No Visão Crítica, especialistas analisam as perspectivas econômicas para 2026, ano marcado por eleições presidenciais. O professor Hugo Garbe, da Universidade Mackenzie, avalia que o Brasil encerra 2025 com bons fundamentos, o que pode favorecer o próximo ano. Gustavo Pessoa, diretor da Taleb Capital, destaca o impacto do ciclo eleitoral e do aumento de gastos públicos, enquanto Bruno Lavieri, economista da 4intelligence, alerta para riscos, volatilidade no mercado e incertezas ao longo do ano.
00:00Para fazer uma discussão que eu acho muito importante, que nós, claro que alguém se vai falar assim,
00:03é, mas sempre se desenha cenários, nem sempre ocorre, é claro, nem sempre é possível, tem surpresa.
00:09Por exemplo, ocorre um choque de petróleo, que não é o caso agora, evidentemente, tudo indica para 2026.
00:15Mas quando ocorreu, na década de 70, dois deles, mudou toda a economia brasileira e a economia mundial
00:20e a economia norte-americana, foi um caos e tal, e por aí vai.
00:23Então nós vamos começar a nossa conversa de hoje, discutindo perspectivas para 2026
00:29e primeiro começo com o Hugo.
00:31Hugo, a primeira questão que eu coloco, eu sei que ninguém aqui é visionário,
00:36nem estamos lá no Oráculo de Delfos, na Grécia Antiga, mas pensando primeiro numa questão geral,
00:41você tem uma visão, assim, otimista do que a economia brasileira poderá dar ao povo brasileiro em 2026?
00:49Olha, de forma geral, sim, porque acho que a gente, partindo do pressuposto,
00:56ou seja, analisando como nós vamos terminar 2025, a gente entrega 2025 com bons fundamentos econômicos.
01:03Acho que esse é o primeiro passo para que 2026 seja um ano próspero, um ano bom,
01:10em termos econômicos, para o brasileiro.
01:13Tem um termo, professor Vila, que os economistas utilizam, que salva ele de algumas previsões,
01:20que é o famoso Ceteris Paribus, que significa tudo mais constante.
01:24Ou seja, se a gente não tiver nenhuma causa adicional, ou seja, nenhuma guerra, nenhum conflito,
01:34ou alguma causa exógena, externa, que a gente não consiga mensurar,
01:40de forma geral, eu acredito no ano de 2026 melhor do que o de 2025.
01:48Nós temos algumas variáveis importantes a considerar.
01:51Primeiro, a primeira variável super importante para a gente mensurar e considerar
01:57é que o 2026 é um ano eleitoral.
02:00Ano de eleição presidencial, historicamente, nós temos uma característica de gasto público maior,
02:09até 10%, 15% maior, se compararmos com anos não eleitorais.
02:13Então, acho que a gente parte desse primeiro pressuposto,
02:16um ano que não dá para a gente ter uma expectativa de retração de gasto público,
02:21é um ano eleitoral, e a partir daí a gente começa a traçar previsões econômicas para o ano.
02:28Gustavo Pessoa, dentro da mesma questão, você é otimista economicamente em relação a 2026 para a economia brasileira?
02:36Sim, eu estou otimista em relação a 2026, principalmente porque nós partimos de um ano de 2025,
02:44que em termos econômicos foram sólidos, números sólidos, e temos essa questão da eleição presidencial.
02:53E não só em relação a trocarmos o presidente ou reconduzir o mesmo presidente,
03:00nós vamos ver muita movimentação em diversos ministérios, e isso tende a dar uma oxigenada em todo o mercado financeiro.
03:13Não sabemos quais ministros vão sair para disputar cargos, mas nós sabemos que alianças vão ser feitas,
03:22muitas autarquias vão alterar diretorias, presidências e coisas como isso.
03:29E fora a questão do gasto, em ano eleitoral realmente nós temos um gasto muito maior,
03:38é injetado muito dinheiro na economia, então pelo menos momentaneamente para aquele ano,
03:46é muito provável que as coisas melhorem em alguns setores.
03:51Depois nós vamos ver como vamos pagar a conta, mas a princípio muito dinheiro deve entrar na economia.
03:58Bruno, Bruno Lavieri, você é otimista em relação agora ao ano que está pronto a se iniciar de 2026?
04:07Eu talvez seja um pouco menos otimista, acho que eu estaria ali mais olhando para o neutro, talvez.
04:13Isso porque, justamente por ser ano eleitoral, acho que é um ano em que alguns riscos ficam exacerbados.
04:21Acho que de um lado, de fato, a gente vai ter uma pressão do lado do gasto público e acho que isso já começa a ficar mais evidente no primeiro trimestre,
04:29com a questão da isenção do imposto de renda, então isso é uma quantidade de dinheiro imensa que entra na economia,
04:36na forma de renda disponível para consumo.
04:39Então a gente pode esperar esse impulso em termos de PIB, consumo das famílias, vendas no varejo,
04:44desde o primeiro trimestre, mas no decorrer do ano, na medida em que o discurso eleitoral se intensifica,
04:53isso costuma trazer muita volatilidade para o mercado financeiro.
04:57A gente sabe que o discurso populista é algo inerente à corrida eleitoral,
05:04a gente sabe que todos os candidatos vão prometer mundos e fundos,
05:08vão falar ali grandes atrocidades, colocar o mercado financeiro de cabelo em pé.
05:14Mas, terminada a eleição, seja quem for o vencedor, a gente sabe que o discurso no dia seguinte vai ser de conciliação,
05:24vai ser de tentar sinalizar ali um ajuste fiscal um pouco mais bem feito.
05:28Então isso tende a acalmar os mercados.
05:30Mas ao longo do ano, certamente a gente vai ver muita volatilidade.
05:35Lógico que o desenrolar disso acho que ainda está em aberto,
05:38quem vai ser o vencedor, como que isso vai se resolver,
05:41é algo que talvez seja assunto para outro episódio,
05:46mas a verdade é que a gente vai ter, sim, bastante tensão ao longo do ano.
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