00:00Estamos de volta com o radar desta segunda-feira. A tensão entre Estados Unidos e Canadá subiu de tom depois que Donald Trump voltou a ameaçar novas tarifas e acusou Ottawa de se aproximar demais da China.
00:13No pano de fundo entram disputas comerciais, pressão por alinhamento político e um impasse diplomático que pode mexer com mercados e cadeias de produção.
00:22Para analisar, vamos conversar com o Viliander Salomão, mestre e doutor em Direito Internacional.
00:29Oi, Viliander, muito boa tarde para você. Seja muito bem-vindo aqui ao Radar. Tudo bem contigo, meu amigo?
00:34Tudo bem, Eric. É um prazer estar de volta à Times Brasil e à CNBC.
00:38Prazer é todo nosso de tê-lo aqui conosco.
00:41Professor Viliander, a gente está vendo aí uma volta talvez da escalada, não vou nem falar comercial, mas talvez tensão mesmo entre Estados Unidos e Canadá.
00:50A relação que estremeceu no ano passado entre Trump e Mark Carney agora voltou aos holofotes porque Donald Trump acusou o Canadá de tentar um acordo de livre comércio com a China.
01:02E aí ameaçou um tarifácio o Canadá. Mark Carney se sentiu acuado e recuou.
01:08Falou, não, a gente não pensa em nada disso, não, em acordo de livre comércio.
01:12Trump usando a sua arma, a sua bazuca tarifária para tentar barrar esses acordos, para não perder espaço também nessas relações comerciais?
01:23Sim, o posicionamento do primeiro-ministro Mark Carney, ele está um pouco mais audacioso contra as investidas de Trump.
01:30Então a gente observa que em Davos, que é o palco do Fórum Econômico Mundial, ele foi uma vitrine das grandes narrativas dos líderes mundiais dizendo a que veio.
01:43Então o Mark Carney está muito seguro em dizer que ele está meio que tentando ser um antagonista da política de alinhamento com Trump,
01:52desde as novas ameaças de impor mais um tarifácio aí como pressão política, né, 100%.
01:59E isso, claro que isso vai abalando ainda mais a relação comercial com o Canadá, ao mesmo tempo que mesmo o Mark negando que haja um acordo de livre comércio,
02:11alguns dias atrás ele foi à China para fazer um acordo, principalmente um acordo de produção de carros chinês elétricos em pleno território canadense,
02:22que é um palco da grande indústria automobilista norte-americana.
02:25Então eu acredito que agora o primeiro-ministro do Canadá, ele vai seguir adiante, né, pelo discurso que ele fez em Davos,
02:34dizendo que não é uma transição da nova ordem, é uma nova ordem mundial, mas uma desconstrução,
02:41e atacando não diretamente os Estados Unidos, mas dizendo ali em Davos a sua real intenção.
02:48Então eu acredito que agora o Canadá, ele vai seguir esse alinhamento mais multilateral, contrário ao alinhamento político com o Trump.
02:58Leander, a gente sabe, né, fazendo a leitura aí da geopolítica, que Donald Trump, ao fazer aquela ação militar na Venezuela,
03:06ele mirava também tirar um pouco de espaço da China e Rússia, né, mas mais da China, aqui na América do Sul.
03:12Quando ele fala em anexar ou comprar ou entrar na Groenlândia, também ele justifica com a questão da segurança, né,
03:21de que a China poderia tomar conta, por exemplo, da Groenlândia.
03:25Agora ele começa a temer também pelo Canadá, né, que é o vizinho ali, né, se a China começa a se ramificar, né,
03:31colocar mãos também ali no Canadá, isso poderia ficar perigoso para os Estados Unidos.
03:37Então o que muda quando a disputa sai do comércio e entra no campo, né, de segurança e alianças internacionais?
03:43Pois é, o Canadá agora está se tornando um grande problema para o Trump, porque o Trump chamou, né,
03:48o Canadá de um elo frágil ali da América, porque os países fazem fronteira terrestre.
03:54E tudo que o Trump tenta evitar é que os seus vizinhos mais próximos tenham um alinhamento mais prolongado com a China,
04:03não só no contexto comercial, mas agora político.
04:06E aí o primeiro-ministro, ele está mesmo, a gente pode ver o discurso dele em Davos,
04:12tensionando mesmo a cultivar essa política multilateral,
04:17onde ele mesmo disse que tanto o Canadá como os outros países se beneficiaram desse modelo multilateral econômico,
04:25mas que agora é a hora de cada um tomar partido de que lado está.
04:30Então o Mark, sim, está realmente inclinado a fazer parcerias não só com a China, mas com outro país.
04:39É como se ele estivesse perdendo o medo da pressão que o Trump está colocando, inclusive, de novo tarefaço sobre o Canadá.
04:48Vilandre, o Canadá é o maior fornecedor de petróleo para os Estados Unidos, né?
04:54Isso pode ter algum reflexo se essa escalada comercial, se esse ruído entre os dois países aumentasse.
05:01Quais os setores tendem a sentir primeiros efeitos de uma escalada entre Estados Unidos e Canadá
05:05e se isso pode influenciar nessa questão do fornecimento de petróleo?
05:10Sim, sempre vai, principalmente porque os Estados Unidos é a principal parceira econômica do Canadá,
05:16mas a China é o segundo maior.
05:18Se tem essa política, vejam só, de fabricação de carros elétricos em pleno solo canadense,
05:25indo contrário à política do Donald Trump de mais cultivar mais o petróleo,
05:30e se está havendo essa crise, é como se o Canadá estivesse realmente fazendo parte daquela política contrária ao petróleo
05:40ou até mesmo reduzindo o petróleo para os Estados Unidos e deixando ele mesmo em crise,
05:45principalmente o mercado automobilístico norte-americano,
05:48diante da preferência do Donald Trump em cultivar essa indústria petrolífera.
05:53Então, eu acredito que vai vir uma grande diversidade econômica do Canadá com a China
06:01se as ameaças do Trump se escalarem.
06:04Se elas aumentarem as ameaças, acredito que o Canadá vai se fortalecer mais
06:09para deliberadamente prejudicar esse alinhamento coercitivo do Trump.
06:17Professor doutor Viliander Salomão, obrigado pela sua participação mais uma vez aqui no Radar.
06:22É sempre bom falar contigo.
06:24Um grande abraço e uma ótima semana para você.
06:26Obrigado, Eric. Um abraço a todos.
06:28Obrigado.
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