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  • há 8 meses
Com mediação de Marco Antonio Villa, Visão Crítica promove uma análise aprofundada dos principais acontecimentos do dia. A cada edição, convidados com diferentes perspectivas se reúnem para debater os fatos mais relevantes do cenário político, econômico e social do Brasil e do mundo.

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Transcrição
00:00Visão Crítica
00:08Olá, estamos começando a Visão Crítica de hoje, discutindo com os nossos convidados as perspectivas da economia brasileira para o ano de 2026.
00:19Evidentemente, como qualquer análise política, a economia também, ela não pode dar um desenho absolutamente preciso do que vai ocorrer no ano de 2026,
00:32mas pode sim apontar alguns caminhos do que deve ocorrer nesse ano que vocês estão nos acompanhando, que está pronto para se iniciar.
00:39É uma discussão muito importante, portanto, que nós fazemos aqui no Visão Crítica, buscando traçar essa perspectiva para 2026.
00:47E temos, entre os nossos convidados, aqui o professor Hugo Garbi, professor do Mackenzie, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
00:55O professor Gustavo, professor também, também deu aula, fez um monte de coisa, mas trabalha muito na área de consultoria econômica, acompanhando com as suas empresas.
01:05E o Hugo Garbi, nosso colega, já esteve aqui da For Investments. Vamos ver se eu falei correto? Desculpe se eu não fiz.
01:12É uma pronúncia texana, sabe?
01:13Então, agradeço muito aqui os nossos convidados, né? E para fazer uma discussão que eu acho muito importante, que nós, claro, que você vai falar assim,
01:24é, mas sempre se desenha cenários, nem sempre ocorre. É claro, nem sempre é possível, tem surpresa. Por exemplo, ocorre um choque de petróleo,
01:31que não é o caso agora, evidentemente, tudo indica para 2026. Mas quando ocorreu, na década de 70, dois deles, mudou toda a economia brasileira
01:39e a economia mundial e a economia norte-americana. Foi um caos, tal. E por aí vai.
01:44Então, nós vamos começar a nossa conversa de hoje, discutindo perspectivas para 2026.
01:50E primeiro, começo com o Hugo. Hugo, a primeira questão que eu coloco, eu sei que ninguém aqui é visionário,
01:56nem estamos lá no Oráculo de Delfos, na Grécia Antiga.
02:00Mas pensando primeiro numa questão geral, você tem uma visão, assim, otimista do que a economia brasileira
02:06poderá dar ao povo brasileiro em 2026?
02:10Olha, de forma geral, sim. Porque acho que a gente, partindo do pressuposto,
02:16ou seja, analisando como nós vamos terminar 2025, a gente entrega 2025 com bons fundamentos econômicos.
02:24Acho que esse é o primeiro passo para que 2026 seja um ano próspero, um ano bom,
02:30em termos econômicos, para o brasileiro.
02:32Tem um termo, professor Vila, que os economistas utilizam, que salva ele de algumas previsões,
02:40que é o famoso ceteris paribus, que significa tudo mais constante.
02:45Ou seja, se a gente não tiver nenhuma causa adicional, ou seja, nenhuma guerra, nenhum conflito,
02:54ou alguma causa não exógena, externa, que a gente não consiga mensurar,
03:01de forma geral, eu acredito no ano de 2026 melhor do que o de 2025.
03:08Nós temos algumas variáveis importantes a considerar.
03:12Primeiro, a primeira variável super importante para a gente mensurar e considerar
03:17é que o 2026 é um ano eleitoral, ano de eleição presidencial.
03:24Historicamente, nós temos uma característica de gasto público maior,
03:29até 10%, 15% maior, se compararmos com anos não eleitorais.
03:34Então, acho que a gente parte desse primeiro pressuposto,
03:36um ano que não dá para a gente ter uma expectativa de retração de gasto público,
03:41é um ano eleitoral, e a partir daí a gente começa a traçar previsões econômicas para o ano.
03:48Gustavo Pessoa, dentro da mesma questão, você é otimista economicamente em relação a 2026 para a economia brasileira?
03:57Sim, eu estou otimista em relação a 2026, principalmente porque nós partimos de um ano de 2025,
04:04que em termos econômicos foram sólidos, números sólidos, e temos essa questão da eleição presidencial.
04:12Não só em relação a trocarmos o presidente ou reconduzir o mesmo presidente,
04:21nós vamos ver muita movimentação em diversos ministérios,
04:26e isso tende a dar uma oxigenada em todo o mercado financeiro.
04:33Não sabemos quais ministros vão sair para disputar cargos,
04:38mas nós sabemos que alianças vão ser feitas, muitas autarquias vão alterar diretorias,
04:46presidências e coisas como isso.
04:49E fora a questão do gasto, em ano eleitoral realmente nós temos um gasto muito maior,
04:59é injetado muito dinheiro na economia, então pelo menos momentaneamente para aquele ano
05:05é muito provável que as coisas melhorem em alguns setores.
05:11Depois nós vamos ver como vamos pagar a conta, mas a princípio muito dinheiro deve entrar na economia.
05:20Bruno, Bruno Lavieri, você é otimista em relação agora ao ano que está pronto a se iniciar de 2026?
05:27Eu talvez seja um pouco menos otimista, acho que eu estaria ali mais olhando para o neutro, talvez.
05:34Isso porque justamente por ser ano eleitoral, acho que é um ano em que alguns riscos ficam exacerbados.
05:42Acho que de um lado, de fato, a gente vai ter uma pressão do lado do gasto público
05:46e acho que isso já começa a ficar mais evidente no primeiro trimestre,
05:50com a questão da isenção do imposto de renda, então isso é uma quantidade de dinheiro imensa
05:55que entra na economia na forma de renda disponível para consumo.
05:59Então a gente pode esperar esse impulso em termos de PIB, consumo das famílias,
06:04vendas no varejo, desde o primeiro trimestre.
06:06Mas no decorrer do ano, na medida em que o discurso eleitoral se intensifica,
06:14isso costuma trazer muita volatilidade para o mercado financeiro.
06:18A gente sabe que o discurso populista é algo inerente à corrida eleitoral.
06:24A gente sabe que todos os candidatos vão prometer mundos e fundos,
06:28vão falar ali grandes atrocidades, colocar o mercado financeiro de cabelo em pé.
06:34Mas, terminada a eleição, seja quem for o vencedor, a gente sabe que o discurso,
06:41no dia seguinte vai ser de conciliação, vai ser de tentar sinalizar ali um ajuste fiscal um pouco mais bem feito.
06:48Então isso tende a acalmar os mercados.
06:51Mas ao longo do ano, certamente a gente vai ver muita volatilidade.
06:54Lógico que o desenrolar disso acho que ainda está em aberto.
06:59Quem vai ser o vencedor, como que isso vai se resolver,
07:02é algo que talvez seja assunto para outro episódio,
07:06mas a verdade é que a gente vai ter, sim, bastante tensão ao longo do ano.
07:12Hugo, Hugo, Garbo, sei que você não é cientista político e tal,
07:16mas em nenhum de vocês, outros dos convidados.
07:20Mas é duro fazer um orçamento no Brasil.
07:23Nós somos o Ministério do Planejamento do Orçamento,
07:25porque isso vai ser aprovado pelo Congresso Nacional,
07:28que costuma aprovar daquele jeito, a toque de caixa.
07:32Infelizmente, é chato dizer isso, mas grande parte dos congressistas
07:35não conseguem ler direitinho o que está sendo proposto.
07:39Aprova ou desaprova, pela indicação eventualmente de líderes,
07:42porque gosta ou não gosta do governo.
07:44Não faz uma discussão criteriosa, como nós tivemos no passado,
07:48não tão distante.
07:49Tivemos, inclusive, grandes economistas no Congresso Nacional
07:52que tinham muito cuidado na aprovação,
07:54poxa, do que é coisa mais importante do que saber
07:57onde vai ser gasto seu, meu, o nosso dinheiro.
08:00E tem a questão das emendas parlamentares.
08:03Essa é uma criação tupiniquim.
08:05Assim como a Jabuticaba, que só tem no Brasil,
08:08emendas como... é só aqui,
08:10porque em qualquer regime presidencialista,
08:12no parlamentarismo, então nem se fala,
08:14você discute orçamento, os parlamentares apresentam suas demandas
08:18e aquilo, incluso no orçamento, segue a vida.
08:22Aqui, paulatinamente, foram sendo criadas as emendas parlamentares,
08:27foram crescendo, crescendo, especialmente a partir da presidência
08:30Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados,
08:31e hoje chegou, segundo alguns, do que sobra para investir um quarto
08:35sequestrado pelo Congresso Nacional.
08:38Eu pergunto para você, eu sei que é...
08:41como é que há uma imbricação da questão política e da questão econômica?
08:46E é um Congresso que está terminando, é o seu quarto ano,
08:49e como o Bruno levantou também,
08:51todas ali com as outras são candidatos à reeleição.
08:54Ou o deputado federal candidato à reeleição,
08:55o deputado federal quer virar senador,
08:57ou senador candidato à reeleição,
08:59pouquíssimos são aqueles que resolvem não sair candidatos novamente.
