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O Ministério Público Federal (MPF) encerrou 2025 com um balanço expressivo: mais de R$ 28 bilhões em pedidos de bloqueio de bens contra o crime organizado.

Ao longo do ano, foram deflagradas diversas operações que resultaram em prisões e denúncias contra mais de 900 pessoas. As ações focaram no asfixiamento financeiro de facções envolvidas em lavagem de dinheiro e tráfico internacional, visando desarticular o poder logístico desses grupos.

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Transcrição
00:00O Ministério Público Federal pediu ao longo de 2025 o bloqueio de mais de 28 bilhões de reais em bens do crime organizado.
00:08O volume envolve operações de combate a diversos tipos de crime, como organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas.
00:17Foram deflagradas mais de 60 operações ao longo do ano, que resultaram em 126 prisões, 111 denúncias contra 811 pessoas, além de 350 investigações ainda estarem em curso.
00:35O GAECO, que é o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado aqui de São Paulo, conduz o maior número de investigações, com 68,
00:44enquanto o Rio de Janeiro aparece em primeiro lugar em volume de pedidos de bloqueio e sequestro de bens, com 23 bilhões.
00:54A pauta da segurança pública, como a gente já falou aqui nos Pinhos do Ziz, de fato deve balizar as eleições de 2026,
01:01só que também esse enfrentamento depende da asfixia financeira.
01:05Pelo menos isso é o que garante as forças de segurança, até mesmo uma fonte aqui da Jovem Pan e amigo pessoal,
01:10Lincoln Gaquia, que é um dos principais membros que asfixia a quadrilha, que combate o PCC, o primeiro comando da capital,
01:19assim como outras organizações criminosas que infelizmente cresceram e cresceram de forma assustadora nos últimos tempos,
01:27até adentrando nos mercados formais.
01:30A Cássio Miranda, de que forma que a gente pode então reverter essa lógica e a importância também
01:35para que esses ativos sejam bloqueados e dessa maneira o crime organizado não ser estimulado no nosso país.
01:43David, a gente vive um momento tão maluco no nosso país, que há umas semanas atrás nós acompanhamos a polarização da atuação policial.
01:56Algumas pessoas defendendo um ataque ostensivo, como aquele que foi feito no Rio de Janeiro,
02:02outras pessoas defendendo um ataque como esse mencionado na chamada, através da apreensão de bens decorrentes da prática criminosa.
02:14E eu confesso a você que no mundo ideal a gente não precisaria defender nenhum nem outro,
02:20porque a criminalidade não existiria.
02:22Porém, para a nossa realidade, nós precisamos defender as duas modalidades de ataque.
02:30Há necessidade do ataque ostensivo, que tem como ponto ou alvo aqueles criminosos que fazem o acoplamento de áreas e territórios
02:44impedindo a liberdade daquela população, da mesma forma que há necessidade de um ataque efetivo
02:51dos ativos que são decorrência do crime.
02:55E, obviamente, são dois instrumentos jurídicos diferentes, são duas formas de atuação diferentes,
03:03e o próprio destinatário daquela atuação policial é diferente.
03:08Uma operação no Morro do Rio de Janeiro afeta um público, uma operação numa fintech na Faria Lima afeta outro público.
03:18Então, é óbvio que nós precisamos defender os dois e dar instrumentos para que as duas modalidades aconteçam.
03:27Eu já disse aqui em outras oportunidades, eu fiz mestrado em Direito Penal e doutorado em Direito Constitucional.
03:33E tanto no mestrado como no doutorado, eu estudei a lavagem de dinheiro, a lavagem de capitais.
03:40Tem um livro sobre o tema, inclusive meu último livro é sobre lavagem de dinheiro.
03:45E é o crime da moda, não é porque é bonitinho a gente falar sobre lavagem de dinheiro,
03:50mas porque a criminalidade no Brasil, seja organizada, seja até a pequena criminalidade,
03:59estão arrecadando tanto dinheiro que há necessidade deles darem aparência de licitude,
04:05há necessidade deles lavarem esse dinheiro.
04:08Então, que seja efetivo esse combate, cabe uma menção honrosa ao Ministério Público Federal neste caso,
04:17mas a gente torce para que no final de 2026, esses 28 bilhões virem 56 bilhões,
04:25porque a gente sabe que há muito dinheiro ilícito circulando por aí ainda.
