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O analista Vinicius Torres Freire avaliou o PIB do terceiro trimestre, que cresceu apenas 0,1%, e explicou como juros altos, crédito restrito e consumo fraco afetam 2025. Carlos Braga, da Fundação Dom Cabral, detalhou projeções entre 1,5% e 2,4% para 2026 e os riscos fiscais no horizonte.

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Transcrição
00:00O Ministério da Fazenda divulgou uma nota sobre o resultado do PIB.
00:04O texto diz que a perda de força do consumo das famílias no terceiro trimestre
00:08teve papel importante no resultado mais fraco do PIB.
00:13Segundo a Fazenda, a retração está associada ao desaquecimento do mercado de trabalho e crédito no período.
00:20Isso por causa da política monetária restritiva.
00:23Assunto para o Vinícius Torres Freire, nosso analista de política e economia.
00:27Bom, Vinícius, o PIB do terceiro trimestre foi uma decepção ou esse desempenho fraco já era esperado?
00:34E chama a atenção que os gastos do governo continuam crescendo.
00:38Vamos lá. Boa noite, Cris. Boa noite para todo mundo.
00:43Decepção quando a gente não cresce, sempre tem, mas só que era bem esperado.
00:47Além de esperado, vamos dar esse contexto.
00:50Cresceu quase nada 0,1% antes do trimestre anterior, é quase nada.
00:54E tem uma notícia um pouquinho mais desanimadora aí, mas a gente fala daqui a pouco.
01:00Isso é incompatível com aquela possibilidade de o Brasil crescer mais ou menos 2,1%, 2,2% esse ano?
01:08Não. As previsões para o ano são essas, 2,2%.
01:11E esse resultado do terceiro trimestre é compatível com esse resultado total no final do ano.
01:16A não ser que tenha uma catástrofe nesse último trimestre, que não aparece, não parece estar ocorrendo.
01:22Segundo, vamos dar um pouco de contexto histórico.
01:25Sim, no ano passado o Brasil cresceu 3,4%.
01:28É bastante forte e aparentemente insustentável, por enquanto, porque estava dando inflação.
01:34Então a gente vai cair de 3,4% para 2,1%, 2,2% nesse 2025.
01:41É uma desaceleração, mas vamos lembrar.
01:43Antes da epidemia, depois da grande recessão, o Brasil estava crescendo só 1,4% ao ano.
01:49Então mesmo com essa taxa de juros, a gente está em um crescimento maior.
01:54Outra coisa, o PIB tem vários jeitos de você olhar.
01:58Na parte que depende da demanda doméstica, quer dizer, o consumo das famílias, o investimento privado,
02:04o PIB está realmente quase estagnado, zerado.
02:06Agora, por que o PIB está andando um pouco mais?
02:10Por causa de setores que não dependem ou dependem muito pouco da taxa de juros.
02:16Dependem da demanda externa, por exemplo.
02:19Produção de petróleo, agropecuária, que não respondem ou respondem muito pouco imediatamente à taxa de juros.
02:25Isso aí está levantando o PIB do país e fazendo com que a gente vá crescer 2,2%.
02:30Então, qual é o resumo da ópera?
02:33A gente está crescendo menos, dentro do esperado para o ano, nem tão pouco assim.
02:38E, além do mais, até de modo surpreendente, considerando que a gente está vivendo o maior arrocho financeiro monetário do Banco Central em 20 anos.
02:49Muito obrigada, Vinícius.
02:50Já já te chamo novamente.
02:52A gente continua falando desse resultado do PIB do terceiro trimestre.
02:56Vamos conversar com o Carlos Braga, ele é professor associado da Fundação Dom Cabral e ex-diretor do Banco Central.
03:03Boa noite para você.
03:04Obrigada por ter aceitado o nosso convite.
03:07Eu quero, claro, começar te ouvindo sobre esse resultado.
03:10Alguma surpresa, na sua opinião?
03:13Boa noite, Cris.
03:15Só um detalhe, eu fui diretor do Banco Mundial, não do Banco Central.
03:19Desculpa, desculpa, Banco Mundial.
03:20Erro meu.
03:21Não, sem problema.
03:23Mas, como o Vinícius já mencionou, não, mais ou menos a expectativa do mercado financeiro para esse trimestre, em relação ao segundo trimestre, era um crescimento aí da ordem de 0,2%.
03:39Foi 0,1%, quer dizer, certamente abaixo do que o mercado estava esperando.
03:46Mas, em termos do que a gente deve esperar para esse ano, mais ou menos dentro das expectativas do mercado, do Banco Central também, que é algo aí da ordem de 2,16% de crescimento.
04:03Não é nenhuma maravilha, mas se a gente lembrar que no período de 2013 a 2019, a média de crescimento da economia brasileira foi menos 0,4%.
04:19E aí tivemos o período da pandemia e desde 2023 a gente vem observando crescimentos aí na ordem de 3%.
04:31Então, é mais ou menos a expectativa bate, vamos dizer, com o que está acontecendo no mercado nesse momento.
04:41Você espera uma recuperação, mesmo que pequena, nesse último trimestre ou não?
04:47A gente deve continuar nessa desaceleração.
04:50Qual é a sua expectativa para o PIB fechado do ano?
