Neste episódio do quadro Protagonistas, Christiane Pelajo conversa com a executiva que está à frente do Camarote Salvador há 13 anos. Mais do que um espaço de entretenimento, ela comanda um projeto robusto que integra responsabilidade social, ambiental e econômica, consolidando a marca como uma das maiores atrações do Carnaval. Com uma trajetória construída em grandes empresas, ela detalha como transformou a gestão de um dos maiores eventos do Brasil em um modelo de negócio sustentável e estratégico. Ela é Luciana Villas Boas, CEO da Premium Entretenimento.
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NotíciasTranscrição
00:00A protagonista de hoje é Luciana Villasboas, CEO da Premium Entretenimento, a mulher que
00:12comanda o camarote Salvador, um negócio que une cultura, experiência, impacto econômico
00:19e cada vez mais sustentabilidade.
00:22Luciana construiu uma carreira sólida na comunicação, liderou grandes equipes, atravessou
00:28diferentes áreas de gestão e hoje está à frente de um dos eventos mais emblemáticos
00:34do nosso carnaval.
00:36Muito obrigada por ter aceitado o nosso convite, é muito bom ter você aqui.
00:41A minha primeira pergunta é sempre a mesma para todas vocês.
00:43Quem é Luciana Villasboas?
00:45Como é que você se define?
00:47Bom, obrigada pelo convite, uma honra participar aqui desse programa, Cris.
00:51Luciana Villasboas, baiana, solteropolitana, de alma, nascida e criada, mãe de duas filhas,
01:0125 e 27 anos e me defino assim, uma pessoa, acho que multitarefas hoje em dia, feliz, realizada
01:10como mãe, realizada como profissional e que cada vez mais quero fazer a diferença na vida
01:15das pessoas.
01:17E que momento da sua trajetória, Luciana, você percebeu que você estava pronta para
01:22liderar, que liderar era a sua praia?
01:25Bom, eu comecei minha carreira muito cedo, desde os 18 anos, como estagiária, no segmento
01:32de comunicação, sou administradora de formação e sempre fui muito inquieta.
01:37Então, eu tinha meio que uma meta na minha vida, na minha carreira, que eu colocava que
01:42eu precisava mudar de área a cada três anos.
01:48E eu já entendi isso aqui.
01:50E assim, eu gostava muito da empresa que eu trabalhava, era uma empresa muito boa em
01:55Salvador e eu entendi que para eu mudar de área e mudar de posição, eu tinha que formar
02:01alguém para ficar no meu lugar.
02:02Então, acho que daí eu comecei, primeiro, naturalmente, a exercer uma liderança e foi
02:08assim que eu fui crescendo na carreira, até me tornar diretora, porque sempre que as
02:13oportunidades apareciam, eu tinha alguém pronto para colocar no meu lugar.
02:18Então, foram assim durante os 20 anos que eu passei nessa empresa, até aí poder realmente
02:22depois assumir uma posição de CEO, uma diretoria geral, onde eu estou hoje, que é na
02:28Prêmio, que é uma empresa de entretenimento.
02:30E teve algum momento que você percebeu uma mudança mesmo, teve um clique, assim, é
02:35isso que eu quero fazer, eu vou me dedicar a isso para o resto da minha vida?
02:41Nossa, eu não sei, assim, acho que foi uma coisa meio, não, acho que não era de ambição,
02:47aquela ambição financeira, digamos assim, eu acho que era uma ambição de liberdade.
02:54E já que a gente está num programa, assim, mais falando de feminino, né?
02:57Por favor, fique à vontade, aqui é para isso.
03:00Eu acho que um desejo de liberdade, né?
03:02Eu venho de uma família de quatro irmãos, perdi meu pai muito cedo, aos sete anos, e uma
03:09família de classe média.
03:11Então, minha mãe ficou vivo aos 36 e da noite para os dias nossa vida mudou.
03:15Minha mãe era dona de casa, mas ainda bem que ela tinha uma boa formação e ela teve que
03:20trabalhar.
03:21Então, naquele momento, eu acho que, intuitivamente, eu entendi que eu tinha que ter minha independência,
03:27minha independência financeira, né?
03:29Que, enfim, dinheiro é liberdade para uma mulher, a verdade é essa.
03:35E assim foi, eu acho que eu fui construindo esse desejo por ter minha própria renda, né?
03:41Ter minha independência financeira, porque eu sabia que isso, pelo exemplo que eu tinha tido
03:46em casa, né?
03:47Que isso era mandatório, que isso era libertador, né?
