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Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, comenta os avanços tecnológicos que transformaram a forma de buscar informações, consumir conteúdo e fazer compras online. Ele detalha o impacto econômico do Google no país, a expansão dos centros de engenharia — com destaque para a nova operação em São Paulo. Já Marcelo Zimet, presidente da L’Oréal Brasil, explica o crescimento consistente da maior companhia de cosméticos do mundo no país e a importância do mercado brasileiro como laboratório global de inovação em beleza.
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NotíciasTranscrição
00:00Olá, boa noite! Está no ar o
00:03Show Business, o mais
00:05tradicional talk show de
00:06negócios da TV brasileira. E no
00:09programa de hoje vamos receber
00:10Marcelo Zimet, presidente da
00:12L'Oreal no Brasil, gigante
00:14francesa de beleza, com quase
00:17quarenta marcas no portfólio.
00:19Vamos conversar também com
00:20Fábio Coelho, presidente do
00:23Google no Brasil. O executivo
00:25traz dados inéditos sobre o
00:27desempenho no país de uma das
00:29companhias mais valiosas do
00:31mundo. Eu sou Bruno Meia e seja
00:34muito bem-vindo ao Show Business
00:36que começa em instantes.
00:49Ele é engenheiro e desde 2011 é
00:54presidente do Google no Brasil.
00:56Nós vamos conversar nesta edição
00:58do Show Business com Fábio
01:01Coelho. Fábio, obrigado pela
01:02presença aqui em nosso estúdio.
01:05Eu já vou destacar números
01:08superlativos, impressionantes de
01:11vocês, porque o Google chegou a
01:14cinco trilhões de consultas no
01:17mundo no ano passado. Isso
01:19significa que a cada minuto são
01:22com cerca de nove milhões e quinhentas
01:26mil pesquisas. Com esse arsenal de
01:30dados que vocês têm, qual que é o
01:34diagnóstico da empresa em relação
01:37às mudanças na hora de fazer uma
01:41pesquisa e também na hora de fazer
01:44compras online?
01:46Bom, primeiro, Bruno, é um prazer estar
01:48aqui com vocês. Eu sempre admirei a
01:51Jovem Pan e sempre admirei o seu
01:52programa. Obrigado. Acho que o Google
01:56conseguiu ao longo dos últimos vinte e
01:58cinco anos, desde que a companhia foi
02:01fundada, realmente estabeleceu uma
02:04visão de que a gente tem que tornar a
02:07informação acessível e disponível para
02:08todo mundo o tempo todo e a toda a
02:12informação do planeta. Isso tem um valor
02:15incrível e esse valor é percebido pelas
02:18pessoas porque tem a ver com o quê? Tem
02:20a ver com você conseguir se informar
02:23para tomar decisões mais inteligentes
02:25em todas as áreas da sua vida, seja
02:28para tomar uma decisão de compra, de
02:30consumo, uma decisão de informação, para
02:32chegar no lugar, para buscar um
02:33restaurante. Então, como é que a gente
02:35busca tratar isso aí do ponto de vista
02:38comercial? Primeiramente, o Larry Page,
02:42fundador do Google, tratava isso como se
02:44fosse o teste da escova de dentes. Vamos
02:47criar uma solução tão bacana que as
02:49pessoas vão voltar e usar várias vezes
02:51por dia. Ou seja, uma plataforma
02:54utilitária, que no começo era só o
02:56Google, depois apareceu o YouTube,
02:58depois apareceu o Android, depois
02:59apareceu o Google Mapa, para que ela
03:01pudesse tornar a vida do cidadão melhor.
03:04Esse empoderamento que é a
03:06democratização do acesso, ele
03:09inevitavelmente permitiu à companhia que
03:13ela pudesse, o Google como empresa,
03:15entender como aquilo podia ser
03:17vantajoso, não apenas para os
03:19usuários, mas também para empresas que
03:24gostariam de estar associadas a
03:25determinadas pesquisas. Então, vamos
03:28pegar um exemplo aqui, simples,
03:31corriqueiro. Alguém gosta de surf,
03:34gosta de pegar onda, quer pegar onda
03:36lá no Peru, fazer uma viagem
03:40internacional para pegar onda. O que
03:42você vai buscar? Passagem aérea, hotel,
03:45quais são as melhores praias, quais são
03:46as melhores informações. Isso tudo está
03:49disponível, porque exatamente a forma
03:51de catalogar essa informação, ela permite
03:53que o usuário se informe. Pelo outro lado,
03:57as empresas peruanas que estão no
04:00business de hotel, de passagem aérea,
04:03dos restaurantes daquelas cidades e tal,
04:06eles vão querer estar com a melhor
04:07presença possível da nossa
04:09plataforma, seja no Google, até mesmo
04:11no YouTube, fazendo um vídeo para
04:12mostrar como é que é a experiência
04:13audiovisual de você estar lá. Então,
04:16você consegue fazer com que as pessoas
04:17possam tomar decisões mais esclarecidas
04:19e os negócios ganharem mais dinheiro.
04:20Eu acho que essa é a mágica do Google.
04:23Agora, vocês tiveram, na última
04:24semana, um principal evento aí da
04:27companhia para a área de negócio, que é o
04:29Think with Google, né? Vocês fazem isso
04:32há 15 anos. Vocês enfatizaram, que eu
04:38acompanhei, o uso dos produtos da
04:41empresa para uma faixa específica, né?
04:44Que é uma faixa de jovens ali, numa faixa
04:46de 18 a 24 anos. Mas falou muito dos
04:50jovens, da geração Z. Por que que essa
04:53turma é tão importante para o Google?
04:55Bom, primeiro, esse evento, que é o Think
04:57with Google, ele acontece, eu me lembro, a
04:59primeira vez foi em 2010, aqui em São
05:03Paulo, lá no JK e Guatemi. E o
05:06objetivo é, como a tecnologia é muito
05:08rápido, é tentar mostrar para agências
05:10de publicidade, anunciantes, clientes e
05:12marcas, como você pode usar a tecnologia
05:15da melhor forma possível.
05:17Logicamente, que ao longo do tempo, isso
05:19foi evoluindo, porque em 2010, o telefone
05:22celular estava começando a ser utilizado, o
05:24telefone celular inteligente, o smartphone, né?
05:27Hoje ele é adotado por todo mundo.
