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Um novo estudo acendeu o alerta sobre o avanço dos crimes com criptoativos. Caio Motta, arquiteto de soluções da Chainalysis para a América Latina e Caribe, analisou os riscos para investidores, empresas e reguladores, além dos desafios para rastrear e combater esses golpes no Radar.

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Transcrição
00:00Estamos de volta com o radar desta quarta-feira, véspera de ano novo.
00:04O novo estudo acende o alerta no mercado de criptoativos ao mostrar o avanço e a sofisticação dos crimes digitais.
00:11Os ataques agora também miram carteiras pessoais e usam esquemas cada vez mais complexos.
00:18Para entender então os desafios para investidores, empresas e reguladores, eu vou conversar agora com o Caio Mota.
00:24Ele é arquiteto de soluções da Chainalysis para a América Latina e Caribe.
00:30Oi Caio, muito boa tarde para você. Seja bem-vindo aqui ao Radar. Tudo bem contigo, meu amigo?
00:36Boa tarde, Eric. Tudo bem? Prazer estar falando com você. Muito obrigado pelo convite.
00:39O prazer é todo nosso de tê-lo aqui.
00:41Caio, o que explica o aumento da sofisticação dos crimes de criptoativos?
00:47Não, perfeito. Essa tendência, de acordo com os dados de Chainalysis, ela está muito mais atrelada a uma busca por ataques que geram resultados ali bastante prolíficos.
01:00Então, quando a gente analisa especificamente ali do ponto de vista institucional, os três maiores ataques do ano de 2025 representam quase 70% de todo o valor ali que foi extraído em roubos no ano de 2025.
01:12Então, o que a gente enxerga, essa tendência, ela está muito atrelada a uma busca por ataques muito mais dirigidos a grandes organizações, mais sofisticados naturalmente, que muitas vezes vão utilizar engenharia social ou alguns outros artifícios ali para tentar, de fato, obter acesso a vulnerabilidades e, a partir daí, obter resultados ali mais, maiores resultados ali para os criminosos.
01:35Do ponto de vista do investidor, apesar de existir, sim, um aumento bastante significativo, quando a gente analisa os dados de 2022 a 2025, o número de vítimas praticamente dobrou.
01:47Apesar disso, quando a gente analisa o produto resultado desses roubos, existe uma tendência de queda.
01:53E isso pode estar muito atrelado a, basicamente, ali, uma defesa maior das próprias plataformas, uma educação da própria sociedade e o próprio investidor entendendo quais são os riscos ali a que ele está sujeito quando faz investimentos com criptoativos.
02:08Agora, Caio, de que volume de recursos nós estamos falando e por que as carteiras pessoais acabaram virando alvo dos golpes?
02:15As carteiras pessoais, eles acabam se tornando alvos dos golpes porque é um alvo mais simples, um alvo mais fácil.
02:24Você consegue, por exemplo, basicamente, ali, apelar para algumas técnicas de ataques que não são sofisticadas, invasão de e-mails, ataques de phishing, gerências sociais simples.
02:35Basicamente, todos aqueles golpes que a gente enxerga através de instituições financeiras ou aplicativos de mensagem também acontecem na indústria cripto.
02:43Então, é um alvo um pouco mais simples.
02:46E quando a gente analisa ali, por exemplo, os montantes, a gente está falando ali em torno de milhares de dólares ali por transação, a média das centenas também.
02:55Então, são valores muito inferiores quando a gente compara com o aspecto institucional.
02:59O maior ataque, por exemplo, da história da indústria de criptoativos foi registrado em 2025.
03:03No começo do ano, foi basicamente 1,5 bilhão de dólares ali roubados de uma plataforma, uma corretora de criptoativos.
03:11Mas no mercado cripto poderia ser mais fácil, por exemplo, para o ataque desses criminosos, uma vez que talvez fosse mais fácil ocultar os valores roubados, já que não há o dinheiro físico e seria difícil de rastrear o follow money, né?
03:28Em tese, não.
03:31Porque, na realidade, a própria blockchain, ela possui uma característica inerente à tecnologia, que é a transparência.
03:37Então, por incrível que pareça, investigações com criptoativos, muitas vezes, devido à transparência da blockchain, conseguem proporcionar um volume de informação muito maior do que até mesmo investigações do próprio sistema financeiro tradicional.
03:50Então, a gente tem vários exemplos de sucesso, não só do Brasil, mas do mundo afora, onde a transparência da blockchain e a rastreabilidade permitiram, por exemplo, resultados muito positivos.
04:02Até mesmo quando a gente fala de um histórico global, o governo norte-americano ali já conseguiu congelar em criptoativos, através de investigações, mais de 10 bilhões de dólares.
