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As tensões entre Estados Unidos e Venezuela escalaram após a confirmação de uma ação militar em território venezuelano. O professor Leonardo Trevisan, da ESPM, analisou os impactos geopolíticos, o risco de escalada regional e os efeitos sobre energia e migração.

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Transcrição
00:00Nós vamos voltar a falar sobre as tensões entre Estados Unidos e Venezuela,
00:04que subiram de patamar depois que o presidente norte-americano Donald Trump
00:09confirmou uma ação militar em território venezuelano,
00:13mirando estruturas portuárias associadas ao tráfico.
00:17O episódio reacende alertas geopolíticos,
00:20pressiona o mercado de energia e coloca a região no radar global.
00:24E para analisar os desdobramentos deste ataque terrestre dos Estados Unidos à Venezuela,
00:30eu converso agora com o professor Leonardo Trevisan, da ESPM,
00:35a Escola Superior de Propaganda e Marketing.
00:38Oi, professor, muito boa tarde para o senhor, seja bem-vindo, bom falar contigo, tudo bem?
00:44Boa tarde, Eric, bom também falar com você, os internacionais, obrigado pelo convite.
00:51Ah, eu que agradeço, é uma honra tê-lo aqui conosco.
00:54Professor Trevisan, a gente sabe que esse ataque ou essa incursão dos Estados Unidos
01:02tem um pano de fundo, não é de hoje que o governo norte-americano,
01:06seja ele de Donald Trump, de Joe Biden, tenta derrubar o governo da Venezuela.
01:12Em 2002, a gente teve ali uma tentativa de golpe que chegou a tirar, na época,
01:18Hugo Chávez do governo, mas acabou fortalecendo o Chávez na época.
01:21Em 2016, 2018, também tivemos ou observamos tentativas também de golpe ali para tentar tirar o Maduro.
01:31Dessa vez, isso pode acontecer realmente, é mais plausível?
01:35E qual é o pano de fundo para tentar derrubar o governo de Nicolás Maduro?
01:41Olha, o fato de hoje, né, Eric, você tem toda a razão, o alvo é esse, o alvo é derrubar o Maduro.
01:50O fato de hoje é uma ação que agora o New York Times parece que confirma, né,
01:55há umas três horas atrás, de que foi uma ação da CIA e não um bombardeio aéreo ou coisas desse tipo.
02:02Foi uma ação com um drone, acentrado de dentro da Venezuela mesmo, contra o que se supõe ser,
02:10não há provas, não há provas, um porto de transporte de drogas.
02:16O fato real é que o porto foi atingido sem nenhuma vítima fatal, não há nenhum ferido nem morto.
02:22Só ocorreu a explosão, segundo as fontes americanas da CIA.
02:30O New York Times bateu na porta do Pentágono e o Pentágono respondeu protocolarmente,
02:37os militares americanos não agirem no interior da Venezuela, ponto.
02:41Não é conosco.
02:43De alguma forma, a Casa Branca manteve silêncio.
02:47O que é que tudo isso sinaliza?
02:49Mais uma escalada.
02:51Mais uma escalada exatamente no quê?
02:55Nós temos que entender que o governo americano, nesta fase,
02:59ele fez muito bem de lembrar do Biden,
03:02o Biden experimentou pressões contra a Venezuela,
03:05da qual até o Brasil esteve envolvido, né.
03:08Foi o famoso acordo de Barbados, em 2023,
03:12que o acordo era o seguinte, né,
03:14e o Brasil foi o fiador do acordo, né.
03:17O Celso Amorim, o ex-ministro, não nega isso, né.
03:22Esteve presente, foi o fiador do acordo.
03:25Qual era o acordo?
03:26Os Estados Unidos paravam com as sanções contra a Venezuela,
03:29o que permitiu a Venezuela ter um grande respiro econômico, né,
03:33e a Venezuela faria eleições livres.