09:03Como é que fica isso em termos...
09:04Qual o reflexo dessa questão política na economia?
09:07Pois é, esse é um tema muito interessante,
09:09porque se a gente for analisar a economia como ciência,
09:13ela é, de forma estrito-sensio, dependente da política.
09:17Ou seja, as ações políticas determinam, de forma geral,
09:21os rumos econômicos.
09:23Isso é bastante consolidado.
09:27E no Brasil, historicamente, não só no Brasil,
09:29mas é uma característica de países como o nosso,
09:34em ano de eleição o orçamento geralmente não fica em primeiro plano.
09:37As pessoas querem se reeleger e aquilo passa ali meio que de forma mambembe.
09:42Ou seja, não tem a atenção que deveria.
09:47É uma pena.
09:48Nós temos muita coisa boa acontecendo no Brasil em termos econômicos.
09:52Nós temos o PIX, nós temos fundamentos econômicos sólidos.
09:57Mas a gente precisa também importar algumas coisas que dão certo em outros países
10:03e que no Brasil não está dando certo.
10:07Ou seja, esse tema do orçamento é um tema muito caro,
10:10é um tema relevante que a gente precisa dar mais atenção.
10:14Se a gente for ver, por exemplo, nos Estados Unidos,
10:15nos Estados Unidos, há pouco tempo atrás, tem o famoso shutdown,
10:18que é o shutdown econômico.
10:21Se você não aprovar o orçamento,
10:23se eles não entrarem em um acordo do orçamento, para tudo.
10:26não se gasta mais nada.
10:28Ou seja, é uma forma de você forçar,
10:30que primeiro tem um entendimento político
10:32e que se aprove o que deve ser aprovado.
10:35Então a gente precisa ter um pouco mais de atenção para esse tema.
10:41É um tema importante que, para o ano que vem,
10:44no meu ponto de vista, é um sinal amarelo, um ponto de atenção.
10:46Gustavo, a mesma questão para você,
10:50essa relação problemática do Congresso com o orçamento,
10:55quando a gente diz isso, não é nada, não é demonizar a política, não.
10:58Você que nos acompanha.
10:59Política, sim, é debate e tal, mas não é um debate sobre orçamento.
11:02É um interesse privado de 513 deputados federais
11:05e 81 senadores sobre orçamento público.
11:08Seu, meu, nosso.
11:09Essa é a questão central.
11:11Por isso que eu estou perguntando aos nossos convidados,
11:13sem querer, de forma alguma, demonizar o político,
11:16o debate sobre os recursos públicos, nada disso.
11:20Gustavo.
11:20Eu acho que, até há pouco tempo atrás,
11:24a questão de debate de orçamento era uma coisa sem graça.
11:29Eu digo porque a grande maioria dos nossos gastos são vinculantes,
11:34tem pouco espaço para gasto discricionário.
11:39Então era uma coisa quase que monótona.
11:43Você só projetava qual ia ser o tamanho do seu déficit.
11:47Porque era isso ano atrás de ano.
11:50Agora, nesses últimos anos, que se criou essa coisa,
11:56que é uma coisa sui generis, né?
12:01Que é essa coisa dos deputados terem um orçamento,
12:05ter esse poder discricionário enorme,
12:09que não sabemos para onde que vai, emendas PIX.
12:13Isso, sim, é uma coisa que tem que ser debatida
12:16e entendida o porquê disso.
12:20Da onde que estamos sequestrando do orçamento
12:24que, teoricamente, se falava que 95%, 97% era vinculado,
12:31da onde que estão saindo essas emendas parlamentares.
12:34Então eu acho que esse é o X da questão atualmente.
12:39Bruno, como é que você vê essa questão?
12:45Quer dizer, que é o que vocês, aqui no Visão Crítica,
12:48inúmeras vezes nós discutimos essa questão das emendas parlamentares.
12:52E há um confronto, não é um confronto,
12:54há uma determinação do ministro Flávio Dino,
12:57do Supremo Tribunal Federal, de cumprir o que está aqui.
12:59Esse aqui, na Constituição, que é o artigo 37.
13:03A cabeça do artigo diz que a administração pública,
13:07direta ou indireta, deve-se pautar por cinco princípios.
13:10Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
13:14Então o que ele está pedindo, simplesmente,
13:16é o cumprimento do capítulo, a cabeça do artigo.
13:18Só isso, saber para onde vai o dinheiro.
13:20Emenda PIX também é uma criação nossa.
13:22Nós temos coisas incríveis.
13:24Você imagina se faz uma emenda por uma prefeitura
13:26que não fala nem onde vai gastar aquilo.
13:27É um verdadeiro absurdo.
13:28Bruno?
13:30Eu acho que é muito reflexo do momento,
13:32e aí me arriscando a fazer uma análise mais política do assunto,
13:39porque, no final das contas,
13:40é um movimento de descentralização do poder
13:43que a gente tem observado nos últimos anos.
13:46Enfim, o poder executivo, o governo federal,
13:50tem perdido parte da sua força,
13:53inclusive, até se a gente olhar para o gasto público,
13:55o gasto público federal não cresce ao mesmo ritmo do gasto público estadual e municipal,
14:01justamente porque esse recurso do orçamento público está sendo, aos poucos,
14:07pulverizado para as demais esferas.
14:11Ou seja, esse poder, esse efeito pendular que vem do governo federal para os governos regionais,
14:17nesse momento, ele está muito mais penso em direção aos governos regionais.
14:22Então, acho que esse maior poder do Congresso na definição do orçamento
14:27é, no mínimo, um reflexo desse momento que a gente está vivendo.
14:32E eu acho que, para curto prazo, olhando para 26, olhando para 27,
14:37a gente não deve ter nenhuma grande mudança.
14:39primeiro porque, para 2026, esse Congresso é o mesmo que já vinha dos últimos anos.
14:45Para 2027, fazendo conversa ali com alguns colegas, com alguns cientistas políticos,
14:51a gente não deve ter uma mudança tão grande do perfil do Congresso para 2027.
14:57Ou seja, essa característica de um Congresso muito dividido,
15:02de dificuldade em aprovar emendas, de fazer grandes reformas,
15:08por parte do governo federal, por parte do Executivo, deve prevalecer.
15:12Então, essa questão das emendas PIX, no final das contas,
15:17é só um meio pelo qual o governo foi se desfacelando,
15:20o governo federal foi desfacelando, entregando o poder para governos regionais,
15:26enfim, para índices menores.
15:28Hugo, vamos pensar, eu sei que muitas vezes pode ser um conto da carochinha,
15:32como diriam os mais antigos,
15:34mas tem questões que são fundamentais quando a gente fala em gastos dos recursos públicos,
15:39que é a questão da renúncia fiscal.
15:42O que é renúncia fiscal?
15:44O governo, não só o da União, os estados e das prefeituras,
15:47mas no caso nós estamos tratando da União,
15:50abdica do recebimento do imposto X, Y, Z, não importa.
15:54Por um período de tempo, em contrapartida,
15:57aquele que recebe essa benesse se compromete a fazer uma série de coisas
16:01que normalmente não faz, porque não há sequer acompanhamento do governo por parte disso.
16:06Quando é que nós vamos, será que em 2026 poderemos,
16:09apesar de ser um ano eleitoral, sempre um ano eleitoral,
16:12mas será que pode ter um lado positivo também,
16:14algum deputado, algum senador,
16:15querer ficar mais conhecido e colocar o dedo nessa ferida,
16:18então, dando até sugestão a alguns dos que nos acompanham,
16:21que estão lá no Congresso Nacional,
16:23discutir a questão de renúncia fiscal,
16:26por exemplo, falar da Zona Franca de Manaus,
16:28certo dia nós falamos aqui rapidamente sobre isso,
16:31que esse é um tema que está desde a Constituição de 88,
16:34está lá nas posições transitórias,
16:36só que se extinguiu aquele período,
16:38mas foi há anos atrás, ampliado ainda o período da Zona Franca.
16:42Coincidentemente, o relator da Assembleia Constitucional
16:44era um deputado, à época, do PFL, e da onde?
16:47Do Amazonas.
16:48Bernardo Cabral, célebre Bernardo Cabral,
16:50por muitas razões, não só como relator da Constituinte.
16:54Então, a questão que eu coloco para você,
16:56a questão como é que fica,
16:58será que poderemos ver alguém no Congresso e falar,
17:01espera um pouquinho, eu queria discutir renúncia fiscal,
17:03Zona Franca de Manaus, ou é muito otimismo?
17:05Olha, o ano eleitoral, em termos históricos,
17:10ele traz muitas surpresas,
17:12ou seja, é possível, de forma geral,
17:15que a gente tenha uma discussão nesse sentido em 2026.
17:20Agora, de forma bastante prática,
17:23tratando o ano eleitoral,
17:25temas mais complexos,
17:27geralmente são deixados para depois,
17:30ou seja, eu não acredito, honestamente,
17:33que nós vamos ter uma pauta,
17:35é uma pauta importante,
17:36é uma pauta relevante,
17:39mas eu não acredito numa discussão profunda,
17:42como deve ser feita,
17:44no ano eleitoral,
17:47um tema sobre renúncia fiscal.
