00:00Renovação com essas coragem para fazer o que tem que fazer, como vocês tiveram lá nos anos 90, que é muito importante, porque não é fácil, né?
00:08Não, fácil, não tem nada fácil.
00:11Eu me lembro dos corredores polonês na Bolsa de Valores, quando iam começar a privatização de telefonia, as privatizações na área de energia, o que que era, precisava ter muita coragem.
00:22A guerra das liminares, entravam com liminares toda hora para tentar interromper o processo, não foi fácil, precisou coragem.
00:28É, visto com o olhar de hoje, parece, a inflação parece uma coisa tão absurda que, ah, era tão absurdo que foi mole então, todo mundo queria.
00:42Não, ninguém queria, tá?
00:45Eu lembro bem de conversar com parlamentares que diziam, esse negócio de combate à inflação é uma bobagem, coisa de economista que não entende de povo, de Brasil, desiste disso.
00:58Eu ouvi isso, muito, de gente que está aí ainda, hoje, dando palpite, tá?
01:04Mudou para muito melhor.
01:06Sabe aquela maldição que diz que o parlamento sempre piora?
01:10Não.
01:11Eu acho que em muita coisa melhora, muita coisa fica a mesma coisa assim.
01:15Mas, é, é, é, essa experiência foi, é, iluminou muita gente e a gente tem que aproveitar isso que a gente aprendeu.
01:24Gustavo, mas, olhando em retrospectivo, você mencionou muito as economias do sudeste asiático.
01:32O Brasil caminhou muito devagar comparando a esses países emergentes, né?
01:36Tem o crescimento de PIB per capita, geração de riqueza, inserção no comércio global.
01:43É, então, nesse sentido, ficamos para trás.
01:47Ficamos.
01:48É, é a dura realidade, mas é, é, é, é, é preciso enfrentar.
01:54É, é, um número ilustrativo.
01:57Em, mais ou menos, 1980, é, Brasil e Coreia eram, mais ou menos, a renda per capita brasileira e coreana
02:09era, mais ou menos, do mesmo tamanho na faixa de 15% da renda per capita americana.
02:14Hoje, o Brasil é, mais ou menos, 17% da renda per capita americana.
02:22A Coreia é, dois terços para três quartos.
02:27É, deram uma goleada, um 7 a 1 em nós.
02:33A promoção de exportações deu um 7 a 1 na substituição de importações.
02:39Simples como isso.
02:40Então, é o seguinte, apaga e começa tudo de novo.
02:44Ô, Gustavo, você vê nas instituições brasileiras hoje, como você disse, tem gente talentosa dentro,
02:55tem uma, tem um corpo burocrático, é, muito fiel àquilo que faz.
03:00Você acha que hoje a burocracia, de certa forma, essa, esse lado bom, ele serve como resistência
03:08para mudanças políticas absurdas, ou ele resiste até um determinado ponto e, depois daquele ponto, ele acaba se entregando à pressão política?
03:18Olha, o material humano na burocracia é muito bom, posso testemunhar, é claro, mas ele serve para os dois lados.
03:26Se você quiser fazer o mal, também tem gente lá que sabe fazer tudo de ruim.
03:32Então, é, serve para comer a pau que dá em Chico, dá em Francisco.
03:38Você acha hoje que o sistema financeiro brasileiro, por causa dessa independência do Banco Central, está muito mais sólido do que antes?
03:48Você acha que isso é um grande ganho e acha que questões como o Banco Master é um passarinho raro nesse mundo mais coeso?
04:00Ou você teme que entradas de fintechs e outras coisas inovadoras no mercado financeiro pode criar instabilidade nesse setor,
04:09que até pouco tempo foi tão bem regulado e supervisionado pelo Banco Central?
04:17Bom, acho que o trabalho de supervisão e o trabalho de aprimorar a solidez do sistema tem sido excelente.
