00:00A gente vai voltar a falar sobre a nova taxa global de Donald Trump, que acabou entrando em vigor com
00:0510% hoje, sobre as importações feitas pelos Estados Unidos.
00:10Eu vou conversar com o Eder da Silva, ele é gerente de economia e comércio exterior da Bikin, que é
00:16a Associação Brasileira da Indústria Química.
00:18Eder, boa noite pra você, obrigada por ter aceitado o nosso convite.
00:22Bom, Eder, a Suprema Corte americana derrubou o tarifácio na semana passada e o Trump se apressou em anunciar os
00:2910% pra todos os países do mundo.
00:31Mas subiu pra 15% no sábado. Mas agora o que tá valendo são os 10% iniciais.
00:37Minha pergunta é a seguinte, como é que fica a cabeça do exportador num cenário como esse?
00:44Boa noite, muito obrigado pelo convite. É um prazer falar com você e com todos os telespectadores aqui do Jornal
00:50Times Brasil.
00:52Antes de mais nada, nós, a Bikin, avaliamos a retomada das alíquotas com a decisão da Suprema Corte dos Estados
01:01Unidos
01:02como um alívio imediato sobre parcela bastante significativa das exportações brasileiras de produtos químicos.
01:10Só os Estados Unidos representam praticamente 15% de tudo que o país exporta em produtos químicos e uso industrial
01:17para todos os mercados adquirentes de produtos fabricados no país.
01:23Então, naturalmente, que a decisão da Suprema Corte da semana passada em restabelecer as alíquotas,
01:30as tarifas regulares de importação, trazem mais previsibilidade,
01:34trazem condições mais estruturantes e um comércio mais previsível no curto e no médio prazo.
01:42Em que pese, como você mesmo antecipou, eventuais contramedidas tomadas pela Casa Branca,
01:49buscando recompor em partes os efeitos da medida derrubada pela Suprema Corte na semana passada.
01:57Importante salientar que esses 10%, 15%, o valor que eles venham a ter efetivamente em aplicação,
02:04não se aplicam exclusivamente a produtos químicos e nem especificamente ao Brasil,
02:09mas sim a todos os produtos que são importados pelos Estados Unidos,
02:16vindos de todos os mercados que fornecem produtos para eles.
02:20Em quanto estavam as tarifas sobre os produtos do setor até agora em média em Éder?
02:29Eu diria quase tarifas, Cristina.
02:31Eu diria praticamente eram muralhas tarifárias contra produtos químicos brasileiros.
02:37A alíquota média oscilava até a semana passada, bom, até hoje.
02:44Até hoje, né?
02:45Até hoje.
02:46Chegaram a praticamente 56,5% para o acesso ao mercado americano cross-sector,
02:55é dizer, de produtos intermediários para fibras sintéticas, a resinas termoplásticas,
03:00passando por todos os segmentos exportadores em produtos químicos industriais dos Estados Unidos.
03:07Então, a retirada desse gravame, dessa tarifa de 40%, mais os 10% do Liberation Day,
03:14assim intitulado pela Casa Branca em idos de abril do ano passado,
03:18representam um grande alívio para a produção doméstica brasileira de produtos químicos
03:24que acessam o mercado americano, em alguns casos,
03:27inclusive com produtos não fabricados em território norte-americano,
03:33fabricados aqui no Brasil, usando o mesmo padrão de tecnologia,
03:37o mesmo nível de sustentabilidade,
03:41que é verificado nas principais plantas, fabrias, químicas em todo o mundo.
03:47Inclusive, no caso de alguns produtos, usando base sustentável, renovável,
03:53de fabricação para acessar o mercado americano.
03:57O setor químico brasileiro exporta mais de 15 bilhões de dólares.
04:02Quanto desse total era afetado pelo tarifaço?
04:05E essa nova tarifa global, ela equilibra o jogo,
04:08uma vez que você muito bem trouxe aqui.
04:11É a mesma para todos os países?
04:14No primeiro momento, Cristiane, a alíquota, por ser horizontal,
04:19para todos os mercados e para todos os produtos,
04:22favorece a produção interna norte-americana.
04:25No setor químico, nós temos laços históricos de fabricação
04:29com investimentos bilaterais dos dois países
04:33em aproveitar as vantagens comparativas,
04:37em utilizar as suas capacidades instaladas,
04:41inclusive para transferência de tecnologia,
04:45para ampliação de performance de matriz produtiva.
04:49Enfim, é uma relação de investimentos e de comércio
04:53de longo prazo e extremamente favorável aos Estados Unidos,
04:58sabendo que, em média, o lado americano tem uma vantagem comercial
05:03na balança de produtos químicos da ordem de 8 bilhões de dólares ano.
05:08Então, seguramente, nós estamos falando do acesso do produto das exportações brasileiras
05:17aos Estados Unidos, que, como você mesma disse,
05:20para todos os destinos, o setor exporta alguma coisa em torno de 15 bilhões de dólares ano.
05:27Estados Unidos, especificamente, quase 15% desses 15 bilhões,
05:31então, arredondando 2 bilhões de dólares ano.
05:34E, em 2025, nós sentimos um recuo de praticamente 15% também
05:40no valor total exportado, por conta de margens muito deprimidas,
05:46por conta, então, do recuo de preços que muitos fabricantes brasileiros
05:49de produtos químicos tiveram que praticar nas suas vendas
05:52a clientes norte-americanos,
05:53para manter o seu mercado,
05:56aguardando uma resolução da discussão tarifária,
05:59que, em um primeiro momento, teve uma atuação muito importante
06:02do Ministério da Indústria e Comércio,
06:04capitaneados pelo ministro Alckmin,
06:07por todos os da Secretaria de Comércio Exterior, da CAMEX,
06:09que, em seu momento, no ano passado,
06:12já havia resultado na exclusão de uma parcela importante
06:15de produtos químicos da vigência de tarifácio,
06:19e que, mais recentemente, com a decisão da Suprema Corte da semana passada,
06:24retiram para todo o universo exportado
06:26de produtos químicos brasileiros nos Estados Unidos.
06:29Em termos de logística, e até mesmo de valores,
06:32como é que ficam os contratos
06:34que foram fechados antes do fim do tarifácio?
06:39Na verdade, Cristiano, o importante é a data de chegada
06:43da mercadoria no território norte-americano,
06:46porque é esse o fato gerador do recolhimento,
06:50do cálculo do tributo a ser recolhido.
06:53Então, nós estamos acompanhando com muita atenção,
06:55inclusive, a discussão do ressarcimento
06:59aos importadores norte-americanos dos valores que foram pagos a maior,
07:04sabendo que a decisão da Suprema Corte retroage.
07:09Então, isso coloca em perspectiva também a importância
07:14de se olhar setores estratégicos, como químicos,
07:18outros da indústria de transformação, da base, da cadeia industrial,
07:21saber que são contratos em grande medida de médio e longo prazo,
07:25com fluxos frequentes, com logística dedicada,
07:29muitas vezes, por serem produtos com características de transporte
07:33que demandam certos tipos de equipamento próprios para isso,
07:37e que, então, por isso mesmo, voltamos àquele ponto,
07:41de serem relações maduras de médio e longo prazo,
07:44e que todos se favorecem com a retomada
07:48de um ambiente mais previsível e saudável de negócios
07:51entre o Brasil e os Estados Unidos em produtos químicos.
07:54É, Dê, muito obrigada.
07:55Prazer falar com você.
07:56Até a próxima.
07:58Até a próxima, Cristiane.
07:59Boa noite.
07:59Obrigado novamente pelo convite.
08:01Obrigado.
08:01Obrigado.
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