17:49É possível que talvez tenha ali
17:51até algum congressista,
17:56enfim, alguém que queira,
17:57de forma pública,
17:59debater mais profunda,
18:00como deve ser feita,
18:01eu não acredito nessa discussão, honestamente.
18:05Gustavo, você é mais otimista?
18:06Eu sou mais otimista em termos de,
18:10quando a gente fala de renúncia fiscal,
18:12nós estamos falando de política industrial.
18:14Eu acho que é importante nós debatermos esse assunto,
18:18mas não demonizarmos a questão da política industrial.
18:24Hoje nós temos o BNDES,
18:25que é um exemplo no mundo,
18:28de um banco público que investe em empresas diretamente,
18:32incentiva setores estratégicos,
18:36que até então não teriam espaço no mercado financeiro comum.
18:42Então, assim,
18:42eu acho que deve ser revista algumas renúncias fiscais,
18:48mas temos que separar o joio do trigo.
18:51Existem muitas coisas ruins com as coisas das renúncias,
18:56mas existem muitas coisas boas,
18:59que realmente incentivam o emprego,
19:01ajudam a economia.
19:03Então, precisa que seja feito um debate claro
19:08e a parte de ideologias até certo ponto,
19:13porque uma política industrial nada mais é
19:17do que uma política intervencionista.
19:19é uma política progressista.
19:22Então, não dá para se abster 100% do discurso político.
19:27A gente vai cair na questão da economia política
19:30e, de qualquer forma,
19:34temos que ver as razões
19:37do porquê aquela renúncia fiscal é tão importante.
19:42Eu não acho que tenhamos espaço
19:45num ano eleitoral,
19:47porém, é alguma coisa que em algum momento
19:51temos que rever.
19:54Mas, só para enfatizar mais uma vez,
19:57em relação ao BNDES,
19:58o BNDES foi criticado durante anos
20:03como interventor na economia
20:07que estaria desestabilizando
20:09para um lado, para o outro.
20:11E hoje a gente vê que maravilha
20:14que é o banco em termos de números,
20:16em termos do que ele construiu.
20:19Então, existem os dois lados da moeda
20:23que a gente tem que separar
20:24em relação à renúncia fiscal.
20:26Bruno.
20:27Olha, talvez aqui já sendo um pouco mais pessimista,
20:30Eu diria que 2026 certamente não vai ser o ano
20:35em que a gente vai rediscutir profundamente
20:37renúncias fiscais
20:40ou quaisquer outras fontes de desigualdade
20:44ou uma política pública que precise ser revista.
20:48Enfim, justamente porque não são assuntos
20:51que rendem voto.
20:52Certamente não é o meu voto ali,
20:54o representativo nesse caso,
20:56mas a gente sabe que a discussão eleitoral
20:59vai se dar em cima de outros fatores,
21:02de dores mais latentes da população.
21:05Seja preços de alimento,
21:06seja questão de renda, emprego, segurança pública.
21:09Então, eu diria que a questão das renúncias fiscais
21:13é algo que o nível mais técnico da fazenda
21:17em 2027 talvez se debruce sobre.
21:21Se, lógico, entender que é algo que precisa ser revisto.
21:25Porque isso vai depender, lógico,
21:26de quem vai ser eleito,
21:28qual que é a sua inclinação política,
21:31enfim, vários fatores.
21:32Mas em 2026 eu diria que
21:34certamente não vai ser um dos pontos
21:36que vai ganhar as manchetes de jornal.
21:39Infelizmente, vai ser um problema ainda carregado
21:42necessariamente para 2027.
21:45Pensando, claro,
21:46aqui nós estamos pensando em perspectivas, né?
21:49Aqui nessa discussão hoje do visão crítica,
21:51eu perguntaria ao Pugo,
21:53claro que eu sei que não é
21:54fazer uma previsão numérica exatamente
21:56que lá em dezembro, no final do ano de 2026,
22:01alguém vai falar, não, é exatamente isso.
22:02Mas em termos de crescimento do PIB,
22:05é possível ser mais otimista em 26
22:07do que o crescimento do PIB em 25?
22:10E mais ou menos que número a gente poderia estimar?
22:13Claro que tem variáveis,
22:14você logo lembrou na primeira questão,
22:16e a economia mostra isso,
22:18que elas estão fora disso.
22:20Pode acontecer um fenômeno internacional,
22:23por exemplo, que afete
22:25o desempenho da economia brasileira
22:27o ano que vem.
22:28As economias estão integradas.
22:29Quem imaginaria que a pandemia
22:31iria ocorrer, né?
22:32Se nós fazermos histórico,
22:35aí de uma hora para outra
22:36chega a pandemia da Covid-19,
22:38que eu estou me referindo,
22:39e teve todo o impacto econômico
22:40que vocês conhecem.
22:41Mas dentro dessas condições atuais,
22:44como é que você analisa
22:45o crescimento do PIB para 2026?
22:48A gente tem fundamentos econômicos sólidos
22:53para cravar um 2026
22:57em termos de crescimento do produto,
22:59do PIB,
23:00melhor,
23:02ou diria até muito melhor,
23:03dependendo do desempenho econômico 2026
23:07e das variáveis exógenas,
23:10que a gente chama,
23:10variáveis externas,
23:12que vão influenciar
23:13o crescimento econômico do país
23:14no próximo ano.
23:16Ou seja, quais são essas variáveis?
23:18Primeiro, a variável
23:19é uma curva de juros
23:21um pouco menor.
23:23Então, o juros,
23:23ele é um detrator
23:25do crescimento econômico.
23:26Quando você tem uma curva
23:27de juros menor,
23:28e aí a gente pode entrar
23:29numa discussão de quanto,
23:31ou seja,
23:32algumas casas projetam 12,5,
23:34outras 12,
23:35e outras um pouco mais,
23:37mas, sem dúvida,
23:38a projeção para finalizar
23:39o ano que vem
23:40com uma taxa de juros menor.
23:41Taxa de juros menor
23:41significa mais gás,
23:45incentivo ao crescimento econômico.
23:48A gente entra também
23:49numa outra variável
23:50que é o gasto público.
23:51Ou seja,
23:51a gente tem uma injeção de capital
23:54na economia
23:55de forma histórica
23:57maior do que,
24:00se comparado com anos
24:01sem eleição.
24:05Então,
24:06essas duas variáveis
24:07combinadas
24:08já dão uma perspectiva
24:09de incremento do PIB
24:10já maior,
24:13um alento.
24:14Ou seja,
24:14outra variável importante
24:15é,
24:16a gente já tem
24:17dentro do cenário
24:19econômico atual
24:20uma faixa
24:22de emprego
24:24que é fundamental
24:25para o motor
24:26da economia,
24:26motor de crescimento econômico
24:28é o emprego e renda.
24:29A gente tem uma faixa
24:30de geração de emprego e renda,
24:33ou seja,
24:33uma situação de praticamente
24:34pleno emprego.
24:35Tem pouco desemprego
24:36no Brasil.
24:37Então,
24:37adicionando essas três variáveis
24:38gera uma perspectiva
24:40positiva.
24:41Algumas casas vão dizer
24:425%,
24:434% a mais,
24:45algumas mais otimistas
24:4610%,
24:46mas acho que o importante
24:47aqui é cravar
24:48que a gente tem,
24:49finaliza o ano
24:50com uma perspectiva
24:52muito boa
24:53em termos econômicos
24:55para crescimento
24:56do produto.
24:56o que vai diferenciar
24:58nesse meio do caminho
25:00se vai ser
25:00um crescimento
25:01muito bom
25:02ou razoável
25:04são as intempéries
25:05no meio do caminho
25:06nesse mar econômico
25:07que a gente vai
25:07vivenciar
25:08as variáveis
25:09são inúmeras.
25:10A gente pode falar
25:10de Trump,
25:11a gente pode falar
25:11qual vai ser
25:13o candidato preferido
25:15se é A ou se é B
25:16e aí
25:17é mais de fato
25:18finalizamos
25:19o ano
25:19finalizamos
25:21o ano
25:21com uma boa perspectiva.
25:24É,
25:24Gustavo,
25:24pessoal,
25:25essa mesma questão
25:26referente aí
25:27ao crescimento
25:28do PIB,
25:28como é que você
25:30desenha uma análise
25:31do que pode ser
25:32o ano de 2026?
25:34Eu concordo
25:35com o Hugo Garbi,
25:37eu estou em linha
25:37com ele,
25:38acredito que vai ser
25:39um ano de 2026
25:41melhor do que
25:42o ano de 2025,
25:43dado que já temos
25:44as bases estabelecidas
25:46e é o ano eleitoral.
25:48E fora isso,
25:49tem o fator surpresa,
25:50né?
25:52Como a gente vai ter
25:53uma série
25:54de ministros,
25:57uma série
25:58de pessoas
25:58descompatibilizando
26:00por volta de abril
26:01para concorrer
26:02às eleições,
26:04vão haver
26:05trocas
26:06em ministérios,
26:07vão haver
26:08trocas
26:08em estatais
26:09e isso
26:10acaba trazendo
26:11algum ânimo
26:12no mercado
26:14financeiro
26:15para momentos
26:16melhores.