03:51Isso dá, acho que sim, para nós mulheres uma liberdade muito grande de assumir seu próprio
03:56caminho e de querer fazer mudanças na nossa vida.
03:58Então, acho que foi muito mais uma questão de uma ambição por uma liberdade financeira
04:07do que por uma ambição desenfreada por poder, digamos assim.
04:10É interessante essa maneira como você enxerga.
04:14E como é que você foi parar no Camarote Salvador?
04:17O que que te levou até lá?
04:18Então, o Camarote Salvador, ele já era um produto forte, né?
04:22O Camarote Salvador faz esse ano 26 anos, mas ele, enquanto empresa, ele precisava de
04:27uma organização, de processos, de pessoas.
04:32E como eu tinha passado por diversas áreas, eu passei por marketing, por financeiro, por
04:36por sumanço, por planejamento, quando eu recebi o convite foi muito em função disso,
04:41né?
04:41De juntar todas essas experiências para poder pegar um produto que já era muito forte e
04:46transformar também numa empresa muito forte, né?
04:49Com a visão de mais longo prazo, de longevidade, de crescimento.
04:54E aí era muito interessante porque entretenimento, né?
04:58Tem essa coisa assim da festa, do evento, mas é um business como outro qualquer, né?
05:04É um negócio, a gente tem que gerar resultado, a gente tem que ter metas, a gente tem que
05:10ter pessoas boas fazendo aquilo ali, um negócio de responsabilidade muito grande.
05:14Então, foi muito interessante, assim, ver que a experiência que eu tinha construído,
05:19né?
05:19Aplicado ao entretenimento, gerou resultados muito representativos.
05:25Você tá quantos anos à frente do Camarote Salvador?
05:28Treze anos.
05:29Treze anos já.
05:30E teve um momento que você percebeu exatamente isso, isso aqui é muito mais do que entretenimento,
05:36não que entretenimento não seja o suficiente, mas a gente tá diante de um negócio estratégico.
05:44Muito.
05:44E eu acho que, assim, cada vez mais, porque eu acho que o Camarote Salvador é um produto
05:50de 26 anos, como eu falei.
05:52E nesse ramo não é tão fácil se chegar com essa longevidade.
05:57E você tá na metade desses, né?
05:59Você tá 13 dos 26.
06:01Então, a gente investe muito, assim, em pesquisa.
06:05Eu tenho muito forte no meu DNA planejamento.
06:08Então, pesquisa pra entender tendência mesmo desse consumo de entretenimento.
06:12Pesquisa pra entender o que é que essa geração mais jovem, ela busca, né?
06:17Em eventos e até mundialmente, não só em relação a carnaval, em relação a Brasil,
06:22mas o que é que ela tá buscando?
06:24Porque a gente não pode pensar só no que tá agora, né?
06:26E essa geração mais jovem, ela muda muito rapidamente.
06:30Então, o que a gente faz hoje é muito esse mix, sim.
06:32Atender o nosso público atual, né?
06:34Que é o público que tá ali, seus 35 anos, em média.
06:38Mas também começar a trazer coisas pro evento que falem com esse público mais jovem, né?
06:42A famosa geração Z.
06:45Mas você percebe que os desejos da geração Z são muito diferentes dos desejos do seu público atual,
06:51como você diz?
06:52Das gerações anteriores?
06:54Percebo.
06:55Desde a atração musical, eu acho que até o posicionamento da empresa, a reputação da empresa,
07:01as práticas sustentáveis.
07:03Eu acho que a geração Z é uma geração muito mais consciente,
07:06ela é muito mais atenta às questões, assim, de imagem da empresa.
07:11E aí, como é que você faz?
07:12Por exemplo, vamos lá, pensando no line-up.
07:15Você tem todos os tipos de música no camarote.
07:18Como é que você chega num resultado final que seja satisfatório, que vai agradar a todo mundo?
07:26Tem que botar um pouquinho de cada tipo de música?
07:28Por exemplo, vamos antecipar.
07:30Esse ano, a gente tá pertíssimo do carnaval.
07:33Aliás, eu agradeço por ter vindo até aqui.
07:35Assim, às vésperas do carnaval em Salvador.
07:38Mas como é que vocês prepararam as pessoas, os artistas que vocês queriam no palco, no camarote pra esse ano?
07:46A gente busca muito essa diversidade musical.
07:50Salvador já traz um pouco isso.
07:52Então, o carnaval de Salvador não é mais só o axé.
07:55A gente tem a quinta-feira que vem o funk com o Pedro Sampaio,
07:59e tem o dia que sai a Anitta, e obviamente sai o Belmarques na rua, no trio.