05:29Depois, em 2016, nós começamos a falar
05:33sobre inteligência artificial, que é um
05:34assunto bastante interessante, que tem
05:37muitos desdobramentos.
05:38Isso em 2016.
05:39Em 2016.
05:40A popularização da inteligência artificial.
05:42A popularização, ela aconteceu recentemente, tem pouco
05:44mais de dois anos, com a inteligência artificial
05:46generativa.
05:47Generativa, exatamente.
05:48A famosa DNA, né?
05:50Então, o que que acontece nesse evento?
05:52E por que que a gente, dessa vez, quis falar
05:53muito sobre a geração Z?
05:55Porque o que a gente percebeu, primeiro, o mundo
05:59se transformou de uma forma impressionante durante os
06:03anos de pandemia.
06:05As empresas tiveram que se digitalizar muito.
06:09As empresas digitalizadas e as pessoas tinham os
06:12ambientes digitais como as únicas formas, durante um
06:15período prolongado, que elas podiam ter acesso a
06:18determinadas informações.
06:19Podia ter acesso a consumo, podia ter acesso a
06:22entretenimento, podia ter acesso a informação.
06:25E isso levou a gente a fazer uma reflexão sobre como é que o
06:30Google estava evoluindo as suas plataformas, para que ele
06:32pudesse realmente estar disponível para todo mundo.
06:36Muitas pessoas, na época, comentavam sobre outras
06:39plataformas que apareceram, as redes sociais.
06:42Lembrando, nós não somos uma rede social.
06:44O Google não tem uma rede social.
06:48Ao mesmo tempo que isso aconteceu...
06:49O YouTube, por exemplo, não é uma rede social, porque tem
06:51gente que se confunde.
06:53Às vezes eu leio...
06:54Exato.
06:55O YouTube não é rede social, né?
06:56O YouTube é uma coisa única, porque o YouTube, ao mesmo
06:58tempo, ele é uma plataforma de streaming, que, aliás, é a
07:02maior plataforma de streaming no Brasil, que é um advento
07:07decorrente do brasileiro adorar a televisão conectada.
07:11Então, hoje em dia, na televisão conectada, o YouTube tem
07:1575 milhões de pessoas que assistem, com mais de 18 anos, que
07:19estão conectados, que assistem YouTube na TV conectada.
07:22É uma coisa espetacular.
07:24Mas, voltando à geração Z, o que a gente percebeu foi o
07:27seguinte.
07:28Algumas empresas começaram a ter hipóteses que as pessoas
07:31estavam buscando menos, essa geração Z.
07:34Que eles se contentavam com informações de outras
07:38plataformas, o que não é verdade.
07:39O que a gente percebeu é que a geração Z, na verdade,
07:42ela usa o Google mais, mais, com mais intensidade, até do que
07:48outras gerações anteriores.
07:50Em relação à busca.
07:51Em relação à busca.
07:52E a gente percebeu uma segunda coisa, que eu acho que foi uma das
07:56tônicas desse evento.
07:59A busca combinada com o YouTube são muito poderosas.
08:02E combinado com a inteligência artificial fica mais forte ainda.
08:05E eu vou falar por que isso.
08:06Porque, hoje em dia, quando a gente olha para trás,
08:12para os profissionais de marketing que foram formados
08:15nas últimas três décadas, as pessoas falam muito sobre o
08:19funil de consideração, o funil de consumo.
08:22Aquele funil que você tem um monte de gente que conhece uma
08:25marca, elas consideram aquela marca, depois daquela consideração
08:30daquela marca, você quer tomar uma decisão de consumo e você
08:32acaba consumindo aquilo ali.
08:34Esse funil, hoje em dia, ele não existe mais.
08:38Hoje em dia, o processo de decisão dos usuários, ele passa por
08:42várias plataformas.
08:44A pessoa vê uma coisa numa rede social, ela vai confirmar aquilo
08:47no Google, ela vai ver um vídeo no YouTube, depois ela volta para um
08:50site, às vezes, de um e-commerce.
08:52Então, como entender esse consumidor em escala, como entender os
08:58170, 180 milhões de brasileiros que estão online permanentemente
09:03dentro da medida que qualquer processo decisório nosso passa por várias
09:08plataformas.
09:09E aí a gente quis mostrar exatamente que os pilares dessa nova
09:14comunicação são Google e YouTube e inteligência artificial.
09:16Mas vocês definiram essa jornada do consumidor em quatro pilares, não teve?
09:21Sim, exatamente.
09:22O que a gente percebeu, e é um excelente ponto, é que os consumidores,
09:26hoje em dia, o que eles fazem é o seguinte.
09:28Primeiro, eles estão constantemente fazendo streaming.
09:32Estão vendo conteúdo o tempo todo em vídeo.
09:35Conteúdo o tempo todo em vídeo.
09:36Conteúdo audiovisual que antes as pessoas viam apenas na televisão
09:39tradicional, hoje elas veem na TV conectada em várias plataformas de
09:43streaming das quais a YouTube é uma delas.
09:45E a mais, nesse momento, é a plataforma com maior audiência.
09:49Além do streaming, tem uma segunda coisa que é um comportamento muito
09:52importante, que se chama Scrolling, que é aquilo que a gente faz assim e que
09:57a única plataforma nossa que tem isso é o YouTube Shorts.
10:03Streaming, Scrolling, que também é uma característica das redes sociais,
10:06as pessoas ficarem analisando lá o feed de informações que elas recebem.
10:10Depois você tem uma terceira coisa, que é o Searching, que as pessoas buscam
10:14informação avidamente o tempo todo.
10:16E, finalmente, você tem a parte do Shopping que tem a ver com o consumo,
10:21realmente, como é que você entra no momento que você está mais propenso
10:24a comprar, a fechar uma transação.
10:26Esses quatro comportamentos, eles não são necessariamente excludentes.
10:30Na verdade, eles podem ser até simultâneos.
10:32E o tempo todo a gente percebeu que essa é a nova dinâmica das pessoas
10:36começarem um processo, uma jornada de descobrimento, chegar até um consumo
10:40de um produto ou um serviço.
10:42Agora, vocês tiveram muitas evoluções ao longo do caminho.
10:45Eu imagino, evidentemente, pelo estudo, pela observação do comportamento das pessoas.
10:52Você acaba de falar que é uma espécie de rolagem, né?
10:57De você ficar olhando através das redes sociais que vocês têm um produto
11:00que é o Shorts, que você consegue fazer isso.