03:37O fato real é que os Estados Unidos cumpriram sua parte no acordo e a Venezuela não, né.
03:42As eleições foram, como todo mundo reconhece, né,
03:45o governo brasileiro também, fraudadas.
03:48Não há qualquer evidência dessa vitória colocada pelo Maduro.
03:54Os Estados Unidos, o Trump, a partir de agosto,
03:57exerceu uma pressão militar.
03:59A pressão militar era fazer um cerco no mar do Caribe,
04:03cujo alvo era navios de droga,
04:05mas é evidente que o alvo era a Venezuela.
04:08não surtiu efeito, pelo contrário, né.
04:12O governo de Maduro, de agosto até novembro,
04:15não se enfraqueceu,
04:18pelo contrário, internamente até se forçar do espelho.
04:22O que aconteceu?
04:23Que é isso que se encaixa essa ação.
04:26Mudou de novo o enfoque do governo americano.
04:30Eles mudaram de linha.
04:32Deixaram os navios no Caribe,
04:35sem poder uma ação militar,
04:36e iniciaram um bloqueio
04:40aonde mais dói na Venezuela.
04:42Não é onde dói só no bolso.
04:44Dói pra tudo na Venezuela.
04:46Quando a gente fala Venezuela,
04:47a gente fala Venezuela igual petróleo.
04:49Eles bloquearam a saída de petróleo da Venezuela.
04:53Com cuidado, viu, Eric,
04:54que a gente precisa ter sempre presente.
04:57Os navios da Chevron,
04:59a maior petrolífera venezuelana,
05:02continuam entrando e saindo da Venezuela
05:04sem problemas.
05:06Dois,
05:07os cargueiros,
05:09os petroleiros chineses,
05:11com a China é melhor no cibité,
05:13entram e saem da Venezuela
05:15sem problemas.
05:17Para o resto,
05:18especialmente Irã,
05:20Cuba,
05:21a pressão é forte.
05:22o cargueiro,
05:23o petroleiro que foi,
05:24o Steve Spick,
05:26que foi tomado no final de novembro,
05:29foi apreendido pela Marinha Americana,
05:33transportava um milhão de barris
05:34exatamente para socorrer Cuba,
05:37que está numa situação bem difícil.
05:38Então,
05:39o quadro mudou
05:42e eles imaginaram uma pressão maior para Cuba.
05:46Tudo isso sinaliza
05:47uma certa vitória
05:49do grupo do Marco Rubio
05:51dentro do Departamento de Estado americano.
05:54Mas isso é outro histórico.
05:56É mais uma tensão psicológica,
05:59uma guerra nesse momento psicológica,
06:01indo ao encontro do que o senhor estava falando,
06:03que, por exemplo,
06:03alguns navios podem circular livremente,
06:06outros não.
06:07Por quê?
06:08Porque há um interesse.
06:09Os Estados Unidos não vão brigar
06:11nesse momento com a China.
06:13Enfim.
06:14E, do outro lado também,
06:16a gente percebe, por exemplo,
06:17Honduras,
06:18que faz parte ali do Mar do Caribe,
06:20tem uma entrada ali
06:21com a aproximação da Venezuela.
06:23Hoje tem um presidente eleito
06:25que foi apoiado por Donald Trump.
06:27Donald Trump também se aproximou
06:28aqui do presidente Lula.
06:30Claro,
06:30o Brasil,
06:31que o Brasil não quer uma guerra
06:32aqui na América do Sul.
06:34Mas tudo isso pode contar
06:36em favor dos Estados Unidos
06:37Estados Unidos para uma pressão
06:38em relação a Nicolás Maduro
06:40ou é realmente uma guerra só psicológica,
06:43professor,
06:43neste momento?
06:44Olha,
06:45é uma guerra psicológica
06:47com um alvo bem definido.
06:49A gente tem uma expressão aqui no Brasil
06:51que a gente diz tirar o chão.
