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O Parlamento francês rejeitou o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, citando impactos na agricultura e aumento do desmatamento na Amazônia. José Niemeyer, economista e professor do Ibmec Rio de Janeiro, explicou as implicações para exportações de soja, carne e serviços, e como o Brasil busca pressionar a aprovação antes de dezembro.

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Transcrição
00:00Estamos de volta e o Parlamento da França se posicionou hoje contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e Mercosul.
00:07Eles argumentam que o acordo vai prejudicar os produtores franceses, além de produzir mais desbatamento na Amazônia.
00:15Os parlamentares franceses reiteraram a exclusão do acordo comercial entre a União Europeia e Mercosul nesta quinta-feira.
00:22A Assembleia Nacional aprovou uma resolução promovida pelo partido de esquerda radical França Insubmissa,
00:30que exige que o governo se oponha ao acordo.
00:33O acordo de livre comércio busca favorecer as exportações de carros, máquinas e vinhos europeus para Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai,
00:41em troca da facilitação da entrada de carne, açúcar, arroz e soja da América do Sul.
00:49Esta é uma vitória importante, uma votação muito clara e decisiva da Assembleia Nacional,
00:55reafirmando por unanimidade sua rejeição ao acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
01:02É o maior acordo de livre comércio já concluído pela União Europeia,
01:06um acordo devastador do ponto de vista ecológico, agrícola e de saúde.
01:11Sobretudo, ameaça o clima do planeta através do desmatamento da Amazônia, que deve crescer.
01:16Ameaça também os pecuaristas franceses.
01:18Portanto, deve enfrentar uma oposição firme, total e decisiva aqui na França.
01:24Os agricultores franceses temem que o mercado esteja inundado por produtos agrícolas do Mercosul.
01:29Para que o acordo entre em vigor, é necessária a aprovação do Conselho da União Europeia,
01:34que abrange os 27 Estados membros do bloco e do Parlamento Europeu.
01:38A França sozinha não pode bloquear o acordo no Conselho,
01:41uma vez que sua adoção requer a maioria dos votos.
01:44A Comissão Europeia espera que esta aprovação ocorra em dezembro.
01:48Já a aprovação pelo Parlamento Europeu deve ser mais difícil.
01:54E sobre essa decisão do Parlamento francês,
01:58eu converso agora com José Niemeyer,
02:00ele é economista e professor de Relações Internacionais do IEMEC Rio de Janeiro.
02:05Boa noite, José Niemeyer, tudo bem?
02:07Como é que vai, Felipe? Prazer falar com você e com o assinante da CNBC.
02:11Muito bom, boa noite.
02:13Professor, a aprovação do acordo pelo Conselho Europeu,
02:15ele precisa de pelo menos 55% dos Estados membros.
02:19Quer dizer, o mínimo de 15 países que representam 65% da população total da União Europeia.
02:25Pra bloquear, bastam quatro países contrários, desde que eles tenham 35% ou mais dessa população.
02:33Bom, temos França, temos Polônia, Hungria, Irlanda, Áustria.
02:37Os países que se posicionaram mais contra esse acordo,
02:41eles somam 130 milhões de habitantes, que dá 28%.
02:45Ainda está longe dos 35%.
02:47Existe um risco desse acordo não sair?
02:50Olha, tomara que o acordo saia,
02:52porque o acordo é bom para o comércio internacional
02:55e o acordo vai fazer com que a agricultura francesa aprimore mais suas técnicas
03:02ou pelo menos gere mais competição.
03:05Eles têm uma agricultura subsidiada, nós não.
03:08Não é verdade, é uma inverdade,
03:12uma inverdade dizer que a produção agropecuária brasileira desmata a Amazônia.
03:19É uma inverdade.
03:21O que se produz de pecuária na Amazônia, nas franjas da Amazônia,
03:25a Amazônia é uma região muito grande e muito misturada com o cerrado e tal,
03:32em algumas partes da Amazônia, nas franjas da Amazônia,
03:36talvez ali você tenha alguma pecuária que não é tão relevante assim.
03:40A agricultura você não tem nenhuma.
03:42Precisa explicar para o deputado francês, que falou na reportagem,
03:46que não se planta soja em região de floresta da Amazônia.
03:51Isso é uma falta de conhecimento total,
03:54total do ponto de vista agropecuária.
03:57Então, esse deputado precisa se informar melhor.
04:00Eu acho que era um deputado.
04:02E tomara que o acordo saia, porque a comida vai chegar em maior quantidade,
04:07melhor preço e vai beneficiar os moradores das grandes cidades,
04:11das cidades médias e do país inteiro,
04:14não só na França como na União Europeia.
04:16E a União Europeia vai exportar para o Brasil produtos,
04:19inclusive com bastante valor agregado,
04:22que vai favorecer muito a indústria europeia.
04:25Eles vão também exportar serviços governamentais,
04:28ligados a compras governamentais.
04:30Isso está no acordo.
04:31O que é isso?
04:32Explicar para o ouvinte da CNBC.