04:53Bem, para o PIB fechar o ano, eu espero algo aí da ordem de 2,1% a 2,2%.
05:04A OCDE, por exemplo, está apostando em 2,4%.
05:10A gente tem que lembrar, se a gente olhar o terceiro trimestre desse ano comparado com o terceiro trimestre do ano passado,
05:22a economia está crescendo 1,8%.
05:25Então, esse período agora é um período, de certa forma, que a gente espera o mercado de trabalho,
05:34toda a questão das festas de fim de ano, a gente deve ter aí uma aceleração de consumo.
05:42Mas é interessante observar, se a gente olha do ponto de vista das despesas de consumo das famílias,
05:52foi basicamente 0,1% a contribuição desse segmento,
05:59que é muito importante em termos da ótica das despesas na composição do PIB.
06:06O porquê disso se o mercado de trabalho está relativamente aquecido?
06:12Bem, uma possível explicação é que, com taxas de juros elevadas,
06:18obviamente a gente observa também a questão do impacto no endividamento das famílias
06:25e, com isso, vamos dizer, uma posição mais conservadora com relação ao consumo.
06:31Eu vou passar para a pergunta do Vinícius Torres Freire.
06:34Vinícius.
06:35Carlos, agora a gente está com essa perspectiva de 2% de crescimento desse ano em alguma coisa.
06:41Afora um desastre nesse final de ano, como eu já disse, a gente não está vendo por enquanto.
06:45A dúvida maior é 2026.
06:47Claro que estimativa de PIB é sempre um problema, mas está tendo disparidade maior.
06:52Por exemplo, o Ministério da Fazenda está acreditando em 2,4%.
06:57E a mediana das projeções de mercado é quase 1,8% e tem gente razoável dizendo que vai ser 1,5%.
07:05Quer dizer, a desaceleração continuaria.
07:08Então, você está achando que a desaceleração, que está ficando mais evidente agora,
07:12vai continuar por um bom tempo, de modo que o crescimento do PIB seja ainda menor do que esse?
07:19Ou você está mais para o lado da fazenda, achando que pode ir para 2,4%,
07:23praticamente mantendo a taxa de crescimento desse ano?
07:27Bem, eu já mencionei com vocês, me referindo ao John Kenneth Galbraith no passado,
07:33um professor de Harvard, um economista canadense,
07:37que costumava dizer que a previsão econômica a gente só faz para dar credibilidade à astrologia.
07:43Porque, na realidade, se a gente observa organismos internacionais,
07:50seja o Banco Mundial, seja o FMI, seja o CDE,
07:53a OCDE, por exemplo, que tem um relatório mais recente,
07:57publicado semana passada, com relação aos dados de 2025, 2026,
08:04aposta para o Brasil um crescimento de 1,7%,
08:09que é também consistente com o que o mercado financeiro,
08:15o FOX, por exemplo,
08:17que é aí a média das projeções do mercado financeiro, está prevendo.
08:23Claro que podemos ter surpresas, tanto positivas quanto negativas,
08:28particularmente aí no campo da geopolítica.
08:30Mas, de uma maneira geral, eu fico mais com essa expectativa aí
08:36de algo abaixo de 2%,
08:39porque nós temos um grande problema em termos da situação
08:44da economia brasileira nesse momento.
08:46Nós estamos caminhando para uma situação de dívida pública
08:51que nos leva a uma possibilidade de chegarmos,
08:56não em 2026, mas muito provavelmente em 2027,
09:00com o novo governo, seja lá quem for eleito,
09:05com uma situação de, o que a gente chama de predomínio fiscal.
09:11O que é isso?
09:13É quando, a menos que você tenha uma política fiscal conservadora,
09:18a política monetária vai perder a sua eficácia.
09:22Então, há muita discussão.
09:25Será que a gente vai começar a ver a Selic caindo agora,
09:29já no início de 2026?
09:33É possível.
09:34E como foi mencionado anteriormente no programa de vocês,
09:39a expectativa é que nos Estados Unidos,
09:42agora, na semana que vem,
09:44a gente vai observar uma diminuição de pelo menos 25 base points,
09:500,25% na taxa de juros fundamental do FED.
09:57Agora, no caso brasileiro,
09:59a expectativa é que nós vamos continuar com 15% na Selic
10:03por mais algum tempo.
10:05Espera-se que no início do ano que vem,
10:08já que a inflação vem desacelerando,
10:11mas ainda muito longe da meta,
10:15que a gente possa observar uma diminuição da Selic.
10:20Agora, quanto exatamente, é difícil dizer.
10:24E quando, Carlos, você aposta que será já na reunião em janeiro
10:30ou deve começar só em março, essa queda da Selic?
10:34Eu chutaria março, mas, de novo,
10:38isso daí, a minha bola de cristal é tão boa quanto a sua.
10:42Mas, certamente,
10:45se a tendência de desaceleração da inflação
10:50e da economia continuar,
10:52eu espero que já em março a gente observe
10:55uma diminuição na Selic.
10:58Carlos, muito obrigada pela sua participação.
11:01conversei com o Carlos Braga,
11:03ele é professor da Fundação Dom Cabral,
11:06ex-diretor do Banco Mundial.
11:07Muito obrigada, muito bom sempre que você vem aqui.
11:10Boa noite e até a próxima.
11:12Boa noite.
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