00:00O presidente dos Estados Unidos anunciou esta tarde o aumento das tarifas globais,
00:05que antes eram de 10% para 15% agora.
00:09Vamos ler a postagem em que ele explica essa mudança?
00:13Com base em uma análise minuciosa, detalhada e completa da ridícula e mal redigida
00:20e redigida extraordinariamente anti-americana decisão sobre tarifas emitidas ontem,
00:28após muitos meses de deliberação pela Suprema Corte dos Estados Unidos,
00:34permitam que esta declaração sirva para representar que eu, como presidente dos Estados Unidos,
00:40irei, com efeito imediato, elevar a tarifa mundial de 10% sobre países,
00:46muitos dos quais vêm explorando os Estados Unidos há décadas, sem retaliação,
00:52até a minha chegada para um nível totalmente permitido e legalmente testado
00:57de 15%.
00:59Nos próximos meses, o governo Trump determinará e vai emitir as novas tarifas legalmente permitidas,
01:07que darão continuidade ao nosso processo extraordinariamente bem-sucedido
01:13de tornar a América grande novamente.
01:16maior do que nunca, agradeço a sua atenção a este anúncio, então a leitura, palavra por palavra,
01:24da mensagem de Donald Trump publicada na Truth Social, que é a rede social que ele mesmo
01:29acabou publicando, criando para suas publicações.
01:35Sobre esse assunto, eu converso com Evandro Carvalho, professor de Direito Internacional da UFF,
01:44a quem eu tenho o enorme prazer de receber aqui nesse boletim, no nosso plantão de notícias
01:49do Times Brasil, licenciado exclusivo CNBC.
01:53Professor Evandro, é sempre um prazer encontrá-lo aqui e eu vou aproveitar a sua expertise em China,
02:01porque o seguinte, o Donald Trump se viu ali numa decisão da Suprema Corte que ele sabia
02:09que aconteceria, mas talvez estivesse esperando que os ministros, alguns deles, que ele mesmo
02:16colocou no primeiro mandato, fossem favoráveis à permanência do tarifácio Trump.
02:21Agora que ele levou essa derrubada da Suprema Corte, a próxima grande viagem internacional
02:28que o Donald Trump fará vai ser a China.
02:31Ele desembarca, até onde a gente sabe, ele não desmarcou essa viagem, terá encontros
02:37com diplomatas, o governo, o alto escalão do presidente Xi Jinping e com o próprio presidente
02:44chinês Xi Jinping e chega sem a grande carta na manga, como o próprio Donald Trump falou
02:50várias vezes, né?
02:51A palavra mais bonita do meu vocabulário, a tarifa, sem ter essa ferramenta de pressão.
02:59O que o senhor acha que vai ser agora este encontro de Trump e Xi Jinping que vai ser diferente
03:06do que ele havia desenhado antes dessa decisão da Suprema Corte?
03:10Muito obrigado por participar aqui da nossa programação de sábado.
03:14Excelente tarde para o senhor, professor Evandro.
03:18Muito obrigado, Marcelo.
03:19Boa tarde.
03:20É uma satisfação estar aqui e podendo dialogar com você e com as pessoas que nos assistem
03:25em temas tão complexos e tão importantes, né?
03:28Bom, primeiramente, fica claro que essa política tarifária do Donald Trump não tem repercutido
03:36positivamente para a economia dos Estados Unidos, né?
03:38A projeção, o crescimento do produto interno bruto americano do ano passado foi um crescimento
03:44de 2,2%, né?
03:48Enquanto o crescimento chinês foi de 5%, atingindo, inclusive, o patamar previsto pelo próprio governo
03:54chinês.
03:55E quando olhamos o comércio internacional, a China atinge um superávit comercial do comércio
04:02dela com o mundo de 1,2 trilhão.
04:05Então, a gente vê claramente que as políticas do Donald Trump, caso elas tenham essa política
04:13de profissionista, né?
04:15A intenção de favorecer a economia americana e, de certo modo, nessa competição com a China,
04:23superar o desempenho econômico chinês, isso não está acontecendo.
