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O governo brasileiro comemorou a aprovação histórica do acordo Mercosul-UE, que reúne 720 milhões de pessoas e mais de US$ 22 trilhões de PIB. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o pacto pode entrar em vigor ainda este ano, enquanto agricultores europeus protestam contra o impacto do comércio. Guilherme Ravache analisou o comércio, investimentos, sustentabilidade e a influência da postura americana na negociação.

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Transcrição
00:00O governo brasileiro comemorou a aprovação do Acordo Mercosul-União Europeia pelos países europeus.
00:07O presidente Lula disse que esse foi um dia histórico para o multilateralismo.
00:12Uma nota conjunta do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
00:19destacou que o acordo vai ser o maior já negociado pelo Mercosul, reunindo 720 milhões de pessoas
00:29e um PIB superior a 22 trilhões de dólares.
00:33Numa entrevista coletiva, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin,
00:39diz que a expectativa é de que o acordo entre em vigor ainda esse ano.
00:44Vamos à Brasília, então, conversar com a repórter Thalita Laurino, que acompanhou a repercussão
00:49e tem as informações ao vivo para a gente. Boa noite, Thalita.
00:54Oi, Cris. Boa noite para você e para todos.
00:57Olha, durante essa coletiva com o vice-presidente Geraldo Alckmin, ele não quis dar uma expectativa
01:04para a gente de quando vai ser assinado o acordo do Mercosul-União Europeia.
01:10Ele só afirmou que isso pode acontecer na semana que vem e nos próximos dias.
01:15Esse acordo deve ser assinado no Paraguai, já que o presidente do Paraguai agora também
01:21é o presidente do Mercosul. Além disso, assim que é assinado esse acordo,
01:28ele ainda vai chegar aqui no Brasil e precisa ter um acordo internalizado em cada parlamento.
01:34Ou seja, o Congresso Nacional precisa aprovar isso ainda no primeiro semestre,
01:39um acordo internalizado para que aí sim a vigência desse tratado Mercosul-União Europeia
01:45passe a valer aqui no Brasil. Alckmin também disse que a mudança de postura do país,
01:51do Brasil especificamente, em relação à sustentabilidade, fez toda a diferença
01:56para que a União Europeia tivesse, então, a intenção de fechar esse acordo.
02:01Em nota mais cedo, o presidente Lula ainda disse que é um dia histórico para o multilateralismo.
02:07Ele disse que o acordo soma, então, 718 milhões de pessoas e um PIB de mais de 22 trilhões de dólares.
02:16Além disso, Lula lembrou que esse acordo é uma sinalização a favor do comércio internacional
02:22diante de um cenário de protecionismo e de unilateralismo.
02:27Além dele, o vice-presidente Geraldo Alckmin também se manifestou
02:33e o próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
02:36Ele comemorou, então, esse fechamento do acordo e disse que tem um significado histórico
02:44não só pelo lado econômico, mas também pelo lado geopolítico.
02:49Vamos ouvir agora, então, um trechinho do que disse o vice-presidente Geraldo Alckmin
02:53durante a coletiva. Ele que foi um dos únicos a se manifestar presencialmente,
02:58falando com a imprensa e não por redes sociais. Vamos ouvir.
03:03O acordo deve ser assinado nos próximos dias e a nossa expectativa é de que a vigência
03:09ocorra este ano. Tem que ser internalizado, ou seja, aprovar uma lei no Congresso Brasileiro,
03:19no Congresso da Argentina, Uruguai e Paraguai, o Bolívia ainda não, e no Parlamento Europeu.