08:03Então, Salvador, por si só, já tem essa mistura gostosa de ritmos, né?
08:08E tudo é meio permitido.
08:10E a gente procura trazer isso pra dentro do camarote.
08:13Então, óbvio que o axé tem que ter, né?
08:16O turista, ele quer isso.
08:17Ainda é o carro-chefe?
08:19Ainda é o carro-chefe.
08:20Tem que ter a nossa musa, a Ivete.
08:23Já não tem como fugir desse lugar de sorrir, pois todo mundo é natural daqui.
08:29Tem que ter o Bel, o Leo Santana.
08:32Mas a gente procura também.
08:33Eles cantam dentro do camarote também.
08:35É, eles passam.
08:36Pra quem não sabe, vamos lá.
08:38Eles cantam dentro.
08:39Nós temos dois palcos.
08:40Eles passam na frente, ali, no trio elétrico, nos dias que eles se apresentam no trio.
08:44Mas também tem dentro do camarote.
08:46Camarote tem dois palcos.
08:47Um palco pra DJs e um palco pras bandas.
08:51E a gente vai testando algumas coisas, né?
08:53Então, por exemplo, esse ano a gente tem um grande encontro, na quinta-feira,
08:57que é uma saudação à cultura baiana.
09:00Então, vamos trazer o Baiana System, que ganhou o Grammy, a nova música baiana,
09:06no encontro com o Lazo e Caetano Veloso, pra fazer essa homenagem.
09:12O Holodum também vai estar esse dia à cultura baiana.
09:15Então, acho que assim, a gente se diz hoje um festival dentro do carnaval.
09:20E a gente entende que a gente é um palco importante da Bahia pro Brasil e até pro mundo.
09:24E ele funciona de que dia até que dia, o camarote salvador?
09:29Ele funciona da quinta.
09:32É fácil ou não?
09:34Ele funciona da quinta até a terça-feira, na verdade, até a quarta.
09:38Até quarta-feira de cinzas?
09:39Até quarta-feira de cinzas.
09:41E quando você fala um palco de DJ, é um palco de música eletrônica?
09:45Música eletrônica, onde a gente leva grandes DJs internacionais.
09:48Exemplos, por exemplo, esse ano?
09:51Esse ano temos um Who Made Who, Bob Moses.
09:55E vamos receber também esse ano um grande artista internacional pop, que é o Neil.
10:00Então, é a nossa grande estrela desse ano.
10:05Temos um projeto também incrível que vai ser na boate, que é o Africanize.
10:09Que são os DJs da cena eletrônica, são os DJs pretos da cena eletrônica.
10:14E que também isso vai ser televisionado pro mundo.
10:16Então, é uma pauta também super relevante pra gente.
10:21E a gente vai ser palco aí pra esse projeto.
10:24São quantas pessoas por dia no camarote?
10:27Vocês recebem quantas pessoas por dia?
10:29A gente recebe, em média, 5 mil pessoas por dia.
10:31E ele funciona de que horas até que horas?
10:33Às sete da noite às seis da manhã.
10:35Uau!
10:36Quase 12 horas, é?
10:38É, 12 horas de festa.
10:3912 horas de festa.
10:40É evidente que o camarote de Salvador tem uma relevância muito grande pra economia baiana.
10:47Como é que você entende o papel dessa economia criativa hoje?
10:53Bom, Salvador é uma cidade que vive de serviço, vive do turismo.
10:57E dentro disso, o carnaval tem um papel extremamente importante.
11:01Então, eu acho que os produtos, como o camarote de Salvador, existem outros produtos privados também.
11:09Eles têm que ter esse papel de ter esse protagonismo.
11:15Principalmente nessa atratividade pro turismo.
11:20Então, é uma coisa que a gente se preocupa muito em ser esse polo receptivo pro turista.
11:2590% dos nossos clientes são turistas.
11:29E a gente procura ter uma plataforma que atenda a eles de diversas formas.
11:33Então, desde um hotel oficial, até um transfer com segurança.
11:37Uma verdadeira orientação pro turista que vai pra Salvador.
11:41Porque quem já tá acostumado a ir no carnaval de Salvador, já sabe por onde entra, por onde chega, por onde vai.
11:47Mas a gente quer mais pessoas indo.
11:49A gente quer mais pessoas conhecendo Salvador.
11:51Mais pessoas conhecendo o camarote de Salvador.
11:53E mais pessoas repercutindo a cidade.
11:58Então, é muito importante a gente dar uma experiência, realmente, 360, pra que seja positivo.