26:18Então,
26:18eu acredito
26:19que os números
26:20vão estar melhores
26:21em relação
26:22à taxa
26:23de juros,
26:23concordo
26:24completamente,
26:26vai depender
26:28muito
26:28do quanto
26:29que vai se
26:30diminuir
26:30essa taxa
26:31de juros,
26:32eu acho
26:32que ninguém
26:32tem a expectativa
26:34de que se mantenha
26:35ou suba
26:36essa taxa
26:37de juros,
26:37a expectativa
26:38é que tenha
26:39uma queda,
26:41daí a questão
26:42é o quanto
26:43que vai se dar
26:44essa queda.
26:45mas
26:46espero,
26:48esperamos
26:49que seja
26:50alguma coisa
26:51melhor do que
26:52foi esse ano
26:53até então.
26:54Bruno,
26:55o que a gente
26:55tem visto
26:57e colocado
26:58para os nossos
26:58clientes
26:59é na verdade
26:59um cenário
27:00talvez parecido
27:02em termos
27:02de números
27:03gerais
27:03para 26
27:04do que foi
27:0525,
27:06é um crescimento
27:07de PIB
27:07em torno
27:08de 2%,
27:092025 deve
27:10ficar perto
27:11de 2,2%,
27:12ou seja,
27:13praticamente
27:13o mesmo resultado,
27:14mas com uma composição
27:15um pouco diferente.
27:17Pela ótica
27:18da oferta,
27:192025 muito puxado
27:21pelo agropecuário,
27:23crescendo ali
27:24quase 7%,
27:25e não é que
27:262026 vai ser
27:27um ano ruim,
27:28mas crescer
27:29muito mais
27:30depois de já
27:31um ano muito bom
27:32em 2025
27:33seria muito improvável.
27:34Então,
27:35é um ano em que
27:36o agro não deve
27:36puxar tanto.
27:38A indústria
27:39realmente não tem
27:40muito por onde,
27:41a taxa de juros
27:42mesmo em queda
27:43ao longo de 26,
27:44ela deve permanecer
27:46restritiva.
27:47Então,
27:47a gente imagina
27:48que a Selic
27:49começa a cair
27:50a partir de março,
27:51mas em quedas
27:53lentas,
27:53e aí a Selic
27:54terminando o ano
27:55ainda em 12,5%,
27:57ou seja,
27:57um banco central
27:58ainda com o pé
27:59no freio.
28:00Não seria ali
28:01com o pé
28:01afundando o tapete
28:02ali do carpete,
28:04mas ainda
28:05com pressão
28:06no freio.
28:06Então,
28:07ainda não seria
28:07um cenário
28:08tão favorável,
28:10lógico,
28:11menos restritivo
28:12do que 2025,
28:13acho que a indústria
28:14é quem mais sente
28:15isso,
28:16mas enfim,
28:17não seria em função
28:18tanto da indústria
28:19que a gente teria
28:19um crescimento
28:20em 26.
28:21Os serviços,
28:22de outro lado,
28:23tem tudo para ser
28:24novamente o principal
28:25vetor
28:26do crescimento
28:27do PIB
28:28em 26,
28:29justamente por conta
28:30dessa injeção
28:31de dinheiro
28:31que deve vir
28:32principalmente
28:33do imposto
28:34de renda,
28:35ou seja,
28:35é um vetor
28:36de consumo,
28:37consumo das famílias,
28:38olhando o PIB
28:39pela ótica
28:39da demanda,
28:41deve ser o principal
28:41propulsor,
28:43e o consumo
28:44das famílias
28:44a gente sabe
28:45que é muito
28:46direcionado
28:47hoje em dia
28:48para serviços,
28:49qualquer renda
28:49adicional
28:50acaba pressionando
28:51serviços,
28:52não é à toa
28:52que a gente tem
28:53uma inflação
28:54de serviços
28:55rodando
28:55sistematicamente
28:57acima da inflação
28:57cheia,
28:58então, enfim,
29:00é um ano
29:01que tem tudo
29:01para ser
29:02um bom ano
29:02em termos
29:03de números gerais,
29:04olhando para a PIB,
29:05olhando para
29:05mercado de trabalho,
29:07desemprego
29:08continua baixo,
29:09renda real
29:10crescendo,
29:12ou seja,
29:13renda crescendo
29:13acima da inflação
29:15anual,
29:16mas,
29:17acho que nada
29:18muito mais
29:20positivo
29:21do que isso,
29:22acho que eu diria
29:22que o crescimento
29:23de 26,
29:24ele vai estar
29:24muito calcado
29:25nos estímulos
29:26de curto prazo
29:27dados pelo governo,
29:28dado que é
29:28ano eleitoral
29:29e sem
29:30tanto
29:31combustível
29:32para ir
29:33muito além.
29:35Eu perguntaria
29:36para vocês,
29:37não é tanto
29:38uma perspectiva
29:39de 2026,
29:41mas é uma análise
29:42histórica
29:43dos últimos anos
29:44de uma questão
29:45importante,
29:46que eu acho
29:46que vale a pena
29:47a gente colocar
29:48nesse debate
29:50de hoje,
29:51na perspectiva
29:51de 26,
29:52mas analisando
29:54também o passado
29:55do Brasil,
29:55que é o sistema
29:56bancário,
29:56aproveitar o gancho,
29:57o ano
29:58de 2025
29:59foi marcado
30:00principalmente
30:01pelo episódio
30:02do Banco Master,
30:03isso ainda
30:04está sendo
30:04investigado,
30:06ninguém sabe
30:06depois se transformará
30:08em uma,
30:08duas,
30:09três ações,
30:10se for recepcionado
30:11ou não
30:11pela justiça
30:12e daí
30:13para frente.
30:14Houve a liquidação
30:15do banco
30:15por parte
30:16do Banco Central,
30:17houve episódios
30:18complexos,
30:19como a tentativa
30:20de compra
30:20que o BRB,
30:22que é o Banco Regional
30:23de Brasília
30:23em relação
30:24à parte
30:25do Banco Master,
30:26discussões
30:26de todos os tipos,
30:28revelações,
30:29em certo momento
30:30apareciam
30:31o portal
30:31Leo Dias,
30:32começaram
30:33fofocas pessoais
30:34do proprietário,
30:35do não sei quem,
30:36do sócio tal,
30:37tudo,
30:38mas vamos deixar
30:39de lado
30:39essa coisa
30:39mais do submundo
30:43e vamos discutir
30:43a questão econômica
30:44propriamente dita.
30:46Portanto,
30:47volto a insistir
30:48quando eu coloco
30:48aos nossos convidados.
30:50Não é,
30:50claro,
30:51só uma perspectiva
30:53de 26.
30:53É a questão
30:54do sistema bancário
30:55brasileiro.
30:56É um sistema
30:57sólido
30:58ou não?
30:59Dois,
30:59é um sistema
31:00que tem um oligopólio?
31:01O que é um oligopólio?
31:02É quando você tem
31:03um pequeno número,
31:04por exemplo,
31:06de fornecedores
31:06de matérias-primas
31:07ou de produtos
31:08manufatorados.
31:09O monopólio
31:10é quando tem um.
31:10Quando o oligopólio
31:11é um pequeno grupo
31:12e que determina
31:12o preço de venda,
31:14etc.
31:14No caso dos bancos,
31:16evidentemente,
31:16que é um pouco diferente
31:17são os serviços
31:18que o banco
31:18presta.
31:19Então,
31:19o que acontece?
31:20Nós temos um sistema
31:21sólido ou não?
31:23Temos um oligopólio ou não?
31:24Por que nós não temos
31:25bancos estrangeiros
31:27operando no Brasil?
31:28Que dificuldade é essa?
31:29Alguns tentaram entrar,
31:30entraram,
31:30ficaram pouco tempo,
31:31foram embora.
31:32Como é que você analisa?
31:34Acho que a gente pode
31:35dividir a discussão
31:37em algumas fases.
31:40Muito bem lembrado,
31:41ou seja,
31:42esse histórico
31:42do sistema bancário brasileiro.
31:44Naturalmente,
31:45nós tivemos,
31:46para a gente analisar a história
31:49da economia monetária
31:50brasileira,
31:51é um período muito difícil,
31:53inclusive no sistema financeiro
31:54nacional,
31:55que é o período
31:55que a gente chama
31:56de hiperinflacionário,
31:57onde os bancos também
31:58sofriam para poder
32:00manter ali
32:01a sua operação,
32:04um período de alta
32:04de hiperinflação,
32:06um período duro
32:06na economia brasileira.
32:08mas se a gente for analisar,
32:10fazer um recorte
32:10de 30 anos para cá,
32:11período pós-plano real,
32:15comparando a economia brasileira,
32:17a estrutura da economia brasileira,
32:18a quantidade de pessoas
32:22bancarizadas no Brasil
32:25com outros países,
32:27a gente tem uma quantidade
32:28muito pequena de bancos,
32:29uma quantidade muito pequena
32:31de competição bancária no Brasil.