04:30E eles promovem também uma verdadeira asfixia daqueles que trabalham regularmente,
04:35que pagam seus impostos, que realmente fazem acontecer,
04:39mas muitas vezes acabam perdendo força,
04:42porque se você tem ali um dinheiro que é alvo só para fazer a lavagem desse recurso,
04:48como a gente viu na recente Operação Carbono Oculto dos Postos de Combustíveis,
04:52onde o grupo ali criminoso chegava, se instalava e colocava o preço bem abaixo daquele praticado no mercado
05:00e aquele que contribui de forma correta, que paga os impostos e que quer prosperar,
05:06não consegue porque não tem uma concorrência justa.
05:09Então, isso também precisa ser visto, né, Diego Tavares?
05:13Sem dúvida nenhuma, David Tarso, e eu desconfio que nós saibamos pouco
05:18a respeito da influência das facções criminosas ainda sobre os diversos aspectos da vida do brasileiro atualmente.
05:24Cada uma dessas operações começou, me lembro, lá na Operação Downtown,
05:28que mostrou como eles utilizavam hotéis, até a Operação Carbono Oculto,
05:31que mostrou como eles se infiltraram no mercado do etanol.
05:34Enfim, nos mostra como o crime organizado está misturado com a vida,
05:38com a paisagem natural aqui do Brasil.
05:40Mas eu estou olhando aqui e eu estou indignado de como o crime organizado chegou a esse estado.
05:4828 bilhões de reais.
05:50Dá uma olhada nessa cifra, o poder financeiro de uma facção criminosa.
05:54Só para a nossa audiência ter uma ideia, David, eu estava olhando uma informação aqui,
05:59no ano de 2025, somente 24 empresas brasileiras tiveram um lucro acima da cifra de bilhão.
06:06E a soma do lucro dessas empresas dá mais ou menos 100 bilhões de reais.
06:12Ou seja, só essa ação do MPF está culminando num bloqueio de bens do crime organizado
06:18que corresponde a 25% do lucro das 24 maiores empresas brasileiras.
06:25Olha o poder financeiro do crime organizado.
06:29Como que os nossos governantes, os nossos dirigentes,
06:33e claro, isso não é um problema que se criou ontem,
06:35como nas últimas décadas, permitiram que o crime se transformasse em uma verdadeira força
06:41dentro do nosso país.
06:43Agora está muito bem explicado por que o crime organizado consegue separar parte do nosso território.
06:49Como que o crime organizado conseguiu tomar para si mais de 50%,
06:54por exemplo, da cidade do Rio de Janeiro, uma das principais capitais do país,
06:58que tem mais da metade do seu território sob comando de milícias e de facções criminosas.
07:05Enfim, é um cenário de guerra.
07:07Eu gosto sempre de repetir isso porque parece que os nossos políticos não se deram conta.
07:11Nós estamos vivendo uma guerra.
07:14Tem invasores aqui no Brasil que tem, a única diferença para invasores internacionais,
07:19uma certidão de nascimento brasileira, mas que estão tentando tomar o nosso país para eles,
07:24que estão impondo suas leis, que estão impondo o seu próprio hino, a sua própria simbologia.
07:30Isso é gravíssimo.
07:31Enquanto nós não pararmos de normalizar esse problema,
07:35enquanto nós não pararmos com essa história de que nós precisamos ver bem essa questão
07:40do crime organizado, muitos especialistas por aí, há algum tempo estavam dizendo
07:44que até se combatia melhor um faccionado com um fuzil com pedra do que com uma arma de fogo.
07:50Enfim, enquanto nós não abandonarmos essa ideologia e não nos dermos conta
07:55da real gravidade da situação, o Brasil estará acelerando nesse processo de narco-estatização.
08:02Não dá para normalizar que uma facção criminosa ou mais facções criminosas
08:06tenham um patrimônio que é maior do que o lucro da maioria das empresas brasileiras.
08:12Se nós normalizarmos isso, é assinar o atestado de falência do Estado brasileiro.
08:17É muito pelo contrário, é assustador, porque eu sempre cobria a área de segurança pública
08:21enquanto repórter e antes, quando tinham operações, a gente falava 300 mil, 400 mil,
08:28já era uma quantia vultuosa.
08:29Depois passou para a cifra de milhões e hoje as operações, assim, das mais modalidades
08:36de crime, as mais variadas modalidades de crime, são cifras de bilhões.
08:41Então, está se avolumando cada vez mais e o crime organizado tem avançado em relação
08:46a isso, Dávila.
08:47É verdade, David.
08:49E mostra isso a falência do Estado brasileiro, muito seguindo na linha do que o Diego Tavares
08:53está falando.
08:55O PCC, por exemplo, foi criado em 1996.
08:58Vai fazer 30 anos, David Itaço.
09:01E num presídio de Taubaté com seis pessoas.
09:04Então, essa startup que começou dentro de um presídio com seis pessoas, se tornou o
09:10maior faturamento hoje no Brasil, um dos maiores do mundo do crime organizado.
