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O marketing de nostalgia e o movimento Clean Label (rótulo limpo) transformaram a trajetória da Rocca, marca de doce de leite do Sul de Minas que se tornou referência em empreendedorismo familiar. Em entrevista ao Fast Money, a cofundadora Rose Barbosa explica como a empresa atingiu um faturamento de R$ 20 milhões em 2025 ao ignorar aditivos industriais e focar em uma receita composta apenas por leite e açúcar, herdada de sua mãe na Fazenda Zé Pequena, em Pouso Alegre-MG.

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Transcrição
00:00Estou de volta aqui ao vivo com Fast Money e a gente vai falar agora de um assunto super interessante.
00:05Eu vou te fazer uma pergunta. Você aí já ouviu falar em marketing da nostalgia?
00:10Pois essa é uma estratégia que usa estética, referências, memórias afetivas do passado,
00:17principalmente ali dos anos 80, 90 e 2000, para criar conexões emocionais e também engajamento.
00:23A marca mineira de doce de leite, Roca, apostou nessa tendência, nessa estratégia em 2025
00:29e faturou 20 milhões de reais, apresentando um novo conceito de receita limpa, tradicional, afetuosa.
00:36E é sobre tudo isso que eu vou conversar agora ao vivo com a Rose Barbosa, que é cofundadora da
00:41Roca.
00:41Tudo bem, Rose? Bem-vinda aqui ao Fast Money.
00:45Oi, Natália. Tudo bem? É um prazer estar aqui.
00:48Ah, que conversa deliciosa, saborosa aqui. Estou animada, viu, Rose?
00:53Bom, vamos lá, né? Vocês tiveram um faturamento que eu já trouxe aqui.
00:58Como que vocês associam esse aumento no faturamento com uma mudança do eixo da conversa,
01:05da estratégia de comunicação? Como que essas coisas se amarraram?
01:10Na verdade, a nossa comunicação é a mesma desde quando começamos, há 10 anos atrás.
01:17Hoje, eu acho que o mercado, segundo até a Innova Insights, ela diz que o consumidor do mundo,
01:29ele está optando, mais de 50% do consumidor opta por alimentos com ingredientes simples, reconhecíveis.
01:39Então, fazer um doce de leite com ingredientes simples, que é o nosso propósito de marca,
01:45sempre foi leite, açúcar, amor e só, que é o nosso slogan.
01:48E resgatando também uma história familiar, fazendo doce de leite, como a minha mãe sempre fez aqui dentro dessa fazenda.
01:56E tudo isso, eu acho que remete uma segurança para o consumidor e isso gera receita lá no final, lá
02:08na ponta, né?
02:09Então, acho que é tudo casa, desde sermos produtores de leite até produtores de doce de leite
02:17e com uma receita muito enxuta, como sempre foi, como sempre deve ser, leite e açúcar.
02:23Você está usando umas palavras aqui, Rose, que eu entendo que trazem essa base, essa construção, na tradição,
02:32como sempre fizemos, como a minha mãe fazia, né?
02:37Dá mais exemplos para a gente do que entra no marketing de vocês e nessa comunicação
02:41para quem está do outro lado, pensando, né?
02:44Poxa, eu queria trazer esses elementos de nostalgia, entender se faz sentido,
02:48porque também não vai encaixar na conversa sobre qualquer tipo de produto ou serviço, né, Rose?
02:54Sim.
02:55Na verdade, eu acho, como eu falei, né?
02:57Eu estou falando aqui de ingredientes de comida, né?
03:00Basicamente, que é o nosso negócio.
03:02As pessoas estão cada vez mais preocupadas com o que elas comem.
03:07Então, esse movimento é um movimento global.
03:11As pessoas estão lendo rótulos.
03:13E é um movimento até que chama Clean Label Movement.
03:17Então, as pessoas querem saber o que elas comem e também querem saber de onde vem esse produto,
03:23de onde é feito esse produto que elas comem.
03:26Então, é uma união do Clean Label com o Storytelling, né?
03:31E isso tem que ser real.
03:33Então, como eu falei, nós somos a quarta geração de produtores de leite dessa fazenda.
03:37A minha mãe sempre fez doce de leite dessa maneira para a gente, leite e açúcar.
03:43Então, lá atrás, a gente viu isso como um grande diferencial, né?