32:34E olha que o Brasil,
32:35se a gente for analisar
32:36só em termos técnicos,
32:37a tecnologia bancária brasileira
32:40é uma tecnologia de ponta.
32:42A gente recebe aqui
32:43chineses, franceses,
32:46alemães, americanos,
32:47olhando como é que funciona
32:48o Pix.
32:49A gente, mesmo sem o Pix,
32:51a TED,
32:52ou seja, os americanos
32:53até hoje pagam
32:54conta com cheque,
32:56pelo correio.
32:57E o Brasil aqui,
32:59ele tem um sistema
33:00de tecnologia bancária
33:02muito avançado,
33:03mas um sistema ainda
33:04com poucos bancos,
33:05com poucos concorrentes.
33:08A gente tem 4, 5 ou meia dúzia
33:10de bancos já há muito tempo.
33:13A gente tem uma gama
33:14de bancos de médio porte
33:15já consolidada,
33:18mas isso é insuficiente
33:19para a quantidade de produtos
33:21que a gente precisa
33:22no sistema financeiro brasileiro,
33:23para a concorrência
33:24que a gente precisa
33:25no sistema financeiro brasileiro,
33:27e até a quantidade
33:27de bancos estrangeiros.
33:28Tivemos alguns
33:29que vieram aqui
33:30e não conseguiram se manter.
33:33ou seja,
33:34a gente tem
33:35o sistema financeiro brasileiro
33:37é um sistema complexo,
33:38é um sistema fácil.
33:40Ou seja,
33:40precisamos,
33:41no meu ponto de vista,
33:43não só ampliar
33:45esse leque de competição,
33:47mas também
33:48melhorar
33:50a regulação econômica.
33:53O mercado,
33:54o jargão que a gente utiliza
33:56na economia,
33:58ou seja,
33:58o mercado é covarde.
33:59Você tem casos
34:00como o do Banco Master
34:01que aconteceu
34:02no mercado financeiro brasileiro,
34:04isso prejudica
34:05o sistema econômico
34:06como um todo.
34:07A gente tem críticas duras
34:08que vêm sendo feitas
34:10ao próprio papel
34:11da CVM,
34:11ou seja,
34:12o aspecto regulatório
34:12precisa ser revisto,
34:14o sistema bancário
34:14precisa ser ampliado
34:15aqui no Brasil.
34:17Gustavo,
34:18eu acho que
34:19a questão bancária
34:20no Brasil
34:20não é muito diferente
34:22de outros setores.
34:24O Brasil
34:24é um país
34:25tremendamente fechado
34:27e isso se reflete
34:29no setor bancário
34:30também.
34:32Hoje,
34:33quando
34:33vem um banco estrangeiro
34:35no Brasil
34:36e perde uma carta patente
34:38para funcionar
34:39no Brasil,
34:41a gente fala
34:42que ele consegue
34:44essa carta patente
34:45em torno
34:46de cinco anos.
34:48Para você fazer
34:48uma gestora
34:49de valores
34:50no Brasil,
34:52conseguir registrar
34:53em todos os órgãos,
34:54incluindo a CVM,
34:56que é a principal,
34:57nós falamos
34:58em dois anos.
35:00Então,
35:01nós temos
35:01um problema
35:02de eficiência,
35:04um problema
35:05de abertura
35:06que faz
35:07com que se crie
35:08uma seleção natural.
35:10Não é todo mundo
35:11que vai querer
35:12entrar no Brasil
35:14dado
35:14todos
35:15esses
35:16entraves
35:17burocráticos
35:19que nós
35:19temos.
35:21Então,
35:21acaba-se consolidando
35:23os bancos públicos
35:24que estão aqui
35:25por obrigação
35:26ou os outros
35:27bancos
35:28que já estão
35:29há gerações
35:30e há muitos
35:31anos aqui.
35:33Então,
35:33essa questão
35:34bancária
35:34não é uma questão
35:35só do mercado
35:37financeiro,
35:38é uma questão
35:39muito maior
35:40que a questão
35:41de Brasil.
35:42Para a gente
35:43pensar
35:44em termos
35:45de agências
35:46reguladoras,
35:47hoje nós temos
35:48a CVM,
35:49que é a Comissão
35:50de Valores
35:50Mobiliários,
35:52que a gente chama
35:53que é o xerife
35:54do mercado financeiro.
35:56Ela,
35:57na teoria,
35:59tem que vigiar
36:00e está
36:00sob tutela
36:01dela,
36:0213 trilhões
36:04de reais.
36:05São 13 trilhões
36:07de reais
36:07que são
36:08supervisionados
36:09por uma agência
36:11que tem
36:11aproximadamente
36:1250 anos,
36:14são por volta
36:15de 750
36:16funcionários
36:18só
36:18e um orçamento
36:20de 850
36:22milhões
36:22por ano.
36:24Então,
36:24assim,
36:25é uma agência
36:25totalmente
36:26defasada,
36:28sem orçamento,
36:29sem pessoal,
36:32um processo
36:33na CVM,
36:35a gente fala
36:36que dura
36:37em média
36:371.800
36:38dias.
36:40Então,
36:40assim,
36:41é o problema
36:43do Brasil
36:44de ineficiência,
36:45pouco orçamento,
36:46pouca atualização,
36:48então,
36:49não é só
36:49questão
36:50do setor
36:52bancário,
36:52é uma característica
36:54do Brasil
36:54ser
36:55tremendamente
36:56fechado.
36:57Bruno,
36:58Bruno Levia.
36:59Eu acho que
36:59eu concordo
37:00com tudo
37:01que foi colocado,
37:02acho que,
37:03no final das contas,
37:03a gente tem sim
37:04um sistema bancário
37:05super sólido
37:06e acho que
37:08é fácil
37:09a gente olhar
37:09para trás,
37:10para a história,
37:11por exemplo,
37:11crise de 2008,
37:13crise financeira
37:14nos Estados Unidos,
37:16um verdadeiro
37:17dominó,
37:18ou seja,
37:18um banco quebra,
37:19leva vários
37:21a rodo,
37:22o governo
37:22precisa resgatar.
37:23Isso aconteceu
37:24em vários países,
37:25acho que na Europa
37:26a gente tem até hoje
37:27os chamados
37:28bancos zumbi,
37:30que eles estão ali
37:30mortos vivos,
37:32e aqui no Brasil
37:33isso passou
37:34totalmente em córno.
37:36Quando acontece
37:37realmente
37:38de precisar
37:39liquidar
37:40algum banco,
37:41isso acontece
37:41com poucos
37:43ou quase nenhum
37:44efeitos colaterais,
37:45efeitos contágio
37:47em cima
37:47de outros bancos.
37:48Então,
37:48a gente tem ali
37:49um sistema
37:51de regras,
37:52regras de basileia
37:53e tudo mais,
37:54muito bem gerido
37:55no Brasil.
37:56A questão
37:57é que tudo isso,
37:58como o Gustavo
37:58bem lembrou,
38:00gera barreiras
38:01à entrada,
38:02ou seja,
38:03todo esse arsenal
38:05de precaução
38:07acaba dificultando
38:08o lado da concorrência.
38:10Ou seja,
38:11o custo de entrada
38:12para esse mercado
38:13é super elevado,
38:15não é todo mundo
38:16que topa entrar,
38:17e no final das contas
38:19é,
38:19eu diria,
38:20um mercado
38:21em que a concorrência
38:22talvez não seja
38:23tão dura,
38:25tão pura,
38:27talvez,
38:28quanto em outros mercados,
38:29em outros países.
38:31Então,
38:32de fato,
38:32é algo que tem
38:33prós e contras
38:34é um objeto
38:36super complexo,
38:37no final das contas,
38:38parte dessa solidez
38:40do sistema bancário
38:41brasileiro.
38:42É efeito colateral
38:43da hiperinflação
38:44que a gente teve
38:45até o começo
38:46dos anos 90.
38:48Então,
38:49enfim,
38:50tudo tem seus prós
38:51e contras.
38:51Acho que,
38:52no final das contas,
38:53as soluções
38:54são bem mais profundas,
38:57bem mais complexas
38:58do que a gente
38:58consegue resumir
39:00em tão pouco tempo.
39:02Hugo,
39:03se a gente
39:03hoje eu li muito,
39:05vi muitos que disseram
39:07o seguinte,
39:08o Brasil tem um encontro
39:11marcado com a crise
39:12em 2027.
39:13Grosso modo,
39:14assim,
39:15encontro marcado
39:15tem até um livro famoso
39:16do Fernando Sabina,
39:17quando antigamente
39:18se lia nas escolas,
39:19faz tempo,
39:20no ensino médio,
39:21era quase que um livro
39:22obrigatório.
39:23Ultimamente,
39:24acho que nem Twitter
39:25é lido no ensino médio,
39:27né?
39:27E se não,
39:29querem ler
39:29pela inteligência artificial,
39:31já pegam um resuminho,
39:32tudo mais fácil,
39:33assim vai,
39:33mas eram outros tempos,
39:35era um belo livro.
39:37A questão que eu coloco
39:39a vocês é,
39:39começando com você,
39:41nós temos um encontro
39:42marcado com a crise
39:43em 2027?
