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A inteligência artificial é de fato inteligente ou o termo está sendo usado de forma equivocada? Em entrevista, Álvaro Machado Dias, neurocientista, analisa o conceito de inteligência, explica por que a IA pode ser considerada inteligente, discute a evolução dos agentes autônomos em 2025 e aponta como padrões abertos podem moldar o futuro dessa tecnologia.

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Transcrição
00:00A inteligência artificial é mesmo inteligente? E como essa inteligência está mudando?
00:06Vamos conversar sobre isso com o Álvaro Machado Dias, o neurocientista e um dos notáveis do nosso canal.
00:13Hoje ele está de forma remota. Oi, meu amigo, muito boa tarde para você. Prazer falar contigo. Tudo bem, Álvaro?
00:21Querido Eric, tudo ótimo.
00:23Que bom tê-lo aqui. Ó, Álvaro, todo mundo fala, né? E a gente já falou muito aqui também, inteligência artificial, mas sempre surge aquela dúvida.
00:33Isso é inteligência de verdade ou a gente está usando a palavra errada, hein?
00:38Pois é, né? Tem esse debate que eu diria que ele é infindável, né? Será que a inteligência artificial é desinteligente?
00:45Será que ela é mero autocomplete, né? Como a gente tinha antes, aqueles chatbots que iam completando palavras.
00:52Olha só, pra mim, ela é inteligente sim. A palavra, então, aplicada aqui, inteligência, está correta, mas, Eric, o conceito em si que precisa ser revisado.
01:05Olha só qual é a grande questão por trás dessa discussão infindável.
01:09A tradição ocidental filosófica associou inteligência a pensamento consciente, ou seja, você tem representação mental e esta representação mental é acessível para uma instância do eu que captura o que está acontecendo como se estivesse vendo um cineminha, né?
01:30Você tem essa visão em perspectiva sobre a sua própria mente, o que se chama metacognição.
01:36Pois bem, essa visão, Eric, ela é restritiva demais.
01:41Hoje em dia, faz muito mais sentido adotar uma definição funcional de inteligência.
01:48E aí, qual que é essa definição?
01:49Inteligência é a capacidade de um agente, de qualquer coisa que seja, atingir objetivos numa ampla variedade, numa ampla gama de ambientes.
02:00Não importa se esse agente é feito de neurônios, silícios, células sem cérebro, o que importa é a capacidade de resolver problemas.
02:09E aí, por esse critério, a IA, ela é inteligente.
02:13Aliás, ela não é a única forma de inteligência não humana e sequer é a única forma, não é sequer a única forma de inteligência que não depende de uma continuidade da memória do aprendizado dentro do sistema nervoso centralizado.
02:29Então, por exemplo, sistemas que resolvem problemas biologicamente muitas vezes se desintegram.
02:35Por exemplo, a lagarta, ela tem o seu sistema nervoso todo desintegrado e reconstituído na borboleta.
02:42E os aprendizados, as memórias da lagarta, por associação, a gente vê que permanecem na borboleta.
02:49Ou seja, a coisa é muito mais misteriosa e a inteligência parece muito mais uma capacidade que está fundamentada lá na essência dos sistemas que resolvem problemas,
02:58independentemente dessas categorias antropomorfizantes, essas que a gente atribui a partir de um ponto de vista humano,
03:06que tendem a fechar um diagnóstico de que a IA não é inteligente.
03:09Agora, Alvaro, 2025 foi o ano em que os agentes de IA saíram do laboratório, né?
03:15Qual foi o princípio que permitiu a inteligência artificial deixar de só responder e começar a agir?
03:22E como que isso tende a evoluir?
03:25Pois é, a inteligência de máquina, ela sofreu uma inflexão esse ano com os tais dos agentes.
03:31Que raios é isso?
03:33A gente é uma IAzinha do tipo LLM, né?
03:37Um chatbot que não age só no domínio do prompt, da tela, mas sim sai para fora no mundo selvagem da internet para resolver problemas.
03:49E aí, qual é a mágica por trás disso?
03:52São duas mágicas.
03:53A primeira é a capacidade de você colocar em execução um longo planejamento.
03:58Então, neste ano, os modelos de raciocínio, aqueles do tipo Deep Seek, começaram a bombar.
04:05E esses modelos de raciocínio também envolvem uma sequência de etapas.
04:08Fazer uma sequência de etapas funcionar fora do domínio do prompt, da telinha que está aqui logada com o chat EPT ou o Gemini, etc., é parte fundamental disso.
04:19A outra parte, que é muito mais sofisticada, é o uso de ferramentas externas.
