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O especialista em cibersegurança João Brasio analisou o relatório do Banco Central que aponta aumento nos ataques digitais e desafios de segurança nas fintechs. Ele destacou a importância de tratar a inteligência artificial também como uma estratégia de risco.

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Transcrição
00:00A colisão de múltiplas trajetórias tecnológicas levou a incertezas geopolíticas e os líderes
00:06mundiais estão tentando posicionar seus países, tanto para se beneficiar disso, quanto para
00:11mitigar os riscos.
00:13Quem afirma é o co-head do Goldman Sachs Global Institute, George Lee.
00:18Vamos acompanhar o conteúdo exclusivo CNBC.
00:22Estamos em um momento em que há um ritmo de progresso surpreendente no mundo em geral.
00:27Também estamos na confluência de várias tendências tecnológicas diferentes.
00:32Você mencionou a quântica e há uma tendência de focar demais na IA.
00:35Mas estamos em um momento em que a IA está progredindo, a inovação energética está avançando,
00:41a quântica está surgindo, o blockchain está amadurecendo e assim por diante.
00:46E é essa colisão de várias trajetórias tecnológicas que, de certa forma, ou em uma
00:51rede afetada pela autossustentação, cria uma taxa de mudança tão alta em nosso mundo.
00:57Isso deve se refletir na incerteza geopolítica e, portanto, um certo grau de tumulto.
01:04E como isso talvez esteja alimentando ou remodelando a dissonância geopolítica que estamos vendo
01:08agora?
01:09Porque é impossível ignorar o fato de que os países estão lutando para ter mais segurança,
01:14garantir recursos, talvez tentar reduzir a ascensão uns dos outros, ou acelerar a queda
01:20dos outros.
01:21Quando você acrescenta isso à mistura, como isso talvez mude o sabor da geopolítica
01:25atual?
01:26Sim, é rápido.
01:28Estou no mundo da tecnologia e dos mercados há cerca de 35 anos e nunca vi uma onda de
01:33tecnologia que fosse reconhecida pelos líderes mundiais como uma espécie de consequência
01:39para seu destino nacional.
01:41Crescimento e defesa da produtividade e a transmissão da própria cultura.
01:45E assim, a disrupção da IA fez com que os líderes mundiais se concentrassem em como
01:51posicionar seus países para serem beneficiários disso e também para isolar e mitigar os riscos.
01:58E o modelo que parece estar surgindo é a sensação de que estamos em uma espécie de corrida
02:02espacial da IA entre os Estados Unidos e a China.
02:06Portanto, uma questão para os países em torno desse nexo é como se posicionar, como
02:11impulsionar o crescimento, como tirar proveito dessa tecnologia e como se coordenar a partir
02:16de uma perspectiva regulatória e política em torno de isolar-se e mitigar alguns dos
02:22possíveis danos e problemas de segurança da IA que são significativos.
02:27Temos a pesquisa dos Estados Unidos e a pesquisa da China.
02:30E todos estão tentando encontrar seu lugar na IA.
02:33Uma coisa que foi mencionada foi que a adoção e a disrupção da IA virão, quer você goste
02:39ou não. E é importante que os países, e a questão é quem se sente mais confortável
02:44com isso primeiro. Quais são as consequências negativas se um país não adotar a IA?
02:49Porque, novamente, parece que ela está chegando, quer queiramos ou não.
02:54Ou ela nos transforma ou nos perturba.
02:57Bem, uma coisa que eu gostaria de mencionar é que, embora haja uma tendência de se concentrar
03:02muito nos Estados Unidos e na China, a predominância da computação de IA ocorre hoje dentro das
03:09fronteiras dos Estados Unidos. Em primeiro lugar, isso irá se difundir e se normalizar
03:14em todo o mundo. Mas as cadeias de suprimentos que são o predicado para esse chatbot efêmero
03:20no céu, que todos nós experimentamos, é a mais complexa cadeia de suprimentos global
03:26da história. E assim, quase todos os países do mundo têm algum papel a desempenhar para
03:31enfrentar os desafios da cadeia de suprimentos, que fornecem o material para impulsionar essa
03:37revolução.
03:39Em segundo lugar, voltando ao que eu disse anteriormente, a questão de como isso vai
03:44influenciar seu crescimento econômico, sua produtividade e sua cultura. Existe a possibilidade
03:50de se preocupar se você tem infraestrutura suficiente de data center onde está construindo
03:56modelos. O mais importante é impulsionar a difusão e a adoção dessa tecnologia em seu
04:01país, entre suas empresas, em seu governo e com sua população. E essas são questões
04:08de política de educação. Independentemente de você participar ou não da cadeia de valor
04:13e de como você participa dela, há uma espécie de oportunidade democrática e igualitária
04:18a ideia de aproveitar essa enxurrada de tokens inteligentes que esses sistemas produzirão.
04:324h21, o Banco Central divulgou o novo relatório de estabilidade financeira e apontou que, mesmo
04:38com um cenário internacional incerto e crédito mais fraco, o sistema bancário brasileiro
04:43segue sólido, sem risco relevante para a estabilidade financeira. O relatório também
04:48trata do avanço dos riscos cibernéticos e do uso crescente da inteligência artificial
04:53nas instituições financeiras. O documento diz que incidentes recentes demonstraram que
04:59a materialização do risco cibernético pode trazer implicações para instituições financeiras
05:05e de pagamentos. Sobre esses pontos, eu converso agora com o especialista em segurança e nosso
05:10comentarista aqui no Radar, o João Brásio. Tudo bom, Brásio? Boa tarde.
05:14Tudo bom.
05:14Boa tarde. É um prazer estar aqui para comentar sobre esses riscos.