39:45Olha,
39:45nós temos,
39:47em todas as áreas,
39:48nós temos,
39:48na nossa área,
39:49temos economistas
39:50do apocalipse,
39:51né?
39:51Que gosta de,
39:53eu não seria tão radical,
39:55assim,
39:56eu acho que é prematuro
39:57a gente dizer que a gente
39:57tem um encontro marcado
39:59com a crise em 2027,
40:02porque a economia
40:04é uma ciência
40:04social aplicada,
40:08ou seja,
40:08você depende
40:09de ações
40:11políticas,
40:13você depende
40:13de variáveis
40:15endógenas,
40:16exógenas,
40:18que acabam influenciando
40:19o cenário econômico
40:20como um todo.
40:21A gente está falando
40:22de dois anos,
40:23um pouco mais,
40:24um pouco menos,
40:25para ter ou não
40:27uma crise econômica,
40:28né?
40:29Diria que a gente
40:29tem hoje
40:30um cenário econômico
40:33que a gente pode
40:34evitar essa crise,
40:36ou seja,
40:37a gente,
40:38fazendo a lição
40:39de caso
40:39bem feita,
40:41a gente pode
40:42passar em colume
40:43por uma crise
40:43em 2027,
40:46ou seja,
40:46tem variáveis,
40:47são o que a gente
40:48chama de endógenas,
40:49variáveis independentes,
40:50ou seja,
40:50que não dependem,
40:52mesmo com uma ação
40:52política positiva,
40:54mesmo com a redução
40:54do déficit público,
40:56mesmo com a redução
40:58das taxas de juros,
40:58que acabam gerando
41:00um processo,
41:02uma crise econômica,
41:04né?
41:04Está aí
41:04a crise do Covid,
41:07ou seja,
41:08uma variável exógena,
41:09uma variável externa,
41:10que você não tem como
41:10controlar.
41:11Agora,
41:12o governo tem
41:14a possibilidade
41:15de controlar
41:16gasto público.
41:18Se eu fosse
41:18citar um tema
41:20que mais me preocupa
41:22é a questão fiscal,
41:23um país
41:24caminhando para,
41:26um país como o Brasil,
41:28é importante dizer,
41:29para falar,
41:30poxa,
41:30professor,
41:31mas como é que faz?
41:32Estados Unidos
41:32tem uma dívida pública
41:33de 140% do PIB,
41:34o Japão 200%,
41:35bom,
41:36não podemos comparar
41:37a economia japonesa,
41:38a eficiência da economia japonesa,
41:40da economia americana
41:40com a economia brasileira,
41:41são características
41:42totalmente diferentes,
41:44taxa de juros
41:45americana
41:46e principalmente
41:47taxa de juros japonesa,
41:49são totalmente diferentes.
41:50Muitas vezes zero,
41:51né?
41:52Zero.
41:53Eu lembro que eu fui,
41:54antes da pandemia,
41:552018, 2017,
41:57convidado para uma palestra
41:58na Universidade de Tóquio,
42:01professor,
42:01e o economista japonês,
42:02depois da palestra,
42:03chegou e falou,
42:03professor,
42:04eu queria saber
42:05como é que é a inflação.
42:07Eu falei,
42:07olha,
42:08muito interessante
42:09essa pergunta,
42:10não queira saber.
42:11Com seus problemas,
42:13está tudo certo.
42:14Então, assim,
42:14eles não sabem
42:15nem o que é a inflação,
42:16então a gente tem,
42:17a gente controlando,
42:19né?
42:19Ou seja,
42:19em condições normais
42:20de temperatura e pressão,
42:22eu diria que
42:23podemos passar
42:25em colume
42:25por 2027.
42:27Gustavo Pessoa,
42:28temos ou não temos
42:29um encontro marcado
42:31com a crise,
42:31uma crise econômica,
42:32entende-se que nós estamos falando,
42:34em 2027?
42:35Eu não acredito nisso,
42:36não.
42:37Eu acho que
42:37todo ano
42:38a gente ouve
42:39essa história
42:40que no próximo ano
42:41tem que resolver
42:43essa questão,
42:43senão tudo explode.
42:45Precisa resolver
42:45essa questão,
42:47o Brasil é muito resiliente,
42:48né?
42:48E nós já passamos
42:49por momentos
42:50muito piores.
42:52O senhor mesmo citou
42:53a inflação
42:54com quatro dígitos
42:56e isso nos parece
42:58uma realidade
43:00muito distante.
43:01Nós passamos
43:02pela crise
43:02de Covid,
43:03uma coisa
43:04que ninguém imaginava,
43:06você ficar
43:07em casa
43:08sem poder trabalhar,
43:10sem poder abrir
43:11seu comércio.
43:11claro que foi
43:13muito duro,
43:14com muitas vidas,
43:16com muito custo,
43:17mas passamos.
43:19Então, assim,
43:19eu não acredito
43:20que a gente esteja
43:21nesse ponto
43:22tão difícil
43:26que algumas pessoas
43:29gostam de falar.
43:30Eu acredito
43:31que muitas das pessoas
43:32vivem desse extremismo
43:35querendo vender
43:37uma solução fácil.
43:38nós sabemos
43:39que não existe
43:40soluções fáceis
43:42para um Brasil
43:43do tamanho do nosso.
43:46Então, assim,
43:47desafios nós vamos ter
43:49como todo ano
43:50nós temos,
43:51ajustamos uma coisa,
43:52ajustamos outra,
43:54mas eu não vejo
43:55nenhuma questão
43:56estrutural no Brasil
43:58que esteja
43:58a ponto de se romper.
44:01Bruno Laviere,
44:02eu concordo
44:03em gênero,
44:04número e grau
44:04com o Gustavo
44:05porque no final
44:06das contas
44:07é mais uma parede
44:09que a gente
44:10está chegando
44:10mais perto,
44:12mas a gente
44:13está vendo
44:13essa parede.
44:14É possível
44:15desviar dela.
44:17E parte do nosso trabalho
44:18é justamente
44:19criar cenários,
44:20pensar o que
44:21pode acontecer
44:22e quais seriam
44:23os dobramentos.
44:24E pensando,
44:25obviamente,
44:25nas eleições,
44:26seja quem vencer
44:28as eleições,
44:29é uma pessoa
44:30que também
44:31está vendo
44:31esse muro.
44:33É uma pessoa
44:33que também tem
44:34opções
44:35para desviar
44:36dessa restrição.
44:38Esse muro,
44:39acho que talvez
44:39o principal muro
44:42seja realmente
44:42a questão fiscal,
44:44a questão de sinalizar
44:45o compromisso
44:46com o equilíbrio
44:48da dívida pública
44:49a médio prazo.
44:51E isso pode ser feito
44:51de várias formas,
44:53inclusive com
44:54credibilidade.
44:55Se você simplesmente
44:56apresentar ali
44:57uma meta
44:58crível
44:59e indicar
45:00o seu compromisso
45:01com essa meta,
45:03a taxa de juros
45:04cai por conta própria.
45:06E aí o trabalho
45:06fica mais fácil
45:07de ser feito.
45:08E a verdade é que
45:09todos os candidatos
45:11sabem disso.
45:12Eles talvez
45:13não falem isso
45:14ao longo
45:15do discurso eleitoral,
45:16mas eles sabem
45:17que não se comprometer
45:19com o fiscal
45:20a partir de 2027
45:22ou ao fim
45:23da eleição
45:23significa
45:24ter um trabalho
45:25muito mais duro
45:26a partir de 2027.
45:28Então,
45:29todos eles sabem
45:30que o consumidor
45:31é super sensível
45:32a inflação
45:34e que pra isso
45:35ele vai precisar
45:36começar
45:36a arrumar
45:38melhor a casa
45:40ou aumentar
45:40o seu compromisso
45:41com as contas públicas
45:42a partir de 2027.
45:45Seja quem for ali
45:46o novo presidente,
45:47lógico,
45:47a gente vai ter
45:48graus diferentes
45:49desse compromisso
45:50muito provavelmente,
45:51mas é um muro
45:52que está todo mundo
45:53vendo
45:53e todo mundo
45:54é capaz de desviar.
45:56Pra você que nos acompanha
45:57novamente e vindo,
45:58lá vem a história,
45:59quando o Júlio
46:01também está dizendo
46:02que o consumidor
46:02é muito sensível
46:03ao aumento dos preços,
46:05o submercado,
46:07antes do plano real,
46:09vamos pegar,
46:09quando a inflação anual
46:10chegou a quatro dígitos,
46:12imagina a loucura que era,
46:13então o senhor
46:14do supermercado
46:14não tinha leitura
46:15eletrônica no caixa,
46:16ele digitava
46:17o valor da mercadoria.
46:19Como eles remarcavam
46:20semanalmente,
46:22algumas vezes
46:22até diariamente
46:23as mercadorias,
46:24a mesma mercadoria,
46:25se você procurasse,
46:26ela tinha vários preços.
46:27na gôndola,
46:29no supermercado.