03:26Agora, se nós aprovarmos, por exemplo, no primeiro semestre agora, o acordo,
03:33internalizarmos o Congresso Brasileiro votar no primeiro semestre, nós não dependemos
03:39da Argentina, Paraguai e Uruguai. Já entra em vigência. A nossa expectativa é de vigência
03:45ainda este ano. Houve um empenho do presidente Lula, como presidente, inclusive, do Mercosul,
03:54lutando pelo multilateralismo. A mudança da postura do Brasil em termos de sustentabilidade,
04:02sustentabilidade, o compromisso do Brasil com acabar com o desmatamento, com preservação de floresta,
04:09com menor emissão de carbono. Nós apresentamos, na COP29, lá em Baku, no Azerbaijão, um dos melhores
04:18índices de NDCs, que é compromisso de redução de emissão de gás de efeito estufa, principalmente
04:26de CO2. Então, esse compromisso com a sustentabilidade ajudou. Um conjunto de fatores que foram avançando.
04:34A expectativa agora é pela assinatura da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen,
04:41o que pode acontecer já na segunda-feira. Mas isso não significa a imediata entrada em vigor
04:47do acordo com o Mercosul. Ainda é preciso o aval do Parlamento Europeu, o que, além do resultado
04:54incerto, pode levar semanas para acontecer.
04:58Fontes diplomáticas confirmaram que uma maioria qualificada de países da União Europeia
05:03aprovou, nesta sexta-feira, em uma reunião em Bruxelas, o Acordo de Livre Comércio
05:07com o Mercosul, negociado há décadas e criticado pelo setor agropecuário europeu e pela França.
05:13Com o sinal verde, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar
05:18à Assunção para assinar na segunda-feira o acordo comercial, que vinculará o bloco
05:21à Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.
05:24Após mais de 25 anos de negociações, Bruxelas aprovou a criação da maior zona de livre
05:29comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores, e que eliminaria tarifas
05:34de mais de 90% do seu comércio bilateral.
05:38A versão final inclui ainda várias cláusulas para acalmar a oposição dos agricultores
05:42europeus, que temem o impacto de uma chegada intensa de carne, arroz, mel ou soja, em troca
05:47da exportação de veículos, maquinaria, queijos e vinhos europeus para o Mercosul.
05:52Os críticos do pacto, a começar pela França, acreditam que o mercado europeu pode ser seriamente
05:58abalado pela entrada de produtos sul-americanos mais competitivos, devido às normas de produção
06:02consideradas menos rigorosas.
06:04Já os defensores, como Espanha e Alemanha, consideram ao contrário, que o acordo vai
06:09diversificar as oportunidades comerciais para o bloco, ameaçado pela concorrência chinesa
06:14e pela política tarifária dos Estados Unidos.
06:17Olaf Gill, um dos porta-vozes da comissão, afirmou que o acordo é fundamental para a União
06:22Europeia, no plano econômico, político, estratégico e diplomático.
06:26Embora a assinatura avance a assunção, o acordo não entrará imediatamente em vigor,
06:31já que do lado europeu é também necessário o aval do Parlamento Europeu, que só deve
06:35se pronunciar daqui várias semanas.
06:38No legislativo do bloco, o resultado é incerto, já que cerca de 150 eurodeputados, de um total
06:44de 720, ameaçam recorrer à Justiça para impedir a aplicação do pacto.
06:49A reação dos agricultores europeus foi imediata.
06:55Houve protestos em pelo menos quatro países da União Europeia.
07:01Agricultores europeus, mobilizados há meses na tentativa de barrar a conclusão do acordo
07:05entre a União Europeia e Mercosul, realizam protestos nesta sexta-feira em vários países.
07:11As manifestações se multiplicaram pouco depois da aprovação mais cedo do Pacto entre
07:15os blocos, negociada há mais de 25 anos e que criaria a maior zona de livre comércio
07:20do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores.
07:24No lado belga da fronteira com a França, parte da rede de autostradas foi bloqueada ainda
07:28de madrugada, em uma tentativa de fazer suas vozes serem ouvidas.
07:32Eles nos fizeram investir, nós investimos.
07:38Fazemos tudo o que nos pedem para podermos produzir corretamente.
07:41E ainda assim vão importar coisas que não atendem aos mesmos padrões que os nossos.
07:45É realmente absurdo.
