00:00Repetindo o índice de dezembro, o IPCA de janeiro de 2026 ficou 0,33%, isso de acordo com o IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas.
00:12As principais influências no índice vieram em sentidos opostos.
00:18A gasolina com alta de 2,06% e a luz elétrica residencial, que em geral é uma das vilãs da inflação, com queda de 2,73%, isso nos preços com resultado divulgado hoje.
00:35O acumulado em 12 meses ficou de 4,44%, o acumulado em 12 meses, então a inflação anualizada.
00:43Isso ainda está dentro da meta prevista pelo Banco Central.
00:46Quem comenta mais sobre esse índice e o que afetou e o que podemos esperar para os próximos meses é Arnaldo Lima, líder de relações institucionais da Polo Capital,
01:00a quem eu desejo uma ótima tarde. Seja muito bem-vindo, senhor Arnaldo Lima.
01:07Eu estou enfatizando, porque mais cedo eu chamei, anunciou o senhor, é que eu tenho um amigo chamado Arlindo Lima.
01:14E foi automático eu fazer essa confusão de nomes. Peço perdão público, vou falar aqui com o Arnaldo Lima, líder de relações institucionais da Polo Capital.
01:24Feito os meus pedidos públicos de desculpa, senhor Lima, que aí eu não confundo mais o Arnaldo com o Arlindo.
01:31Senhor Lima, obrigado pela presença, mas vamos falar de inflação.
01:344,44% anualizado, está um pouquinho acima, mas vamos fazer um comparativo aqui, como dizia, como dizem nas pesquisas eleitorais,
01:45está dentro daquela margem de erro, um pouco para cima, um pouco para baixo, nenhuma surpresa.
01:49Vamos começar, Arnaldo, para a gente falar de inflação anualizada.
01:56Tem uma tendência de subida, uma tendência de queda.
01:58Qual que é a tua previsão para os próximos meses?
02:01Boa tarde mais uma vez e me perdão pela gafa que eu cometi mais cedo.
02:05Sem qualquer problema.
02:06Tenho até um antigo chamado Arlindo, então sem nenhum problema.
02:10É um prazer estar aqui conversando com vocês.
02:13Na prática, o resultado veio em linha com o que a gente esperava, com o que o mercado esperava.
02:17Era de 0,33% como o Focus, que é coletado pelo Banco Central toda semana.
02:22Então, o que surpreendeu, de certa forma, foram transportes que respondem por cerca de 20,4% do peso total do IPCA
02:31e saúde e cuidados pessoais que respondem por outros 13,6%.
02:35Naturalmente, com o aumento de 0,6% e 0,7% nessas categorias, o impacto deles no IPCA foi de 0,12% e 0,10%.
02:45O que a gente espera, naturalmente, é que a apreciação cambial tende a favorecer um pouco mais o comportamento da inflação.
02:53Especialmente quando a gente olha o Brasil, a composição de preços comercializáveis responde por cerca de 40% do total dos preços
03:03e 0,60% não comercializáveis.
03:08É por isso que o Banco Central fica muito preocupado com a inflação de serviços.
03:12Está mais ligada à renda e ao mercado de trabalho.
03:15Em contrapartida, os preços livres estão muito abaixo dos preços administrados, como você falou de energia elétrica.
03:22Então, o que a gente percebe é que a redução do combustível anunciado pela presidente da Petrobras ainda não bateu nos preços.
03:30Naturalmente, isso tem uma influência logística, distribuição, impostos.
03:34Mas, naturalmente, os preços administrados tendem a ter um comportamento mais benigno nesse ano.
03:38E a gente entende que a inflação deve fechar ali por volta de 3,9% até o final de 2026.
03:45Arnaldo, eu vou usar o melhor sentido da palavra.
03:49É que os números agora, entre aspas, eles vieram contaminados.
03:53Houve uma baixa expressiva no valor da energia elétrica residencial.
03:57Uma queda de 2,73% por causa de um bônus que estava previsto ali no acordo, a conta de luz,
04:03quando muda de bandeira e tudo mais.