04:28Desde então, isso é um pouquinho de autoelogio, mas sim, é verdade, dos anos 90 para cá, o Brasil entrou para sócio do Banco de Compensações Internacionais,
04:40que é o Centro Cultural Nefrálgico da Supervisão Bancária Global.
04:49Já desde a minha época, o Brasil sentava no Comitê de Basileia, participou de todas as conversas de alto nível e aproveitou a ocasião do Real para trazer para o Brasil a disciplina de Basileia,
05:05de supervisão bancária de ponta.
05:07que a gente aproveitou, enfim, ali teve o PROER, teve uma opção de número absurdo de liquidações e alterações no sistema bancário decorrente da transição do mundo da inflação alta para a inflação baixa,
05:22que no sistema financeiro, como em nenhum outro setor, foi destruição criadora, para usar a expressão que você usou há pouco.
05:28Foi, o sistema que saiu dali foi muito sólido, com os problemas de concentração, que seja, mas ok, saiu muito sólido e talvez a concentração expressasse uma prioridade prudencial própria daquele momento,
05:47não tanto concorrencial como depois apareceu, quando a inovação apareceu no sistema financeiro e começou a aparecer as fintechs e já de algum tempo o Brasil também teve uma regulação pioneira excelente nesse assunto,
06:07que é de 2013, a lei dos arranjos é de 2013 e ela, ali, o início tem que ver com uma colaboração entre o CAD, o órgão da concorrência, agência reguladora da concorrência,
06:21e o Banco Central, agência reguladora do sistema financeiro.
06:24As duas agências juntas começaram a regular maquininha de cartão de crédito, daqui a pouco perceberam que o cartão pré-pago é mais ou menos feito uma agência bancária,
06:35e isso deu origem, mais adiante, a bancos digitais, que nada mais são que esses cartões pré-pagos transformados em agências bancárias dentro do seu aparelho celular.
06:47O Brasil conseguiu fazer isso, são as fintechs, tem uma certa rivalidade entre bancos e fintechs, rivalidade saudável de competição, mas que às vezes resulta em banco reclamar de fintech,
07:01porque, enfim, meio conversa, tem problemas de mau aproveitamento da regulação com fintechs, tanto quanto tem em bancos.
07:14E tem inovação em ambas as áreas, o sistema financeiro brasileiro tem um lado fintech, contas de pagamento, e um lado bancário,
07:24convivem muito bem graças a... e tem uma coisa que une essas duas esferas do sistema financeiro bancário brasileiro,
07:32que é uma coisa chamada PIX, que é um sucesso internacional e que é a moeda eletrônica, é um sistema,
07:39é uma tecnologia de pagamento que, inclusive, para nós, eu creio, encerrou a discussão sobre moeda digital de Banco Central,
07:48porque é para isso que serve, para fazer pagamentos, e a nossa tecnologia de pagamentos instantâneos é, talvez, a melhor do mundo.
07:55É verdade.
07:56Tá? Vantagem comparativa nossa surgiu aqui num ambiente de competição entre bancos e fintechs, instituições de pagamento, instituições bancárias.
08:07Fez muito bem o regulador, Banco Central e Cade, de fomentar a competição nessa área, porque a inovação ali explodiu.
08:17Para o benefício nosso, tá? O PIX é um produto dessa competição.
08:22É ótimo que tenhamos mais competição e que eles continuem a se estranhar, porque é dessa competição que surge a inovação para o benefício nosso,
08:33nós, os clientes, tá? Nós, os reguladores, também.
08:38É um lugar onde tem muita inovação e a gente vê o produto da competição aparecer de uma forma muito clara para o benefício do cliente.
08:48Gustavo, vamos acabar com essa nota de otimismo para deixar um recado bom para essa turma que está aqui terminando mais um ano.
08:53Muito obrigado pela sua participação aqui na entrevista com o David.
08:56Obrigado por me receber.
08:57E nós ficamos por aqui. E para você que gosta do jeito Jovem Pan de notícias, não deixe de fazer a sua assinatura no site jp.com.br.
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09:20Entrevista com Dávila
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