04:35É você poder fazer com que todas as construtoras,
04:39por exemplo, as grandes construtoras de construção pesada europeias,
04:42investam em obras públicas no Brasil e obras privadas,
04:46nas parcerias público-privadas.
04:49Isso é um grande negócio para a União Europeia,
04:52exportação de serviços, por exemplo, de construção civil.
04:55Agora, eles vão ter que, em troca, abrir os mercados, sim,
04:59para a nossa soja, para o nosso açúcar.
05:02Eles produzem açúcar, Marcelo, Felipe, desculpe,
05:05eles produzem açúcar da beterraba.
05:09Não tem a menor capacidade de você suprir a demanda da sociedade europeia
05:15produzindo açúcar da beterraba.
05:17Eles produzem a pecuária desses países,
05:20é uma pecuária com baixo grau de produtividade.
05:23Todos nós sabemos disso.
05:24Então, eles vão ter que abrir o mercado para os produtos brasileiros.
05:31E, olha, eles até vão se assustar,
05:33porque nós vamos também ter vinho, queijos.
05:36Claro que não competem, me parece, com os vinhos franceses em qualidade.
05:41Alguns acham que sim, outros acham que não.
05:43Mas eles vão abrir os mercados e nós vamos comprar mais produtos europeus.
05:47E, mais importante, vamos comprar serviços europeus.
05:50Ah, mas isso vai criar um êxodo rural.
05:54Por exemplo, o interior da França.
05:56Porque o agricultor, mesmo com o subsídio do Estado,
05:59que nós não temos aqui na nossa agricultura,
06:01o agricultor vai acabar indo viver nas periferias de Paris.
06:05Pode acontecer.
06:06E aí, o Estado de bem-estar social francês,
06:09o welfare state europeu,
06:11vai socorrer essas pessoas.
06:13Agora, até agora, o que eu falei aqui é livre mercado.
06:18É algo positivo para as trocas internacionais.
06:21Eu espero que o parlamento europeu e os países que o formam
06:25tenham essa noção moderna de comércio.
06:29Neymar, a gente vê que, por exemplo, a Alemanha e a Espanha
06:31são bem favoráveis a esse acordo.
06:33Bom, mas o presidente Lula anunciou uma data.
06:35Ele falou que até o dia 20 de novembro,
06:3720 de dezembro, desculpa,
06:38esse acordo vai ser assinado.
06:40A gente teve hoje empresários brasileiros na França,
06:44também, conversando com o presidente Emmanuel Macron,
06:46pressionando, de certa forma, para sair ao acordo.
06:48O fato do presidente Lula marcar uma data,
06:51isso coloca uma pressão a mais nos parlamentares franceses?
06:55Quer dizer, a proximidade dessa data
06:57acaba dando uma reação maior?
06:59Eles estão reagindo de maneira mais forte?
07:02Olha, Felipe, todo mundo tem uma data,
07:04todo mundo trabalha com uma agenda na vida.
07:06E o presidente Lula tem uma agenda.
07:07Qual é a agenda do presidente Lula?
07:09É uma agenda eleitoral.
07:10Para ele conseguir aprovar o acordo antes de terminar o ano,
07:13ele entra em 2026 com mais uma grande vitória
07:16no sistema internacional, econômico internacional.
07:19Além do tarifácio que o governo Lula conseguiu dobrar,
07:22as ações impostas pela Casa Branca,
07:25até agora negociou muito bem,
07:27ele vai tentar negociar também
07:28e conseguir firmar, assinar o acordo do Mercosul.
07:31Aí ele fica com dois objetos de vitória
07:34no plano internacional,
07:35que cada vez mais fortalecem a sua candidatura à reeleição.
07:40Niemeyer, a França está exigindo cláusulas de salvaguarda agrícola
07:45que são bem robustas, além das medidas já apresentadas
07:48pela Comissão Europeia em setembro.
07:51Fala-se, inclusive, de um fundo de 6 bilhões de euros
07:53para garantir essa competitividade.
07:55Do ponto de vista dessas regras da OMC,
07:58da Organização Mundial do Comércio,
07:59essas demandas francesas, elas são compatíveis
08:02ou elas são mais uma forma de protecionismo?
08:04Forma de protecionismo, como é também.
08:08Nós poderíamos questionar o subsídio agrícola europeu
08:10de décadas, desde sempre.
08:13E nós estamos lá, produzindo nosso açúcar,
08:16exportando nosso açúcar sem nenhum subsídio,
08:18exportando nossa soja sem nenhum subsídio,
08:21exportando nossa carne de frango sem nenhum subsídio,
08:23exportando nosso milho sem nenhum subsídio,
08:25exportando nosso algodão sem nenhum subsídio.
08:27Podia ficar a noite inteira falando de produtos
08:29que nós exportamos com qualidade, preço e quantidade.
08:32E eles não.
08:33Eles ficam protelando com essas medidas,
08:36que são medidas, na minha visão,
08:38anti-comércio internacional.
08:40O que está acontecendo?
08:41Eles estão, na verdade, aprofundando o déficit público europeu,
08:44francês, por exemplo, com subsídios,
08:46não colocam uma comida com preço e quantidade
08:49na mesa do europeu e do francês,
08:51está prejudicando a população.
