00:01Ainda é cedo pra falar disso.
00:05Um dia eu falo, agora não.
00:07Um dia quando?
00:09Quando for a hora.
00:11Ilda, eu tô aqui...
00:13Eu prometo que um dia eu lhe conto e você faz a sua reportagem.
00:19Agora vocês vão me dar licença,
00:21porque já são quase cinco horas e eu tô esperando um coronel que vem
00:25lá de Léo só pra me ver.
00:27É um coronel que já fez parte de um livro do Jorge Amado,
00:30o Gabriela Cravo Canella.
00:32Ilda, eu...
00:33É muita pena que vocês estejam com tanta pressa, não é?
00:37Mas vocês voltam, um dia a gente conversa mais.
00:40Eu gostei muito de vocês estarem vindo.
00:42Vamos fazer mais teste de geografia, né?
00:45Até mais, Fê.
00:56O jornal pressionando que era ela entrevista.
00:58Querendo saber o que é que ela tem vindo pra sua goemia.
01:00Mas ela me deu uma vez.
01:01Você viu, Demet?
01:02É, mas tem que ter um motivo, é muito forte.
01:04É, né?
01:05Arreda, arreda.
01:06Tá vendo, não?
01:16O senhor fala com a Folha de Minas?
01:19Vai de noite lá numa tela financial, viu, meu filho?
01:21Vai lá de noite.
01:22Vamos lá, Miranda.
01:24Obrigado.
01:27Pelo menos eu não chego no jornal de mãos vazias.
01:30Essas é que são as irmãs e o Tonico vivendo com as duas, né?
01:34Vamos lá.
01:36Leve o da furacão pra casa.
01:38Isso é que é felicidade, meu amigo.
01:40Já pensou que seus amigos vão dizer?
01:42Tem 12 aí?
01:4312 brasileiros, não tem?
01:44Fica um monte, meu amigo.
01:48Já, Muti.
01:52Você não sabe que é proibido vender foto pornográfica aqui no meio da rua?
01:55O delegado já disse, hein?
01:58Eu não estou no meio da rua.
01:59Eu estou na porta do hotel.
02:01Aliás, eu estou sob o teto do hotel.
02:04Não está vendo?
02:05Se tem mais, a gente recolhe em Jabuti.
02:06Olha aqui, vamos nos ver.
02:08O meio da rua é daqui pra lá, tá certo?
02:12Jabuti, escute nós, Jabuti.
02:13O que é proibido aqui embaixo não é proibido lá em cima.
02:16Pronto.
02:17Jabuti, atenção.
02:19As fotos da Ilta Furacão serão vendidas dentro do hotel.
02:22Quem quiser fotos da Ilta Furacão aqui dentro do hotel.
02:25O que é proibido?
02:26O que é proibido?
02:27Muito bem, porra.
02:28O que é proibido?
02:30O que é proibido?
02:33O que é proibido?
02:33Ventura.
02:34Conseguimos, Ventura.
02:36Finalmente conseguimos recolher as tais fotografias.
02:38Nossa, eu de marinha.
02:40Como é que pode vender uma coisa dessas em plena luz do dia?
02:43Numa rua de comércio?
02:45Portanto, vendendo como água.
02:46E são quatro modelos diferentes.
02:48Quatro?
02:49Eu pensei que eram duas.
02:51Não, eu pensei que eram duas poses.
02:54Então são quatro.
02:57Dorinha, pelo amor de Deus, abaixa isso.
03:00É assim lá em casa também, igualzinho.
03:03Os meninos acham que rock é uma música que tem que tocar alto.
03:06Rock não é música, nem aqui, nem na China.
03:08Rock é isso aí, é barulho.
03:10Estão desvirtuando as coisas, dona Lucianara.
03:12Agora então inventaram essa tal de bossa nova.
03:16O que é bossa nova?
03:18Não é nada, não é nada.
03:19Qualquer um canta aquilo, não precisa ter voz.
03:22Mas sabe que eu vi esse rapaz que apareceu agora?
03:24O João João Beto achei bonito.
03:26Achei diferente.
03:27Acha lá gostou?
03:29Pelo amor de Deus, dona Lucianara.
03:32Manda ele cantar chão de estrelas pra ver se ele canta.
03:35Canta nada, não tem isso aqui.
03:38Cantor é outra coisa.
03:39Cantor é o Nelson Moçal, o Silvio Caldas.
03:42Um Calbi Peixoto, esse pessoal da bossa nova.
03:45Vou lhe dizer uma coisa.
03:47Mandou um ano mais, ninguém se lembra deles.
03:51Dorinha, pelo amor de Deus, dá licença, dona Lucianara.
03:54Dorinha, minha filha, se assim não é possível.
03:58Oh, meu Deus.
03:59Consegui espalhar.
04:00Olha, descarada.
04:02Olha só, vê se pode.
04:04Mas cuidado.
04:06Aventura não pode nem sonhar, não pode ver.
04:08Não saiu, nunca me enganou.
