00:00Um rápido break na rede de rádios, continuamos por aqui.
00:04A gente segue acompanhando a investigação da morte da policial militar Gisele Alves Santana
00:08teria sido assassinada dentro de casa pelo próprio marido, né?
00:13Após a prisão, o marido dela, o tenente coronel Geraldo Neto,
00:16a corrigidoria da polícia militar conseguiu acessar a troca de mensagens do casal.
00:21As mensagens mostram uma relação, gente, baseada em submissão
00:25e com vários episódios de humilhação, violência psicológica
00:28do tenente contra a esposa.
00:31Numa das mensagens, o soldado Gisele, a soldada Gisele,
00:34disse ao marido, abre aspas,
00:36se você quer separar, vamos separar,
00:38mas se você continuar, vai ter que mudar seu comportamento estúpido,
00:41ignorante, intolerante, sem escrúpulos.
00:44Estou deixando bem claro pra você que eu não vou aguentar muito tempo
00:47esse comportamento babaca, fecha aspas.
00:50Em outra mensagem, a vítima se queixou até do controle do marido
00:53no ambiente de trabalho, onde ele aparecia na sessão dela
00:57e ficava observando quando ela estava trabalhando.
01:00Aí ela sugeriu o término da relação.
01:02A vítima chegou a dizer que trocaria sexo por moradia.
01:06Em outras mensagens, Geraldo Neto faz declarações machistas
01:10contra a esposa, dizendo que, abre aspas,
01:12lugar de mulher é em casa, cuidando do marido,
01:15e não na rua, caçando assunto.
01:17Rua é lugar de mulher solteira, procura de macho.
01:19Fecha aspas.
01:20Em outras mensagens, Geraldo se descrevia como macho alfa
01:24e cobrava que ela fosse uma fêmea obediente e submissa.
01:29Gente, eu passo até mal de ler umas coisas assim.
01:33Que absurdo, né?
01:35É uma loucura que ele fala.
01:36Eu sou o macho alfa e você é a fêmea beta.
01:40Você tem que me obedecer em lugar de mulher em casa,
01:44sendo que ele casou com uma mulher profissional,
01:46policial, militar, da mesma carreira, inclusive,
01:49que esse animal, esse estúpido.
01:51Então, assim, como você falou, Fernando,
01:52é enojante, é absurdo.
01:56E a gente corre risco de começar a falar outras coisas aqui
01:59em relação a ele, que são realmente o ponto final.
02:04O que a gente lamenta é que, infelizmente,
02:06ela não teve meios, força, clareza, talvez,
02:09para ter saído dessa relação antes desse ponto.
02:12Mas várias mulheres...
02:14É porque a violência doméstica não é o ato em si,
02:17não é só isso.
02:18A violência doméstica não é o final,
02:22o soco no olho, o tapa na cara,
02:24o tiro que ela levou.
02:26A violência começa antes, é verbal, é financeira,
02:29é social, é emocional, é profissional, né?
02:32A violência é um processo, né?
02:33Que é sofrido ao longo de muito tempo, infelizmente.
02:36E o fim trágico desse caso é lastimável.
02:41É aquela coisa que a gente não tem nem palavras para dizer.
02:43Eu fico aqui com o Matheus, se eu começar a falar,
02:44provavelmente eu serei mais ofensivo do que o horário permite.
02:47É, a gente vê esse tipo de coisa,
02:49a gente acha que isso só acontece em filme, na internet,
02:52mas a verdade é que não, né?
02:54O que a gente acompanha é, infelizmente,
02:58esse tipo de deslinde trágico,
03:00e como bem pontuou, ele é um processo.
03:02A violência doméstica é um processo.
03:04E aí o que me, sei lá, passa pela cabeça,
03:07nesse momento, é em que ponto que o Brasil
03:09ele vai deixar de ser tão garantista para esses casos hediondos
03:12e vai passar a punir efetivamente os verdadeiros agressores.
03:16Pois é, eu acho que a Esther foi no ponto,
03:18que é aumentar as penas para esse tipo de caso, né?
03:21E ainda mais, e o Brasil não tem pena perpétua, né?
03:26Porque a pessoa sempre vai dar um jeito de sair,
03:29tem progressão, tem várias questões que não deveria acontecer.
03:33Isso deveria ter prisão perpétua no Brasil,
03:37que muita gente ia ter medo de passar o resto da vida na cadeia
03:41e não ia realizar esse tipo de...
03:44Se acreditasse que fosse ficar na justiça.
03:46Foi acendida uma discussão recentemente
03:48sobre o caso de penas perpétuas para casos de feminicídio, né?
03:52E eu acho que é algo a se estudar, sim.
03:55Tem alguns crimes, normalmente, até chegar no fim do feminicídio,
04:00a gente passa, como nós falamos, é um processo.
04:01E a denúncia, às vezes, tem a questão da medida protetiva,
04:05nem sempre é respeitado isso.
04:08E no caso de um fim tão trágico quanto esse,
04:11que é o feminicídio em si,
04:13eu acho que é plausível da gente pensar em penas...
04:15Uma pena perpétua para quem comete uma coisa dessa,
04:19talvez se inibiria.
04:21Eu acho que não só isso, né?
04:22Tem pena perpétua, tem que ser...
04:23Voltamos, voltamos para o rádio.
04:26Voltamos para o rádio.
04:28E nesse momento tem um assunto,
04:29a gente está cobrando atitudes, né?
04:31E o Congresso agora avança nessa questão
04:34quanto à violência doméstica,
04:36porque agressores que colocam...
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