08:53Volto a dizer,
08:53ah, mas parte dos produtores franceses,
08:56ou uma grande parte terá o seu negócio interrompido
09:00ou prejudicado.
09:01Pode ser, pode ser.
09:03Eles vão ter que se reinventar,
09:05buscar outras atividades econômicas,
09:07talvez naquilo mesmo ligado ao agronegócio francês,
09:10que eles são mais competentes,
09:12e vão tocar a vida para frente,
09:15fazer outros negócios.
09:16O Brasil está, desde a década de 70, Felipe,
09:19desde a década de 1970, do século passado,
09:21que o Brasil investe em pesquisa,
09:23em produtividade, em preço,
09:24em qualidade da mão de obra no campo.
09:27Nós também temos que participar do comércio internacional
09:30a partir disso.
09:31Isso é um mérito do Brasil.
09:33Essa é uma relação meritocrática do Brasil
09:35com o sistema internacional.
09:37O que os franceses pensam sobre o comércio internacional
09:40na área de água e pecuária
09:41não é baseado em meritocracia,
09:44é baseado em favorecimento,
09:46em privilégios,
09:47privilégios do agricultor francês,
09:50com relação a subsídios,
09:52a barreiras não tarifárias,
09:55invenções,
09:56invenções com relação
09:58ao desmatamento da Amazônia,
10:00que é o que vai aumentar a produção do Brasil.
10:03O Brasil pode aumentar,
10:04o Brasil tem hoje,
10:05mais ou menos,
10:07o que se utiliza em parte agrícola,
10:10em torno de 12% do território.
10:12Se o Brasil aumentar isso para 15%,
10:14Felipe,
10:15e a gente conseguir a saída para o Pacífico,
10:17que a gente não tem ainda,
10:19aí nós vamos realmente incomodar o mundo todo.
10:22Saindo para o Pacífico
10:23e aumentando um pouco para 15% a área agrícola,
10:26e você aumenta para 15% sem derrubar uma árvore.
10:30Sem derrubar uma árvore, você aumenta.
10:31Você aumenta a produção do Paraná,
10:33Santa Catarina, de São Paulo,
10:35do Mato Grosso, do Mato Piba,
10:37Camaranhão, Tocantins, Bahia e Piauí.
10:40Aumenta Rondônia,
10:41que é uma...
10:42Rondônia até tem um pouco de franja amazônica,
10:44é verdade,
10:45mas lá, você sabe como funciona?
10:47Você sabe, lá,
10:48você tem 20% que você pode usar da fazenda,
10:51os outros 80% são intactos.
10:53Então, não existe um código florestal
10:55da qualidade do nosso código florestal.
10:58Se eu pegar com você um avião agora
11:00e fomos para os rios,
11:01fomos andar no interior da França,
11:03nós vamos ver um monte de rio,
11:05um monte de rios franceses,
11:06que eles plantam até a margem do rio Beterraba
11:08e produtos agrícolas.
11:10Todos os rios no Brasil,
11:12todos,
11:13você pode perceber que tem mata ciliar plantada,
11:16o replantada.
11:18Então, não dá para eles falarem de questões ambientais,
11:21nós temos como mostrar isso na prática para eles.
11:23Agora, o presidente Macron,
11:24ele tem que vir visitar todas as regiões do Brasil
11:27e não ficar só indo à Amazônia
11:29e dizer que lá que nós produzimos soja.
11:30Ele conhece,
11:31ele não conhece a agropecuária brasileira.
11:34Nós não produzimos soja na Amazônia,
11:35isso é uma inverdade.
11:36Bem, então, já falei isso muito,
11:38não quero ficar cansativo,
11:40mas é importante,
11:41é importante que o Brasil mostre
11:43a maneira que ele produz
11:45e de que maneira que produz,
11:47do ponto de vista de falta de subsídio,
11:49não tem subsídio,
11:50é a produtividade que vem aumentando,
11:52e tocar para frente esse acordo,
11:53que vai ser muito bom para o povo europeu.
11:56Eles vão exportar serviços
11:57de produtos industrializados para o Brasil,
12:01produtos e serviços que o Brasil não produz
12:03e precisa importar.
12:04Essa é a regra do comércio internacional.
12:07Muito bem.
12:07Eu conversei com José Niemeyer,
12:09economista e professor
12:10de Relações Internacionais
12:12do IBMEC Rio de Janeiro.
12:14Professor, obrigado mais uma vez pela conversa.
12:16Felipe, é sempre um prazer falar com vocês,
12:19porque eu sempre digo,
12:19e vocês estão agora completando
12:21o ano de trabalhos no Brasil,
12:23parabéns,
12:23porque é um canal que trata
12:24de economia, de negócio,
12:26mas também de política,
12:27de economia política,
12:28então é um canal muito democrático
12:30nos assuntos que trata aqui.
12:32Parabéns.
12:32Com certeza.
12:33Volte sempre, professor.
12:33Obrigado mais uma vez.
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