46:30Então tem gente
46:30que olhava lá atrás,
46:31falava,
46:31vou dar uma olhadinha aqui,
46:33então aquele quilo
46:33de arroz estava
46:34a três reais,
46:35no outro três e vinte,
46:36no outro três e trinta,
46:37no outro dois e noventa,
46:39só pra vocês entenderem
46:40o que era o Brasil
46:42desse momento.
46:43E por incrível que pareça,
46:45as pessoas sobreviveram.
46:46E tem empresas,
46:47uma delas
46:48eu tive recentemente,
46:49agora expondo a vocês
46:52e a vocês,
46:53eu falei,
46:55poxa,
46:55vocês foram,
46:56nasceram justamente
46:57com a inflação,
46:57tinha quatro dias.
46:58Como era desenhar
47:00um orçamento?
47:01Como você ia comprar
47:01matéria-prima
47:02e ia depois projetar
47:05o preço de venda
47:06da sua mercadoria?
47:06Que você ia transformar
47:07aquilo num produto.
47:09E por isso que o empresário
47:10brasileiro,
47:10até parodiando
47:11o Euclides da Cunha,
47:12o Euclides da Cunha
47:13dizia,
47:14em certo momento,
47:14os sertões,
47:15o sertanejo é antes
47:16de tudo um forte.
47:17O empresariado brasileiro
47:18é antes de tudo um forte.
47:20Porque vinha um estrangeiro
47:21e não conseguia entender,
47:22falar,
47:22caramba,
47:23como é possível fazer isso?
47:25E a empresa prosperou,
47:26cresceu,
47:27já tem três décadas
47:28e assim vai.
47:29Então,
47:29a gente consegue se adaptar
47:31às circunstâncias.
47:32Então,
47:32quando você vê
47:33uma situação agora,
47:35para um pouquinho
47:35e se puder dar uma olhadinha,
47:37hoje é fácil
47:38com o site de busca,
47:39e dê uma olhadinha,
47:40joga alguma pergunta
47:41sobre como era
47:43esse momento inflacionário
47:44que nós vivemos.
47:45Ou pergunte para o seu pai,
47:47para o seu avô,
47:48depende da sua idade.
47:50Você vê que o Brasil
47:50conviveu
47:51num momento
47:52porque parecia
47:53que era impossível
47:54sair daquilo.
47:55Era sempre
47:56três países analisados,
47:57Brasil,
47:57Argentina e Israel.
47:58Eram as coisas
47:59que se falavam muito.
48:00Tem um plano astral,
48:01isso no caso da Argentina
48:02e não sei o que lá.
48:03Aqui nós,
48:03como eu já falei,
48:04tivemos vários planos,
48:05mas a coisa é complicada.
48:07Mas conseguimos sair disso.
48:09Hoje a gente discute
48:10um por cento a mais,
48:11um por cento a menos.
48:12Olha que isso é uma bênção.
48:15Depois desse longo arrasoado,
48:17você vê que
48:18eu estou sendo otimista.
48:19Daqui a pouco
48:20eu vou escrever
48:20o Afonso Celso
48:21tem Porquê Meu Fã
48:22do Meu País
48:23em 1900.
48:24Acho que eu vou escrever
48:24Porquê Meu Fã
48:25do Meu País
48:26em volume 2.
48:27Porque está aqui
48:28com otimismo,
48:29mas não é otimismo,
48:31é a realidade.
48:32Eu sei que não existe,
48:34é muito difícil
48:34fazer previsões mesmo
48:35e na sua exposição
48:37em certo momento
48:37você tocou em números,
48:39mas é possível desenhar
48:41para 2026.
48:42Para quem nos acompanha
48:44aqui quer saber
48:44o seu bolso.
48:46Quer dizer,
48:46ele pensa no seguinte,
48:47no bolso,
48:48quer dizer,
48:48é possível pensar
48:49numa inflação
48:50sob controle
48:51e principalmente
48:51a questão do emprego.
48:53Hoje nós temos
48:54a menor taxa
48:56da série histórica,
48:56que não é longa,
48:57vale lembrar também,
48:58de 2012 para cá,
49:00mas o desemprego
49:01é muito baixo.
49:02Então é possível
49:02olhar para 2026
49:04e para quem está aí
49:05pensando e falar
49:06estou empregado,
49:07será que vou continuar?
49:07Claro,
49:08nós estamos falando
49:08em tese, evidentemente,
49:10e também a questão
49:11da inflação,
49:12que é aquilo que afeta
49:12muito as pessoas.
49:13É possível pensar
49:14num controle da inflação
49:15em 2026
49:17e ao mesmo tempo
49:18manter esse emprego
49:19aquecido,
49:20quase que um pleno emprego?
49:22Quando a gente traça
49:24um cenário para 2026,
49:26até com as variáveis,
49:29elas apontam
49:30para um mercado
49:31de trabalho
49:32pujante,
49:33que ele continue pujante,
49:34ou seja,
49:35a primeira variável
49:37na eleição
49:38e o maior gasto público.
49:41Essa injeção
49:41de capital
49:43por parte do governo,
49:44historicamente,
49:45ela é uma geradora
49:46de forma primária
49:48ou terciária
49:48ou secundária
49:49ou terciária
49:50de emprego e renda,
49:51mesmo que o emprego
49:52muitas vezes temporário,
49:54ele gera
49:55uma certa quantidade
49:57de emprego e renda.
49:59Outra variável
50:00importante
50:00é essa queda.
50:03É muito bem colocada
50:04aqui pelos colegas,
50:05não é uma queda
50:06projetada
50:07de forma acentuada,
50:09mas uma queda
50:10já significa muito
50:11para a economia brasileira
50:12das taxas de juros.
50:15A taxa de juros,
50:17o que é importante
50:17a gente entender
50:19é que ela é
50:20uma competidora
50:21natural
50:22do empreendedorismo.
50:24Historicamente,
50:25não,
50:25de forma literal,
50:26ortodoxa na economia,
50:27ela é uma competidora
50:28natural.
50:29Por quê?
50:29É quando você tem
50:30uma taxa de juros
50:31muito alta,
50:32o empreendedor,
50:34naturalmente,
50:35e grande parte
50:35dos empregos
50:36no Brasil
50:36e nos países
50:37em desenvolvimento
50:38subdesenvolvido
50:39são gerados
50:39por empresas
50:40de pequeno e médio porte,
50:42historicamente,
50:43e o empreendedor
50:44ele prefere
50:45no mercado hostil
50:46como o mercado brasileiro
50:47deixar o seu capital
50:49aplicado.
50:50Então,
50:50com uma taxa
50:51de 15%
50:52ao ano
50:52em um país
50:53como o Brasil,
50:54o que você está
50:54sinalizando?
50:55Olha,
50:56é preferível
50:57você deixar
50:58o seu dinheiro
50:58no mercado financeiro
50:59do que abrir
51:00uma padaria,
51:00do que abrir
51:01uma papelaria,
51:02do que abrir
51:02uma empresa
51:03e gerar emprego e renda.
51:04Com a queda
51:04da taxa de juros,
51:06nós estamos sinalizando,
51:07olha,
51:07aquela taxa alta
51:08que você tinha
51:09vai acabar
51:10e você tem
51:11um incentivo
51:11natural
51:12à geração
51:13de emprego
51:13e renda
51:13para a população.
51:15Então,
51:15isso tem
51:15um efeito
51:15positivo
51:16na geração
51:18de emprego
51:18e renda.
51:18Então,
51:19a gente fala
51:19de mercado
51:20do trabalho,
51:21de trabalho,
51:22a sinalização
51:23é positiva.
51:25Nós tenhamos
51:25uma manutenção
51:27da geração
51:29de emprego
51:30e renda,
51:30que já está
51:31muito bem,
51:32para 2026.
51:35Gustavo,
51:36Gustavo,
51:36pessoal,
51:36é possível,
51:37então,
51:37a mesma questão,
51:38a gente ter em 2026
51:40uma taxa de inflação
51:41sob controle
51:42e um desemprego
51:44tão baixo,
51:44como eu disse
51:45anteriormente,
51:45quase aí,
51:46nós estamos
51:46no pleno emprego,
51:47o que é um fato raro,
51:49não é comum
51:49na história econômica
51:50brasileira,
51:50ao menos dos últimos
51:5140 anos?
51:53Tudo indica que sim.
51:54Pelo que a gente
51:55está vendo,
51:57as coisas parecem
51:58que vão nesse rumo,
51:59a gente vai ter
52:00uma continuidade
52:01do que a gente
52:02viu em 2025,
52:04mas,
52:05além disso,
52:07nós temos
52:07uma coisa que é
52:08um garantidor,
52:09que às vezes
52:10a gente não coloca
52:11na nossa conta,
52:12que é a democracia.
52:14Por conta da democracia,
52:16a gente nunca sabe
52:17se a crise financeira
52:18vem do setor político
52:21ou político
52:22vem do financeiro,
52:24mas nós temos
52:25com a democracia
52:26esse regulador.
52:28Nós já vimos
52:29presidentes no Brasil
52:30cair por conta
52:31de questões econômicas,
52:34e isso está aberto
52:35a qualquer momento.
52:36nenhum político
52:38quer que a sua
52:41economia
52:42sucumba
52:44de alguma maneira.
