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O C-Dance 2.0 da ByteDance cria cenas cinematográficas completas a partir de prompts de texto. A Disney investiu US$ 1 bi na OpenAI, e sindicatos de Hollywood renegociam contratos com IA no centro da mesa.

Álvaro Machado Dias, neurocientista e especialista em IA, explica como a inteligência artificial está mudando toda a cadeia do cinema: do roteiro à pós-produção, e o impacto sobre atores, blockbusters e cinema autoral.

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Transcrição
00:00E o Cidance 2.0, da ByteDance, produz cenas cinematográficas com áudio sincronizado a partir de comandos de texto.
00:09A Disney investiu 1 bilhão de dólares na Open AI.
00:13E os sindicatos de Hollywood estão renegociando contratos com a inteligência artificial no centro da mesa.
00:19Para falar sobre tudo isso, eu vou chamar para a conversa agora Álvaro Machado Dias,
00:23neurocientista, especialista em inteligência artificial e um dos notáveis do nosso canal.
00:28Tudo bem por aí, Álvaro? Boa tarde, bem-vindo.
00:32Tudo ótimo, Nath.
00:34Estou curiosa para ouvir o que você vai trazer para essa discussão.
00:39Mencionei aqui ferramentas como o Cidance, tem também o Kling, que já geram cenas com diálogo, com efeitos sonoros, controle
00:46de câmera.
00:47E tudo isso a partir de prompts que a gente vai lá e escreve.
00:51Isso é uma revolução na pós-produção ou é algo que ameaça uma produção, uma cadeia inteira do roteiro ao
00:57corte final?
00:59Olha, para a gente entender isso, vale a pena compreender como o cinema é feito.
01:03Ele tem uma primeira etapa que é a de desenvolvimento, ou seja, alguém surge com algum argumento, uma ideia boa,
01:10e essa ideia é desenvolvida a uma pesquisa autoral, a uma pesquisa para ver se, do ponto de vista de
01:17direitos autorais,
01:18aquilo é viável, há todo um processo narrativo que vai gerar a primeira percepção de se o filme tem um
01:26ok.
01:26Depois existe a fase de pré-produção.
01:29Ali o roteiro é desenvolvido, o casting, o elenco é definido,
01:35e todas essas coisas iniciais como orçamento, planejamento de locações acontecem.
01:41Aí depois você tem a produção, que é efetivamente ir lá e filmar o filme.
01:45E finalmente a pós, que é esse momento em que o filme foi feito em excesso,
01:50vários takes da mesma cena, etc.
01:52Isso tudo é montado, efeitos especiais são colocados, efeitos sonores e assim por diante.
01:57Tradicionalmente, a IA entra na pós-produção.
02:00Por quê? A IA fundamentalmente tinha como papel gerar efeitos especiais.
02:05Efeitos especiais na prática significa você inserir alguma coisa no filme que originalmente não estava lá.
02:11Só que, hoje em dia, a gente vê que a cadeia inteira está sendo perpassada pela IA,
02:17e é isso que está realmente mudando a lógica do cinema em termos globais,
02:23não só em Hollywood, mas enfim, em todos os lugares onde você tem uma produtora de cinema.
02:27Então, fazer o casting, conceber o argumento, checar as licenças,
02:31tudo isso está acontecendo com o uso de IA e o custo está se reduzindo
02:35e a velocidade de produção está aumentando muito.
02:37Então, está aí, eu acho que é a visão atual que a gente tem que, enfim, endossar,
02:41que é um processo muito maior do que simplesmente ver IA como elemento para a produção de efeitos especiais.
02:48É, o Álvaro, você sabe que esse fim de semana eu sentei para assistir com os meus filhos
02:52usar o ET original lá de 1982, se eu não me engano, né?
02:56E fiquei pensando como explicar o valor daquilo, né, para a geração atual
03:00e em tempos de inteligência artificial fazendo tudo isso que a gente está vendo e te ouvindo falar.
03:06E aí, no meio disso, Álvaro, a Disney processou a Mid Journey por uso de propriedade intelectual
03:12e, ao mesmo tempo, foi lá e investiu um bilhão de dólares na OpenAI
03:16para colocar seus personagens no Sora, aquele modelo de inteligência artificial generativa da OpenAI.
03:22Os estúdios estão tentando controlar o inevitável ou já aceitaram que o modelo mudou
03:27e aí partiram para a negociação dos termos aí da rendição?
03:33É, então, boa pergunta.
03:35Eu acho que os estúdios já estão na fase de uma espécie de rendição negociada, tá?
03:41Então, o que a Disney fez na prática é reconhecer que perdeu a batalha do controle, né,
03:46e migrou para a batalha da tentativa de captura de valor, né?
03:50Deixa eu participar disso daqui para não me tornar irrelevante nessa indústria.
03:54Então, processar a Mid Journey, também o Google, como foi feito, faz parte desse argumento.
04:00Agora, olha que interessante.
04:02A OpenAI havia, originalmente, treinado modelos usando personagens,
04:08enfim, informações, pelo menos é o que se diz e há várias evidências, da Disney.
04:13E agora ela é, enfim, acaba do outro lado da equação,
04:19não mais como a empresa que está tensionando o estúdio do imaginário infanto-juvenil e também adulto,
04:26mas sim o parceiro, né?
04:28A empresa que é investida por ela.
04:30Por quê?
04:30Porque o equilíbrio de poder mudou e, hoje em dia, Hollywood está entendendo
04:37que a inteligência artificial vai ser o grande motor da produção audiovisual,
04:42ainda que não toda ela, tá?
