Pular para o playerIr para o conteúdo principal
O IPCA-15 de dezembro veio abaixo do esperado e reforçou a desaceleração da inflação. Maria Almeida analisou os impactos do dado, o comportamento do dólar, os juros em 15% e o que esse cenário sinaliza para a economia brasileira em 2026.

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasilCNBC

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Aqui no estúdio comigo, o nosso analista de mercado e de economia, a Mari Almeida.
00:04Bom dia para você, Mari.
00:06Bom dia, Marcelo.
00:07Seja muito bem-vindo aqui ao Real Time. É um prazer ter você com a gente.
00:10É um prazer estar no Real Time com você, porque eu e o Eric a gente fez o contrabando ontem aqui do Agora no Real Time.
00:15Hoje eu tenho você de volta em casa.
00:16Que bom. Vamos começar falando de dólar então, Mari. Como é que está o dólar hoje?
00:21Hoje parece que ele está dando uma quedinha, recuperando um pouquinho em relação ao dia de ontem, que foi um dia de alta, né?
00:26A gente teve aquele... Subiu bem, né?
00:28Subiu bem, foi para R$ 5,58. Surpreendeu até.
00:32Tem um movimento, digamos assim, comum, conhecido do final do ano, que é associado a remessas, a envio de remessas.
00:39Muitas empresas estrangeiras que têm lucro no Brasil fazem o seu envio agora no final do ano.
00:43Isso tem uma demanda por dólar.
00:45Associado também ao processo de turismo, da busca da moeda pelo turismo.
00:49Então, subir não é, não é, chama-se surpreendente.
00:52É, subir um pouquinho mais do que o esperado. Vamos ver se tem uma calibragem agora ao longo da semana.
00:57Dado que a tendência mais geral que a gente vem acompanhando era de um dólar bastante mais estável.
01:03Isso porque o Brasil tem se configurado aí num cenário de liquidez internacional como um espaço importante, atrativo para o capital internacional.
01:1315% de juros é um diferencial de juros também substancial que há quem queira aproveitar em termos de investidores externos também, viu, Marcelo?
01:21Nesse fim de ano, Mari, tem um fator extra, né, que a gente sabe que muita gente está com medo da tributação dos dividendos.
01:27Obviamente, você pode tirar o seu dividendo e deixar aqui no país mesmo, mas tem gente preferindo mandar para o exterior também, né?
01:33É, tem essa dúvida em relação... dúvida não, né, mas assim, a mudança do patamar aí geral da economia do ponto de vista de taxação de dividendos certamente muda as decisões.
01:42Por isso, inclusive, que muita gente evitava que acontecesse, né, era contra que acontecesse.
01:46Mas é uma... tende a ser um choque inicial principalmente, por quê?
01:49Porque é essa adaptação, mas é isso, a conta não é só o que você paga o dividendo, né, é o retorno que você tem na economia e excluindo.
01:57Então, se o retorno puder ser grande e o investidor entender que vale a pena, no balanço final ele acaba ficando e é isso que talvez passado o primeiro choque aí,
02:07a gente possa ter como resultado depois ali em diante.
02:09Então, talvez o dólar suba, mas vai ter aí essa calibragem, que é o sentir de como estão as novas, os novos parâmetros aí da economia.
02:18Juntando tudo isso que a gente falou aqui, dá para a gente esperar que no começo de 2026 tenha um movimento reverso aí de baixar um pouquinho o dólar?
02:25Eu sempre digo, falei aqui ontem, que tentar acertar câmbio é querer humilhar a economista, né?
02:30É, desmoraliza, é quem faz a previsão.
02:32Desmoraliza sempre, sempre.
02:33Então, a gente fica aqui só para dar a cara para desmoralização, portanto, mas diria que sim.
02:38Feito disclaimer, né?
02:39Feito disclaimer, em tese, como o nosso ganho relativo do ponto de vista de juros está muito alto e do ponto de vista da Bolsa também,
02:46então, deixando de lado a renda fixa, indo para a renda variável, a Bolsa Brasileira é uma Bolsa atrativa para quem está buscando oportunidade,
02:53porque é uma Bolsa barata, que tem uma empresa que tem mostrado resultados sólidos.
02:57Então, em tese, a atratividade continua com a instabilidade externa, o Brasil continua sendo uma praça que vale a pena para os investidores entrarem.