52:46A gente pode
52:47ter um processo
52:49de impeachment
52:49se as coisas
52:50começarem a ficar
52:51muito ruins.
52:53Então,
52:54eu acho que isso
52:55é uma coisa
52:55muito boa,
52:56diferente do que
52:57a gente tinha
52:58em momentos ditatoriais
53:00que você tinha
53:01que engolir
53:02qualquer remédio
53:03que o governo
53:03quisesse te dar.
53:05então eu acho
53:07que a gente
53:08entender
53:08o papel
53:09de como
53:10a política
53:11e como
53:12a democracia
53:13faz muito bem
53:15para a economia
53:16é importante.
53:18Bruno,
53:19o que você acha?
53:20Eu acho que
53:21no ano que vem
53:22a gente deve sim
53:23continuar com a inflação
53:25sob controle,
53:27ainda que um pouco
53:28acima do centro
53:29da meta,
53:30enfim,
53:30eu diria que ainda é um patamar
53:31bastante confortável
53:32e mesmo que fosse
53:33um pouquinho acima
53:34do teto da meta
53:35ainda seria uma inflação
53:36sob controle.
53:37Acho que a gente está
53:38muito longe
53:39de um cenário
53:39argentino
53:41de pouco tempo atrás
53:42em que de fato
53:42a inflação estava
53:43totalmente fora do controle.
53:45A inflação
53:45no ano que vem
53:46deve,
53:47enfim,
53:48no mínimo
53:49permanecer estável,
53:50talvez cair um pouquinho
53:51até o final do ano.
53:53Mas isso não deve
53:54impedir
53:55que o mercado
53:56de trabalho
53:56continue super saudável.
53:58E aí até uma sutileza
54:00porque a gente deve
54:01ter uma taxa
54:02de desemprego
54:03praticamente estável
54:05ou caindo pouco
54:06ao longo de 2026
54:07e isso não é necessariamente
54:08uma má notícia
54:09justamente porque
54:11a taxa de desemprego
54:12ela mede duas coisas
54:13ao mesmo tempo.
54:14O número de desocupados
54:16em relação
54:17à população
54:18economicamente ativa,
54:19ou seja,
54:20as pessoas ali
54:20dispostas a trabalhar.
54:22Então,
54:23se você tem
54:24o numerador
54:25e o denominador
54:26crescendo ao mesmo ritmo,
54:28você vai ter
54:29uma taxa
54:29de desemprego
54:30estável
54:30e na prática
54:31qual é a melhor notícia
54:33para o mercado
54:34de trabalho?
54:35É a geração
54:36de empregos,
54:37o aumento
54:37da ocupação
54:38e a gente deve ter
54:40em 2026
54:41novamente
54:41um aumento
54:42de ocupação.
54:44Provavelmente
54:44numa taxa
54:45de crescimento
54:46um pouco menor
54:46do que a de 25,
54:47mas ainda positiva,
54:49ou seja,
54:50o emprego
54:50continua se ampliando,
54:52continua crescendo,
54:53a renda real
54:54continua crescendo,
54:56a massa de renda
54:57também crescendo
54:58acima da inflação,
54:59então a taxa
55:00de desemprego
55:01talvez não dê
55:02essa noção,
55:02talvez ela esconda
55:03um pouco
55:04do jogo,
55:05mas a gente deve
55:06ter novamente
55:07um ano muito bom
55:08para o mercado
55:08de trabalho.
55:09Eu sei que estamos
55:10caminhando para o final
55:12e eu queria,
55:14é chato pedir
55:15respostas assim,
55:16sim ou não,
55:17sei que,
55:17principalmente na questão
55:19da economia,
55:19é tão complexa,
55:20mas eu colocaria
55:23rapidamente
55:25para vocês três
55:25porque estamos
55:26estourando o nosso tempo.
55:28O dólar vai continuar
55:29sob controle,
55:31quer dizer,
55:31em torno de,
55:32eu estou fazendo um grosso modo,
55:345,30,
55:355,40,
55:365,45,
55:37deve ficar nesse cenário?
55:38Eu vou dar a resposta
55:39que todo economista
55:40daria,
55:41a grande parte,
55:41depende.
55:42Depende.
55:43Depende muito
55:44da velocidade
55:45da queda
55:46das taxas de juros
55:47americanas,
55:48essa diferença
55:49entre taxa de juros
55:50no Brasil
55:52e taxa de juros
55:53americana
55:53pode ditar
55:55uma ligeira queda
55:57do dólar
55:58aqui no Brasil,
55:59uma fuga de capitais
56:00dos Estados Unidos
56:00para o Brasil.
56:01O mesmo ritmo,
56:02Gustavo?
56:03Concordo,
56:03eu acho que é difícil
56:05o dólar
56:05superar os valores
56:07que nós estamos vendo
56:08agora,
56:08a tendência é
56:09para baixo.
56:10Bruno,
56:11eu apostaria mais
56:12fortemente no sim,
56:13principalmente em função
56:15do cenário eleitoral,
56:16do sim no sentido
56:17de que existe
56:18espaço para o dólar
56:19subir um bocado
56:21ao longo de 2026,
56:23provável que ele retorne
56:24ao final,
56:25mas historicamente
56:26em anos eleitorais
56:27a gente tem sim
56:28bastante volatilidade
56:29no câmbio,
56:30e ano que vem
56:32a gente vai ter
56:32uma briga eleitoral
56:34que ainda está
56:35totalmente em aberto,
56:36ou seja,
56:36o mercado,
56:37ninguém sabe
56:37quem é o favorito,
56:41não sabe nem
56:41quem são os candidatos
56:42no final das contas,
56:43então a gente deve sim
56:45ver bastante volatilidade
56:46e isso normalmente
56:47é dólar para cima.
56:50Vocês que nos acompanham
56:51sabem que durante
56:52todo o ano,
56:54desde o início
56:54do Visão Crítica,
56:55a discussão da economia
56:56sempre teve muito presente
56:57no nosso programa,
56:59inúmeras vezes,
57:00se a gente for fazer
57:01um levantamento,
57:02discutimos muita questão
57:03de política também
57:03e outras questões,
57:05mas a economia
57:06sempre esteve presente
57:07porque ela é extremamente
57:08importante,
57:08a sua vida,
57:09a minha vida,
57:09a nossa vida,
57:10e sempre fizemos questão
57:12aqui no Visão Crítica
57:13de buscar fazer
57:14uma reflexão
57:15mais apurada,
57:16fugir da cultura
57:17da lacração,
57:19que é a marca
57:20dos tempos recentes,
57:21infelizmente,
57:22aquela da cultura
57:22do WhatsApp,
57:23se a lacra,
57:24coloca um vídeo,
57:25colocando uma visão
57:26ou hiper otimista
57:27ou super catastrofista,
57:29não importa de um lado
57:30ou de outro,
57:30mas que não tem
57:31base científica,
57:32não tem base acadêmica
57:33e o objetivo
57:33do Visão Crítica
57:34sempre foi remar
57:35contra essa corrente
57:37tenebrosa
57:38que temos aqui
57:40nos tempos recentes,
57:41mas eu creio
57:41com o meu otimismo atual
57:43nós vamos superar isso
57:45daqui para a fim.
57:46E a discussão de hoje
57:47acho que mostrou
57:47um desenho muito importante
57:49para você que nos acompanha
57:50sobre um cenário econômico
57:52para cenários econômicos
57:54no plural
57:54para 2026.
57:56Por isso que eu quero
57:56agradecer muito aqui
57:57o Hugo Garbe,
57:59muito obrigado
57:59por mais uma vez
58:00ter contribuído
58:01com as nossas discussões
58:02aqui informado
58:03a quem nos acompanha,
58:04Gustavo Pessoa,
58:05muito obrigado,
58:05obrigado mesmo
58:06e vocês certamente
58:07sempre gostam
58:08em todas as observações
58:09dos nossos comentaristas
58:10e Bruno Lavieri,
58:11muito obrigado,
58:12foram questões importantes
58:14para você entender
58:15e falar,
58:16olha,
58:17vai comprar casa ou não vai?
58:18Vai casar ou não vai casar?
58:20Vai comprar o carro ou não vai comprar o carro?
58:21Vai trocar a linha branca
58:22da sua casa ou não?
58:23Se não der muito certo,
58:25não sou eu,
58:25sou eles
58:26que desenharam o cenário
58:27para 2026.
58:29É assim porque nós somos
58:30o país do bom humor.
58:31Coisa mais chata
58:32é aquele cara, sabe,
58:33catastrofista,
58:34chato, mal-humorado.
58:36Isso não é o Brasil,
58:36o Brasil é outra coisa.
58:38Nos encontramos
58:39proximamente então
58:40sempre no Visão Crítica
58:41de terça,
58:42quarta e quinta
58:42às 22 horas.
58:44Até!
58:46A opinião
58:47dos nossos comentaristas
58:48não reflete
58:49necessariamente
58:50a opinião
58:51do Grupo Jovem Pan
58:52de comunicação.
58:57Realização Jovem Pan
58:59do Grupo Jovem Pan
59:00do Grupo Jovem Pan
59:00do Grupo Jovem Pan
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