00:00O influenciador que vocês estão citando é o Tiago Schultz, conhecido como o Calvo do Campari.
00:05Ele foi preso em flagrante após ser acusado de agredir a namorada
00:09depois que ela se negou a ter relações sexuais com ele por causa de um sexo oral,
00:13de acordo com o relato que tem no boletim de ocorrência.
00:16Ele teria pedido, então, pra fazer nela, ela se negou e por isso ele teria agredido.
00:22O caso tá sendo investigado, ele passou por audiência de custódia e foi liberado.
00:26Mas nas redes sociais ele era um coach que ensinava justamente isso, né?
00:29De como você deve tratar as mulheres, como você ser uma espécie de hétero ali
00:34que realmente é um macho alfa, né? O Mano Ferreira.
00:39Pois é, David. O que mostra como geralmente esse tipo de discurso
00:43que tenta evocar uma espécie de macho neandertal, né?
00:48Geralmente tá associado a uma insegurança e a uma postura primitiva, né?
00:57Que acaba levando a situações como essa.
00:59Imagina alguém que, em função de uma discordância de natureza sexual
01:06sobre o tipo de atividade sexual que a mulher, no caso, não desejava fazer,
01:14ele se sente autorizado a agredi-la, como se ela fosse um mero instrumento do seu desejo.
01:21Esse é o tipo de postura que não reconhece no outro, nesse caso, na outra, um sujeito legítimo.
01:29Alguém que deve ter plena capacidade de escolher o que fazer com o seu próprio desejo.
01:36Mostra realmente uma incapacidade de convivência em sociedade.
01:40No fundo, é uma profunda infantilidade, né?
01:44Uma imaturidade que não aceita que o outro tem desejos autônomos
01:50e que você não é dono do desejo do outro.
01:53Gente, o Ayrton, ele tá dizendo assim, ó.
01:55Ayrton Reis.
01:57Faltam mulheres no STF que representam a diversidade da população brasileira.
02:01E aí, o discurso de que as mulheres realmente têm que ganhar protagonismo, tudo,
02:06até mesmo o governo federal estabelecendo isso,
02:09só que quando tem a chance de realmente chancelar isso, não faz, mano.
02:12Esse é um ponto essencial, porque pra subir a rampa do Planalto,
02:18aí você tem diversidade.
02:19Mas na hora de fazer uma indicação pra cargos relevantes
02:24que acabam servindo de referência e tem um efeito cascata,
02:28a gente sabe que quando você tem diversidade em posições de poder,
02:34primeiro, você traz melhor qualidade pras decisões.
02:38Porque a diversidade traz diferentes ângulos, diferentes pontos de vista
02:43e a interação entre essa diversidade produz respostas e soluções melhores.
02:50E segundo que isso acaba tendo um efeito cascata no sentido de exemplo.
02:55Serve de referência.
02:56Mas quando tem a oportunidade, o que o presidente Lula escolhe,
03:00ignora o próprio discurso eleitoral, ignora as próprias promessas de campanha
03:06e indica um amigo mais um, aliás, o terceiro indicado para o cargo na Suprema Corte.
03:14Eu concordo com esse ponto de vista, mas nós temos que analisar todo esse ecossistema.
03:20Por exemplo, eu citei aqui o caso da Itália.
03:22Nós tivemos a primeira-ministra, é uma mulher conservadora de direita
03:27que está ocupando o cargo de primeira-ministra
03:30e que, óbvio, que esse papel de representatividade,
03:33ele influencia na tomada de decisões políticas e jurídicas.
03:38Quando a gente fala que precisamos de mais mulheres no poder,
03:41não é um discurso identitário,
03:43porque ele reflete em leis mais severas,
03:47como no caso, volto, o exemplo da Itália,
03:50que tipificou o feminicídio como uma punição muito grave da prisão perpétua.
03:56Agora aqui, eu só quero comentar a fala do João,
04:00porque não são poucos casos.
04:03Nós temos aqui números que mostram um elevado índice de feminicídios.
04:11Isso sem contar os assédios,
04:14e isso sem contar com as violências que não são denunciadas.
04:18Porque as mulheres ainda têm medo de denunciarem,
04:21medo de retaliação e muitas não têm nem para onde ir.
04:24Então nós temos toda ali uma subnotificação
04:28que realmente não vem ao público
04:30em razão da não denúncia, da não representação
04:34em face daquele ato ilícito, em face daquele crime.
04:38E o que a gente vê aí é porque são os casos chocantes
04:42que vêm a público.
04:44Ele é um coach, pseudo-coach,
04:47porque essa pessoa não pode...
04:50Na verdade, ele é influenciado pela monetização de redes sociais
04:56e se torna essa pessoa que realmente teria voz e representatividade
05:01dessa parcela de homens que realmente, João,
05:03concordo que nem todo homem, mas sempre um homem,
05:06é sempre um homem que se vê arrastando mulher,
05:09batendo em mulher, agredindo mulher.
05:11Quero ver o ponto do João, calma aí.
05:12Não, não é não.
05:13A gente teve essa semana uma juíza que atirou,
05:15então não é o homem.
05:16Me parece que o homem é o grande culpado de tudo.
05:19Não é imensa minoria dos homens.
05:21O que eu disse com relação a números é
05:22que segundo os dados da violência,
05:24cerca de 92% dos homicídios e crimes violentos
05:27são contra homens e 8% contra mulheres.
05:29Foi isso que eu coloquei.