09:15O que acontece?
09:16Mostra a falência do Estado para sufocar esta organização e assistir de camarote o crescimento
09:24exponencial.
09:25Então, começou ali uma história de organizar, botar ordem dentro das cadeias dos presídios,
09:32logo depois já foi para o tráfico de drogas, hoje está nas atividades listas, como você
09:37bem disse, hoje quem tem imposto de gasolina é o que é se ver livre do negócio, colocou
09:42a venda, porque ou a vida se tornou um inferno com a quantidade de tributos e regras e regulação
09:48do setor, ou ele é chacado pelo crime organizado.
09:51É essa a realidade.
09:54Aliás, algumas usinas de álcool também estão sendo achacadas pelo crime organizado e eles
09:59querem controlar de maneira vertical, que é a usina, a produção, a distribuição e
10:06o transporte, tudo.
10:07Controla 100% do sistema.
10:10Estão fazendo isso na área imobiliária, nas fintechs, bets e tantos outros setores.
10:15E agora, evidentemente, investindo muito para formar, entre aspas, talentos para entrar
10:22na política e na área pública, principalmente o Ministério Público, eles querem ter seus
10:26representantes lá para defender os seus interesses.
10:29Então, é assustador o crescimento desse narco-estado brasileiro, como bem disse o Diego Tavares.
10:35Isso é fruto da falência do Estado, porque o Estado tem recurso suficiente para destruir
10:41qualquer organização criminal.
10:43Agora, precisa ter foco, precisa ter disciplina, precisa ter um plano de ação.
10:47E o que mostra esse bloqueio do Ministério Público Federal é que, de alguma forma, há
10:54uma reação positiva do setor público, agora, utilizando muito mais inteligência e coordenação
11:01das ações.
11:02Aqui mesmo, você bem mencionou o David Tarso Lincoln, que é uma das figuras emblemáticas
11:07nesse combate ao crime organizado.
11:09ele mesmo disse, olha, se não fosse a cooperação aqui das polícias civil-militares, se não
11:14fosse a cooperação com o Ministério Público, com a Receita Federal, com o COAF, com a Polícia
11:18Federal, nós não conseguiríamos fazer o nosso trabalho em São Paulo.
11:22Então, isso mostra a importância da coordenação.
11:25E coordenação de esforços, de inteligência, não tem nada a ver com centralização de poder,
11:32como é o caso do desejo do ministro Lewandowski.
11:35não tem nada a ver com centralização, é coordenação, é cooperação, é trabalhar
11:41em parceria, é compartilhar informação.
11:44É assim que se desmantela o crime organizado, sufocando a parte financeira.
11:50Por isso que essa história de movimentação financeira é algo fundamental para começar
11:55a quebrar as pernas do crime organizado.
11:58Agora, se isso não for uma política de Estado, nós não vamos ganhar essa guerra contra o crime
12:04organizado e este é um ponto decisivo que a direita tem que explorar muito bem, porque
12:11a situação da segurança pública, o crescimento do crime organizado é, sim, mais de 20 anos
12:20de governo da esquerda virando as costas para este fenômeno desastroso para o país e para
12:27as pessoas de bem.
12:27Só que também, né, as medidas, elas precisam avançar, porque uma das críticas do próprio
12:32Gaki, assim como outros ligados à segurança pública, de enfrentamento a essas organizações
12:37criminosas, é de que essas facções, elas precisam ser tratadas como máfia.
12:43E aí existia um projeto para que pudesse tratá-las como máfia, só que isso foi extinto, não
12:49foi abarcado em nenhum momento na PEC da segurança, até mesmo na lei antifacção, nas medidas que
12:54estão sendo implementadas, tanto pelo legislativo quanto executivo.
12:58Então, precisaria avançar e muito também nesse sentido para que a característica seja
13:03alterada e dessa forma também existir um mecanismo específico de combate a essas facções,
13:08Acácio Miranda?
13:10David, a gente precisa avançar no aperfeiçoamento, inclusive no aperfeiçoamento legislativo.
13:17O problema no Brasil é que a gente só discute o problema, talvez eu seja redundante, mas
13:25a gente só se debruça sobre as questões problemáticas quando nós já estamos dentro
13:31do buraco causado por elas.
13:33Com a criminalidade não é diferente.
13:36E aí o Congresso Nacional, no afã de dar uma resposta à sociedade, e veja que dar uma
13:43resposta à sociedade não é sinônimo de resolver o problema, o Congresso Nacional, no afã de
13:51dar uma resposta à sociedade, às vezes age de forma tabualeoada quando não age de forma
13:57populista.