11:04Vocês tiveram uma tática, eu acredito que recente, de também fazer um recurso
11:09com pesquisas com imagens.
11:11Sim.
11:12Também, né?
11:13Porque isso foi por conta dessa nova geração que quer ver mais conteúdo pela...
11:19Também, mas não apenas por isso.
11:21O que a gente percebeu é que a forma de buscar, ela vai se transformando ao longo do tempo.
11:26Eu me lembro, no começo do Google, como você bem falou, eu estou lá há 14 anos,
11:32no começo do Google, as pessoas faziam buscas curtas.
11:34Eram duas palavras, cabeleireiro, jardins.
11:40Hoje, as buscas ficaram longas e elas começaram, à medida que a tecnologia foi evoluindo,
11:46as pessoas começaram a fazer busca por voz.
11:49Então, a busca por voz é uma coisa maravilhosa, excelente.
11:53Você está aqui, você aperta o microfone e busca por voz e ele te dá...
11:56E depois nós lançamos a busca por imagens.
11:59Ou seja, você tem que estar...
12:02A nossa filosofia de trabalho do Google é você resolver os problemas do usuário,
12:07as necessidades do usuário, da melhor forma que a tecnologia possa permitir.
12:12Então, por isso, entendendo que essa geração também é uma geração mais visual,
12:16a gente trabalhou para ter esse conceito de busca por imagens,
12:20inclusive com uma ferramenta fantástica, que é o circule para pesquisar.
12:25Eu estou te vendo aqui na minha frente, você está com um sapato bacana.
12:28Se eu quiser tirar uma foto do seu sapato aqui, dê uma circulada nele...
12:32Você consegue adivinhar onde?
12:33Você consegue saber...
12:35Provavelmente, se esse sapato for um sapato que ele tem um desenho um pouco mais exclusivo,
12:39eu vou saber quem fabricou, quando custa, onde é que é o preço, onde é a loja.
12:42Sensacional.
12:43E a pesquisa com imagem é basicamente o quê?
12:45Eu fazer, por exemplo, uma foto aqui do cenário ou da logo do programa
12:49e você receber informações a partir dessa imagem.
12:52A partir daquela imagem, é.
12:53Eu tenho até um dado que vocês apresentaram nesse evento,
12:58que 15% das buscas realizadas diariamente no Google são inéditas.
13:06Essas pesquisas, essas dúvidas são muito particulares, Fábio?
13:11Olha, elas refletem um conceito mais amplo, mais abstrato,
13:16que é a fragmentação do mainstream.
13:18Antigamente, as pessoas se alimentavam por poucos meios de comunicação
13:23e o que fazia que a quantidade de informação disponível circulando fosse menor.
13:29Hoje, a quantidade de meios de comunicação,
13:34sejam os meios tradicionais audiovisuais,
13:37sejam as redes sociais, sejam as plataformas de vídeo ou de streaming,
13:41a quantidade de conteúdo disponível é muito maior.
13:43A quantidade de pessoas públicas que são influenciadores ou não,
13:48jornalistas, é muito maior,
13:50o que faz com que as pessoas tenham curiosidade sobre determinados assuntos.
13:53E a curiosidade é infinita.
13:55As pessoas têm uma curiosidade impressionante.
13:57Sai um assunto novo que acontece...
14:01As pessoas querem saber mais sobre aquilo.
14:03Você quer ver uma série em determinada plataforma de streaming.
14:08Você quer saber sobre aquele ator.
14:11Você quer saber sobre a altura dele, a idade,
14:16que outros filmes ele fez, e por aí vai.
14:18Então, esse tipo de curiosidade é diário.
14:21Essa curiosidade é mundial ou é uma particularidade muito brasileira?
14:27Ela é mundial.
14:29Isso é um fenômeno mundial.
14:31No Brasil, é um pouco mais intenso.
14:34Porque o brasileiro tem uma relação muito boa com a tecnologia.
14:36Tanto é que o Google, as plataformas do Google aqui,
14:41em termos de uso de plataformas, estão entre as top 5 do mundo.
14:45Agora, o buscador é ainda a maior fonte de receita da empresa, né?
14:49Sim.
14:50Mais da metade da receita...
14:52Mais da metade da empresa, informação pública,
14:54o buscador do Google, ele é o buscador referência de mercado.
14:59Qual que é o impacto do Google na economia brasileira?
15:02Vamos lá.
15:03A economia brasileira, a empresa Google, ela tem várias plataformas.
15:09Tem um impacto em usuários, que é você permitir que mais de 10 milhões de crianças
15:15estudem nas nossas plataformas de educação,
15:18que estão disponíveis para sistemas público e privado,
15:22o Workspace para Educação no Brasil.
15:24Você tem mais de uma centena de milhões de brasileiros que usam as nossas plataformas regularmente,
15:32o buscador, o YouTube.
15:33Então, tem um lado do usuário que permite que a gente passe a parte da vida do dia a dia das pessoas.
15:39Tem um outro lado, que é o lado das empresas.
15:42Aí você tem várias comunidades que são parceiros nossos.
15:45O valor econômico gerado pelo nosso trabalho com essas comunidades está em torno de 153 bilhões de reais.
15:53Esse é o valor econômico.
15:54Esse valor anual?
15:56Anual.
15:57Anual.
15:57153 bilhões de reais.
16:00Definidos por um relatório de impacto econômico calculado por uma empresa independente.
16:05O que é isso?
16:05Existe uma comunidade de desenvolvedores, que eles desenvolvem para, aqui no nosso telefone,
16:11no telefone Sistema Operacional Android, você tem a Play Store, a loja Play.
16:17Ali tem um monte de aplicativos ali dentro.
16:19Os desenvolvedores desenvolvem, e à medida que esses aplicativos vão sendo usados, existe uma monetização.
16:25Youtubers, como eu falei antes, são mais de 140 mil pessoas que trabalham nisso aí.
16:31Tem vários youtubers que vivem da plataforma.
16:33Essa é uma segunda comunidade, a comunidade de youtubers, que são pessoas que desenvolvem conteúdo audiovisual.
16:42A comunidade de pequenas e médias empresas trabalha muito forte com a gente.
16:45A comunidade de startups.
16:47Aqui em São Paulo, ao longo dos últimos nove anos, nós aceleramos gratuitamente 450 empresas dentro do nosso campus,
16:57aqui na Rua Oscar Porto.