03:05Então, não vejo razões para a gente ter um desequilíbrio maior ainda, a não ser esses equilíbrios, como você trouxe, pontuais, reativos a essa virada de chave da parte da tributação.
03:16Bom, ontem a gente viu o Ibovespa fechando em uma leve baixa, mais ou menos 0,20%.
03:20Agora a gente está vendo o pré-market americano também operando em uma leve baixa.
03:24É uma semana que tem menos negócio do que outras semanas do ano, né Mari?
03:29Então, não dá para a gente tomar isso como sinal de que está de mau humor, de bom humor, é muito pouco negócio, né?
03:35É isso, é um volume menor.
03:37Como o volume é menor, qualquer decisãozinha já afeta muito, né?
03:40Então, você tem pequenos movimentos, só que eles são importantes no todo, porque o todo é pequeno.
03:45Então, isso de alguma maneira acaba afetando.
03:47Pensando, Marcelo, no que foi a Bolsa de Valores ao longo do ano de 2025, comparado com as instabilidades econômicas,
03:55eu acho que esse tipo de ajuste é uma calibragemzinha de fim de ano, uma realização de lucro que está mais do que na conta
04:00e não significa nenhuma mudança ainda de ventos, é só a permanência, talvez, desses ventos incertos,
04:07mas ainda com um nível de aposta bastante significativo.
04:09Mari, agora a grande notícia da manhã é que a prévia da inflação oficial na IPCA 15 ficou em 0,25 em dezembro
04:16e no anualizado ficou em 4,41%.
04:20Levemente abaixo agora em dezembro do que previa o mercado, a mediana do mercado aí era 0,27.
04:25Vamos jogar os números aqui.
04:26Então, como eu disse para você, Mari, 0,25 agora, o mercado esperava mais ou menos ali 0,27, né?
04:32Novembro havia sido 0,20 e, importante, pela sazonalidade, comparar dezembro desse ano com dezembro do ano passado,
04:39havia sido de 0,34, portanto, essa diferença aí faz com que o anualizado de 12 meses fique em 4,41%.
04:48Como o boletim Fox está prevendo ainda menos, né?
04:51Se eu não me engano, 4,30 e algo ali, né?
04:5330 e pouco.
04:54Agora, peraí de me confundir.
04:56Está prevendo abaixo de 4,40.
04:58Eu imagino que esses últimos 15 dias, que não foram captados aí pelo IPCA 15, né?
05:05A expectativa é que baixe ainda mais a inflação.
05:09Isso mostra que a inflação está numa trajetória de baixa bem acentuada, né, Mari?
05:13Uma trajetória de baixa acentuada e que, sistematicamente, não foi captada pela maioria dos agentes que estavam na expectativa, né?
05:20Essa notícia de ver um pouco abaixo do esperado, ela foi bastante recorrente, principalmente no segundo semestre, porque isso também tem um sinal importante.
05:31As expectativas de inflação no Brasil, elas são muito difíceis de ancorar.
05:36Ou seja, a gente tem dificuldade de aceitar que pode realmente cair e permanecer em queda, né, o nível geral de preços aqui.
05:43Isso tem afetado a decisão do Banco Central, porque por mais que a gente tenha derrubado de maneira significativa
05:49que a inflação é entrado no teto da meta, o diagnóstico do Banco Central é que ainda não estão ancoradas às expectativas.
05:56Então, essa brincadeira de que sempre vem abaixo das expectativas é uma explicação também de que, olha,
06:01tem que dar alguns sinais para que quem atua no mercado comece a realmente acreditar nesse processo de baixa.
06:09E enquanto isso não acontecer, mesmo que baixe, taxa de juros não baixa tão rápido, não.
06:13É. Ô Mari, eu fico pensando sempre no comecinho lá de 2025, né, vai, primeiro de janeiro,
06:18primeira semana de 2025, nem o economista mais otimista, ele previa a inflação ali dentro do teto da meta.
06:24Eu lembro que em entrevistas coletivas, o Haddad perguntava isso para ele e ele falava daquela maneira
06:30um pouco otimista, né, como o ministro da Fazenda tem que ser, e falava algo do tipo assim,
06:35ah, não descartamos isso, pode ser que ainda aconteça.
