00:00Hoje tivemos o dólar perdendo força, caindo, negociado a R$ 5,36, com uma queda de 0,43%.
00:09E a Bolsa Brasileira emendando o sexto recorde seguido, os cinco dias úteis da semana passada,
00:15mas hoje, recordes esses que colocaram a Bolsa Brasileira acima dos 150 mil pontos pela primeira vez.
00:23Ela fechou com 150 mil 454 pontos, uma alta de 0,61%, com participação importante da Petrobras, que teve uma alta de 1,18%.
00:36Nos Estados Unidos, sinais diferentes entre os principais índices da Bolsa de Nova Iorque.
00:43Os papéis de tecnologia tiveram bom desempenho hoje e, por isso, o índice Nasdaq fechou no positivo, com uma alta de 0,46%.
00:51Já o índice geral do mercado, o índice amplo, o SP500, teve uma alta bem menor, de 0,17%, e o Dow Jones caiu 0,48%.
01:03Vamos falar sobre esses movimentos nos Estados Unidos e também esse recorde e essa nova barreira psicológica rompida na Bolsa Brasileira,
01:12a dos 150 mil pontos, agora com o Arthur Horta, sócio da Delinque Investimentos.
01:17Horta, boa noite para você. 150 mil já era, hein, Horta?
01:23Boa noite, Turce. Boa noite para todos que nos acompanham.
01:26Pois é, uma marca boa para a gente comemorar.
01:29Afinal de contas, nossa Bolsa ganhando significa que tem fluxo estrangeiro vindo para o Brasil,
01:37mostrando que, de fato, nossas convicções de que as ações estavam muito baratas,
01:41que a Bolsa poderia subir, então, finalmente se tornando realidade.
01:46O Brasil tem tido um desempenho excepcional desde a segunda metade de outubro,
01:50performado outros mercados emergentes, o que é até um pouco difícil de explicar,
01:55já que internamente a situação não mudou tanto.
01:58A gente continua sendo um país que tem os seus problemas fiscais,
02:02mas, apesar disso, finalmente o mercado começou a olhar para as expectativas de inflação
02:08de uma forma positiva, a Selic começou a agir sobre a inflação.
02:12Então, isso tudo tem ajudado a nossa Bolsa a performar bem e atingir esses 150 mil pontos.
02:19E outra coisa que tem ajudado também são as ações da Vale,
02:22que a gente piscou e elas saíram de R$50 para R$65.
02:26E como a Vale tem um peso muito importante no nosso índice,
02:31isso acabou ajudando o Ibovespa a superar essa marca dos 150 mil pontos.
02:36E a Vale era uma mineradora que estava muito para trás de outras.
02:39Então, a gente viu a Rio Tinto, a BHP, que são as grandes concorrentes da Vale,
02:45performarem muito bem ao longo dos últimos dois anos e a Vale ficava ali largada.
02:49Então, agora ela está fechando esse gap.
02:52Ou, no bom português, essa boca de jacaré que abriu para outras empresas do setor,
02:56e agora a gente pode ver essa Bolsa finalmente ultrapassando a barreira dos 150 mil pontos.
03:03Agora, é raro a gente ver seis recordes batidos em sequência, né, Horta?
03:07Nem sei quando é a última vez que isso aconteceu.
03:09Não sei se vocês chegaram a fazer esse levantamento aí na The Link Investimentos.
03:14Agora, dá para esperar a continuidade desse movimento de alta?
03:17Tem fôlego para subir mais?
03:19Os papéis continuam relativamente baratos ainda?
03:22Tem pichincha ainda para investidor?
03:23É bem curioso isso, né, Tuch?
03:26Na verdade, a nossa Bolsa realmente não engatava uma sequência dessa há bastante tempo,
03:31creio que desde 2023.
03:33Então, já tem aí mais de dois anos que a gente não viu uma sequência tão bonita de
03:38altas como essa.
03:38O final de 2023 foi um período muito bom para a Bolsa, né?
03:43Então, faz bastante tempo que a gente não viu uma alta pronunciada, assim, de vários
03:47dias consecutivos.
03:48E, sim, eu acredito que tem fôlego para a gente buscar novas máximas, porque se a
03:54gente olha o gráfico da nossa Bolsa em dólar, né, se a gente olha para essa tendência
03:58que a Bolsa está tendo em dólar, em real ela foi em linha reta, mas em dólar ela foi
04:04fazendo ali o seu zigue-zague de alta, né, com movimentos primeiro para baixo, depois
04:09para cima.
