00:00Mas eu vou perguntar também para o professor Alexandre Pires, que antes do programa começar,
00:04fazia algumas reflexões sobre a possibilidade de um conflito ou de uma intervenção norte-americana,
00:12de que maneira esse processo aconteceria, desencadearia o que exatamente?
00:20A gente pode apontar para uma ação pontual, específica, para a captura, por exemplo, de Nicolás Maduro,
00:29ou algo que perduraria muitas semanas? O que é preciso projetar ainda no campo da especulação, né?
00:35Olha, vendo esse desenho, e caso se confirme mais os outros três navios, que seriam a frota anfíbia,
00:44parece que é o USS Santo Antônio, o USS Ivojima e o USS Fort Lauderdale.
00:51São 4.500 homens, cada um deles consegue carregar 14 veículos anfíbios,
00:57consegue carregar quatro navios de ataque, olhando se isso de fato se configurar
01:02e pegando as informações do professor Port, que pode ter submarinos de apoio sendo deslocados para ali,
01:08patrulhas, ou seja, navios menores de patrulha de intervenção mais rápida sendo deslocados.
01:15Aparentemente, está se desenhando uma operação especial, parece que seria ali uma blitzkrieg,
01:23uma operação relâmpago, mirando provavelmente ali a captura do presidente Nicolás Maduro.
01:32Ou seja, você tem esses três destróis que provavelmente anulariam as defesas aéreas,
01:39as principais bases, ou seja, a principal estrutura provavelmente em torno de Caracas,
01:44desmobilizaria, imagina um Tomahawk caindo, desmobiliza completamente a tropa,
01:50e aí talvez essas forças anfíbias invadiriam e tentariam fazer uma captura do presidente,
01:59caso a localização dele fosse dada como certa.
02:01Seria algo não tão inimaginável, porque o contexto da captura do Bin Laden e outras figuras
02:11envolveu forças terrestres, mas porque a situação era desértica, não era litorânea.
02:18Agora nós temos ali um presidente que está numa capital praticamente costeira,
02:25então o desenho é muito estranho.
02:27E tem um outro detalhe que nós temos que lembrar, o custo é enorme dessa operação,
02:33é um detalhe que a gente não falou, não é uma brincadeira você deslocar esses navios,
02:38essas tropas, que seja por uma semana, duas, é um custo enorme.
02:42Só como demonstração de força é bastante, digamos, inusitado.
02:48Pode ser, e aí esse é meu palpite, talvez eles estejam aguardando alguma janela de oportunidade.
02:55Ou seja, estamos ali, caso surja uma janela de oportunidade, a operação se concretiza.
03:02Caso não surja essa janela de oportunidade, nós fizemos uma pressão,
03:07e talvez depois se desloquem as forças para outros lugares.
03:11E a janela de oportunidade, é possível elencar cenários possíveis para a nossa audiência?
03:18A principal janela de oportunidade para uma operação dessa é saber exatamente a localização do Nicolás Maduro.
03:25E também o mapeamento, a inteligência completa dos lugares de resistência.
03:33Quase sempre para você eliminar um inimigo, é saber onde ele está.
03:37É o caso do Zelensky no início da guerra da Ucrânia.
03:40Houve a mesma iniciativa por parte da Rússia.
03:43Fez uma operação muito rápida em Kiev, tentando localizar o Zelensky.
03:47Ele aparecia nas câmeras e ninguém sabia onde ele estava.
03:51Parece que nas duas primeiras semanas foram 15 tentativas de assassinato
03:56por parte do exército russo, mal fadadas.
04:00Então a janela de oportunidade que eu vejo é saber exatamente onde está Nicolás Maduro.
04:06Então as tropas estariam ali, os anfíbios estariam posicionados.
04:10Nessa tropa que talvez chegue no domingo, desses 4.500 homens, 2.200 são fuzileiros.
04:16Para a audiência, os fuzileiros são a força anfíbio, ou seja, terra, ar e mar.
04:24Ou seja, são os que são capazes de fazer esse tipo de operação.
04:27Então é um contingente muito grande.
04:29Então provavelmente é isso que eles estão vendo.