04:14A gente está falando ali de um volume muito elevado ali em um espaço de alguns anos.
04:18Há algum tipo de padrão na ação dos criminosos digitais, Caio? Por exemplo, são pessoas que agem sozinhas ou há organizações criminosas envolvidas?
04:27Esse é um excelente ponto, Eric. De maneira geral, o que a gente enxerga são organizações criminosas muito sofisticadas.
04:34Até um termo que a gente utiliza muito na Chainalysis, que é a industrialização do crime.
04:38Muitas vezes, por exemplo, quando a gente fala de ataques cibernéticos a plataformas, a grandes empresas e corredores, você pode ter, por exemplo, grandes organizações por trás.
04:47Uma, inclusive, que é muito famosa é o Grupo Lazarus, que é basicamente um grupo de hackers ali que atua há mais de 15 anos e está relacionado diretamente ali com a Coreia do Norte.
04:56Então, você tem, por exemplo, uma política conectada diretamente e o produto do crime desse grupo muitas vezes é utilizado, inclusive, para financiar algumas políticas associadas ali, por exemplo, à indústria bélica ou até mesmo à política nuclear.
05:11Então, existem, sim, organizações criminosas extremamente sofisticadas que vão atuar com esses crimes.
05:20Naturalmente, também existem outras pessoas ou indivíduos específicos que vão estar executando esse tipo de crime, mas a gente enxerga uma maior elevação dessa industrialização e desse grau de sofisticação.
05:31Essa é a tendência que a gente vem enxergando nos últimos anos.
05:33Você falou aí de organizações ligadas, por exemplo, à Coreia do Norte.
05:39Existem outras organizações em outros lugares do planeta, em outras regiões do mundo em particular também, que atuam nesses crimes digitais?
05:48Sem dúvida. A gente enxerga, por exemplo, uma tendência muito grande de alguns núcleos de organizações criminosas que estão, por exemplo, localizadas no Sudeste Asiático,
05:58que possuem estruturas que mantêm não só vítimas de tráfico humano e forçam essas vítimas a cometer golpes ali espalhados pelo mundo inteiro.
06:06Inclusive, a gente teve recentemente alguns brasileiros que foram resgatados dessas condições.
06:12E essas estruturas, essas organizações, elas conseguem basicamente ali operar vários golpes associados a pirâmides financeiras, golpes de romance e outras estruturas também que funcionam no mundo afora.
06:24Além disso, também a gente vê próprias organizações criminosas nacionais, ou seja, de alguns países,
06:28que ampliam sua área de influência a partir da utilização dos criptoativos, porque, de fato, aumenta muito a eficácia das operações e reduz o custo.
06:38Então, naturalmente, eles acabam utilizando o ativo como um meio.
06:43E a gente enxerga também, por exemplo, organizações de narcotráfico no México que utilizam muitos criptoativos ali para poder movimentar os ativos associados, por exemplo, ao tráfico de feitamil.
06:52Então, existe sim uma tendência de utilização, mas como eu comentei anteriormente, a rastrabilidade e a transparência,
06:58da própria blockchain, faz com que mesmo que essas criminosas consigam aumentar sua eficiência, eles estejam abrindo mão do anonimato.
07:06E isso é uma arma muito poderosa nas mãos das autoridades.
07:09Bom, então vai a pergunta, né? Como combater esse tipo de crime?
07:12As autoridades conseguem acompanhar a velocidade da tecnologia, Caio?
07:17Esse é um grande ponto e eu gosto muito de repetir essa frase que eu ouvi de um colega,
07:21que criminosos muitas vezes andam de elevador enquanto a polícia sobe de escada.
07:26Então, a acompanhar ainda existe um processo de evolução natural.
07:30A regulação, sem dúvida, vai ser muito importante nesse ponto.
07:33A própria regulação que o Banco Central aqui no Brasil elaborou,
07:37ela foca muito no aspecto de segurança cibernética, na própria proteção ao consumidor.
07:43Então, é um avanço muito significativo.
07:45Isso traz uma segurança para a indústria, uma segurança institucional e também para o próprio consumidor.
07:50Mas o ponto-chave é a educação, é conhecimento e acesso a ferramentas que proporcionam esse mecanismo de investigação.
07:56E eu enxergo uma evolução muito significativa nesse sentido no Brasil e no mundo como um todo.
08:02Caio Mota, muito obrigado pela sua participação aqui no Radar.
08:06Um grande abraço para você e uma excelente virada de ano, um ótimo 2026.
08:11Muito obrigado, Eric. Feliz Ano Novo a todos e um prazer. Muito obrigado.
08:14Obrigado.
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