16:58Isso para dizer o seguinte, o impacto é na criação de um ecossistema mais vibrante, de negócios para o Brasil,
17:07para o Brasil estar digitalizado, e o impacto é na capacitação de pessoas para que elas possam tomar decisões mais inteligentes e mais informadas.
17:18Então, é tentar criar uma economia mais eficiente de ponta a ponta.
17:21Quem oferece serviços de negócios e quem usa esses serviços.
17:25Agora, o que o Brasil representa para os negócios mundiais do Google?
17:32O Brasil é um dos cinco principais mercados em uso de produtos.
17:37Engraçado.
17:37Eu faço essa pergunta para muitos executivos que passam aqui, inclusive de gigantes de tecnologia.
17:42Quando eu faço essa pergunta, essa resposta é recorrente.
17:47Cinco, às vezes três países.
17:49Isso é por conta do número de pessoas que tem aqui, mais de 200 milhões, 210 milhões de habitantes?
17:56Ou não?
17:57É porque realmente o brasileiro usa os serviços de vocês?
18:02As duas coisas também.
18:04O Brasil é um grande mercado em tamanho, mas o Brasil tem uma sofisticação digital muito interessante.
18:09Talvez, fruto da inflação de décadas passadas, até 1994, 93, 94, o que nós percebemos é que o setor financeiro brasileiro é extremamente sofisticado.
18:22Ficou ainda mais sofisticado.
18:24Segundo, pela cultura audiovisual, que faz com que a gente tenha um brasileiro que é ávido por consumo de informação e consumo de mídia.
18:31Terceiro, pela cultura esportiva.
18:33O brasileiro adora esporte.
18:34A medida que o esporte vai sendo disponibilizado nas plataformas digitais, sendo o YouTube uma delas, nós também passamos a ter um protagonismo maior.
18:45E quarto, porque o brasileiro gosta de tomar decisões inteligentes.
18:51Então, não tem coisa pior do que você ir num restaurante e o restaurante está fechado?
18:54Então, você vai lá na internet, você busca o melhor caminho para chegar, você busca o menu, você busca o horário de abertura, o horário de fechamento.
19:01Se puder fazer uma reserva de uma mesa, você faz.
19:04Ou seja, decisões triviais, se bem tomadas, tornam a nossa vida mais eficiente.
19:09Eu acho que o brasileiro pensa muito nisso.
19:11Como é que eu posso tomar decisões inteligentes?
19:14Você é formado, como eu apresentei você no início deste programa, você é formado em engenharia civil?
19:21Sim, civil.
19:22O que você acha dos nossos engenheiros?
19:24Olha, a parte que eu me relaciono hoje são com os engenheiros de software, engenheiros de programação, engenheiros de ciência da computação.
19:35E nós temos, inclusive, um grupo poderoso de engenheiros no Brasil, em Belo Horizonte, onde o Google nasceu.
19:42A história da chegada do Google ao Brasil, ela não se deu pela área comercial.
19:47É muito interessante isso.
19:49Pela área de engenharia?
19:50Pela área de engenharia, porque as pessoas do Google nos Estados Unidos entenderam que havia uma empresa extremamente competente
19:58dentro da Universidade Federal de Minas Gerais, que era uma empresa que se chamava Aquan.
20:04Eles vieram aqui e compraram essa empresa.
20:06Tanto que a gente tem hoje em dia, mais de 20...
20:09Eu estou falando de...
20:10Nós estamos celebrando 20 anos de Brasil agora, em 2025.
20:15Agora, na metade do ano.
20:17E aquele momento passado, há 20 anos atrás, se perpetuou até hoje com o escritório de engenharia em Belo Horizonte,
20:24que tem mais de 300 engenheiros de várias nacionalidades.
20:27E os engenheiros que trabalham no Brasil, eles são excelentes.
20:31Talvez a gente não tenha uma densidade de engenheiros que mereceria estar disponibilizado no Brasil.
20:38Para isso, Bruno, eu acho que vale colocar o seguinte.
20:41Nós, no ano que vem, a gente está abrindo um escritório aqui em São Paulo de engenharia, dentro do IPT, ali do lado da USP,
20:50onde a gente espera também ter uma quantidade equivalente de engenheiros aqui em São Paulo.
20:55E é similar ao centro de Belo Horizonte.
20:58Belo Horizonte. Os dois se complementam e os dois trabalham juntos.
21:01Você falou em 300 engenheiros trabalhando...
21:03Mais de 300.
21:04Mais de 300 engenheiros trabalhando em Belo Horizonte.
21:07Para o mundo inteiro.
21:08Para o mundo inteiro.
21:09Agora, em São Paulo, qual que é a previsão de vocês?
21:13A gente começa com o volume equivalente a esse e depois, dependendo da maneira como a coisa evolui,
21:20nós podemos ter bem mais do que isso.
21:22Então, você está abrindo vaga aí de engenheiro na empresa.
21:26Nós já contratamos mais de 200 esse ano, antes que o espaço está aberto.
21:31Já estão trabalhando conosco aqui em São Paulo.
21:34O que você mais admira num profissional?
21:37Você que é presidente de uma empresa como o Google e recruta a gente o tempo todo.
21:44A vontade de fazer.
21:46Eu acho que tudo começa com a atitude certa, a vontade de fazer, a dedicação.
21:51Eu acredito no trabalho, sabe?
21:56Ao mesmo tempo que eu acredito na honestidade, na humildade, na pessoas íntegras.
22:00Mas eu acho que isso aí é a base de tudo.
22:03Mas a vontade de fazer o brilho no olho, de fazer as coisas acontecerem, é fundamental.
22:08Lá no Google eu fico brincando.
22:10Tem dois tipos de profissional, o que dá resultado e o que dá desculpa.
22:13E a gente gosta dos profissionais que dão resultado.
22:16Então, é esse que você busca na hora de contratar.
22:20Exato.
22:20Vamos girar o assunto e vamos falar finalmente de um tema que você já adiantou aqui,
22:25dada a relevância dele, que é inteligência artificial.
22:29Você fala que desde 2016, vocês falam com muita frequência em inteligência artificial.
22:36Só que inteligência artificial ficou mundialmente popular depois que criaram um negócio chamado ChatGPT.
22:49Aí virou conversa de, eu chamo aqui dos programas aqui da Jovem Pan, conversa de boteco.