04:32E claro, como a gente comentava um pouco antes do programa.
04:35Tudo isso pode ser um ardil.
04:38Ou seja, os Estados Unidos têm feito isso.
04:40Eles chamam a atenção por um lado e na verdade a operação que eles já estão mirando
04:44ou já está em curso e não é nada disso que nós estamos assistindo.
04:48Isso aí é só uma cortina de fumaça.
04:50Pois é, vou passar para o professor Pódio também, talvez contribuir,
04:55fazer um complemento a essa análise sobre estratégias possíveis do governo norte-americano.
05:01Mas queria voltar a um ponto que o senhor chegou a tratar.
05:06E eu vejo muitas análises que indicam o interesse de Donald Trump na América Latina.
05:13Um olhar atento às movimentações que acontecem.
05:17A gente poderia mencionar também o tensionamento com o Brasil,
05:23o tempo que os Estados Unidos gastam com o Brasil nas muitas manifestações acerca do que acontece por aqui.
05:30Mas também essa demonstração de força ou envio dessas embarcações para a costa da Venezuela.
05:37É possível ampliar a reflexão sobre quais são as preocupações
05:43ou quais são as motivações de Donald Trump quando falamos dos países da América Latina, professor?
05:48Bom, primeiramente, em termos do que a gente já tem discutido aqui,
05:54a sinalização do envio deste tipo de equipamento particular
05:58que tem utilização muito limitada para lidar com cartéis.
06:02Muito limitado.
06:03Você não lida com cartéis, com destroyers e submarinos.
06:07Mas isso é o tipo de força que tem a ver para lidar com uma força estatal,
06:12contra a Venezuela, contra o Nicolás Maduro.
06:14Muito bem.
06:14É importante a gente marcar o seguinte, se acontecer de fato uma invasão dos Estados Unidos à Venezuela,
06:21um ataque norte-americano à Venezuela, nós estaríamos diante de um momento histórico
06:26porque, a despeito das diversas interferências norte-americanas na América Latina,
06:32os Estados Unidos só mandou tropas, só invadiu países na história,
06:36na América Central, no Caribe e no México.
06:40Nunca os Estados Unidos, então já invadiu Nicarágua, Cuba, Guatemala,
06:47a guerra contra o México, tem um grande histórico de intervenções nesta região.
06:53Nunca na história os Estados Unidos invadiu militarmente um país da América do Sul.
07:00Se isso acontecer na Venezuela, nós estamos rompendo, portanto,
07:06uma tradição histórica bastante relevante, que são os Estados Unidos,
07:11que até então, do ponto de vista de intervenção militar direta,
07:15se focava na região do Caribe, na América Central,
07:18no seu entorno mais próximo,
07:21e intervindo militarmente de forma direta com tropas
07:25num país da América do Sul, que faz fronteira com o Brasil.
07:29Então, historicamente, isto seria bastante relevante.
07:33Acho que esse é um ponto importante que a gente teria que levar em consideração.
07:37Nesse sentido, a gente teria que compreender qual seria a resposta brasileira,
07:42porque o Brasil, historicamente, sempre olhou para a América do Sul,
07:47não a América Latina como um todo, mas a América do Sul,
07:50desde a época do Império, República, durante o governo militar,
07:55sempre olhou para a América do Sul, durante a redemocratização,
07:58a formação do Mercosul, por exemplo, como a área de influência do Brasil,
08:04como a região em que o Brasil, de fato, está preocupado,
08:07muito mais do que o restante da América Latina.
08:10Então, seria um momento bastante, considerando que a gente marcasse isso
08:14com a nossa audiência, que seria algo absolutamente inédito
08:18e abriria um novo capítulo na história das relações com a América do Sul.
08:24E, nesse sentido, a gente parece encaixar um pouco
08:27na perspectiva do Donald Trump, como eu disse no começo,
08:32de uma certa área de influência,
08:34estendendo até mesmo aquilo que foi feito por outros presidentes americanos no passado.
08:40Então, seria um novo capítulo na relação entre Estados Unidos e América Latina.
08:44Então, seria um novo capítulo na relação entre Estados Unidos e América Latina.
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