04:11Sempre dizendo que é uma pérola, um poço de virtude.
04:15Mas tinha uma coisa na hora que não me convencia.
04:21Ai, que horror.
04:23Por favor.
04:26Alfredo, você vai comprar todas as que saírem pra mim.
04:28Deixa eu ver.
04:31Ela tá se achando de animécio, né?
04:34Isso pode ser.
04:35Agora, eu não entendo, viu, B?
04:37O que tem que esses homens vêm tanto nela?
04:40Ela é grande.
04:42Porque cintura.
04:43Eu tenho muito mais que ela.
04:45E pernas, que são pernas.
04:47Eu não troco as minhas pelas delas se você quer saber.
04:49A gente tem que reconhecer que ela era bonita, Dorinha.
04:55Já vou, avô.
04:56Só um minutinho.
05:03Escuta, o Roberto vem aqui hoje?
05:04Não, ele tem um compromisso agora à tarde.
05:07Deve ser essa reportagem da cidade das camélias.
05:09Agora ele só anda em função disso.
05:11Não sai mais da zona boêmia?
05:13Será que ele pegou o mal de Hilda?
05:15Por quê?
05:17Te contaram alguma coisa?
05:20Perguntei pra perguntar.
05:21Tá pegando todo mundo, né?
05:53Eu tenho uma missão pra você, em Patos de Minas.
05:56Vai estourar uma greve.
05:59Vai ter o dinheiro da passagem e da estadia.
06:02A noite você volta e pega as instruções.
06:21A noite você volta e pega as instruções.
06:38Por que que eu não sei o que fazer?
06:42Por que que eu não consigo te escutar?
07:25A boca do jacaré vai te engolir, rapaz.
07:29Manda colar isso.
07:30O que que foi?
07:31Tá duro?
07:31Aquele grana lá do jornal.
07:33Que grana, Anamel?
07:34Eu recebi ele ainda não.
07:35Só que não foi efetivado.
07:36Sou foca.
07:37Vida de foca não tem moleza, não.
07:38Hoje a noite tem uma festinha da pesada.
07:40Topas?
07:41Não, obrigado, Anamel.
07:43Vou entrevistar o Tonico Mendes.
07:44Tô aqui bolando as perguntas.
07:46Por que fazer uma entrevista com ele que ninguém nunca fez?
07:48Pra fazer o pessoal do jornal olhar pra mim e me valorizar.
07:50Já pensou se eu faço o Tonico Mendes confessar que tem interesse naqueles imóveis da Zona
07:53Boêmia?
07:54Não pensa nada, Roberto.
07:55O tipo é malandro.
07:57Escorrega.
07:57Você direto.
07:58Vou perguntar na bucha.
08:01Você tem uma gana no Tonico Mendes, né?
08:04Tenho, senhor Anamel.
08:06País miserável como esse e o sujeito nessa ostentação.
08:08Mas ele pode, Roberto.
08:10Bom pra ele.
08:11Quem dera eu andar naqueles carrões rabo de peixe.
08:13Com aquelas mulheres em volta.
08:15Passear pela cidade de avião a hora que quiser.
08:16Se não fosse com o dinheiro do povo, tava tudo bem.
08:18Assim você vai me deixar com raiva do povo.
08:20Mas que droga.
08:21Tudo que é bom na vida, que a gente gosta, é contra o povo.
08:23Você pode ser tão alienado, Anamel.
08:26Só porque a gente se criou junto, senão eu juro que eu nem te complementava.
08:28Isso é ótimo.
08:30Isso é ótimo.
08:30Pelo menos quando você tomar o poder, ao invés de me mandar pro Paredono,
08:32me manda esse lado pra Hollywood.
08:34Pelo menos assim no papo passagem.
08:55Não vai fazer falta nenhuma.
08:57Não percam.
08:58Será uma declaração...
08:59Hilda!
09:00Hilda!
09:02Hilda!
09:03Ai, graças a Deus!
09:05Hilda!
09:06Liga rato na inconvidência de que o santo vai falar de você!
09:10Ai, Leonor.
09:11Eu tô lá me lixando porque esse santo vai falar de mim?
09:13Não, Hilda.
09:14Você não tá entendendo.
09:15Hilda, liga logo!
09:19Todos dizem que a cidade das canelhas é a solução para afastar as moças.
09:23Ele vai tirar a gente daqui!
09:24A tradicional família Mireira.
09:26Olha lá.
09:28O que foi que ele deu, Leonor?
09:29Vem cá.
09:31Não fica assim, Leonor.
09:35Eu tô nervosa, Edu.
09:36Eu fico muito nervosa porque você é rica, você tem dinheiro, você tem família, mas e eu?
09:41Cece santo, fecha a zona.
09:43Pra onde é que eu vou?
09:45Daqui ninguém sai, Leonor.
09:48Quem tá lhe dizendo é Hilda Furacão.
09:52Esse santo não sabe com quem tá se metendo.
09:55Quem quer brigar comigo?
09:56Pois vamos ver quem pode mais.
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