00:00A gente fala agora de um dos setores das exportações brasileiras
00:03beneficiados pela decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos.
00:08Estou falando dos pescados.
00:10A tarifa global anunciada por Donald Trump no sábado passado
00:14e depois outro no domingo, né?
00:16É bem inferior aos 50% que estavam sendo cobrados
00:20antes da deliberação da justiça americana.
00:23E é sobre isso que eu vou conversar agora com Francisco Medeiros,
00:26que é presidente da Associação Brasileira da Piscicultura, Peixe BR,
00:30Bom dia, Francisco. Tudo bem?
00:31Muito obrigada por participar aqui ao vivo do Real Time.
00:35Bom dia para você e para todos os que estão aqui nos acompanhando nessa manhã.
00:40E aí, Francisco, como é que vocês receberam todas essas mudanças recentes, né?
00:46A decisão da Suprema Corte, depois uma tarifa, depois outra de Donald Trump,
00:50aparentemente a de 10% valendo, né?
00:53É uma boa notícia para o setor, né?
00:56É uma excelente notícia, né?
00:58Nós havíamos feito um investimento muito grande no mercado americano,
01:02a gente saiu de uma posição de quarto maior exportador
01:06e já estávamos com a expectativa de 2025 se tornar o segundo maior exportador
01:12de tilapia especificamente, que é o produto que a gente pescar,
01:16que a gente mais exporta para os Estados Unidos.
01:18E o Tarifácio acabou, como dizer assim, cortando esses sonhos e implementando ao setor um custo maior, né?
01:26Porque depois de vários anos conquistando o mercado,
01:30gerando confiança junto aos parceiros dos Estados Unidos,
01:33não podia abandonar de um dia para o outro.
01:35E isso, grande parte desses custos foram absorvidos pelas empresas.
01:40Agora, com essa tarifa global, a gente volta para o jogo,
01:43porque os nossos principais concorrentes terão a mesma tarifa.
01:48E quando se trata principalmente do filé de tilápia fresco,
01:53nós não temos concorrente em termos de qualidade do produto no mercado americano.
01:58Então, uma oportunidade muito grande,
02:01num momento extremamente importante, né?
02:03Estamos começando a quaresma aqui no Brasil,
02:05que também tem um aumento significativo na comercialização.
02:10Ou seja, como fala no Brasil, que tudo acontece depois do carnaval.
02:15No caso do mercado americano, não foi diferente.
02:19É, Francisco, eu estava vendo aqui, né?
02:22Enquanto as tarifas mais altas estavam valendo,
02:25em 50%, né?
02:2750% era essa tarifa.
02:30O setor perdeu o contrato, cortou, né?
02:32Produção, isso mexeu com empregos.
02:34O que você tem de dados para compartilhar com a gente dos impactos até aqui?
02:39A gente tem duas realidades distintas.
02:41Nós temos a realidade dos produtos da pesca
02:44e dos produtos da piscicultura.
02:46Dos produtos da pesca, o impacto foi muito mais importante,
02:50foi muito significativo.
02:51Já com relação à piscicultura,
02:54onde a tilata responde a mais de 90% das exportações,
02:59o que ocorreu, primeiro,
03:01foi um redirecionamento de produtos para outros países
03:03e, principalmente, uma implementação dos produtos para o mercado interno.
03:08Ou seja, tanto é que no último trimestre de 2025
03:11e no meio de janeiro e fevereiro,
03:14a gente teve uma recuperação de preços pago ao produtor.
03:17Mas isso também é um custo alto,
03:19porque as empresas foram para o mercado,
03:21trabalhando com os parceiros locais para colocar mais produtos
03:25e significa, às vezes, até reduzir preços,
03:28significa fazer promoções, condições de pagamento.
03:30Ou seja, o setor articulou para fazer a comercialização dos estoques
03:35que nós tínhamos em água.
03:37E agora está ocorrendo esse processo de recuperação de preços.
03:41Haja vista que, em 2024,
03:42a gente tinha bons preços para o produtor
03:44e também lá no ponto de venda,
03:47ou seja, no food e para os distribuidores.
03:51Então, é um trabalho de recuperação.
03:54Com a retomada do mercado americano,
03:57as empresas redirecionam novamente.
04:00Então, a tendência imediata é um alívio da pressão de venda
04:03dentro do mercado interno.
04:05E aí, como se diz assim,
04:09um esforço novamente junto ao mercado americano.
04:12Lembrando que já no próximo mês de março,
04:14de 15 a 18, a gente tem o Seafood Norte América,
04:18que é a maior feira das Américas de comercialização de pescado.
04:21Lá nos Estados Unidos, as empresas estavam indo,
04:25mas assim, indo para cumprir tabela,
04:27para conversar com os parceiros,
04:28falar das dificuldades.
04:30Agora não.
04:31Então, efetivamente, as empresas estão indo para fechar negócio,
04:36para retomar os pontos de vendas
04:38e, principalmente, os volumes de vendas
04:41que estávamos fazendo já no primeiro semestre de 2025
04:46e que agora a gente tem condições de retomar
04:49num ambiente totalmente diferente,
04:52porque é uma concorrência mais leal,
04:56onde todos têm a mesma taxa
04:59e aí vai depender da competitividade de cada país,
05:03especificamente nessa área.
05:05Hoje, a gente está bastante competitivo.
05:07É, exatamente.
05:08Diminuiu ali uma simetria com a Colômbia, por exemplo,
05:11que passou a ser um concorrente
05:13para a exportação de tilápia, Francisco?
05:16Exatamente.
05:17A gente estava já chegando próximo da Colômbia.