22:54Todo mundo falando em inteligência artificial.
22:57Fábio Coelho, você acha que a inteligência artificial vai mudar o mundo como o conhecemos?
23:06Sem dúvida nenhuma.
23:08Vai mudar o mundo como o conhecemos e muito rapidamente.
23:11Eu acho que vale fazer um preâmbulo sobre esse comentário para qualificá-lo,
23:16que é, as pessoas todas usavam inteligência artificial nas plataformas de tecnologia.
23:21Quando você entrava numa plataforma de streaming com uma Netflix que falava,
23:25já que você viu esse vídeo, que tal esse outro aqui?
23:29Aquilo ali, esse processo de customização que as plataformas fazem é inteligência artificial.
23:33Isso é inteligência artificial.
23:34É, quando você usa o Google Tradutor, que é inteligência artificial.
23:40Quando você, é muito interessante no passado, quando a gente fez a Black Friday,
23:45a gente trouxe o fenômeno da Black Friday para o Brasil,
23:48que é uma maneira do brasileiro comprar coisas baratas antes do Natal
23:53e das empresas trabalharem com estoques, que elas podem renovar estoques antes do Natal também,
23:58para ter um estoque novo no Natal.
24:00Muita gente procurava Black Friday, mas não sabia escrever Black Friday.
24:04Aí, lá no Google, tem uma frase assim, vocês quis dizer isso?
24:09Aquilo é inteligência artificial.
24:10Então, tem um monte de formas de inteligência artificial que a gente sempre usou.
24:13O que está acontecendo agora é que a inteligência artificial generativa,
24:18ela traz para a mão do cidadão, para as mãos das pessoas,
24:22a capacidade das pessoas terem acesso a informações de uma forma muito mais estruturada,
24:28não apenas através de soluções criadas por terceiros,
24:31mas através de informações que elas podem compor, elas podem sintetizar,
24:38elas podem buscar.
24:40A busca é um pedaço da inteligência artificial.
24:42E aí, isso torna a jornada de descobrimento muito mais rica para as pessoas.
24:47Então, sim, vai mudar e vai mudar não apenas as experiências de interação das áreas de marketing e vendas,
24:54vai mais mudar os processos de manufatura, de logística, vai mudar, inclusive,
25:00acho que vale a pena dizer sobre isso,
25:02tem coisas que a gente começou a fazer inteligência artificial dentro do Google,
25:06que lá nós temos o Gemini, que é o equivalente de um modelo de linguagem,
25:15como existem vários outros, Perplexity, ChatGPT, etc.
25:19Mas tem outras plataformas como Vertex, que funciona para empresas,
25:23está disponível para empresas, é mais uma utilização B2B,
25:27mas é poderosíssima, ou mesmo para descobrir coisas novas.
25:31Antigamente, para você decodificar uma proteína,
25:36e é importantíssimo decodificar uma proteína,
25:38demorava cinco anos uma tese de doutorado.
25:42Agora se decodifica duas mil proteínas em uma semana.
25:45É uma coisa completamente diferente.
25:47São vários exemplos que não estão relacionados diretamente com a nossa vida cotidiana,
25:54mas que são exemplos de pesquisa,
25:57usando grandes massas de dados para criar soluções que vão melhorar a vida das pessoas.
26:01Agora, vindo para o Brasil, que tipo de ferramentas o brasileiro tem mais usado no dia de hoje,
26:10em relação à inteligência artificial?
26:12Bom, primeiro, o brasileiro enxerga a inteligência artificial mais favoravelmente que a média mundial.
26:19Segundo, o brasileiro adota mais rapidamente do que a média mundial.
26:25E ele adota tudo que tem pela frente.
26:27O brasileiro é muito curioso.
26:29Ele adota as plataformas que estão disponíveis.
26:31Das plataformas do Google, a gente vê o Gemini sendo extremamente bem utilizado.
26:35Agora, nós estamos no momento que a gente está chegando com o Gemini multimodal.
26:40E aí, o que significa uma plataforma multimodal?
26:44É que ela consegue não apenas te dar informações em texto,
26:48mas ela consegue te dar informações em voz,
26:51inclusive dá para fazer podcasts,
26:54consegue fazer informações em vídeo,
26:56tem um negócio chamado VEO,
26:59e também dá informações em imagens, como o Imagem 3.
27:05Então, você consegue processar e usar informações de vários formatos,
27:10o que torna essa experiência de composição, criação e descoberta de informação muito mais rica.
27:17Agora, qual que é o papel do Brasil nessa corrida de ouro que a gente está vendo
27:23em relação à inteligência artificial?
27:26Porque a gente está vendo altíssimos investimentos
27:29envolvendo companhias privadas,
27:34mas países também investindo bilhões e bilhões e bilhões de dólares em AI.
27:39É realmente uma verdadeira corrida de ouro para ver quem lidera.
27:44Qual que é o papel do Brasil?
27:46Eu acho que o Brasil tem que ter um papel
27:48de não apenas ser importador de tecnologia com alta qualidade de...
27:53Vamos dizer assim, o brasileiro, ele adota as coisas muito rápido.
27:57Então, por essa parte, eu acho que a gente está bem coberto.
28:00O que nós precisamos fazer no Brasil tem a ver com, primeiro,
28:03criar um ambiente regulatório que favoreça investimentos locais
28:11para empresas locais e estrangeiras.
28:13Isso, o projeto de lei de AI e outras coisas que estão sendo muito bem discutidas em Brasília.
28:18Cabe fazer esse comentário aqui.
28:22Todas as pessoas que estão trabalhando nisso no Congresso
28:24e, às vezes, no Poder Judiciário têm tido bastante consideração
28:32com as diversas opiniões e perspectivas das diversas pessoas.
28:37Então, um bom ambiente regulatório, ele permite que você tenha mais investimentos.
28:41Segundo, é importantíssima a formação de engenheiros.
28:45A gente tem potencial para formar mais engenheiros
28:47e a gente quer...
28:49Exatamente por isso que a gente está também trazendo mais empregos para cá
28:52para que esses engenheiros possam ser aproveitados.
28:55A terceira coisa é um parque de infraestrutura forte
28:59que tem a ver com data centers.
29:01Isso é um fenômeno que já está acontecendo no Brasil e já está em marcha.