05:30Não minimizei o caso.
05:31É extremamente grave que sejam punidos.
05:338% só contra mulheres e 92% de homens?
05:35Os homens normalmente é assim, engloba tudo.
05:37Então tem confusão entre homens, discussões, brigas
05:40que acabam gerando também mais fortes.
05:41Nós estamos falando aqui de crime de ódio.
05:43Nós estamos falando aqui de crime de violência de gênero.
05:45Nós não podemos colocar...
05:45Mas homicídio é um crime de ódio também, né?
05:47Não, mas não.
05:47Não, não, peraí, peraí, peraí, não.
05:49É porque os homens...
05:50Nós temos uma tipificação específica
05:53de violência de gênero,
05:55de crimes contra as mulheres.
05:57Nós não podemos colocar no mesmo balaio
05:59os homicídios.
06:01Por quê?
06:01Um homem vai matar o outro,
06:03aí você dá um tiro, você dá uma facada,
06:05a mulher é arrastada,
06:07o cara puxa o freio de mão,
06:09é diferente, é crime de ódio.
06:11Por isso você tem o recorte de gênero
06:13pra exatamente distinguir
06:16o que que é um homicídio
06:18e o que que é um feminicídio.
06:20Por isso você tem misoginia,
06:21que é ódio contra as mulheres,
06:23a motivação.
06:25A mulher é morta por ciúme.
06:27Não tô falando,
06:28ah, o homem pode ser assassinado
06:29por uma mulher por motivo de ciúme.
06:31Pode, mas em grau muito menor
06:34do que todos os dias acontecem.
06:36Ô Lu, agora, do ponto de vista jurídico,
06:37faz diferença o enquadramento da motivação
06:40quando é crime passional,
06:41quando é uma discussão no bar?
06:44Como que se enquadra, por exemplo,
06:45esse caso do que o cara viu a ex no bar
06:49e aí...
06:50Saindo do bar, conversando com o cara,
06:52igual aconteceu com o outro caso.
06:52E aí se sente autorizado.
06:55Como que se enquadra isso juridicamente?
06:57Tem um agravante?
06:58Isso é diferente?
06:59É, exatamente.
07:00Feminicídio, por exemplo,
07:01é crime hediondo.
07:02Então você tem uma penalização
07:04mais severa
07:05em razão daqueles crimes
07:08que são cometidos
07:09com recorte de gênero.
07:11Porque é daí que se distingue
07:12entre, ah, foi uma lesão corporal,
07:15foi um crime contra a honra,
07:16dos que têm essa motivação.
07:18Então a motivação,
07:19ela interfere na tipificação.
07:21Por isso que a misoginia,
07:23nós temos a misoginia
07:24como objeto de projetos de lei
07:27entre a imitação,
07:29são mais de três,
07:30você não me lembra,
07:31três projetos
07:32que estão entre a imitação
07:34para tipificar a misoginia,
07:36equiparando a crime contra,
07:38aos crimes de racismo,
07:41homofobia,
07:41para que você tenha ali
07:42aqueles crimes cometidos
07:44contra as mulheres
07:45de um modo geral.
07:46Agora, mesmo assim,
07:47o coach foi solto.
07:49Exato.
07:49Aí é o problema da legislação.
07:52Não, eu acho que aí
07:53o juiz erra
07:55no momento de decidir
07:56pelo relaxamento da prisão.
07:58O que acontece é,
07:59ele foi preso em flagrante
08:01e aí, me corrija se eu estiver errada,
08:03a doutora me ajuda,
08:04mas o juiz tem ali,
08:05a pessoa que foi presa
08:07tem 24 horas
08:07para fazer uma audiência de custódia,
08:10onde o juiz decide
08:11se ele vai relaxar essa prisão
08:13ou se ele tem elementos suficientes
08:15para, enfim,
08:16determinar que essa pessoa
08:17continue ou presa preventivamente,
08:19ou mantém uma prisão preventiva,
08:22ou com restrições,
08:23com medidas cautelares.
08:25Por exemplo, ele está impedido
08:26aí de chegar perto da moça.
08:29Eu só queria colocar um ponto aqui
08:31que é importante,
08:32até corroborar aqui
08:33com essa discussão
08:34que a gente está tendo.
08:35A pessoa que fez o comentário
08:36na internet, David,
08:38fala sobre a importância
08:39da representatividade,
08:40inclusive no STF,
08:41ele coloca, né,
08:42de mulheres.
08:43Mas, até,
08:45é um pouco do que a gente
08:46está vendo aqui.
08:47Também é importante
08:48que os homens
08:48que já estão nesse lugar
08:50comecem a rever
08:52a forma como tratam
08:53e como enxergam
08:54esse tipo de situação.
08:56Porque, hoje,
08:57o que a gente tem
08:58é pouca representatividade.
08:59É verdade.
08:59Perde a chance
09:00o Lula, por exemplo,
09:02de trazer isso
09:03para uma tangibilização maior
09:05e trazer mulheres
09:06para compor ali
09:07o STF, por exemplo.
09:09Mas isso não significa
09:10que os homens
09:10que estão lá hoje
09:11não precisem
09:13ser conscientizados,
09:16que eles não precisem
09:17tomar pé da situação
09:19e começar a agir
09:20de uma forma
09:21um pouco mais coerente
09:23com o que se espera, né,
09:24da nossa política,
09:26do nosso judiciário
09:26em termos de proteção
09:28às mulheres.
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