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  • há 6 minutos

Categoria

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Diversão
Transcrição
00:09Eu acordei hoje bem cedo, como sempre, fiz o café, arrumei a cama, o quarto, a casa
00:19toda. Aí fiz o almoço e comi sozinha. Depois sentei aqui, cochilei um pouco, acordei, mas
00:33não tive coragem de levantar. E fiquei esperando pra gente ter essa conversa. E depois eu vou
00:43pegar o resto do almoço e esquentar pra minha janta. Elisa, eu não vim aqui pra ficar
00:52ouvindo relatório nenhum, viu? Tu agora é uma mulher livre, pode fazer o que bem entender.
00:58E tu, o que tem feito esse tempo todo? Tenho trabalhado na minha loja que agora, graças
01:05a Deus, depois da reforma, vai indo de vento em popa. E tem pensado em mim? Não posso
01:13porque esse tempo todo que eu fiquei aqui, eu não tirei tu nenhum minuto do meu pensamento.
01:19Em tu propriamente não pensei, mas na indignidade que tu me fez. Agora, não quero mais pensar
01:27nisso porque cada vez que eu penso me dá uma dor de estombo danada. Mas, Timóteo...
01:32Elisa, por favor, eu vim aqui porque pensei que tu tinha alguma coisa pra me dizer, agora
01:38tô vendo que não tem é nada. Mas, mas eu tenho sim. Tem? Então digue.
01:45É, é, é, é que tá tudo tão confuso se pelo menos tu me ajudasse.
01:50Não é que tá confuso, dona Elisa, é que tu não sabe como. Tu não tem como se defender
01:58porque tu tá se sentindo culpado e não pode se defender de jeito nenhum.
02:02Agora eu sim, Elisa. Eu posso lhe acusar. Por acaso não é verdade que tu procurou um engenheiro
02:10na casa dona Milu, na feira, na fonte de água mineral? Eu sabia, dona Elisa. Eu fui avisado.
02:18Olha, estão aqui. Estão aqui as cartas. Tinham me mandado, tinham me avisado. Eu fui e vi.
02:26E quem te mandou essas cartas? Estão assinadas. Um amigo.
02:32Mas que belo amigo que tu tem.
02:35Pelo menos não me mentiu descaradamente como tu.
02:38Mas deixa eu explicar, Timóteo...
02:40Escuta aqui, Elisa. Não conte comigo pra mais nada.
02:45Se tu tá se sentindo arrependida, se tu tá com remorsos pelo que tu fez,
02:50Isso é problema teu.
02:53Agora querer que eu lhe adorce os ouvidos já é cinismo demais.
03:01Amar você é bom
03:06Demais
03:07Que mais posso querer
03:12Se tudo você tem
03:16Melhor
03:18Pior
03:21É te perder
03:33Muitos amores
03:36Vem cá, meus encantos
03:42Quer dizer que a gente vai botar aquela nossa vidinha de sempre, né?
03:46Uhum
03:48Vai ficar decepcionada por causa disso?
03:50Ah, meu comandante, será possível que o senhor ainda não me conhece?
03:56Tô preocupada mesmo com essa história dessa fábrica, com essa gente que vai se instalar aqui em Manceco, viu?
04:02Será que a gente vai...
04:06Vai achar que nós estamos procurando antes que eles se abanquem aqui?
04:11Amanhã mesmo eu recomeço minhas buscas.
04:14Ah, depois de todas as novidades que estão acontecendo aqui no Agreste,
04:19Quanto antes eu agir, melhor.
04:25Ô, senhor Osná, por alguma causa o sininho está aí dentro?
04:30Ô, o quê?
04:31No meu quarto?
04:32É que eu já procurei na posada inteira e nem sinal dela.
04:37Ah, então pergunte a moça aí atrás, ó.
04:39Eu acabei de chegar, talvez ela possa lhe responder melhor, viu?
04:43Responder não pode não, porque não é de carne e osso feito eu.
04:46É, pode não ser de carne e osso, mas tem umas pernas lindas, ó.
04:49Hum, bem feitas elas são.