04:29Então, isso já é um dado que o Donald Trump carregará na mala.
04:33Além desse, que você nos traz aqui na notícia, né?
04:38Que, de fato, acaba, vamos dizer assim, tirando da mala do Donald Trump mais uma possível carta
04:45na manga numa negociação de uma redução tarifária, né?
04:48Quer dizer, dentro do próprio Estado americano há uma discussão intensa entre os poderes e
04:57possibilidades de mudança dessas políticas externas, que a gente não vê isso acontecer
05:01no sistema político chinês.
05:04Então, é muito interessante.
05:05Eu acho que ele vai chegar na China com uma relativa posição de fraqueza inesperada por ele, né?
05:12E isso vai exigir do Donald Trump aí, talvez, uma maior criatividade.
05:19E eu diria até, acho que ele tende a se mostrar mais aberto ao diálogo,
05:25a uma tentativa de um acordo.
05:27É importante mencionar que no primeiro mandato do Xi Jinping, ele tentou, inclusive, construir
05:37essa relação com os Estados Unidos na forma de um G2.
05:41E isso foi rejeitado na época, o presidente era Obama, enfim, né?
05:46A ideia era não deixar que isso se consolidasse.
05:49Havia também uma certa resistência do G7.
05:51Eu acho que talvez o Donald Trump considere essa uma possibilidade muito interessante, né?
05:57De, de fato, estabelecer informalmente uma espécie de G2 para um entendimento possível com a China,
06:03que favoreça, inclusive, a própria economia dos Estados Unidos.
06:07Professor Evandro, é claro que a gente vai entrar num discurso de futurologia,
06:11mas faz parte do nosso trabalho analítico, né?
06:13Tentar prever um futuro próximo ou outro mais distante a partir dos subsídios, né?
06:20Dos fatos que nós temos em mãos.
06:22O que eu quero dizer?
06:23De uma briga hegemônica clara no século XXI, que talvez se aperte na segunda metade do século XXI,
06:28entre China e Estados Unidos.
06:30Os Estados Unidos ainda se mantêm como o maior PIB do mundo.
06:33A China diminuindo essa diferença, se a gente pensar por PIB em PPP, poder de paridade de compra ou PPC,
06:45a China até ganha, mas vamos pegar um número mais raso, o PIB nominal dos países.
06:50Eu quero chamar atenção para a situação dos Estados Unidos, que tem um PIB maior que a China,
06:54mas também tem uma dívida bastante grande, né?
06:58Mais de 100%, já quase 130% do próprio PIB.
07:02E agora é acrescido, com essa decisão da Suprema Corte, onde que eu quero chegar, né?
07:07As empresas agora podem pedir judicialmente a restituição, uma indenização pelas tarifas
07:18ilegalmente aplicadas, de acordo com a decisão da Suprema Corte.
07:21Isso vai diminuir ainda mais essa diferença de PIB Estados Unidos-China?
07:26Ou seja, complica ainda mais a situação do presidente americano, não só do Donald Trump,
07:31que ainda é presidente por mais dois anos e meio, mas assim como as próximas gestões americanas também?
07:37Eu acredito que complica, porque isso cria uma situação que não favorece os Estados Unidos.
07:45Há um debate permanente, infindável, inclusive na justiça americana,
07:51que põe em questão as políticas externas, políticas públicas, domésticas do Donald Trump,
07:59e que até que isso se resolva, é um componente de estresse interno importante,
08:05que dificulta até mesmo o governo de levar outras políticas mais adiante,
08:10de maneira mais uniforme, estável, etc.
08:12É o que acontece com... A gente vê o que, no caso da China, é o contrário do que acontece.
08:17Você tem uma política externa mais estável, mais uniforme, mais constante, mais previsível.
08:23Isso acaba favorecendo a China em suas relações internacionais.
08:28Até porque as empresas evitam ambientes de muita incerteza.
08:34Elas precisam fazer o mínimo planejamento nos seus negócios,
08:38nos seus planos de negócios, que possam ali prever algum retorno.
08:41Essas empresas americanas, ou as que estão nos Estados Unidos,
08:44que tiveram prejuízo em função da política tarifária do Donald Trump,
08:47elas vão atrás, obviamente, dos seus direitos.