04:10Então, ela foi alternando esses movimentos, em dólar ela está seguindo uma tendência
04:14que é muito mais natural da gente ver nos mercados.
04:17E a gente vai ter agora a temporada de balanços, ganhando força, principalmente agora no dia
04:225 vamos ter muitos balanços, depois na semana que vem temos também uma série de balanços
04:27de grandes companhias.
04:29E aí o mercado começa a fazer conta se essas empresas estão caras ou baratas.
04:34E a gente ainda tem muita empresa muito barata, com a nossa Bolsa negociando distante do que
04:39é a média histórica dela, de valuation, de preço, de múltiplos, né, de preço sobre
04:45lucro.
04:46Então, à medida que forem saindo os balanços dessas grandes companhias e elas forem anunciando
04:50novos dividendos, forem mostrando crescimento de lucros e tal, a Bolsa tem tudo para andar
04:56mais.
04:57O setor de construção, que é muito relevante, tem mais de 30 empresas listadas, está indo
05:03muito bem.
05:04Os bancos devem reportar muito bem, então grandes bancos aí ainda tem que reportar, né,
05:09o Itaú, o BTG, enfim, o Banco do Brasil também tem que reportar seu balanço.
05:15As mineradoras aí, uma safra já foi, mas tem outras mineradoras ainda para reportar.
05:21As empresas do setor de consumo, praticamente nenhuma reportou e as empresas desse setor
05:26vêm de uma recuperação já ao longo de dois anos, podendo soltar agora o melhor balanço
05:31dentro das últimas oito temporadas, né.
05:35Então, acredito que tem tudo para essa Bolsa andar, sim.
05:38Porta, estamos em semana de Copom, né, o comitê se reúne, começa a se reunir amanhã
05:43para divulgar a decisão sobre os juros na quarta-feira e, principalmente, o comunicado
05:47na quarta-feira.
05:48E, hoje, o boletim Focus mostrou, mais uma vez, aquele movimento contínuo, mas muito
05:55suave, de redução das projeções de inflação pelo mercado, né.
06:00No caso, hoje, a inflação projetada para 26 não mudou, mas para 25, 27 e 28, sim, caiu,
06:06né, a projeção caiu.
06:08O que esperar desse Copom nesse cenário em que as expectativas estão caindo, mas muito
06:14lentamente, Orta?
06:15Olha, o que esperar desse Copom, acredito que ele vai vir em linha com o que foram as
06:20últimas decisões de juros do nosso Banco Central, que é um tom que, na linguagem do
06:25mercado, se chama hawkish, né, ou, para a gente explicar de fora do mercado, um tom duro
06:33com relação à nossa política monetária.
06:35Um Banco Central, ainda, que não quer ceder com relação à política monetária, que
06:40não tem convicção de que nossa inflação está caminhando para a meta de 3%, e eu acho
06:46que essa seria também a decisão mais prudente.
06:49Afinal de contas, o fato do Banco Central ser duro com relação à política monetária
06:55é o que pode dar conforto para o mercado ancorar suas expectativas de inflação.
07:02Significa que isso vai deixar o mercado mais confortável em projetar uma inflação mais
07:06baixa no futuro. E o dever fiduciário do nosso Banco Central é colocar essa inflação
07:12na meta. A meta é 3%, a inflação está acima do teto da meta, acima de 4,5%, né,
07:18então o Banco Central precisa ser firme em trazer a inflação para essa meta, e quanto
07:23mais duro ele for agora, mais ele vai poder baixar os juros lá na frente.
07:28Então, acredito que a gente vai ver um Banco Central ainda hawkish, tá, ainda sem essa
07:32expectativa de flexibilizar, talvez ele não repita uma frase que ele repetiu no
07:37último comunicado, né, que foi de não hesitar em retomar o ciclo de alta de juros.
07:43Eu acho que essa frase hoje em dia não tem cabimento mais, mesmo porque as expectativas
07:47estão ancoradas. Talvez, então, o Banco Central não fale isso, um comunicado um pouco
07:51mais suave, mas ainda sem dar para nós uma projeção de quando é que vai ser esse
07:56primeiro corte da taxa de juros.
07:59Arthur Horta, sócio da The Link Investimentos, obrigado, Horta, pela sua análise, boa semana
08:04aí para você.
08:06Igualmente, boa semana e até breve.
08:08Até.
08:08E aí
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