04:53Mas fique o senhor sabendo que as minhas pernas põe as de muita gente no chinelo, ouviu?
05:00É mesmo?
05:01Eu só acredito vendo, viu?
05:03Ah, fiz o senhor Osná, nem pensar.
05:06Ah, então deve ser feia, cascuda, fina, feia perna de barata.
05:11Ah, é, é.
05:13Olha aqui, ó.
05:16O que o senhor acha?
05:17Ui, ui, ui, ui, ui, ui.
05:19Ah, mozinho!
05:21Sineira!
05:23Perfeito, eu preciso saber disso.
05:25Mismaria!
05:26Ô, Sine, amiguinha!
05:29Amiguinha!
05:31Ui, ui, ui, ui.
05:35Tá bom, tá bom, para de chorar, mingar.
05:39Já sei que tu é doida mesmo, o que fazer?
05:42Eu sabia que tu ia entender.
05:44Vambora.
05:47Boa noite, dona amorzinho.
05:48Boa noite, dona Sineira.
05:52Ué, vem entregar algum encomenda?
05:56Não, não, senhora.
05:58Agora tô morando aqui.
05:59Ah, é?
06:00Você e sua mulher se separaram?
06:03Tão bem.
06:05Depois do que ela e o seu amigo andaram fazendo, queria mais o quê?
06:09Olha, pois é, Timóteo, sobre o que aconteceu lá na fonte, quer dizer, sobre o que você viu, nós temos
06:15muito o que conversar depois.
06:17Quanto a sua mulher, eu não sei.
06:18Mas contra o Rosalvo, eu posso te garantir que ele não teve culpa nenhuma, tá?
06:24Duvido e pago pra ver.
06:32Ah, muito obrigado, sim.
06:34Obrigado.
06:36Olha, a Ascânio vinha abrir o jogo sobre esse negócio da fábrica pra gente, né?
06:43Aí, de repente, no meio do caminho, ele desaparece com o homem.
06:48É, artigo 148 do Código Penal, sequestro, né?
06:52Esse tão doutor Mico, que nunca apareceu.
06:55Aí vem aqui perto, se tá com ele, vem em pessoa.
06:58Isso aí deve ser patifaria da grossa.
07:02Coronel, patifaria, eu acho que não, viu?
07:04Deve ser um alto negócio.
07:06O que, às vezes, é a mesma coisa, né?
07:08Isso eu tenho quase certeza.
07:09Aí, se for um alto negócio, vai ser bom pra todo mundo.
07:13Olha, coronel, na minha modesta opinião, acho que Marculin tá de acordo.
07:20O senhor deveria reassumir a prefeitura.
07:24Quem sabe não valeria a pena deixar a intermediação de Ascânio de lado
07:29e o senhor tratar desse assunto em pessoa.
07:33Coronel, essa é também a minha opinião.
07:39Você entendeu agora por que eu passei tanto tempo fugindo do Santana do Agreste?
07:47Aquilo tudo era muito pequeno, muito mesquinho pra mim.
07:53Eu não queria viver toda a minha vida naquela insignificância.
08:01Mas não adiantou nada botar um oceano inteiro entre nós.
08:08Houve um momento em que eu percebi que...
08:12que eu ainda continuava lá.
08:15Que eu fazia parte de tudo aquilo.
08:18Como você.
08:23Então, se eu não posso
08:26arrancar Santana do Agreste de mim
08:30e se eu não gosto da cidade como ela é,
08:35pra mim a única alternativa
08:37é mudá-la.
08:40E eu posso fazer isso com a instalação dessa fábrica lá agora.
08:44abrindo o caminho pro progresso, pra mudanças.
08:48Por que não?
08:51Eu penso da mesma maneira que você.
08:54Mas o que eu não posso aceitar é que em nome do progresso,
08:59Mangue Seco,
09:00o Rio Real,
09:02aquele paraíso todo acaba poluído, morto.
09:05E isso a sua fábrica vai fazer.
09:07Mas não.
09:10Mas, Cânio, existem meios de se controlar a poluição.
09:14Tudo depende dos cuidados que nós vamos tomar.