05:17Sempre um prazer te receber aqui, Brásio. Nesse tópico, o que mais preocupa hoje em
05:22relação à segurança digital do sistema financeiro do país?
05:26O sistema financeiro é muito complexo e é composto de diversas entidades. Nós temos
05:30entidades grandes e de longa data que investem há muito tempo em segurança e entidades menores,
05:37algumas startups, ou a gente chama de fintechs. O que é louvável e é desejável para o sistema
05:42financeiro porque elas trazem inovação, trazem mais competitividade. Mas, como são menores
05:48e recém-criadas, não necessariamente trazem a mesma maturidade de segurança da informação.
05:53Eu diria que é como nós dizermos que temos um prédio altamente seguro, porém a gente
05:57distribui a chave para diversas pessoas e nem todas mantêm os mesmos hábitos. Algumas guardando
06:03a chave em lugares não muito seguros. Então, o problema é essa complexidade e o tanto de
06:10entidades, empresas e sistemas diferentes que estão plugados ao sistema financeiro para
06:15que ele funcione como um todo.
06:17E, naturalmente, a maior vulnerabilidade tende a estar nas instituições menores.
06:23Sem dúvida. É questão de investimento. Claramente, uma entidade maior, uma organização
06:28que tem muito mais recursos financeiros, investe em segurança, tem uma maturidade, cultura,
06:35o time de segurança da informação muito bem formatado e empresas que estão nascendo
06:40agora, correndo atrás de inovação para se posicionar no mercado, tradicionalmente
06:44possuem mais vulnerabilidades. Correm muito mais atrás da inovação e se posicionar como
06:50um novo player no mercado do que, de fato, trazer a segurança da informação.
06:54Porque, quer queira, quer não, a segurança exige investimento e exige um pouco mais de
07:00tempo para que os produtos sejam lançados. Acaba sendo uma corrida pela inovação, deixando,
07:05infelizmente, a cibersegurança de lado.
07:07Dentro dessa lógica, lugar comum aqui, todo mundo correndo atrás de inteligência artificial,
07:12investindo em inteligência artificial. Agora, o investimento em IA pode estar associado
07:17à segurança de dados também? As duas coisas podem caminhar juntas?
07:19Sem dúvida. Na verdade, não podem como devem. A experiência de inteligência artificial
07:24vem para revolucionar o segmento financeiro. Não só ele, como todos os outros, como já
07:29estamos vendo. Mas a gente tem que tratar a inteligência artificial também como estratégia
07:34de risco e não só como inovação. Entender que ela exige parâmetros de segurança, exigem
07:40cuidados muito específicos. Porque, principalmente, Turci, para a inteligência artificial funcionar
07:45muito bem, ela exige massas de dados muito grandes. Então, as empresas colocam todos
07:50os dados possíveis para que ela traga os melhores insights, as melhores inovações.
07:55Só que isso acaba abrindo um flanco para os atacantes. Então, temos que murar muito
07:59bem essas novas tecnologias e essas novas funcionalidades linkadas ao IA.
08:04E quais são as vulnerabilidades que os criminosos mais vêm explorando nesse ambiente digital?
08:09Fraudes digitais, com certeza, a engenharia social contra o próprio correntista, contra
08:15o usuário que tende a ser mais leigo. Não é o dia a dia dele entender quais são os riscos
08:21ou não. Então, os fraudes digitais crescendo cada vez mais. E interessante que quanto mais
08:26inovação e mais efetividade a gente tem no segmento financeiro, como o PIX, que é
08:31transferir dinheiro com rapidez, acaba sendo bom para o atacante também. Porque ele
08:35subtrai esses valores com mais rapidez, dissimula o dinheiro e acaba atraindo muito
08:41mais atenção. Então, as fraudes digitais, porém, a gente acaba tendo alguns riscos
08:46mais sistêmicos, como os ataques de sequestros digitais. O termo técnico, ransomware.
08:52O atacante, ele entra na empresa, ele criptografa aqueles dados, sequestra, basicamente, e faz
08:58com que tudo pare até que se pague uma extorsão. Nós vimos algumas semanas atrás isso
09:03acontecendo na Jaguar, na montadora de carros. Porém, é comumente possível isso
09:08acontecer num banco também.
09:10Esse relatório do Banco Central fala do crescimento dos ataques cibernéticos, diz
09:14inclusive que eles dobraram de um ano para o outro. É o tipo de caso que também tem
09:19uma subnotificação importante, Brasil? A gente não fica sabendo de tudo o que acontece?
09:23A gente não fica sabendo de tudo. Muitos desses casos ou não são descobertos por
09:28conta de evidências. Então, o dinheiro é desviado, o ataque acontece e ele fica invisível
09:35à instituição. Em outros casos que a instituição, infelizmente, detecta e prefere, por risco
09:41de exposição, de reputação, não comentar. Acabam até lidando diretamente com o atacante,
09:47às vezes pagando extorsões sem comunicar às autoridades, sem comunicar aos seus clientes,
09:51o que não pode acontecer.
09:53E esses ataques no limite poderiam ameaçar, afetar a estabilidade financeira?
09:59Sem dúvida. Ataques contra meios de pagamento, contra bancos, por exemplo.
10:03Imagina um ataque que causa uma paralisia em maquininhas de cartão de crédito de certo
10:08banco, de certa bandeira. Isso criaria não só o caos, como uma descredibilidade para a
10:14população no nosso sistema financeiro. É um efeito em cascata. Isso, com certeza,
10:18é um risco muito substancial ao sistema financeiro nacional.
10:23João Brazio, especialista em cibersegurança, nosso comentarista aqui no Radar.
10:27Obrigado, Brazio, por mais essa aula.
10:29Eu agradeço. Uma boa tarde.
10:30Valeu.
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