13:59O PL antifacção, na sua origem lá atrás, ele era suficiente, trazia instrumentos suficientes
14:07para nós darmos uma resposta efetiva, especialmente ao Comando Vermelho e ao PCC.
14:14Mas, com todas as emendas que foram feitas, com todos os acréscimos que foram feitos, com
14:21todas as discussões bobas e motivadas que aconteceram, o projeto acabou se perdendo no meio do caminho.
14:29Eu, pessoalmente, acho razoável nós compararmos a criminalidade organizada com as máfias.
14:39Eu acho que a estrutura, especialmente do PCC e do Comando Vermelho hoje, é equivalente.
14:47O problema é que aí quiseram colocar uma equiparação ao terrorismo, e são institutos muito diferentes.
14:54Não há nada que ponha no mesmo patamar de discussão máfia e terrorismo.
15:00Em qualquer lugar do mundo, máfia e terrorismo são conceitos diferentes.
15:07E aí acabaram tratando de uma forma só.
15:11Hoje eu tô meio pernóstico, mas eu tenho um livro de 2016, quando passou a vigorar a
15:16lei antiterrorismo no Brasil, que é um livro chamado Comentários à Lei Antiterrorismo
15:21aqui no Brasil.
15:23E eu estudei, até porque estudei lá fora, uma comparação do que é terrorismo e do
15:30que é máfia.
15:30Na época eu já tinha curiosidade.
15:32E não combina em nada.
15:34No momento que você põe terrorismo nessa panela, você mata a possibilidade de tratar
15:40o PCC e o Comando Vermelho como máfia.
15:44Se você quer impor essa pecha de terrorismo, você vai judicializar esse combate, e nós
15:51sabemos que essa judicialização Brasil afora leva a lugar nenhum.
15:58Então acho que tratar como máfia tem todos os requisitos jurídicos.
16:03A partir daí é populismo sem sustentação em qualquer ordenamento jurídico.
16:11Então esse é um ponto que até muitos parlamentares se manifestaram, gravaram vídeos nas redes
16:16sociais falando que esse ponto era fundamental para que a lei pudesse abarcar e tratar as
16:22facções criminosas como terroristas.
16:24Porque muitas vezes o que eles fazem, principalmente naqueles territórios onde eles dominam, quando
16:30se trata de uma comunidade, de uma favela, aquela pessoa que vive nessa comunidade, ela é
16:37obrigada muitas vezes a consumir a internet da facção, o gás da facção, fazer as compras
16:44nos mercadinhos dos faccionados.
16:47E dessa maneira, aqueles que não fazem aquilo que os criminosos querem, acabam sofrendo
16:53tortura e são aterrorizados.
16:56Qual que é a diferença nessa classificação?
16:58Eu gostaria até que você explicasse para a nossa audiência, para que todos pudessem ficar
17:02cientes.
17:02Porque você citou um ponto que eu acho que é fundamental também a gente fazer essa
17:05distinção, Acácio Miranda.
17:08Vamos lá.
17:08Máfia é uma estrutura organizada que tem como objetivo principal a obtenção de ganhos
17:16econômicos.
17:17E para alcançar esse objetivo, há esse controle territorial e o controle de determinados segmentos
17:25econômicos.
17:26Então, quando a gente olha para o Comando Vermelho e o controle territorial, tem um objetivo
17:32econômico.
17:33Quando a gente olha para o PCC e o controle do setor de combustíveis, por exemplo, há
17:39um objetivo econômico.
17:41E aí, como há uma estruturação que envolve hierarquia entre pessoas, como há uma atuação
17:48coordenada, tudo isso entra, entra, aliás, dentro do espectro de máfia.
17:55Quando a gente pensa em terrorismo, o terrorismo tem como finalidade impor o terror através do
18:03genocídio ou de atos que tenham como finalidade extirpar determinada raça, determinado credo,
18:13determinada etnia ou determinado país.
18:18O terrorismo não tem finalidade econômica nenhuma.
18:22É simplesmente uma sobreposição de vontade através do terror por você discordar de
18:30alguma razão daquela sociedade no sentido étnico, social ou religioso.
18:37Então, a distinção é essa.
18:39A máfia é objetivo econômico através dessa sobreposição ao Estado no sentido de controle
18:47territorial ou setorial e há uma estruturação.
18:51No terrorismo não há nada disso.
18:53Acho que você fez.
18:54Se você tiver curiosidade, David, no Brasil é a Lei 13.260 de 2016.
19:02Inclusive, nós não teríamos uma lei de combate ao terrorismo se não fosse uma imposição
19:08do COE, do Comitê Olímpico Internacional, para que tivesse a Olimpíada aqui no Brasil.
19:14Então, essa lei de combate ao terrorismo só foi editada por isso.
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