04:44Mas os grandes blockbusters, cada vez mais, vão buscar, assim, velocidade
04:49e os efeitos especiais e narrativos que a IA pode trazer, enfim,
04:55que, no final das contas, estão na mão dos LLMs e não dos produtores tradicionais.
05:00É, o Álvaro.
05:01E os sindicatos estão propondo a tal da Chili Tax,
05:05que é um royalty sobre atores sintéticos, né?
05:07Ajuda a gente a entender melhor esse ponto, por favor.
05:09É o seguinte, nos Estados Unidos, em outras partes do mundo,
05:14os atores são sindicalizados e aí existe uma discussão sobre a possibilidade
05:21de você pagar atores para que eles tenham suas imagens licenciadas,
05:26para que os animem em novos filmes, continuações de séries,
05:31ou, por exemplo, pensa num ator que, enfim, ele está envelhecendo.
05:37Por exemplo, pensa num Harry Potter e você quer capturar aquela faixa etária
05:41em que está aquele ator para fazer uma continuação,
05:44um número indefinido de continuações do filme, né?
05:47Enfim, dois, o três, o quatro e assim por diante.
05:51Então, tudo isso está sendo objeto de negociação.
05:54E o que vem acontecendo, que é muito marcante,
05:57é que nessa indústria nem todo mundo tem um sindicato forte como esse,
06:02dos atores.
06:04Então, os atores estão nessa negociação,
06:05mas o pessoal que trabalha com pós-produção, com efeitos,
06:10enfim, com áudio, montagem, tudo isso, não faz parte do pacote.
06:14Então, é engraçado que, ou não sei se bem engraçado para muitas pessoas
06:18ser atrás e para a indústria é positivo,
06:21que a transição é uma em que alguns direitos,
06:26vamos dizer assim, de propriedade intelectual, de saber e de fazer,
06:30permanecem enquanto outros não.
06:32e nominalmente os atores estão bem menos desassistidos do que a intuição diria
06:37alguns anos atrás, enquanto o pessoal que está na cadeia da pós-produção
06:41e mesmo da captação está muito mais desassistido.
06:45Então, a questão de organização, né?
06:47De se unir mesmo para se fortalecer.
06:49E você mencionou, né?
06:51A questão de filmes que operam nessa lógica de franquia, né?
06:56Industrial mesmo.
06:57E aí, parece que a IA encaixa um pouco melhor, incomoda menos, né, Álvaro?
07:02Agora, aquele outro cinema, cinema autoral,
07:06que vive de uma assinatura pessoal e de decisões que só fazem sentido
07:09porque foram tomadas por um ser humano,
07:12aí a história é diferente, né?
07:14Você acha que a IA vai acelerar e tornar mais evidente a separação
07:19entre esses dois mundos, esses dois tipos de cinema?
07:23Eu acho completamente, para mim,
07:25aqui a gente chegou no ponto mais alto da minha participação de hoje
07:30porque é exatamente essa a tese, tá?
07:32Eu acredito que a leitura que a gente tem que ter do momento
07:36é que está havendo uma bifurcação e que ela vai ser permanente.
07:40O cinema de franquias do tipo Marvel, Star Wars, blockbusters em geral,
07:46eles vão cada vez mais ser dominados pela estética
07:48e pela metodologia da inteligência artificial.
07:52Enquanto o cinema autoral vai se tornar cada vez mais um produto artesanal
07:56baseado na intenção.
07:58Ou seja, precisa ser muito claro que o diretor e produtores e atores e tudo mais
08:04tinham uma intenção, uma tese cinematográfica muito bem definida
08:08em cada coisa que faz parte do filme.
08:10Vou dar um exemplo, tá?
08:11O Kubrick, eu gosto muito do Stanley Kubrick.
08:14E você já assistiu O Iluminado?
08:16Sim, um clássico, um dos meus favoritos.
08:20Os meus também.
08:21Então, existem cenas no Iluminado que foram feitas mais de 70 vezes, tá?
08:27Então, por exemplo, aquela cena clássica do menininho no Velotron,
08:32é na bicicletinha, ela foi feita mais de 70 vezes.
08:34É uma das várias cenas que foram refilmadas à exaustão.
08:38A lógica de você refilmar à exaustão não é simplesmente de conseguir a cena perfeita.
08:43Porque o perfeito é relativo.
08:45É de você conseguir traduzir a intenção do diretor da melhor maneira possível.
08:50É disso que eu estou falando.
08:51Filmes autorais vão se tornar mais autorais e mais, vamos dizer assim, cultuados,
08:57porque a inteligência artificial não tem intenção.
08:59Enquanto do outro lado, blockbusters vão começar cada vez mais a buscar a aplicação da última tecnologia,
09:08que é, por exemplo, o que a gente vê em Avatar, na última versão de Avatar,
09:12que custou uma fortuna e traz, de fato, efeitos que são inovadores.
09:17Então, eu acho que essa vai ser a discotomia do cinema nessa segunda metade de década,
09:22de terceira década do século XXI.
09:25Álvaro Machado, dia sempre muito bom te ouvir.
09:28Você que vem sempre para organizar a gente com os pensamentos,
09:32aquilo que a gente nem sabia que precisava organizar hoje,
09:34sobre essa perspectiva para o cinema com a inteligência artificial.
09:38Muito obrigada.
09:39Até a próxima.
09:40Boa tarde para você.
09:42Eu que agradeço.
09:43E até semana que vem presencialmente aí no Brasil.
09:45Ah, combinado. Maravilha. Tchau, tchau.
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