29:04Tem boas empresas construindo data centers
29:06para que o Brasil possa realmente dar vazão
29:10a essa necessidade de processamento de dados
29:13em escala que vai acontecer daqui para frente.
29:16No nosso caso do Google,
29:17nós estamos participando disso aí.
29:21O Google já tem vários cabos submarinos
29:23que conectam o Brasil com o resto do mundo.
29:26Então, nós temos cabos submarinos que saem lá da Flórida,
29:30descem em Fortaleza, chegam aqui na Praia Grande,
29:33vai para o Rio de Janeiro,
29:35entra o Rio da Prata, vai para um data center no Chile,
29:38sai pelo Pacífico,
29:39porque você precisa ter,
29:41para você ter boa inteligência artificial como empresa e como sociedade,
29:44você precisa ter infraestrutura,
29:46infraestrutura, capacidade de criar bons modelos,
29:49então para isso você tem que ter bons profissionais,
29:51capacidade de processamento,
29:52para isso você tem que saber como você processa,
29:54tem que ter chip, tem que ter data center,
29:56e, finalmente, capacidade de criar soluções para usuários finais.
29:59E eu acredito que o Brasil tem que entender o papel dele global
30:05e utilizar a inteligência artificial para as empresas do Brasil,
30:10mas especialmente para alavancar as potencialidades do nosso país.
30:14Deixa eu puxar um pouco a sua trajetória,
30:18mais do que notável, profissional,
30:20porque você foi líder na área de marketing de algumas empresas,
30:26passou pela Pepsico, passou pelo CIT,
30:29você presidiu uma área bem relevante ali da operadora AT&T nos Estados Unidos,
30:35ficou quase 10 anos nos Estados Unidos.
30:389 anos e 9 meses.
30:399 anos e 9 meses.
30:41Como é que essas experiências todas,
30:43passando pelo marketing,
30:45passando por uma operadora americana,
30:48ajudaram a ser o CEO do Google no Brasil?
30:52Olha, talvez,
30:58quando as pessoas do Google vêm conversar comigo
31:00e querem falar de carreira,
31:03eu comento que eu acho que carreira, às vezes,
31:05parece que você está correndo do ponto A para o ponto B.
31:08E eu sempre encarei a minha vida profissional
31:10muito menos como uma carreira
31:13e muito mais como um jogo de xadrez.
31:15Eu tentava fortalecer as posições,
31:18que significa, tentei aprender muito ao longo do tempo,
31:20trabalhei em diversas indústrias,
31:21tentava ter uma coerência profissional
31:24em relação ao que eu fazia
31:26enquanto eu passava por essas empresas
31:28e fui construindo um leque de experiências.
31:31E talvez, de tudo que a gente comenta aqui,
31:36eu tenho que ser realista de dizer o seguinte,
31:38eu jamais pensei que eu estaria no Google,
31:39porque eu me formei em 1985,
31:42não havia internet.
31:44Os computadores eram grandes computadores
31:47das universidades,
31:49eu processei com aqueles cartões perfurados.
31:53Em 1984, 83, começou a aparecer uns computadorzinhos
31:57que eram o Apple II, umas máquinas,
31:59o Commodore C64.
32:01Então, talvez um aprendizado maior
32:03seja que as pessoas têm que se preparar
32:06para coisas que ainda não existem,
32:08para empregos que ainda não existem.
32:10E essa preparação, ela tem que ser feita como?
32:13Você construindo as suas capacidades,
32:16que são capacidades técnicas,
32:18capacidades relacionais
32:20e a construção de uma reputação.
32:22Eu sempre me preocupei muito com esses três pilares.
32:26Está atualizado, está relevante,
32:28conhecer as informações de coisas
32:30que vão além do meu trabalho,
32:32estudar bastante também,
32:33acho que a gente estuda a vida inteira.
32:35Enquanto eu estou nas empresas,
32:38e eu estou no Google há 14,
32:40tive quase 10 na AT&T,
32:43passei pela Quaker, Pepsi,
32:46passei 5 anos lá,
32:47passei do Citibank,
32:48período bom também.
32:53Enquanto você está naquela empresa,
32:55construa as melhores relações possíveis
32:57e entregue o melhor resultado possível.
33:00Então, para mim,
33:01essas são as lições
33:02que eu tento deixar para as pessoas
33:05que, pelo menos para mim,
33:06fizeram muito bem
33:07na construção de uma carreira profissional.
33:09Agora, qual que é a sua missão
33:11como CEO do Google?
33:15Excelente pergunta.
33:17Quando você lidera pessoas inteligentes
33:20no mundo de hoje,
33:21onde todas as pessoas têm acesso à informação,
33:24as pessoas normalmente,
33:25elas vão saber mais do que eu
33:27sobre determinados assuntos.
33:29Se eu entrar numa sala
33:29para discutir com as pessoas
33:31um assunto específico
33:32de inteligência artificial,
33:33provavelmente elas vão saber
33:34mais do que eu.
33:35Então, eu acho que a função do CEO,
33:37ela primeiro é estabelecer
33:38uma grande visão.
33:39Segundo, alinhar as pessoas
33:41em torno daquela visão.
33:43Motivar aquele grupo de pessoas
33:44a entender como as pessoas
33:45podem estar no seu melhor
33:47e as pessoas que não estiverem
33:48no seu melhor.
33:49ou você recapacita
33:51ou você coloca outras pessoas.
33:53Normalmente se recapacita,
33:55coloca as pessoas no lugar certo,
33:56que sempre bons profissionais
33:57você vai conseguir entender
33:58onde você as coloca
34:00ou se coloca.
34:02E, finalmente,
34:03eu acho que tem um papel
34:03de remoção de obstáculo.
34:05Sabe?
34:06Muito bem,
34:06nós conversamos nesta edição
34:08do Show Business
34:09com Fábio Coelho,
34:10presidente do Google no Brasil.
34:12Obrigado pela presença aqui
34:14em nosso estúdio.
34:15Obrigado, foi um prazer.
34:16O Show Business vai dar
34:17uma breve pausa
34:19e volta em instantes.
34:26Ele é o primeiro brasileiro
34:29a comandar a operação brasileira
34:31da L'Oreal,
34:32a maior companhia
34:33de cosméticos do mundo.
34:36No ano passado,
34:37a empresa cresceu 15% no Brasil.
34:40É o quinto ano consecutivo
34:43de crescimento
34:44de dois dígitos no país.