12:03E que as pessoas falem bem, que elas voltem.
12:06Porque é um papel muito importante na economia que a gente exerce.
12:10Você lidera hoje quantas pessoas? São mais de 200 pessoas na sua equipe?
12:14Eu tenho, ao longo do ano, 27 pessoas que trabalham exclusivamente pra o camarote de Salvador.
12:20Um ano inteiro?
12:20Um ano inteiro.
12:21Quer dizer, a quarta-feira de cinzas, na quinta, vocês já começam a pensar o carnaval do ano que vem.
12:26Exclusive, na outra segunda, vai.
12:28Deixa o pessoal dar.
12:29Na verdade, antes, porque a gente lança a venda logo.
12:32Então, o ano inteiro tem uma equipe que só pensa o camarote de Salvador.
12:36Porque nós somos um evento 100% proprietário.
12:38Desde a venda, captação de patrocínio, produção, tudo é feito por nós.
12:42Mas esse grupo vai crescendo ao longo do caminho.
12:46Então, no evento, a gente tem 400 pessoas diretamente ligadas a gente.
12:54Somando prestadores de serviço que trabalham no evento, vamos pra 3 mil pessoas.
12:58E postos de trabalho gerados, chegamos a 13 mil.
13:02E essa equipe tem um papel muito importante, esses 27, de divulgar nossa cultura, divulgar nosso propósito, nossa forma de servir.
13:11A forma que a gente quer que o cliente seja tratado.
13:13Então, a gente faz questão de ter essa equipe fixa, pra que realmente seja um propagador dos nossos valores.
13:23Do que a gente acredita enquanto empresa, enquanto prestação de serviço.
13:26Então, isso faz muita diferença na entrega.
13:29Como é que você definiria a sua liderança?
13:32O seu estilo de gestão?
13:35Difícil a gente falar.
13:38Difícil a gente falar.
13:39Você tem uma preocupação muito grande com as pessoas, por exemplo.
13:43Você ouve muito as pessoas, você tem uma escutativa.
13:47Do que você não abre mão?
13:49Eu não abro mão, assim, de responsabilidade, obviamente.
13:56Entretenimento, evento, é uma coisa de altíssimo risco.
14:00Mas isso aí eu diria que é mandatório.
14:03Mas eu me defino como a líder.
14:04Mas você tá certa em falar sobre isso, que é mandatório.
14:06A gente sabe que tem muito lugar que não tem essa preocupação.
14:09Ou não, como deveria ter, né?
14:11Mas eu me defino como uma líder sim, empática, questionadora.
14:17Minha equipe ri, porque normalmente quando eles me perguntam alguma coisa, eu devolvo com a pergunta.
14:22Porque eu acho que a gente tem que ensinar as pessoas a pensarem, né?
14:25A terem as próprias respostas.
14:28E assim, que tem uma capacidade de decisão.
14:30Em um evento, eu não vou conseguir decidir tudo, enquanto as coisas acontecem.
14:34Então, a equipe tem que ter discernimento, tem que ter capacidade de decisão.
14:38E capacidade de gerir riscos também.
14:41Então, eu acho que sou uma líder com boa escuta, empática.
14:45E acho que é isso.
14:47Você tem muitas mulheres na sua equipe, nos 27?
14:50Tenho.
14:51Tenho bastante.
14:52Você tem uma preocupação com isso, assim, de ter uma diversidade de pessoas dentro dessa equipe,
14:57que o ano inteiro trabalha pro carnaval?
15:00Tenho.
15:00Tenho essa.
15:01É uma coisa que aconteceu meio naturalmente, né?
15:04Foi uma felicidade natural, mas...
15:07Não foi intencional?
15:08É, não foi intencional, mas eu acho que depois de um tempo, quando eu percebi, eu falei,
15:17não, isso aqui tá legal, né?
15:18Eu acho que a mistura, ela é sempre muito boa, né?
15:21Mas a minha diretora de produção, que toca todo evento, é uma mulher.
15:25Minha gerenciurística é uma mulher.
15:27Minha pessoa de SD é uma mulher.
15:28Então, a gente tem bastante mulher no quadro e no quadro de liderança.
15:34Você, na sua opinião, as mulheres têm uma sensibilidade maior nessas áreas do que os homens?
15:41Eu acho que sim.
15:43E eu acho que a mulher, ela tem uma coisa que ela é multitarefa.
15:47Então, acho que ela consegue fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
15:51Não sou eu que digo, né?
15:52Os estudos dizem que pode ficar à vontade pra dizer.
15:54É, a ciência prova.