09:17Mas quem me garante que esses cuidados serão rigorosamente obedecidos?
09:22Eu te garanto, homem.
09:26Eu não tenho o menor interesse
09:28em destruir a cidade que faz parte da minha vida.
09:32Que tá na minha pele.
09:37Eu,
09:39filho do coronel Arthur da Tapitanga,
09:42sou a garantia que vocês têm.
09:45Eu só quero o bem da nossa cidade, Cânio.
09:49Assim como você.
09:52O que você me diz?
09:55Vocês acham que eu posso destituir o Ascânio assim?
09:58Sem mais nem menos, gente.
10:00Coronel, não se trata de destituir ninguém.
10:03O Ascânio pode continuar no cargo lá do secretário da prefeitura.
10:07Só que o prefeito ainda é o senhor.
10:08E se reassumir o cargo,
10:10o senhor vai ficar acima de Ascânio.
10:13Aí vai poder negociar com esse doutor Mirco
10:17pessoalmente em nome da cidade.
10:22E...
10:22trazendo tudo pro nosso lado.
10:29O que é que o senhor acha, coronel?
10:34Acho que eu vou reassumir a prefeitura assim.
10:39Eu sabia, Ascânio,
10:41que um homem evoluído como você
10:45ia acabar me dando razão.
10:48Essa história de malefícios do progresso,
10:52isso é uma coisa muito discutível.
10:55É claro que nós podemos implantar um projeto grandioso como o nosso,
11:01sem destruir,
11:04sem alterar o meio ambiente.
11:07Estou fazendo tudo o Ascânio.
11:09como a melhor das intenções.
11:13Não, é claro.
11:14Eu não tenho nenhuma razão para duvidar das suas intenções.
11:17Eu acho que um assunto dessa ordem,
11:20justamente por ser tão grandioso,
11:22deve ser discutido pela cidade inteira.
11:23A gente não deve omitir nenhum detalhe sobre ele.
11:27mas você vai defender o nosso projeto, não é?
11:33Se você é a favor,
11:36se você acha que ele é viável,
11:38que ele pode trazer benefícios à região,
11:42você pode se tornar o nosso advogado de defesa.
11:45Claro, com o maior prazer.
11:48O que é isso?
11:48Eu acho que...
11:49Esse meu trabalho vai ser até facilitado,
11:52porque eu vou poder usar o seu nome.
11:53Eu vou dizer para a cidade inteira
11:55que o maior interessado nesse projeto é um filho da terra.
11:58Não, Ascânio.
12:01Como não?
12:03Este é o único detalhe que você vai ter que emitir.
12:08Santana do Agreste deve, por enquanto,
12:12ficar sem saber
12:13que o doutor Mirko Stefano
12:16é o filho do coronel.
12:30Vai querer me seguir, vai querer me guiar
12:35Pra bem longe daqui, me levar
12:39Deixa a noite cair, deixa o sol levantar
12:45Deixa o rio correr para o mar
13:12Vem, meu amor
13:14Vem focar no meu corpo sem roscar
13:20Vem me abrô
13:22Vem sem pudor
13:24Vem seus braços me matar
13:26Dieta não foi feita da cristela de Adão
13:30É mulher, diabo, é a própria tentação
13:33Dieta é a serpente que cantava o paraíso
13:37Ela veio ao mundo
13:39Ela veio ao mundo pra virar nosso chinês
13:41Dieta, Dieta
13:42Pelos olhos de Dieta me deixei guiar
13:46Dieta, Dieta
13:48No ventre de Dieta encontrei o meu lugar
13:51Dieta, Dieta
13:53Nos seios de Dieta construí meu ninho
13:57Na boca de Dieta morri como um passarinho
14:00Vem, meu amor
14:02Vem com calor
14:05No meu corpo sem roscar
14:07Vem minha flor
14:10Vem sem pudor
14:12Em seus braços me matar
14:14Dieta do agresso
14:16Lua cheia de tensão
14:18É lua, estrela, nuvem cargada
14:21E paixão
14:22Dieta é fogo ardente
14:23Queimando o coração
14:25Seu amor mata a gente
14:27Mas o sol do meu sertão

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