02:21É, eu sei.
02:23Se eu tivesse a sua idade, eu estaria me sentindo exatamente como você está se sentindo agora.
02:28E eu gosto muito de saber que você é assim.
02:32Que esse colégio contribuiu um pouquinho que seja para você ser o que você está mostrando que é.
02:37Eu fico orgulhosa do meu trabalho.
02:39Você está certa, Alice, você tem razão.
02:42A sua impressão sobre o Raul, você está certa.
02:45Só que, infelizmente, a vida é um pouco mais complicada do que isso.
02:49Ninguém é completamente bom ou completamente mal.
02:54O Raul, ele é um homem muito poderoso.
03:00Muito.
03:02E quem sabe esse acidente, o fato dele estar se sentindo vulnerável.
03:11Se ele aprender um pouquinho que seja com tudo isso, Alice, você se dá conta?
03:17Um homem na posição dele.
03:20Quantas pessoas ele pode vir ajudar?
03:35Mentir numa delegacia, ou seja lá onde for, mentir.
03:39Claro que eu sou contra, mas...
03:41Nesse caso específico, eu te juro, se eu estivesse no seu lugar, eu diria, sem nenhum problema de consciência,
03:47que quem estava dirigindo aquele carro era o segurança do Raul.
03:55Mas o que você vai dizer tem de ser decisão sua, não minha.
04:00Tem uma coisa aqui na minha cabeça que eu estou meio sem jeito de perguntar?
04:11Pode perguntar o que você quiser, Alice.
04:15É que...
04:15Não, não, não, deixa, deixa eu falar.
04:18O que é, Alice? Fala.
04:22O doutor Raul, ele é dono do prédio aqui do colégio, né?
04:27E eu estou sabendo, todo mundo no colégio está sabendo,
04:32que tem aí umas obras para fazer, umas infiltrações.
04:38Dona Marininha é ele que tem que fazer essas obras, não é?
04:40É, eu espero que ele faça essas obras, sim.
04:43É isso que está me grilando.
04:47Quando a senhora concordou em falar comigo,
04:51a senhora...
05:04Você está querendo saber se isso pesou na minha decisão?
05:09O fato do colégio precisar do Raul?
05:15É...
05:16É isso, sim.
05:24Eu...
05:26Eu, essa noite, eu demorei muito a pegar no sono,
05:29me perguntando justamente o que você está me perguntando agora.
05:33Não, Alice.
05:36O fato do colégio precisar do Raul não contou absolutamente da minha decisão.
05:39você pode ter certeza absoluta, não contou mesmo.
05:43Ai, desculpa.
05:44Desculpa eu ter perguntado isso.
05:47Desculpa.
05:48Eu acho lindo você ter tido a coragem de me fazer uma pergunta dessa.
06:07Tudo bem.
06:09Pode dizer para o doutor Raul Pelegrini que eu vou mentir.
06:14Eu vou na delegacia dizer que não era ele que estava dirigindo o carro.
06:22Ah, desculpa pela besteira dos patins.
06:28Flores de agradecimento para a Malininha.
06:31E para a tal garota também.
06:33Alice Proença, né?
06:35Sim, senhor.
06:36Você não me falou que esse homem era o Raul Pelegrini?
06:39Ah, mãe, já está me lembrando o nome do cara?
06:42Você conhece ele?
06:45Toda hora nos jornais.
06:47Sujeito horrível.
06:48Tudo que eu sempre odiei nesse mundo, Alice.
06:50Mas, espera aí, pô.
06:52Para a dona Marininha pedir do jeito que ela pediu para a Alice...
06:54Mãe, olha, eu te contei tudo o que ela me falou, assim, olhando para a minha cara.
06:58Mas, poxa, você é minha mãe.
07:00Você acha que eu não tenho que ir lá livrar a cara desse sujeito, eu não...
07:03Ai, mãe, eu não sei, eu estou muito confusa.
07:06Eu fui lá na clínica.
07:08O homem que foi atropelado, ele está tendo um tratamento super legal.
07:11Coisa de gente rica, né, Nando?
07:13Eu fiquei até meio assim de ter ido lá.
07:16Parecia até que eu estava duvidando da palavra da dona Marininha.
07:19Essa história da Marina Boinha pedindo para você mentir.
07:23Eu fiz sacrifício para botar você nesse colégio porque eu sei que tipo de gente ela é.
07:28Honesta, limpa.
07:32Se a Marina Boinha pediu para você dizer que era o segurança que estava guiando,
07:36faz o que ela aconselhou a Alice.
07:38Ela deve estar com a razão.
07:40Alô?
07:46Sabe o que foi?
07:47Chegou um presente lá na portaria do teu prédio.
07:50Presente?
07:50É.
07:52Cara Alice,
07:54lamento demais esse aborrecimento todo.
07:57Muito obrigado, Raul Pellegrini.