04:06A tendência é que a gente não tenha mais esse benefício, esse bônus, essa queda aí de bandeira.
04:13Então, a gente tem que tomar com dado com os, entre aspas, quais vilões da inflação daqui para frente,
04:20olhando sazonalidade, olhando o clima.
04:23Está chovendo bastante, pelo menos no sudeste.
04:25Não há uma perspectiva de falta de luz, por exemplo, por causa de reservatórios.
04:31Mas o que que, em linha, vocês analistas já colocam num arco de tempo para a gente prestar atenção
04:37do que pode vir a acontecer?
04:39E aí vou parafrasear 90% dos brasileiros, que o ano vai começar agora depois do carnaval, né?
04:45O que a gente tem que ficar de olho?
04:48É, o que a gente sempre tem fé de olho é especialmente inflação de serviços, né?
04:52Porque como o Banco Central, inclusive, se manifesta nos seus documentos, especialmente ali na África do Copom,
04:58os preços ligados ao mercado de crédito, mercado de taxa de juros,
05:05eles arrefeceram numa dinâmica muito, muito forte, como eles esperaram.
05:09Já a inflação de serviços, que é o que a gente considera preços não comercializáveis,
05:14isso ainda continua bastante em alta, né?
05:16Apesar de ter um resultado muito bom nesse mês, ainda está no limite acima do intervalo superior da meta do Banco Central.
05:26Só para esclarecer um pouco o leitor, né?
05:27Todo preço, na prática, ele é híbrido.
05:29Ele tem componentes que são comercializados e componentes não comercializados.
05:33Vamos pensar no pãozinho, por exemplo, né?
05:36É um pão francês, por exemplo.
05:37Cerca da... a grande parte do insumo dele é trigo, que é portado no mercado internacional anti-importador.
05:42Então, toda vez que tem uma apreciação do real frente ao dólar,
05:45essa parte, esse componente do preço fica mais barato.
05:49Por outro lado, você tem energia elétrica, como você disse,
05:52aluguel, o próprio salário do padeiro, do atendente.
05:56Então, isso é onde tem uma dinâmica que o Banco Central atua mais, também vista a sua inércia.
06:01Então, nesse ponto específico, por um lado, a gente tem uma apreciação cambial,
06:04é onde o Brasil começa a receber cada vez mais recursos.
06:07E, logicamente, se a gente tivesse ainda melhor o nosso dever de casa em relação à política fiscal,
06:13teríamos uma apreciação ainda maior.
06:15Mas é um componente que ajuda na dinâmica de preço.
06:18Então, por outro lado, o mercado de trabalho, ele existe reflexões mais aprofundadas, né?
06:23Antigamente, a gente olhava sempre taxa de desemprego em relação à inflação.
06:27Mas hoje, praticamente, é quase que muito difícil uma pessoa ficar desempregada,
06:31uma vez que o IBGE pergunta se a pessoa trabalhou por uma hora na semana de referência.
06:36Então, quem tem, na prática, um carro, um acesso à internet, um celular,
06:41raramente fica desempregado.
06:42Então, a gente gosta mais de olhar sobre a massa salarial ampliada,
06:46quanto de renda existe dentro da economia,
06:50para a gente ver escasamento entre demanda e oferta,
06:53e que isso reflete diretamente nos preços.
06:55Então, o que a gente vê?
06:56Que tem realmente uma queda gradual do nível da atividade,
07:00quando você olha a pesquisa de mensagem industrial,
07:03a pesquisa de comércio, varejo, enfim.
07:05Mas, por outro lado, o mercado de trabalho continua bem pujante,
07:08uma ociocidade bem apertada.
07:12Então, acho que a agenda do futuro é a agenda de produtividade,
07:15para que a gente possa crescer cada vez mais,
07:18com uma inflação mais contida.
07:19Excelente, vamos ficar de olho.
07:21Arnaldo Lima, líder de relações institucionais da Polo Capital.
07:26Agradeço aqui publicamente a participação,
07:28os esclarecimentos no Fast Money.
07:30Lima, até uma próxima oportunidade.
07:33Tchau.
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