No Visão Crítica, o economista Bruno Lavieri analisa a atuação do Banco Central diante dos recentes acontecimentos no sistema financeiro, destacando que a autoridade monetária fez o que deveria ser feito no momento adequado. O especialista diz que as medidas adotadas pelo BC seguem critérios estritamente técnicos e reforçam a imagem da instituição como uma das mais sólidas do Brasil, com histórico de decisões baseadas em regulação, estabilidade e previsibilidade.
Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/h5TB3uxbQjk
Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal: https://www.youtube.com/c/jovempannews
00:00E alguns falam assim, não, ele já devia ter agido naquele momento, porque os sinais já demonstravam que o banco estava em situação muito difícil, havia denúncias disso, daquilo, créditos podres comprar dali, acolá.
00:14Na tua opinião, demorou ou não?
00:16Acho que é difícil dizer se demorou ou não, sem ter ali conhecimento de todos os dados, mas a impressão que dá é que realmente o Banco Central fez o que tinha que ter feito quando deveria ter feito.
00:26A gente sabe, e reforçando a fala do Hugo, o Banco Central é uma das instituições, ali no sentido Douglas North, da palavra, mais sólidas do Brasil.
00:39Ou seja, saem as pessoas, saem as peças e o barco continua no mesmo rumo.
00:45Enfim, ainda que agora tenha também independência formal em relação ao governo, a verdade é que são decisões técnicas.
00:53É uma decisão ali de mérito, você tem os parâmetros que foram observados, o Banco Central viu que o Banco Master não tinha mais a liquidez necessária, não tinha condições de prosseguir, liquida.
01:06Então, é difícil a gente julgar se foi cedo ou tarde demais, mas é uma decisão sólida, eu diria que altamente confiável por parte do Banco Central.
01:16Nelson, Nelson Marconi, pegando a mesma questão e agregando uma segunda questão para você, para colocarmos na roda também.
01:25O Brasil não tem um número muito pequeno de bancos?
01:28Tem um mercado financeiro muito concentrado, realmente, isso é um pouco, foi se montando aquela herança da época da inflação alta, os bancos foram se concentrando, houve aquela fusão, alguns bancos foram sendo vendidos.
01:44Você fez uma função e depois toda essa dinâmica de juros altos acabou favorecendo muito alguns bancos que operavam muito com títulos públicos.
01:54Você vê que tem um banco internacional, ele tem dificuldade muitas vezes de se estabelecer aqui, porque ele tem outra lógica de financiamento.
02:00Aquele, por exemplo, HSBC, se não me engano, entrou aqui e saiu. O que acontece? Por que eles não gostam do Brasil?
02:06Eu não sei se eles não gostam do Brasil, mas aí funciona uma coisa que é justamente, quando você tem poucas organizações num mercado e elas atuam conjuntamente, elas fazem o possível para evitar que entrem novos competidores.
02:21Isso claramente é o que acontece, que é o que a gente chama de um cartel.
02:25E no caso do sistema financeiro, isso parece que é muito claro aqui pelo grau de concentração que você tem.
02:31Desconcentrar, como você mesmo falou no começo, quer dizer, era uma ideia de que o Vocar ou o Banco Master podiam fazer, né, tudo mais.
02:39E isso seria importante, né, mas parece que ele aproveitou essa brecha para fazer outro tipo de operação, como, por exemplo, fazer essas empréstimos, né,
02:48que a gente fala, ou empréstimos não, aplicações, né, certo oferecer aplicações que rendiam mais do que o dinheiro que ele recebia,
02:56pelo dinheiro que ele, no que ele aplicava, que é CDI a 140, 130%.
03:00Quer dizer, isso não tem como sustentar a média e longo prazo.
03:03E vendo como é que ele estava fazendo as operações, quer dizer, o Banco Central podia.
03:07É difícil, concordo com vocês plenamente dizer, mas assim, é uma coisa que já estava levantando, de certa forma, a atenção de todo mundo, né.
03:15Acho que a sinalização...
03:16Demorou? Na tua opinião, demorou? Eu vou passar...
03:20É difícil, como eu digo aqui, é difícil dizer, mas eu entenderia que demorou um pouco, pelo menos,
03:24por toda a movimentação que já existia no mercado, e o mercado mesmo esperava que isso fosse acontecer.
03:29Já tinha fumaça, né, já tinha fumaça.
03:31Então, de certa forma, o órgão regulador, eu concordo que ele é muito competente, eu concordo que ele tem um corpo técnico muito adequado,
03:38mas ele podia ter se antecipado um pouco.
03:40Hugo, o que eu, complementando aqui a análise, né, o que eu considero como ponto fundamental da liquidação foi a tentativa de transação com o BRB.
03:50Aí, foi onde caiu ali o castelo de cartas e que o Banco Central falou, não, não dá, né, porque nitidamente era uma operação para ele se livrar daquele ativo
04:01e falar, vou pegar aqui, vou passar a batata quente para outro.
04:06O que são créditos podres? E de uma forma muito rudimentar, como o senhor falou, né.
04:11E o que eu acho ainda mais, utilizando aqui o acadêmico, né, ou seja, incisivo, é que foi uma fraude com zero sofisticação,
04:23ou seja, não tinha nenhum interesse ali em esconder o que estava acontecendo.
04:27Meu querido filho Raul, que de nove anos está me assistindo em casa aqui, foi para a quarta série do primário ano que vem,
04:33que é bom de matemática, se eu der um balanço para ele ali do Banco Massa na época, com certeza ele ia falar,
04:38papai, não, aqui não dá para ter um banco, né, até muito melhor aí que muito deputado federal aí em Brasília.
04:45Mas, de fato, um crédito podre, né, o que é um crédito podre?
04:49Tudo na economia tem que ter lastro, né, quando você fala de economia você tem que ter lastro de alguma forma.
04:55Se você, na época que nós tínhamos cheque, né, a gente passava cheque, ou seja, se eu dava um cheque,
05:01eu tinha que ter saldo na conta, isso é um lastro, né, ou seja, dentro da economia você tem o lastro.
05:07Um crédito significa que eu tenho alguém do outro lado que vai me pagar, isso é um crédito, né, ou um depósito, né,
05:15ou seja, os créditos que ele colocava dentro dos títulos que ele vendia não tinha lastro, não tinha uma contrapartida.
05:21Quem estuda contabilidade aprende no primeiro ano de contabilidade que você tem que ter a contrapartida contábil, né,
05:28o débito e o crédito, ou seja, se você tem um débito, você tem que ter um crédito.
05:31Ele só tinha um lastro, uma parte da operação, mas ele não tinha o lastro.
05:35Então, isso foi pego pelo Banco Central na primeira análise, né, e aí eles falaram,
05:42olha, se ele está me apresentando um balanço dessa forma, descaradamente fraudulento,
05:50e tentando fazer uma operação com o banco para poder se livrar desse ativo,
05:55esse banco não dá para continuar.
05:57Então, eu acho que o ponto de partida ali foi, olha, a operação com o BRB foi o ponto onde culminou na liquidação.
Seja a primeira pessoa a comentar