03:47De resgatar realmente a receita original do doce de leite.
03:51E a gente foi, muitas vezes, rotulado no início da roca de românticos que isso não daria certo,
03:58que isso não era possível escalar.
04:00E a gente está aqui para provar o contrário, né?
04:03No ano passado, a gente faturou mais de 20 milhões fazendo a mesma receita de como começamos,
04:08o leite e açúcar.
04:09Muito legal.
04:10Muito interessante você falar isso.
04:12E agora, um monte de gente tentando fazer, né?
04:14O que vocês já estavam fazendo, então, esse tipo de comunicação.
04:17Mas que, para funcionar, como a Rose bem disse, tem que ser de verdade.
04:21Tem que ter história de verdade para contar.
04:22Na prática, Rose, vocês mostram esses bastidores?
04:26Vocês mostram as pessoas?
04:28Contam essa história de gerações por trás?
04:30É isso?
04:32Sim.
04:33Eu acho que, hoje, com a rede social, o marketing está muito democrático, né?
04:38Todo mundo pode fazer marketing de uma forma, inclusive, muito simples.
04:43E, como eu falei, quando a gente começou, a gente não tinha muito budget para usar em marketing.
04:49Hoje, a gente tem mais investimento nesse segmento, mas é democrático estar ali na rede social.
04:55E a gente conta muito a nossa história.
04:57A gente realmente gosta de mostrar a nossa vida aqui na fazenda.
05:01Eu sou criada e nascida aqui nessa fazenda.
05:05Hoje, eu moro aqui com a minha família.
05:08E a gente mostra a nossa vida.
05:10A nossa vida, a fábrica, inclusive, é aqui nessa fazenda também.
05:15Então, tudo acontece aqui.
05:16E eu acho que, através da rede social, a gente consegue mostrar um pouquinho da nossa história.
05:21E as pessoas, como eu falei, a história tem que ser real.
05:24E, hoje em dia, através da rede social, a gente consegue mostrar isso.
05:29E, se a história não for real, eu acho que é muito fácil e muito rápido as pessoas descobrirem quem
05:34não é.
05:35Então, é isso.
05:36A gente sempre está contando a nossa história.
05:38E a nossa história é nossa, né?
05:40Ninguém vai poder copiar.
05:41Eu acho que doce de leite, leite e açúcar, muitas fábricas, muitos outros produtores podem fazer e devem fazer dessa
05:48maneira.
05:49Mas a nossa história é só nossa.
05:51Então, eu acho que isso também é algo que traz nostalgia, porque é um resgate do nosso legado.
05:57E isso traz um poder de afetividade para o nosso consumidor, que ele não vai comprar só o produto, porque
06:07o produto é de alta qualidade.
06:08Mas ele também vai procurar esse produto, porque o produto é um produto que trouxe uma memória, uma memória afetiva
06:17para ele.
06:17Então, ele se conecta de verdade.
06:19Eu sempre falo para o meu marketing, pessoas gostam de pessoas.
06:22Então, as pessoas se conectam com histórias reais.
06:25É, ainda mais em tempo de ar em tudo, né, Rose?
06:29Exatamente.
06:30Tem muito valor, né?
06:31A gente conhecer e enxergar quem são as pessoas por trás dos produtos.
06:37Agora, você mencionou, né, que um tempo atrás tinha gente que duvidava que ia dar para manter a conversa desse
06:43jeito,
06:43que ia dar para escalar fazendo doce de leite dessa forma, com essa receita simples, né, e limpa.
06:50Conta para a gente como que vocês conseguiram desmentir essa turma, então, e provar que era possível.
06:57Bom, quando a gente começou, eu acho que a gente foi muito criticado até por próprios consultores de laticínio.
07:04Não, vocês não vão conseguir, primeiro, competir com grandes indústrias, porque quando uma indústria coloca, né,
07:12espessante, conservante, estabilizante no produto, o produto, ele rende mais.
07:17É basicamente isso, ele vai render mais, então, ele vai ter um custo de produção menor.
07:23Então, a gente não ia conseguir competir em gôndola na questão de preço.
07:28O nosso produto sempre seria mais caro.
07:30Só que, em contrapartida, o nosso produto, sim, é um produto puro.