15:55Então, e em evento isso é muito importante, né?
15:59A mulher tem capacidade de resolver muita coisa ao mesmo tempo.
16:01E por mais que a gente planeje, por mais que a gente faça tudo antecipadamente,
16:05na hora do evento e nessa época que a gente tá agora, é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.
16:08Vai acontecer alguma coisa fora dos críquitos.
16:10Fora dos...
16:11E eu acho que a mulher tem essa sensibilidade.
16:13E durante os eventos também, quando acontece alguma crise, alguma situação com algum cliente,
16:19eu acho que a mulher também tem uma sensibilidade maior pra lidar com aquilo.
16:22E você vai todos os dias no camarote?
16:25Todos os dias.
16:26Meu Deus!
16:27Porque como é que você se prepara aí pra esses dias de camarote?
16:31Que é exaustivo também.
16:33Eu procuro não pensar muito.
16:37Não me faça responder essa pergunta, porque eu quero pensar sobre esse assunto.
16:40É, só vai, né?
16:42Não, mas eu tomo, faço um tratamentozinho pra imunidade,
16:45procuro fazer atividade física até quase na véspera.
16:48Eu me alimento bem, né?
16:51E assim, eu tenho uma boa saúde no geral.
16:55E tem só aqueles dias ali que eu já sei que vai ser aquilo.
16:58Vai ser exaustivo.
16:59É, e quando vai passando os dias que o evento começa a rodar,
17:02você já consegue dormir mais um pouco.
17:04É.
17:04Então...
17:05E depois vai dando uma saudade quando vai chegando perto do fim, né?
17:08Então é um misto de sensações.
17:10É uma adrenalina que...
17:12Diria que o cansaço nem chega a bater direito.
17:15É a realização de um trabalho de um ano inteiro.
17:17Com certeza.
17:18Você falou da sua diretora de ESG.
17:21ESG já há algum tempo deixou de ser discurso
17:24pra ver a prática no camarote de vocês.
17:28Quais são as preocupações principais que vocês têm,
17:30mesmo com sustentabilidade?
17:31Quais são as ações que vocês promovem no camarote em relação a isso?
17:36Bom, começando pelas ambientais.
17:39Assim, a gente é um camarote.
17:42A gente vai ser lixo zero em 2027.
17:45Talvez até já em 2026, mas a meta é pra 2027.
17:49Nós somos um camarote carbono positivo.
17:53Temos um índice de reciclagem enorme.
17:57Temos uma central de tratamento de lixo lá.
18:00Então, essa parte ambiental, eu diria que é uma parte que a gente já está de zero a 10 e 9.
18:07Mas foi muito trabalho pra chegar lá?
18:09Muito trabalho.
18:10O trabalho do ESG é um trabalho muito dispendioso também.
18:14Então, a gente contratou, na época, uma consultoria pra fazer um planejamento mesmo de longo prazo.
18:19E é um caminhar.
18:21É um caminhar.
18:22Então, na parte ambiental, eu diria que a gente está muito avançado.
18:24Mas a parte que mais, diria que eu falo com mais orgulho, é a parte social.
18:30Então, a gente tem um trabalho muito grande, assim, de economia reversa.
18:34Então, desde as lonas que a gente usa na nossa cenografia,
18:37que a gente doa pra uma ONG, né, de costureiras, de mulheres pretas,
18:43onde elas fazem bolsas e necessidades e vendem essas bolsas.
18:47Muitas vezes a gente mesmo recompra pra dar de presente pra patrocinadores, etc.
18:52As malhas das nossas camisetas viram mochilas.
18:55Então, eu diria que muita, muita coisa hoje do Camarote Salvador é reaproveitada.
19:00Fazemos capacitação das mulheres nas comunidades do entorno.
19:04Temos uma meta de empregar pessoas das comunidades do entorno, né,
19:09pessoas com deficiência também.
19:12Então, temos metas muito bem traçadas, né,
19:15pra poder cumprir aí todas as ODSs.
19:19Mas, assim, acho que muito mais do que ser, como você falou, né,
19:24do discurso, ser uma coisa de verdade.
19:28E acho que isso vira muito notório.
19:29As marcas patrocinadoras exigem isso.
19:31Como eu falei, o público já exige isso.
19:33Então, é um trabalho assim do qual eu me orgulho bastante.
19:36E você percebe que o público tá rejuvenescendo?
19:39Vocês estão conseguindo atrair esse público mais jovem?
19:43Sim.
19:44É o trabalho, é...
19:47Eu digo que é um trabalho meio dobrado,
19:48porque o público mais frequentador do Camarote
19:52é um público que já conhece o Carnaval de Salvador.