05:20Tínhamos uma programação do final de 2025
05:23igualar ou ultrapassar a Colômbia.
05:25Eles retomaram o mercado com muita força,
05:27porque a gente perdeu competitividade,
05:29mas agora a gente, vamos dizer assim,
05:31voltamos para o jogo.
05:34Muito bom.
05:35Ô, Francisco, e aí você comentou, né,
05:37dos empresários que estão indo para esse grande evento
05:40nos Estados Unidos,
05:41antes iam lá para trocar uma ideia, né,
05:43para contar das dificuldades,
05:45agora estão indo para fechar negócios.
05:46Agora tem o lance do prazo, né,
05:49porque essa taxa global de importação,
05:53que era de 15,
05:54aparentemente está em 10% agora,
05:57duraria apenas 150 dias.
06:00Quais que são os prazos desse mercado?
06:02Então, normalmente, os contratos duram quanto?
06:06O transporte do produto daqui do Brasil até lá
06:09leva quanto tempo?
06:11O que representa esses 150 dias?
06:13E a incerteza que vem depois,
06:15porque ninguém sabe o que vai acontecer, né?
06:17Bom, primeiro, para o nosso setor,
06:19especificamente de filé de tilápia fresco
06:22para o mercado americano,
06:24nós conseguimos aprovar 48 horas depois,
06:27porque do momento que eu tiro o peixe da água,
06:30em 48 horas o filé desembarca nos Estados Unidos,
06:34uma logística que nós conseguimos fazer
06:36e por isso que melhorou nossa competitividade.
06:40Que seja bom enquanto dure.
06:42Então, nós vamos aproveitar os 150 dias,
06:46na maior intensidade possível,
06:48sem perder nem um dia,
06:50porque nós temos condições para fazer exatamente
06:53o que a regra do mercado está estabelecendo.
06:56E aguardar que após esse período,
06:59tenhamos, seja mantido, né?
07:01Uma tarifa global e a gente continue.
07:04Mas vamos aproveitar os 150 dias,
07:08integralmente, em função da logística
07:11e do produto que a gente entrega no mercado americano.
07:14É, em 150 dias dá para exportar e vender muito peixe, né, Francisco?
07:18Agora, conta para a gente um pouco mais, então,
07:21das projeções de vocês, né,
07:23com essa mudança de exportação e de vendas
07:27para o mercado americano.
07:28Qual que é a expectativa para 2026?
07:30Bom, primeiro, a gente...
07:32Vamos falar do primeiro semestre de 2025,
07:36quando a gente tinha um planejamento de...
07:38As empresas estavam com um planejamento
07:40de aumento expressivo nas exportações
07:42e, conforme eu falei aqui,
07:44chegávamos no final de ano
07:46como o maior exportador de filé fresco,
07:48porque não havia a mínima ideia
07:50de que iria ocorrer um tarifácio, né?
07:53E aconteceu e tivemos as quebras
07:56que a gente já observa.
07:57Nesse momento agora, de 2026,
08:00nós sabemos que pode ocorrer mudanças, né?
08:02Então, as empresas já fazem um planejamento
08:05mais estruturado,
08:06onde se vai para o mercado externo,
08:09mas, principalmente,
08:10mantendo os pontos de venda
08:11aqui dentro do mercado interno.
08:13Porque qualquer mudança que ocorra,
08:15a gente já tem como fazer
08:16o redirecionamento de produtos.
08:17Mas uma coisa é certa.
08:20Nós temos que, como dizia assim,
08:22ir para o mercado americano,
08:23inclusive fazendo recomposição de preços,
08:25porque, em função do tarifácio,
08:28houve uma redução também do nosso preço
08:31para continuar vendendo no mercado americano.
08:34Isso tem...
08:35Agora é hora de recuperar.
08:38Eu não vejo maiores dificuldades.
08:41Pelo contrário,
08:42isso é uma oportunidade muito grande,
08:44porque aquela pressão que estava tendo
08:47no mercado interno,
08:48ela é aliviada imediatamente.
08:50E se ocorrer novamente uma tarifa
08:52que impossibilita,
08:53a gente já tem os canais
08:55que nós identificamos anteriormente,
08:57volta para esses canais,
08:59em um período muito curto,
09:00faz o seu ajuste.
09:02Ou seja, resumindo para 2026,
09:05vamos imaginar um cenário de cinco meses.
09:08A gente vai exportar muito
09:09para o mercado americano nesse período.
09:12E será positivo,
09:13mesmo que depois disso aí
09:15ocorra qualquer outro tipo de problema.
09:17Mas nós estamos confiantes
09:19de que não teremos,
09:20vamos dizer assim,
09:21tarifas muito diferenciadas,
09:24apesar de que acabamos de ver
09:26a reportagem aí,
09:28o Brasil agora que gerou tarifas
09:30com uma série de produtos
09:31dos Estados Unidos.
09:32A gente não sabe como
09:33que o mercado americano
09:34vai se comportar também.
09:35Vamos aproveitar os 150 dias
09:37da melhor forma possível.
09:39É, exatamente.
09:40Que bom, então,
09:41poder falar contigo
09:42no momento em que a turma
09:43está refazendo os cálculos
09:45e aumentando as margens.
09:47Quero agradecer
09:47o Francisco Medeiros,
09:48presidente da Associação Brasileira
09:50da Piscicultura, Peixe BR,
09:52pela participação ao vivo
09:53aqui no Real Time.
09:54Ótimo dia para você.
09:55Até a próxima.
09:56Muito obrigado.
09:57Eu que agradeço.
09:58Obrigado.
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