34:47Nós vamos conversar
34:48nesta edição do Show Business
34:50com Marcelo Zimed,
34:52presidente da L'Oreal Brasil.
34:55Marcelo, obrigado
34:56pela presença
34:56em nosso estúdio.
34:59Você está
35:00na companhia,
35:02na maior companhia
35:03de cosméticos do mundo
35:04há 13 anos.
35:08Presidir
35:08uma empresa
35:09desse porte,
35:11do porte da L'Oreal,
35:12era o seu objetivo
35:14desde o início da carreira?
35:16Bom, primeiro,
35:17boa noite.
35:21Obviamente,
35:22você pode pensar nisso,
35:23você pode até considerar isso,
35:24mas eu sempre fui
35:25uma pessoa muito realista
35:26de ter,
35:27talvez,
35:27objetivos
35:28ou vontades
35:30que fossem um pouco
35:31mais tangíveis,
35:31que eu conseguisse sentir
35:32que era possível
35:33fazer isso,
35:34pelo menos,
35:35no meu planejamento.
35:37Então,
35:37eu te diria que,
35:37talvez,
35:37no começo da carreira
35:38apareça uma coisa
35:38muito distante,
35:40muito distante mesmo.
35:41mas depois,
35:41quando você vai evoluindo
35:42na carreira,
35:43eu sempre fui muito mais
35:44para passos mais curtos.
35:45Então,
35:46quando eu vou virar gerente,
35:47depois,
35:47quando eu vou virar diretor,
35:48quando eu tenho capacidade
35:49de virar
35:50um vice-presidente
35:51ou presidente de um país,
35:52e aí foi progredindo.
35:53Então,
35:54eu acho que,
35:55sim,
35:55eu comecei a sonhar com isso
35:56um pouco mais
35:57na metade da minha carreira
35:58para frente
35:59do que lá no início.
36:00São quantas marcas no Brasil?
36:03Então,
36:03o Grupo L'Oreal,
36:04é muito interessante
36:04essa pergunta
36:05porque as pessoas
36:06acabam associando
36:07o nome da companhia
36:08com algumas marcas
36:09que a gente tem,
36:09mas o Grupo L'Oreal
36:10hoje tem 38 marcas
36:12a nível global.
36:13No Brasil,
36:13por enquanto,
36:14são 21 marcas.
36:1421.
36:15São 4 unidades de negócio
36:17onde tem a unidade
36:18de negócio
36:19de consumo massivo.
36:20Então,
36:21tem várias marcas
36:21como o L'Oreal País,
36:22que é a maior marca
36:23de beleza do mundo.
36:25Marcas como o Garnier,
36:26Maybelline
36:26e brasileiras
36:27tem Niel e Colorama.
36:29A gente tem uma unidade
36:29de negócio
36:30que trabalha
36:30com produtos mais
36:31recomendados por dermatologistas
36:32que tem marcas
36:33como La Roche-Posay,
36:34Vichy,
36:35CeraVe e SkinCeuticals.
36:37Tem uma divisão
36:38de produtos profissionais
36:39onde o nosso foco
36:40é trabalhar com o mercado
36:40de cabeleireiros
36:41e styles também.
36:44Tem marcas como
36:44Kerastase,
36:46L'Oreal Profissional,
36:47Hatchkin,
36:48no Brasil.
36:50E tem também
36:50a divisão de luxo,
36:51que trabalha
36:52com fragrâncias,
36:53maquiagem,
36:54produtos para pele
36:54e com marcas como
36:55Lancome,
36:56Saint Laurent,
36:56Prada,
36:58Armani
36:58e outras marcas mais.
36:59Quer dizer,
36:59todas essas marcas
37:01que você está listando
37:02são marcas
37:03extremamente conhecidas
37:05no mundo
37:06e são marcas
37:07conhecidas no Brasil
37:09também.
37:09Essa operação brasileira,
37:12qual que é o tamanho?
37:13A gente é relevante?
37:14Eu imagino que sim,
37:15que o Brasil é relevante
37:17para os negócios globais.
37:19Então,
37:19tem duas formas de enxergar.
37:21Quando a gente fala
37:21sobre tamanho
37:22e potencial de mercado,
37:23o Brasil é o quarto
37:23maior mercado de beleza
37:24do mundo.
37:25Do mundo.
37:25Do mundo.
37:26Então,
37:27sim,
37:27ele é muito relevante.
37:28Ele chegou a ser o terceiro
37:29maior mercado do mundo,
37:30mas por uma questão cambial,
37:31ele hoje está em quarto lugar.
37:33Primeiro,
37:33segundo e terceiro?
37:35Estados Unidos,
37:36China e Japão.
37:37Depois já vem o Brasil.
37:38Mas o Brasil tem total condição
37:40de voltar a ser o número 3
37:41do mundo.
37:43E é um Brasil que tem,
37:43o Brasil tem várias peculiaridades,
37:45como categorias que são
37:47muito grandes no Brasil,
37:48como a parte de fragrâncias.
37:49É o segundo maior mercado
37:50do mundo.
37:51É um dos cinco maiores
37:52mercados do mundo
37:52de produtos para o cabelo
37:53também.
37:54Super sofisticado
37:55a nossa rotina de cabelo.
37:57Então,
37:57tem duas formas
37:58de você enxergar
37:59a importância do Grupo L'Oreal
38:00no Brasil
38:00para o grupo.
38:02Primeiro,
38:02a questão do tamanho
38:03de mercado e potencial
38:04e o que a gente pode
38:04aprender nesse mercado.
38:06Mas também tem toda
38:07uma questão de...
38:08O Brasil é muito único,
38:09ele é muito diverso.
38:10A gente tem uma grande
38:11miscigenação da nossa população
38:12que faz com que
38:13dos 66 tonalidades de pele
38:15que a gente identificou
38:16no mundo,
38:16o Brasil tem praticamente
38:1755.
38:19E das oito tipos
38:20de cabelo
38:21que a gente identificou
38:21no mundo,
38:22o Brasil tem os oito.
38:24Então,
38:24o Brasil também tem
38:25essa relevância
38:25de ser um grande laboratório
38:26para o Grupo L'Oreal,
38:27além do tamanho e importância
38:28que ele tem
38:28para algumas categorias.
38:30Quer dizer,
38:31isso que você acabou de falar
38:32é muito relevante.