19:54Sim.
19:55E quando eu digo trabalho dobrado,
19:56é porque a gente tem que trazer o público
19:58pra conhecer o Carnaval de Salvador e o Camarote de Salvador.
20:01Então, tem que experimentar as duas coisas.
20:05E isso a gente usa hoje através do marketing de influência, né?
20:09A grade de atrações conta muito com isso.
20:12Mas, assim, é um trabalho que você não faz da noite pro dia,
20:15obviamente.
20:16Mas eu acho que a gente vai, assim, plantando uma sementinha.
20:19E eu acho que o produto tá aí com 26 anos.
20:22E é porque, de certa forma, a idade já é a idade.
20:27Exatamente.
20:28Bom, a gente tá falando, a gente tá aqui num quadro
20:30que só conversa com mulheres.
20:33Eu imagino que você já tenha passado na sua carreira toda,
20:38na sua trajetória, por ambientes majoritariamente masculinos
20:42e em negociações mais complexas.
20:44Quais foram os principais desafios pelos quais você passou
20:48ao longo da sua carreira?
20:50E o que te impactou em ser mulher?
20:53Esses desafios, esses obstáculos?
20:56Olha, Cris, eu acho que é interessante,
21:00porque esse tema hoje é muito mais discutido.
21:03Sim, do que era antigamente.
21:04E aí, quando isso começa a ser mais discutido,
21:06você começa a pensar em situações que você viveu
21:10e que foi um sério moral, de certa forma.
21:15E na época você nem percebeu.
21:16E na época você não percebeu.
21:17Então, do tipo,
21:18ah, você não precisa dessa remuneração,
21:21você não precisa ganhar esse bônus
21:22porque você não precisa de dinheiro,
21:24porque você tem marido em casa.
21:25Coisas desse tipo.
21:27Ou quando você chega na sala de reunião cheia de homens,
21:29você chegou pra embelezar a reunião.
21:32Então, você ouve coisas ao longo da sua caminhada
21:36que depois de um tempo, pelo menos pra mim,
21:39que começou a cair a ficha.
21:41Falar que dá um teste de voltar no tempo
21:43pra ter dado uma resposta, né?
21:44É, porque filma perdi.
21:46Mas assim, eu acho que eu procurava muito,
21:50talvez eu tivesse que trabalhar muito mais, né?
21:53Pra poder ser vista mesmo, né?
21:56Ter muito mais argumento,
21:58ter muito mais técnica.
22:01Não só eu,
22:01mas acho que muitas mulheres passam por isso, né?
22:03Pra poder crescer.
22:05Acho que a gente tem que dar muito mais suor,
22:07talvez, né?
22:08Do que os homens.
22:11Mas isso tá mudando
22:12e eu acho que, por exemplo,
22:14a geração das minhas filhas,
22:16eu acho que isso já vai ser bem diferente.
22:18Com certeza absoluta.
22:19O que você diria,
22:21conselhos que você daria
22:23pra mulheres que estão agora nos assistindo
22:25e que olham pra você
22:27e te admiram
22:28e adorariam chegar num cargo de liderança
22:31em qualquer segmento,
22:32não necessariamente no entretenimento
22:34ou na comunicação?
22:35O que essas mulheres têm que fazer?
22:38Eu penso assim,
22:40que óbvio que tem coisas
22:41que a gente aprende muito
22:42com o amadurecimento
22:44que vem com a idade.
22:46Mas eu acho que é muito
22:47a gente manter a nossa essência.
22:50O que a gente acredita,
22:51a nossa essência,
22:52é a gente procurar não mudar
22:54o que verdadeiramente
22:56a gente tem por dentro
22:58porque isso não se sustenta.
23:00Eu lembro que eu ouvi uma vez
23:02de um chefe, colega,
23:05não era meu superior direto,
23:07que eu precisava me mostrar mais.
23:09Você é tão competente,
23:10mas você precisa se mostrar mais.
23:12Porque eu sempre fui mais introspectiva.
23:14Eu sempre fui mais introspectiva.
23:16Aí eu fiquei com aquilo assim.
23:18Aí eu falei,
23:19poxa, mas se eu tiver que me mostrar mais,
23:20eu não vou estar sendo eu.
23:22Eu não sou essa pessoa.
23:24Então eu acho que é assim,
23:25é com disciplina,
23:26com trabalho.
23:27Trabalhando no carnaval agora.
23:29É, mas olha,
23:30mas eu sei que...
23:31Eu imagino, eu imagino.