08:02Como é que esse cara soube que essa bicicleta é meu maior sonho?
08:04Fui eu.
08:05O sobrinho me procurou no colégio, ficou me fazendo um monte de perguntas.
08:09Achei que você ia achar nada demais.
08:11Natural, meu amor.
08:12Pô, ir para uma delegacia, prestar depoimento, é um aluguel, né?
08:16É, mas vem que isso compensa a chateação, Alêncio.
08:19É, mas se ele não está mesmo prejudicando ninguém,
08:22me mandar um troço caro desses, por quê?
08:25A minha mãe não está, ela foi passar o final de semana fora.
08:28Desculpa a gente estar procurando assim,
08:30mas é que eu tenho que prestar um depoimento amanhã, meio dia.
08:33E eu precisava demais falar com a dona Marina.
08:36Não tem um jeitinho de eu telefonar para ela.
08:38Olha, a minha mãe está numa fazenda, no Vale do Paraíba.
08:41Eu acho até que nem tem telefone.
08:43Ai, meu Deus, se a gente pudesse pelo menos procurar uma outra pessoa...
08:46O Ronaldo, Alice,
08:48ele conhece um cara que trabalha com o Raul Pellegrini.
08:50Eu acho que é assistente dele.
08:52Sei lá, mas disse que o cara é super gente fina.
08:54E ele está sempre no barzinho que eu sei onde é.
08:57Albano, você tem certeza que tiraram foto na hora do acidente?
09:00Não, absoluta.
09:01Eu passei o dia inteiro cuspindo no sapato daquele velho por causa dessas fotos.
09:05O dia inteiro eu fiquei, ah, graxinha aí, ah, graxinha aí.
09:08Vocês têm saco de ir agora comigo na redação?
09:13Olha, é mais ou menos como eu pensei sim.
09:17Na mesma noite do atopilamento,
09:19o repórter e o fotógrafo pediram uma emissão de jornal.
09:22Um foi morar em São Paulo, onde o mercado de trabalho está bravo,
09:25ganhando o dobro do salário.
09:27E para o outro caiu do céu um emprego em Miami.
09:29E eu achando um absurdo ganhar uma bicicleta.
09:32Ô, Fontes, mas você tem certeza que no meio do material do evento
09:35não tinha umas fotos de um acidente de carro?
09:37Certeza absoluta.
09:39Ai, diabo que esse cara está armando.
09:41Bom, ligando para a delegacia, eu consigo o endereço do Queiroz, o que atopilou.
09:45Tem certeza que é o 302?
09:46Tem, está aqui escrito, 302.
09:51Vai ali ele lá saindo da garagem, vamos embora.
09:57Hélio Queiroz?
09:58Sou eu.
09:59A gente queria falar com o senhor sobre o acidente de carro.
10:02Eu estou atrasado, garota.
10:03Falar sobre o acidente por quê?
10:05É o atropelamento, Raul Pelegrini.
10:07Quem vinha guiando era o segurança do Raul Pelegrini.
10:09Espera lá.
10:10Seu carro estava caindo aos pedaços,
10:12vê se o carro zerinho aí vai dizer o quê?
10:13que ganhou na loteria.
10:14Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô,
10:17ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô.
10:26Você conseguiu tomar uma decisão?
10:29Não sei.
10:31Não sei.
10:33Não vou trabalhar amanhã.
10:35Não quero você sozinha nessa delegacia, não.
10:39O que é que pode me acontecer nessa delegacia?
10:41O Nando vai comigo, mãe.
10:44Se você quer me ajudar, então resolve por mim, vai.
10:48O que é que eu faço?
10:50Eu faço o que a dona Marina me pediu?
10:53Ou eu conto a verdade?
10:57É, Alice.
11:02Pensei muito.
11:04Não sei.
11:08O fato de ter comprado essa gente toda para um homem tão rico,
11:12eu não acho que seja realmente uma prova de que ele está querendo prejudicar alguém.
11:15Você não acha?
11:16Não.
11:19Talvez ele queira só não se chatear.
11:23Eu...
11:24Eu confio no Marina Buim.
11:28Ih, já vi que você resolveu mesmo livrar a cara do homem, né, Alice?
11:32Mas espera aí.
11:33Ir para a delegacia de bicicleta não pega bem, né?
11:36Depois é meio longe, sabia?
11:41Pirou.
11:42É, resolvi depor a favor desse safado, sim.
11:45Mas antes eu tenho que fazer uma coisa que está entalada aqui.
11:47Você acha que o pai do Ronaldo empresta o carro para ele?
11:49Para uma emergência?
12:03Ai, menina, eu chamei você aqui não foi para ficar escutando uma história de miséria, não.
12:08Eu detesto miséria.
12:10Eu chamei você aqui porque a Zila arrumou um trabalho lá no colégio, lá na cantina.