08:50Isso vai colocar o país num processo...
08:54Ainda que lá na frente o Donald Trump não seja o presidente,
08:59haverá, vamos dizer assim, os efeitos da gestão dele sendo levadas mais adiante.
09:04Tem um outro ponto também importante, Marcelo, que vale a pena sublinhar, sobre o PIB.
09:11Obviamente, é um dado econômico muito importante, o PIB bruto.
09:16E você mencionou bem o PIB em paridade do poder de compra,
09:20que a China já superou os Estados Unidos, enfim.
09:22Mas tem um outro elemento importante que é o seguinte,
09:24o quanto deste PIB, de fato, representa uma melhora de vida em toda a população.
09:33E tem países, esses países que têm grande riqueza em petróleo,
09:37você tem um PIB formidável, mas uma alta concentração de renda.
09:40Essa questão da concentração de renda é um elemento importante,
09:43para poder avaliar se a riqueza produzida pelo país,
09:47de fato, ela está sendo ali usufruída pelo conjunto da população.
09:51Então, a gente percebe que a China tem, nesse quesito,
09:55tido muito êxito, não só por ter eliminado a extrema pobreza,
10:00mas também ampliado a sua classe média para 400 milhões de famílias,
10:03com o objetivo, inclusive, de dobrar esse número.
10:06Então, torna a China ainda mais forte do ponto de vista comercial.
10:11E também é um parceiro que todos os países querem ter,
10:15já que vai ser um grande comprador de produtos e serviços mundo afora.
10:20Professor Evandro, uma pena, a gente tem mais um minutinho de conversa,
10:23mas eu queria colocar mais uma variável nessa complicada equação por si só,
10:28que é Taiwan.
10:29O Donald Trump, falando da Groenlândia, até falou recentemente
10:33eu vou aplicar uma sobretaxação a países da Europa
10:37que não apoiem aí a minha ideia de anexar, administrar, comandar a Groenlândia.
10:43Ameaçou a França, a Alemanha, o Reino Unido,
10:46e talvez ele, ou já tinha, usado essa mesma moeda de troca com a China
10:52por causa de Taiwan.
10:54Agora, ele perdeu isso.
10:55Como é que fica Taiwan orbitando essa questão, Estados Unidos, China,
11:00sem o poder do Trump em colocar tarifas para quem ele quiser?
11:05É uma posição delicada.
11:07Inclusive, o próprio Donald Trump recentemente fez declarações
11:10reclamando de Taiwan em relação aos chips,
11:13que teria se aproveitado um bom momento de décadas na produção de chips.
11:19mas ele coloca isso num tom de queixa, como quem já pronuncia aí, talvez,
11:24querer de Taiwan alguma concessão importante que beneficie os Estados Unidos.
11:28E, nesse sentido, ele faz com Taiwan, que fez com vários outros aliados,
11:33colocando em posição ali de ter que negociar com os Estados Unidos
11:36alguns favorecimentos.
11:39Veja, é um tema extremamente delicado para a gente responder em complexo,
11:45no tema complexo em pouco tempo,
11:47mas eu acredito que tudo dá sinais que o Trump não me parece estar colocando Taiwan
11:56como uma grande prioridade de sua política externa.
12:00E acredito que a China tem percebido isso.
12:04Resta saber como é que a China, o governo de Xi Jinping,
12:09irá tirar proveito dessa situação para levar adiante o objetivo da República Popular da China,
12:16que é concluir a unificação de toda a China.
12:18Se isso vai ser possível, se vai acontecer ou não, só o tempo dirá.
12:22Obrigado pelos esclarecimentos,
12:24pela ajuda de sempre em nos auxiliar a explicar à nossa audiência
12:30esses meandros complexos que envolvem China, Estados Unidos, China e o resto do mundo.
12:35Professor Evandro Cardavalho, docente de Direito Internacional na UFF.
12:40Professor Evandro, sempre um prazer.
12:42Até uma próxima.
12:44Muito obrigado, Marcelo. Até a próxima.
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