07:35Ele, obviamente, vai ser caro comparado a um produto que tem todos esses outros ingredientes.
07:40Mas, como eu falei, as pessoas estão preocupadas com o que comem e isso gera valor no produto.
07:49Então, a gente consegue, sim, competir.
07:51Nós conseguimos entrar nesse mercado de doce de leite.
07:54E hoje, eu acho que depois de 10 anos, nós somos, sim, referências nesse segmento.
07:59Então, fomos criticados quanto a isso e criticados também que a gente não ia conseguir escalar a produção.
08:05Mas, hoje, eu acho que a tecnologia está aí.
08:07A gente pode, sim, ter tecnologia em produção, em melhoramento dentro da produção,
08:15que a gente consegue escalar mantendo a nossa qualidade e mantendo o principal, que é a nossa receita, sem mudar.
08:22Muito bom.
08:23Que delícia.
08:23Agora, conta um pouco mais para a gente de onde você está falando.
08:26Como é que é o nome dessa propriedade?
08:29É uma fazenda mesmo?
08:30Onde tudo isso começou, Rose?
08:33Sim, nós fomos aqui, meu pai, a Fazenda Zé Pequena, uma homenagem que a gente fez para ele.
08:39Essa fazenda aqui, meu pai é produtor aqui há mais de 70 anos, produtor de leite.
08:45Hoje, eu e o meu irmão e o meu marido, nós também somos produtores de leite.
08:49Então, a gente está na quarta geração de produtores de leite dessa fazenda.
08:53E a primeira geração de produtores de doce de leite.
08:57Então, a gente, lá atrás, resolveu agregar valor à matéria, a principal matéria-prima que vinha da fazenda,
09:03que era o leite, e criar uma marca e criar um produto, resgatando duas coisas.
09:09Primeiro, resgatando o legado do meu pai em ser produtor de leite,
09:14e resgatando uma receita e uma nostalgia mesmo,
09:17que é de lembrar quando a minha mãe fazia doce de leite para a gente no tacho de cobre,
09:22e que a gente disputava o tacho ali, as raspas do tacho.
09:29Ah, que delícia, a melhor parte.
09:34Nós ficamos em todos os valores de Minas.
09:36Legal demais, Rose.
09:38Bom, vamos terminar com uma...
09:40Ah, aproveitar para você compartilhar seu conhecimento, sua experiência,
09:44ajudar quem está do outro lado acompanhando.
09:45Aqui a gente trata de jornalismo de negócios.
09:49Para quem que faz sentido parar, para olhar para a própria história
09:54e tentar encontrar elementos ali, se apropriar deles, usar isso na comunicação?
09:59Para que tipo de produtos ou para que tipo de negócios isso faz sentido?
10:03O que você deixaria de dica para quem quer aproveitar esse momento
10:07em que está muito na moda se conectar por meio da nostalgia?
10:12Bom, eu acho que a gente vive hoje um movimento ao contrário do que acontecia ali nos anos 80 e
10:1990.
10:19Então, estou falando aqui para produtores, principalmente no nosso negócio, que é o agronegócio.
10:26Então, hoje, quando antigamente as pessoas saiam do campo, que era o êxodo rural,
10:32hoje o movimento é o contrário, nós fazemos parte desse movimento, o êxodo urbano.
10:37Então, as pessoas querem sair dos grandes centros, primeiro, atrás de qualidade de vida,
10:42de uma vida mais tranquila, mas também elas estão vendo no campo grandes oportunidades de negócio.
10:48Então, assim, a gente tem uma palestra até que a gente fala sobre esse assunto
10:53e se a sua história também virasse uma marca.
10:55Então, assim, vamos falar aqui para pessoas que têm já uma família, que têm um sítio, uma fazenda
11:03e que pode transformar ali de vários outros produtos, como café, queijo, doce de leite.
11:10Enfim, tem muito negócio, muito dinheiro na mesa aí que a gente pode construir negócio e marcas fortes aqui no
11:17Brasil
11:17e aumentar cada vez mais o nosso segmento, que é o nosso agro aqui no Brasil.
11:24Muito legal, adorei conversar com você, Rose Barbosa, cofundadora da Roca.
11:29Muito obrigada, viu? E volto sempre.
11:31Obrigada, Natália. Tchau, tchau.
11:33Tchau, tchau. Até mais.
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