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A imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros gera grande preocupação na economia nacional. Os economistas André Perfeito e Lucas Ferraz, comentam o cenário, já que o Brasil importa mais do que exporta para os EUA, o que pode agravar o desequilíbrio da balança comercial e afetar diversos setores produtivos.

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Transcrição
00:00Falando sobre a análise econômica, nós temos agora dois especialistas
00:05para avaliar as consequências, não só aqui para o Brasil,
00:09mas também as consequências econômicas.
00:11Primeiro, o André Perfeito, economista, e aqui ao lado dele, o Lucas Ferraz,
00:15que vai falar também sobre as consequências para o Brasil da taxação de 50%,
00:19professor da Fundação Getúlio Vargas e também coordenador de estudos
00:24de negócios globais da FGV e secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia.
00:28Bom, muito obrigado pela participação de vocês.
00:30Eu começo por você, André Perfeito, que tem também esse viés político.
00:36A gente estava comentando com a Dora e com a Deise como você analisa uma decisão econômica
00:42que é tomada por questões políticas de uma espécie, talvez, de retaliação ao Brasil.
00:47De que forma a gente pode entender essa decisão de hoje?
00:51Bem-vindo, André.
00:53Olá, Tiago. Sempre um prazer falar com você, com a Dora e a Deise,
00:56e que na Jovem Pan.
00:58Bem, eu acho que tanto a Dora quanto a Deise, colocar alguns pontos que são muito importantes já.
01:03O primeiro deles é que, ao politizar essa discussão,
01:06o Donald Trump não necessariamente está fazendo um movimento saudável para a direita, por assim dizer.
01:12A gente tem uma situação onde tem uma discussão que ficou fora de prumo.
01:18O que é fora de prumo propriamente nisso?
01:21Vamos supor que mesmo que o Lula quisesse atender a questão do Bolsonaro e das big techs,
01:27que no fundo é isso que ele está falando ali também,
01:29o presidente não teria nem como influenciar isso a curto prazo.
01:32Não tem como reverter isso.
01:34Então, não sobrou outra posição para o presidente a não ser responder de forma correta e protocolar.
01:40É isso, ele vai reafirmar os valores democráticos, enfim, andar nesse tom.
01:45Agora, o que tem aí do campo econômico, e a Deise apontou muito bem, como também estava a nota,
01:53discutir desalinhamento de tarifa com o comércio internacional, francamente, não faz sentido.
02:01Desde 2009, os Estados Unidos têm tido superávites contra o Brasil.
02:06Agora, a questão que se põe é da seguinte ordem,
02:08que é a dimensão política barra econômica, que eu acho que vale a pena a gente entender.
02:11Nos últimos anos, já foi maior a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras.
02:19Hoje está em torno de 12%, 13%.
02:21Esse valor que vai ser taxado, 50% em cima disso, em torno das contas, é disso que você está falando,
02:28tem um efeito que também vai bater muito forte, talvez, no agronegócio.
02:32Não é só no agronegócio, mas também.
02:34Porque o Brasil exporta muito avião, tem bens industriais que exportam,
02:38mas vai ser no agronegócio.
02:40Então, perceba que o ex-presidente Bolsonaro vai estar em uma situação delicada também.
02:46Isso tudo para dizer que vai gerar estresse a curto prazo.
02:51Hoje o dólar já subiu.
02:53O EWZ, que é uma ETF do índice brasileiro, é o Ibovespa em dólar negociado lá fora.
03:00Já teve uma queda significativa.
03:02Mas a gente deve ver esses ruídos ainda se somando nos próximos dias.
03:07Isso que a gente tem que observar.
03:09Tem muita coisa que vai passar por baixo dessa água, que vai passar por baixo dessa ponte ainda.
03:14Professor Lucas Ferraz, muito obrigado mais uma vez por estar aqui na Jovem Pan.
03:18Bom, são mais de 15 dias até essas medidas entrarem em vigor,
03:22se efetivamente entrarem em vigor no dia 1º de agosto.
03:25Mas eu pergunto, se essas medidas já estivessem em vigor,
03:29o que iria acontecer com as exportações brasileiras,
03:33aproveitando a sua experiência que já esteve lá em Brasília?
03:38Bom, boa noite, Tiago.
03:40Boa noite, André.
03:42Boa noite, Dora.
03:43Deise, sempre um prazer estar aqui com vocês.
03:46De fato, foi uma medida, um anúncio inusitado, uma carta inusitada.
03:52Vale lembrar que a tarifa de 50%, se implementada de fato contra as exportações brasileiras,
04:00ela sem dúvida será a maior tarifa já anunciada, pelo menos desde o Liberation Day,
04:07o 2 de abril, à exceção, evidentemente, da guerra bilateral entre China e Estados Unidos,
04:14onde as tarifas chegaram a 145% do lado americano e 125% do lado chinês.
04:20Mas fora a China, quer dizer, o Brasil ali foi colocado, de fato,
04:25com uma tarifa entre as mais altas de todo o resto do mundo, 50%.
04:31Fizemos aqui algumas simulações no âmbito do Centro de Estudos de Negócios Globais da FGV
04:37e estimamos uma queda nas exportações brasileiras para os Estados Unidos
04:43de até 75% em média.
04:47Vamos lembrar que os Estados Unidos é o nosso segundo maior parceiro comercial,
04:53depois da China, e os Estados Unidos é o principal destino das exportações brasileiras
04:59de produtos industrializados.
05:02Ano passado, nós exportamos cerca de 40 bilhões de dólares para os Estados Unidos,
05:0680% disso são produtos da indústria de transformação.
05:11E aqui eu me refiro ao nosso aço semiacabado, a produtos do setor aeronáutico, a celulose,
05:18a produtos também da indústria extrativa, petróleo, etc.
05:23Enfim, uma gama de produtos da indústria que certamente serão afetados.
05:29É importante lembrar que o Brasil é uma economia bastante fechada
05:34e os impactos em nível agregado não tendem a ser tão grandes.
05:38Mas, evidentemente, sob o ponto de vista setorial,
05:41isso é uma tremenda de uma má notícia para a indústria brasileira.
05:45Eu peço um minutinho da atenção dos...
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