07:48Em Estrasburgo, na França, a cena era a mesma, com agricultores apoiados por colegas
07:53alemães usando tratores para bloquear uma ponte sobre o rio Reno.
07:56As ruas de Varsóvia, capital polonesa, também foram tomadas por cerca de mil agricultores
08:02insatisfeitos com a aprovação do acordo.
08:07Até agora fomos o depósito de lixo da Europa.
08:09Agora seremos o depósito de lixo do mundo.
08:12Receberemos alimentos do Mercosul ou da Ucrânia, que são sem dúvidas de qualidade muito inferior,
08:17produzidos com pesticidas que foram proibidos na União Europeia há muitos anos.
08:20Em Milão, o protesto se concentrou na Piazza Duco d'Aosta, com tratores e bandeiras italianas
08:27como parte do ato.
08:29A Itália, que em dezembro havia se alinhado à oposição liderada pela França e conseguido
08:33então bloquear o acordo, mudou de posição nesta semana.
08:40Parece-me que o equilíbrio que foi alcançado é sustentável, e espero que o acordo traga
08:44benefícios em muitas áreas, como acredito que acontecerá, e idealmente para todos.
08:48A primeira-ministra italiana ainda destacou que o governo só passou a apoiar o acordo
08:57a partir do momento em que foram oferecidas garantias suficientes para os agricultores.
09:02Nos últimos meses, a Comissão Europeia elaborou uma série de cláusulas e fez diversas concessões
09:07para tentar conter a insatisfação de agricultores e pecuaristas.
09:11Entre as medidas estão garantias para os setores de carne, aves, arroz, mel, ovos e etanol,
09:16limitando as cotas de produtos latino-americanos isentos de tarifas e prevendo intervenções
09:21em caso de desestabilização do mercado.
09:24O braço executivo do bloco também anunciou que abrirá uma investigação se o preço de
09:28um produto do Mercosul for pelo menos 8% inferior ao da mesma mercadoria na União Europeia
09:33e se o volume de importações aumentar mais de 8%.
09:37A Comissão ainda se comprometeu a legislar sobre resíduos de pesticidas nas importações,
09:42um ponto que os agricultores denunciam como indício de concorrência desleal,
09:46além de ter proibido totalmente nesta semana mais três substâncias,
09:50sobretudo em cítricos, mangas e mamões.
09:52Eu vou conversar agora sobre esse assunto com o nosso analista de negócios, Guilherme Havaschi.
09:59Guilherme, boa noite para você.
10:01Guilherme, de certa forma, o presidente americano Donald Trump acabou influenciando nesse acordo?
10:07Boa noite, Cris.
10:08Sem dúvida, a postura do Trump é uma postura bastante agressiva com a Europa.
10:14A questão de não dar apoio militar para a Europa ou insinuar que não apoiaria a Europa,
10:25no caso de uma invasão russa, colocou a Europa numa situação bastante delicada.
10:30Europa que já trava disputas com a China, tem um clima de tensão com os chineses,
10:38precisava recorrer a outro mercado.
10:40Trump com suas tarifas, sua aversão ao governo europeu, não era uma alternativa para os países da Europa.
10:49China também não parece ser um território seguro, logo, a América do Sul,
10:54que é um mercado que tem produtos que são essenciais para a Europa,
10:58inclusive minerais raros que a China tem controlado,
11:04a gente tem aqui na América do Sul, tem no Mercosul.
11:08Então, isso também é importante para a Europa.
11:12Então, talvez o Trump seja o grande derrotado, até porque, com a redução das tarifas entre Europa e Mercosul,
11:19a gente também vai ter uma pressão inflacionária nos Estados Unidos,
11:25ou mesmo uma indústria americana mais pressionada na questão dos preços.
11:32Então, pode ter repercussões nos Estados Unidos, sim, esse acordo,
11:36caso ele seja aprovado e avance mesmo no Parlamento Europeu.
11:40Obrigada, Guilherme. Já já te chamo novamente.
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