06:54É isso que os americanos
06:55querem fazer com Maduro,
06:56tirar o chão.
06:57Que chão eles querem tirar do Maduro?
06:59Quando a gente fala de Venezuela,
07:01a gente tem que entender um dado
07:03sobre a Venezuela
07:03que é fundamental.
07:05É o único caso na América Latina,
07:07não tem um outro.
07:08Em que os militares venezuelanos
07:10se imbricaram,
07:11se misturaram,
07:13entraram diretamente
07:14na vida econômica do país.
07:17Você não tem uma única empresa
07:18na Venezuela,
07:19média ou grande,
07:21que não tenha dois,
07:22três,
07:22quatro militares
07:23no seu borde.
07:24Isso é indiscutível.
07:26A PDVSA é todinha de militares,
07:28que é a joíssima da coroa.
07:32Então,
07:33o que interessa aqui
07:34é que você tem que olhar
07:35o jogo de forças interno
07:38na Venezuela.
07:39E tem mudanças,
07:40desde que o Trump pressionou.
07:42Quais são as mudanças?
07:44O exército venezuelano
07:45que tem essa sociedade
07:46com a economia e tudo mais,
07:49está representado pelo padrinho.
07:51Padrinho é López Padrinho,
07:54Vladimir Padrinho López.
07:56Que não se perca pelo nome, não?
07:58Que é o general comandante
08:01do exército
08:02e da ministra da defesa.
08:05Ele representa
08:06essa casta toda
08:08de militares
08:08imbricado na economia.
08:10Tem um outro lado.
08:12Tem um outro lado
08:13que é o do Diosdado Cabelo,
08:15que nunca teve poder direto
08:17na Venezuela,
08:18agora tem.
08:19É o ministro do interior.
08:21Qual é o poder dele?
08:22Ele é diretamente ligado
08:24a Rússia
08:25e a Cuba.
08:27Principalmente
08:27aos serviços secretos
08:29que Cuba colocou lá,
08:30aos agentes
08:30que Cuba colocou lá.
08:31E ao armamento
08:34que a Rússia entregou
08:35à Venezuela.
08:37Ninguém sabe exatamente
08:39quanto e o quê.
08:41Só se sabe
08:42aquilo que o New York Times
08:43conseguiu fotografar.
08:45Um Ilyushin,
08:46há dois anos atrás,
08:48um russo,
08:49um cargueiro russo,
08:51distribuindo armas.
08:52Ninguém sabe direito
08:53quantos Ilyushin chegaram
08:56e como.
08:57Então, portanto,
08:58você pode aviançar
09:00para a substituição
09:02de Maduro
09:02três cenários.
09:04O primeiro cenário
09:05é que os militares
09:07venezuelanos
09:08chegam ao acordo
09:09com os grupos
09:11do Diosdado Cabelo
09:13e trocam Maduro
09:14por um nome
09:15numa transição pacífica.
09:18você pode apostar
09:21também
09:21numa situação
09:22de força
09:23que o cerco
09:25pré-pressão
09:25dos Estados Unidos
09:27sobre o dinheiro
09:28venezuelano
09:29faça seu efeito
09:30e se inicie
09:32um confronto
09:33entre os grupos
09:35do Diosdado
09:36com os grupos
09:37militares.
09:38Isso pode acontecer.
09:40E a terceira,
09:42e o terceiro cenário
09:43mais difícil
09:45ainda de ocorrer
09:46é um ataque americano
09:48à Venezuela.
09:49É muito difícil
09:50isso acontecer
09:51por tudo
09:52que você comentou
09:53das influências
09:55geopolíticas.
09:57O Brasil,
09:58a Colômbia
09:59e outros países
10:01latino-americanos,
10:02para a gente ter uma ideia
10:03do que nós estamos falando,
10:05observa a Argentina.