06:37A gente deve ter feito aqui, sem exagero, dezenas de entrevistas com previsões de IPCA para 2025.
06:45E eu escutei de tudo, desde que a gente ia ter o IPCA de 7% nesse ano, porque lembrando,
06:50começo de 2025 o dólar estava altíssimo, né, mais de 6 reais, então eu escutei várias
06:54vezes aqui, o IPCA nesse ano vai ficar acima de 7%.
06:58Os mais otimistas falavam, ah, 5% é alguma coisa.
07:01Você que é economista, Mari, você não é uma economista rabugenta, eu te classifico ali
07:06como realista para levemente otimista.
07:09Acho que você não previa a inflação dentro do teto da meta no começo do ano, né?
07:13Não, também não, eu achava que ela ia bater, ficar acima da meta, não muito, abaixo
07:17de 5%, mas ainda acima da meta, porque a gente até brincava, vai ter que escrever cartinha
07:22de novo para dar, né, porque quando fica acima do teto da meta, o presidente do Banco Central
07:26tem que justificar, e eu achei que ia ter cartinha esse ano de novo, Marçal, e agora está
07:30já algumas semanas que consolidou a imagem de que não, de que realmente fica abaixo
07:35do teto, mas é isso, estamos sempre discutindo o teto da meta, né?
07:38Lembrando que tem a meta, que é de 3%, essa ainda não está aqui no nosso horizonte.
07:43Bom, falando então desse resultado surpreendente aí, obviamente é algo muito positivo para
07:47a economia brasileira, mas isso veio com custo, né?
07:49O custo de ter uma Selic a 15% ao ano, obviamente não foi só a Selic que proporcionou esse resultado,
07:55o câmbio ajudou bastante também, né?
07:57É o câmbio, e tem se falado muito agora recentemente sobre o efeito China também, né?
08:01Que é diminuição de preços mesmo.
08:02Na rodada geral aí de Donald Trump, que bagunçou um pouquinho, né?
08:06Os preços relativos, como a gente chegou a falar, ou seja, a forma de precificar mudou
08:11muito na medida em que alguém vem e coloca uma tarifa muito diferente, um mercado importante
08:16internacional.
08:17A China, para fugir, baixou o preço, mas tem muita empresa que baixou o preço e teve
08:21uma entrada importante aqui de produtos que são insumos, muitas vezes aqui para uso
08:26da produção, mais baixos.
08:27Então, isso, mais câmbio, mais uma taxa de juros alta, que desestimula novos investimentos
08:33e demanda, permitiu que a gente fizesse aí essa entrada, pelo menos essa boa notícia.
08:38Exato.
08:38Em relação às variáveis macro.
08:41Agora, um setor que vale a pena a gente analisar separadamente aqui é a inflação
08:45dos alimentos, né?
08:45Porque no começo de 2025, estava rondando ali por volta de 8%, chega no fim do ano com
08:51mais ou menos 1% e a gente sabe que alimentos é um setor aí que pesa bastante no IPCA, né?
08:57É uma fatia grande, né?
08:58É uma fatia grande e essa é uma notícia que o governo, inclusive, esperava muito poder
09:01dar, né?
09:02Porque lá no começo do ano, estamos aqui comparando aquele, lembrando, o assunto era
09:07esse, né?
09:07O assunto era a inflação de alimentos, o quanto isso pesava, porque a sensação, inclusive,
09:13vai depender da cesta, porque muita gente, a gente fala que está caindo na inflação,
09:16não sei se já...
09:16Eu ouvi você falando que caiu na inflação, para mim não caiu nada não, não.
09:20Porque a sensação que cada um tem no seu consumo é diferente desse índice geral
09:25de preço que é medido, que é uma certa média aí de um padrão.
09:30Isso vale para os alimentos também, então pode ter várias cestas de alimentos que não
09:34caíram tanto quanto o conjunto, mas aqui teve queda e teve queda em função dos preços
09:39internos, inclusive, a gente teve super safra aqui de grãos, os grãos interferem também
09:44no custo da proteína animal e a entrada desse custo mais baixo, somado também ao mercado
09:51internacional e tal, ajudou a derrubar, mesmo que nem todo mundo sinta no final
09:56nossa conta de supermercado.
Comentários

Recomendado