23:33Às vezes eu me tranco no banheiro
23:34pra respirar um pouquinho.
23:37O pessoal sabe.
23:38Então eu acho que é isso,
23:39manter a essência, né?
23:40Eu acho que é trabalhar,
23:42estudar muito,
23:45se manter atualizada,
23:47não perder o foco.
23:49E acho que eu ouvi muito assim
23:51aquela voz que vem de dentro.
23:53Você tem duas filhas
23:55que você disse,
23:56Luiz e Fernanda, é isso?
23:57Ah, decorei os nomes.
24:00Quais são as questões fundamentais
24:03que você passa pra elas,
24:05que você faz questão
24:06de passar pra elas,
24:08até pra elas se moldarem
24:09como mulheres mesmo.
24:11Elas têm mais de 20 anos, né?
24:12Você disse.
24:13Mas o que foi fundamental
24:15ao longo da infância
24:16e da adolescência
24:17que você fez questão
24:18de conversar com elas sempre?
24:20Bom, acho que é a questão
24:21de independência.
24:23tudo que a gente se torna,
24:26acho que é muito
24:26tudo que a gente passa
24:27e vive na nossa infância
24:28e adolescência.
24:30Então, acho que essa questão
24:31de independência,
24:34são duas mulherzinhas empoderadas,
24:38né?
24:39Mas assim,
24:39eu acho que o mais difícil
24:41é entender que elas têm
24:42as escolhas delas
24:43que não necessariamente
24:44são as minhas.
24:46Até eu venho de uma escola
24:47que é muito mais assim,
24:48onde trabalhar em grandes empresas
24:51durante muito tempo
24:53tinha um valor.
24:54Ela já não tem mais
24:55esse pensamento.
24:56Isso é geracional, né?
24:58É geracional.
24:59Uma geração, eu imagino.
25:00E é isso.
25:01Anos e anos
25:02na mesma empresa.
25:03Então, é você entender
25:04que ela vira pra você
25:06e fala assim,
25:06eu admiro muito você, mãe.
25:09Acho você o máximo.
25:11Mas a sua vida
25:12não é que eu quero pra mim.
25:13Eu quero ter tempo
25:13pra minha família.
25:14Eu quero trabalhar.
25:15Mas eu quero ter mais tempo
25:16pra minha família.
25:17Eu quero ter mais tempo
25:18pra mim.
25:19E aí você,
25:20chega um momento
25:21que já são adultas
25:22e você tá tudo bem.
25:25Então, eu acho que é muito assim
25:27a coisa da liberdade
25:28que tenta pregar,
25:30mas também respeitar
25:31as escolhas
25:33e entender que o mundo
25:33realmente mudou.
25:35Você tem um laboratório
25:36de geração Z dentro de casa.
25:38Olha que maravilha.
25:39É um laboratório
25:40de geração Z dentro de casa.
25:41Elas vão no camarote?
25:42Sempre vão.
25:44Todos os dias?
25:45Vão.
25:45E adoram?
25:46Adoram.
25:46Ah, que bom.
25:47Então, tá indo aí
25:48pelo caminho certo, né?
25:50E você acha,
25:51você sente uma maturidade
25:53nelas cada vez maior
25:54diante dessas conversas
25:56e questões
25:57que vocês foram falando
25:59aí ao longo dos anos?
26:00Eu não tenho a menor dúvida
26:01que hoje
26:02minhas melhores conversas,
26:04meus melhores papos
26:05são com minhas filhas.
26:06Ah, que delícia.
26:07É uma troca,
26:08assim,
26:08é um aprendizado
26:09constante.
26:12Então, passamos
26:12por situações difíceis
26:14recentemente,
26:15elas amadureceram muito
26:16e acho que são
26:17as melhores
26:18trocas mesmo
26:21e entender que,
26:23como eu falei,
26:23assim,
26:23são as escolhas delas,
26:25não necessariamente
26:25são as nossas,
26:27mas a gente vê
26:28que seguem
26:28o caminho do bem
26:29e, enfim...
26:31Isso é o que importa.
26:32Isso é o que importa.
26:33É, você falou
26:34que uma delas
26:35te disse,
26:35ah, eu quero ter tempo
26:36pra minha família,
26:37eu não quero ser como você.
26:38Você sente que você,
26:40em vários momentos,
26:40teve que abrir mão
26:41da sua família
26:42em função do seu trabalho?
26:44Você faria alguma coisa
26:45diferente?
26:47Não sei se eu faria
26:48diferente,
26:49porque...
26:50Eu falo muitas pessoas,
26:51mas vocês também
26:52sofriam de muita coisa.