10:07A Argentina
10:07é toda amiga
10:08do Trump,
10:08o Milley,
10:09o Trump,
10:10o Trump socorreu
10:11o Milley,
10:12no mesmo estilo
10:13que ele fez
10:14lá em Honduras.
10:14o Milley
10:16é silencioso
10:17com essa história
10:18de um ataque
10:20contra a Venezuela
10:21militar,
10:22porque todo mundo
10:23é capaz de perceber
10:25que depois
10:26que os Estados Unidos
10:27entrarem em um país,
10:28faz 50 anos
10:29que não é,
10:30depois que os Estados Unidos
10:31entrarem,
10:32como é que você tira?
10:34É igual aquela raiz
10:35de árvore,
10:35né, professor?
10:36Que vai se enraizando
10:37por debaixo da terra.
10:39Exatamente.
10:40E pode não parar
10:41na Venezuela.
10:42Então,
10:43nesse quadro,
10:44até o Milley
10:45é cauteloso.
10:47Então,
10:48nessa situação,
10:50é bom a gente olhar
10:50para isso
10:51e ver que a terceira
10:52possibilidade existe,
10:53claro que existe,
10:54olha o tamanho
10:55da força americana,
10:56mas ela seria
10:58muito sensível
10:59com interesses
11:00geopolíticos.
11:01Tem,
11:01volta,
11:02eu volto,
11:03tem uma luta
11:04política interna
11:05dentro do departamento
11:06de Estado americano
11:07entre o grupo
11:08do Marco Rubio
11:09e um grupo
11:10mais profissional
11:11de diplomacia.
11:13Vamos ver quem ganha.
11:14O grupo do Marco Rubio
11:15é favorável
11:16até ataque militar.
11:17O grupo diplomático
11:18segura o Trump
11:19um pouquinho.
11:20O jogo está posto
11:21e não há dúvida
11:22nenhuma
11:23que é uma hora
11:24da verdade
11:25para a Venezuela
11:25sem...
11:26Sem isso,
11:28nós não podemos discutir.
11:29E o Brasil está de olho,
11:31professor Leonardo Trevisan,
11:33porque a fronteira ali
11:34pode trazer muitos
11:37venezuelanos,
11:38como já aconteceu
11:39por causa
11:39de uma crise humanitária
11:41e isso é preocupante,
11:42por isso que o Brasil
11:43tenta pôr panos quentes
11:44e sempre mediar ali
11:45para que não haja
11:46esse conflito.
11:47A Argentina
11:48tenta pôr panos quentes
11:50porque a Argentina
11:50já tem
11:51um milhão
11:52de venezuelanos lá.
11:54É verdade.
11:54O Brasil tem três milhões
11:56e nós temos
11:56mais de setecentos mil.
11:57Uma guerra na Venezuela,
12:00um ataque,
12:01transformaria
12:02o que é
12:03imigrante econômico
12:04e refugiado de guerra,
12:06que inclusive
12:06obrigaria os outros países
12:07a receberem.
12:09Não é convidente
12:10para ninguém.
12:11É verdade.
12:12Fiquei devagar.
12:13Leonardo Trevisan,
12:15professor,
12:16sempre bom
12:16conversar com o senhor
12:18esse bate-papo
12:19maravilhoso
12:19que nos ajuda
12:20a entender um pouquinho
12:21desse cenário
12:22geopolítico
12:23com essa tensão
12:23ali na região do Caribe
12:25entre Estados Unidos
12:26e também a Venezuela.
12:27Um grande abraço
12:28para o senhor,
12:29uma ótima virada de ano
12:31e uma excelente terça-feira.
12:34Muito obrigado,
12:35Eric.
12:35Um bom ano novo
12:36para todos nós.
12:37Bom trabalho para vocês.
12:39Um abraço.
12:40Um abraço.
12:40Obrigado.
12:41Tchau, tchau.
12:41Tchau, tchau.
12:42Tchau.
12:43Tchau, tchau.
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