04:24Olha só, um LLM tradicional, tipo o Gemini, Clodi, etc., recebe um texto, devolve um texto.
04:32O agente, ele recebe esse texto, esse input, o que você quer que seja feito.
04:36Mas aí, ele decide, ou ela decide, qual a ferramenta a ser utilizada.
04:41É um banco de dados?
04:42É um navegador para entrar num site, etc.?
04:45Isso é decidido pelo agente à luz das possibilidades existentes.
04:51Por isso, tem toda uma questão de ampliar o rol de ferramentas.
04:54Conforme isso acontece, esses agentes ganham força.
04:57E aí, o agente executa essa ação de forma autônoma.
05:02Então, a gente está falando de uma mudança em pró da autonomia e do uso de ferramentas.
05:06Está aí a grande questão central deste ano.
05:10Álvaro, olha, a OpenAI, a Antropic e o Google se juntaram para criar padrões abertos de agentes.
05:17Os concorrentes, assim, não se unem à toa, né?
05:20O que eles estão vendo que a gente ainda não viu, hein?
05:22Eu acho que eles estão vendo, essa é uma boa pergunta, eu acho que eles estão vendo que a interoperabilidade,
05:29quer dizer, essa capacidade de dialogar com todo mundo, ela é condição de sobrevivência.
05:35Porque se um só desses grandes players controlarem os protocolos de comunicação entre os agentes,
05:43todo o resto está lascado.
05:46Está aí a grande questão.
05:47Isso lembra bastante o que aconteceu com a internet.
05:51A internet teve um protocolo chamado W3C, que foi um padrão aberto, que foi instituído,
05:58porque o risco para cada um dos players que gostariam de dominar o mercado sozinho era tão grande
06:05que não valeria a pena entrar nesse tipo de disputa.
06:09Ou seja, o capitalismo digital, apesar de todo mundo falar, nossa, é um mundo selvagem.
06:15Não, ele tem os seus limites por sobrevivência, por estratégias meramente racionais.
06:19E o caso da internet é um, e esse agora dos protocolos agênticos é outro.
06:24Sem padrões abertos, ou seja, um padrão que todo mundo possa usar,
06:28cada agente precisaria criar integrações customizadas para cada uma das ferramentas de mercado.
06:34Isso ia tornar o processo inviável.
06:36Então, aí entrou a história, né?
06:38Esse lance de criar uma, vamos dizer, uma espécie de uma parceria ou sociedade
06:44que está fazendo toda a diferença.
06:47Um ponto interessante, o Eric, o Jim Zemley, que é o diretor da fundação Linux, né?
06:52Acho que todo mundo conhece, dos sistemas operacionais abertos e tal.
06:55Ele disse, sim, rodeios, uma coisa que eu achei que é bem legal.
06:58O objetivo é evitar wallet gardens, ou jardins fechados.
07:04O que ele quer dizer com isso?
07:05Ele vê um perigo também da exclusão muito grande das próximas ferramentas
07:13que nem existem hoje em dia e que eventualmente chegariam no mercado
07:17que já estaria todo dominado do ponto de vista de propriedades intelectuais,
07:21acessos pelas empresas deste momento.
07:24Então, eu acho que uma visão profunda do que está acontecendo
07:27não envolve só a sobrevivência das empresas, como eu falei,
07:31esse é um fator importante, mas tem muita gente nesse ecossistema
07:35querendo contribuir para evitar que a gente fique congelados no tempo.
07:40Por exemplo, se a gente pegar o mundo das redes sociais,
07:43há um certo congelamento, né?
07:44O último grande entrante foi o TikTok.
07:48E aquela coisa está ali toda travada, sem muito espaço para novas ideias.
07:53Então, há um exercício poderoso acontecendo
07:56do tipo daqueles que as pessoas fazem sem buscar nenhum ganho financeiro
08:02para criar algo parecido com a internet,
08:05o que eu acho muito bonito.
08:07Álvaro Machado, que bom falar contigo.
08:10Prazer tê-lo aqui no Real Time.
08:12Uma ótima terça-feira, meu amigo.
08:14E olha, uma excelente virada de ano.
08:16Em 2026 estaremos juntos aqui no Times Brasil,
08:18licenciado exclusivo CNBC.
08:21Um grande abraço.
08:21Eu que agradeço muito.
08:23Desejo o mesmo para você e para todo mundo que nos acompanhou esse ano.
08:26E até 2026.
08:27Até.
08:28Obrigado.
08:28Tchau, tchau, Álvaro.
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