12:17Você não estava precisando, Guinha?
12:19É, ó, a irmã do Código não ficou porque não tinha primeiro grau completo, hein?
12:23Você tem primeiro grau, não tem?
12:24Mas agora eu não estou com cabeça para procurar emprego.
12:27Alô?
12:28Uma garota?
12:30Bicicleta?
12:31Doutor Raul saiu.
12:33Tinha que prestar depoimento à delegacia.
12:35Foi testemunha do acidente de carro.
12:37Não tem problema.
12:38Me faz o favor de entregar essa bicicleta para ele.
12:41Meu nome é Alice Proença.
12:42Diz que eu agradeço, mas não tenho motivo nenhum para aceitar presente.
12:49Ei!
12:50Ei!
12:51Pelaí!
12:53O Aderbal, meu marido, ele falou com o doutor Raul, ele explicou tudo, mas o homem convenceu
12:59ele, prometeu que ele não ia preso.
13:01Aderbal é um banana, ele não sabia que a coisa era tão séria.
13:05Ele mentiu quando entrou na firma.
13:07Estava precisando muito de emprego, a gente tem família para sustentar.
13:11Aderbal, quando era moleque na Santa Catarina, ele se meteu num assalto, cumpriu pena um
13:15ano e meio.
13:16Foi só essa vez.
13:17Ele nunca mais se meteu em clínica.
13:19Mas, quer dizer, ficha limpa ele não tem mais.
13:21Os homens vão descobrir.
13:23Se for condenado, não tem perdão.
13:25É prisão na certa e a pena ainda vai ser maior.
13:28Isso destruía a vida dele.
13:30Ele não podia nunca aceitar assumir culpa no lugar desse homem.
13:33Ele já cumpriu pena.
13:35O doutor Raul está garantindo que ele não vai preso oferecer um monte de grana para
13:39a gente.
13:39Mas como é que ele pode garantir?
13:41Se eu estivesse com essa bola toda, ia precisar de mentira de uma garota à tua idade.
13:46Olha, o Aderbal se regenerou.
13:50Está levando uma vida decente.
13:51A gente tem dois filhos.
13:53Se for para a cadeia, mesmo por pouco tempo, ele vai conviver com quem?
13:57Você não tem ideia do que é uma penitenciária?
14:00Não tem volta.
14:02Vai recair de uma vez no mundo do crime.
14:06Aderbal não merece isso, não.
14:08E eu não mereço isso.
14:10É Aderbal Fajardo Mesquita.
14:14Seu motorista habitual?
14:16Não, não.
14:18Na verdade, ele é contrarado da empresa como segurança.
14:22Mas eu havia tido um problema com o meu motorista.
14:25E era o Aderbal quem estava dirigindo no momento do acidente.
14:28Perfeitamente habilitado, evidente.
14:31E eu jamais permitiria que uma pessoa dirigisse o meu carro
14:34se ela não tivesse com a documentação toda em ordem.
14:36Fecha o pé, Aderbal.
14:44Alice?
14:46Como é que vai?
14:47Murilo Vilela.
14:49Sou o sobrinho do Raul Pelegrin.
14:51Entendeu?
14:53Olha, meu tio está depondo agora.
14:55Acho que a próxima testemunha vai ser você.
14:58Meu tio está super constrangido de estar dando tanto trabalho
15:02para uma garota da sua idade.
15:04Mas a vida é assim, né?
15:07Olha, a gente está muito contente de você estar resolvendo nos ajudar.
15:13Eu?
15:16Dona Alice Proença.
15:32Nem me cumprimentou, garota.
15:35Lá vim, tio.
15:37Timidez com o delegado chamando e tudo.
15:40Pois é, mas devia ter me cumprimentado.
15:42Agradeço das flores.
15:46Olha, eu amarei mais que flores.
15:51Como assim?
15:53No banco de trás, você quer dizer?
15:55É, só se agora inventaram algum carro que a pessoa possa dirigir no banco de trás.
16:00Isso é muito importante, Alice.
16:03Quem estava ao volante do carro?
16:05O Raul Pelegrini.
16:07Sozinho.
16:09Essa mulher que estava com as crianças também viu.
16:11Chamada Elina.
16:11A gente conversou um pouco.
16:13Ele vinha dirigindo feito um louco.
16:15Atrás é que vinha um outro carro com as seguranças dele.
16:17Ele não viu que o motorista do passado tinha enfriado um pouco
16:19para dar passagem para aquele senhor e ó...
16:21Pau!
16:22Vem em cima.
16:28Você tem certeza?
16:30Sim.
16:31Infelizmente.
16:33Eu não acredito.
16:35Como é que uma infeliz de uma garota de 17 anos
16:38ia ter a ousadia de vir aqui?
16:54Tchau!
16:55Tchau!
17:26Legenda por Sônia Ruberti