26:53É verdade.
26:56Vocês iriam ficar felizes.
26:58E, assim,
27:00eu...
27:01Em Salvador,
27:01a gente tem umas facilidades
27:03por ser uma cidade menor.
27:04Então, eu trabalhava
27:05perto de casa,
27:07eu conseguia almoçar em casa,
27:08eu conseguia estar
27:09mais cedo em casa
27:10à noite.
27:11Obviamente,
27:12tinha viagem,
27:13tinha tudo.
27:13não é a mesma coisa
27:14de uma mãe
27:15que não trabalhe.
27:17Mas, dentro do possível,
27:19eu me fazia presente,
27:22mas não chego a ter
27:23um arrependimento.
27:25E você,
27:26essa questão de,
27:27ah,
27:27conseguir conciliar
27:29todos os pratinhos,
27:31todos os lados da vida,
27:33você sempre tentou isso?
27:35Ou você é mais adepta
27:36daquilo?
27:36Ah, tem momentos
27:37que eu vou ter que
27:38focar mais na minha carreira
27:39e tem momentos
27:39que eu vou ter que
27:40focar mais na minha família.
27:41e não necessariamente
27:42dividir tudo
27:44irmamente
27:45o tempo inteiro
27:46que eu imagino
27:47que seja quase impossível,
27:48né?
27:48Pra mim, pelo menos,
27:49é.
27:50Eu sempre foquei
27:51mais em uma coisa
27:52e mais em outra.
27:53Eu tô,
27:53eu tô,
27:54é minha meta.
27:55Tô tendo que aprender.
27:56Pra você te dar,
27:57ter uma noção,
27:58meu apelido em casa
27:59é Miss Função.
28:00eu sempre tenho
28:01que ter uma função.
28:03Casa,
28:04Miss Função,
28:05eu sempre tenho
28:05que estar fazendo
28:06alguma coisa.
28:08Não consegue ficar parada?
28:10Mas eu consigo,
28:11eu gosto de ver
28:11minha série, né?
28:12Aquele momento assim,
28:14meu e tal.
28:16Mas a cabeça
28:17realmente
28:18é bem acelerada.
28:20É, me identifico.
28:21É.
28:21Entendo perfeitamente.
28:23É bem acelerada,
28:24mas eu chego lá,
28:24eu chego lá.
28:26Você também tem
28:26outras parecidas com essa.
28:28É, eu chego lá,
28:29eu chego lá.
28:30E pra gente encerrar,
28:31eu sempre gosto
28:32de fazer a mesma pergunta.
28:34O que que significa
28:34pra você ser protagonista
28:36da sua própria história?
28:37Tem um significado
28:38muito grande pra mim
28:39até estar sentada aqui.
28:41Eu acho que
28:42foi algo que eu nunca
28:43planejei, assim,
28:45ou imaginei.
28:47Mas eu fico
28:48muito feliz
28:48porque eu acho
28:49que foi um caminho
28:51que eu tracei,
28:52talvez até
28:52sem tanto planejamento
28:55como eu mesmo falei
28:55pra mim mesma,
28:56mas que foi construído
28:57com muita verdade.
28:59com muito trabalho.
29:03Eu acho que
29:03principalmente
29:04com muito respeito
29:05pelas pessoas.
29:08Hoje eu acho que
29:09eu digo assim,
29:10tem três palavras
29:11que eu gosto muito,
29:12são três R's.
29:14Que é o reconhecimento.
29:16Então é muito,
29:17eu acho que
29:17estar sentada aqui
29:18é um reconhecimento.
29:19pelo profissional
29:22e até...
29:22Sua trajetória.
29:23Acho que o outro
29:24é reputação.
29:26Então tem muito a ver
29:27também pelo que você é,
29:28pelo que você constrói,
29:30como você trata as pessoas.
29:32E eu acho que
29:33também renovação.
29:34A gente precisa
29:35estar sempre se renovando,
29:37aprendendo,
29:38buscando coisas novas.
29:40e acho que são
29:41coisas que a gente conquista
29:43com verdade,
29:45sendo a gente mesmo,
29:47sem ferir ninguém,
29:49com ética,
29:51com lealdade,
29:52que são valores
29:53que eu valorizo demais.
29:56Luciana,
29:56muito obrigada.
29:57É um prazer ter você.
29:58Obrigada a você.
29:59Muito boa a nossa conversa.
30:00Obrigada a você
30:01e a toda a equipe também.
30:03Obrigada.
30:03Obrigada, Cris.
30:04Obrigada.
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