38:34O Brasil tem tonalidades
38:36de pele
38:37que você não encontra
38:38em outros lugares
38:39do mundo.
38:40Não.
38:40Ou seja,
38:41você pode até encontrar,
38:41mas você dificilmente
38:42vai encontrar um país
38:43com 55 tonalidades de pele.
38:45E você não vai encontrar
38:46praticamente...
38:47E cabelo também,
38:47né?
38:47E cabelo...
38:49Então,
38:49a questão do cabelo
38:50é mais a parte
38:51vai do super liso
38:52até o cabelo
38:53mais crespo.
38:54Então,
38:55o Brasil é o único país
38:55do mundo também
38:56que tem...
38:56Que você não consegue ver
38:57com facilidade
38:58em outros países.
38:59Não,
38:59você não consegue ver.
39:00Esse é um dos motivos
39:01de o Brasil
39:02ter virado
39:02uma espécie de hub
39:04de inovação
39:05da companhia?
39:07Não,
39:07com certeza.
39:08Primeiro,
39:08acho que essa diversidade
39:09que você encontra no Brasil
39:10ela é muito única.
39:12Ou seja,
39:12você ter toda uma herança
39:14indígena
39:14com uma herança africana
39:16e também,
39:16obviamente,
39:17com uma herança europeia
39:18essa mistura
39:19que tem no Brasil
39:20porque o que é interessante
39:21no Brasil
39:21é que diferentes
39:22raços ou povos
39:24eles não são segregados
39:25como a gente encontra
39:26em outras regiões do mundo.
39:27Eles foram totalmente
39:28miscigenados.
39:29E isso trouxe essa diversidade
39:30que existe no Brasil
39:30que ela é espetacular,
39:32ou seja,
39:32a nível de desenvolvimento
39:33de produto.
39:34E tem um outro aspecto
39:35do Brasil também
39:36quando a gente sai
39:36da questão puramente
39:37de produto
39:38tem essa parte
39:38o ser gentil,
39:40o ser emocional brasileiro,
39:41que a gente pode voltar
39:42a falar sobre isso
39:42analisando a nossa história
39:44que a gente é um ser
39:45muito driveado
39:48pela emoção.
39:49E para uma empresa
39:50que trabalha com beleza,
39:52acho que, obviamente,
39:53a gente quer ter performance,
39:54a gente quer ter produtos
39:54que sejam muito bons
39:55e que entreguem
39:56o consumidor que está procurando,
39:57mas você também
39:58remeter o consumidor
39:59ao ele ver uma textura,
40:02ao sentir uma fragrância,
40:03ou realmente sentir
40:05o produto em si,
40:07isso desperta emoções
40:09que são super importantes
40:10para o grupo rural.
40:10Então, por um lado,
40:12tem a questão
40:12da diversidade do Brasil,
40:13mas o grupo também
40:14está super interessado
40:15nos fatores emocionais,
40:17o que faz um consumidor
40:18comprar o produto
40:19além puramente
40:20da performance.
40:20E o que faz?
40:22Esse é um tema
40:24que eu sei
40:24que você gosta
40:26já de algum tempo
40:27de tentar identificar
40:29o que o consumidor,
40:31não sei se é só
40:31no seu setor,
40:32no seu segmento
40:33que você atua,
40:34mas o que faz
40:35um cliente,
40:36uma pessoa,
40:38escolher determinado produto?
40:40O que faz?
40:41Então,
40:42eu sempre tive
40:42muita curiosidade
40:43e talvez isso surgiu
40:45até,
40:45eu me lembro
40:45de um lançamento
40:46da L'Oreal
40:46alguns anos atrás,
40:48alguns muitos anos atrás,
40:49quando entrei no grupo,
40:51que a gente desenvolveu
40:51um produto específico
40:52para um tipo de cabelo
40:53ou para um tipo de dano
40:54que era
40:55para um nicho de mercado.
40:57E eu fui no ponto de venda
40:58e vi uma consumidora
40:59comprando aquele produto
40:59e eu falei assim,
41:00eu tive curiosidade,
41:01eu falei,
41:01por que você está comprando
41:02esse produto,
41:02sabendo que não era
41:03talvez um produto específico
41:04para ela?
41:05Ela falou,
41:06porque ele é bonitinho
41:06e cheira bem.
41:07E eu falei assim,
41:09cara,
41:09tem alguma coisa
41:10que acontece no Brasil
41:10que vai além
41:11da performance do produto
41:13ou você colocar
41:13que é para algum tipo
41:14de pele
41:14ou para algum tipo
41:15de cabelo,
41:15etc.
41:16Tem uma questão emocional
41:17que a inovação
41:18desperta na brasileira
41:19que é incrível.
41:20Então,
41:21é um fator
41:22que há muitos anos
41:22eu vinha com essa curiosidade
41:24de entender
41:24como me conectar
41:25com o consumidor
41:25e acho que a própria
41:27companhia evoluiu muito
41:28com tecnologias,
41:29de você conseguir hoje
41:30através de um mapeamento
41:31cerebral,
41:33de estímulos cerebrais,
41:34você conseguir ver
41:34se a pessoa teve
41:36alguma conexão emocional
41:37ou não
41:37com uma textura,
41:38com uma cor,
41:40com uma fragrância.
41:40Com o cheiro.
41:41Exatamente.
41:42E o cheiro no Brasil
41:43é muito importante.
41:44A gente sempre diz
41:44que é só você passar
41:46num ponto de ônibus
41:48cinco, seis horas à tarde,
41:49você vai à mistura
41:50de fragrâncias,
41:51mas isso vem também
41:52da nossa herança,
41:53da cultura brasileira
41:54que quando você pega
41:55o indígena
41:55que teve sempre
41:56essa preocupação
41:57com a higiene,
41:58com a limpeza,
41:58com o relacionamento
41:59com a água, etc.
42:01Isso hoje se reflete
42:02no nosso comportamento
42:03como consumidor.
42:04Então, hoje a mulher brasileira,
42:06o homem brasileiro
42:06também toma de um
42:07a dois banhos
42:07no mínimo por dia,
42:08chegando a três.
42:09Se você for falar
42:10sobre isso na Europa
42:11e nos Estados Unidos,
42:11você vai falar assim.
42:12Se você falar na França,
42:13a companhia é francesa.
42:15Eles não entendem,
42:15mas a gente conseguiu
42:16explicar isso
42:17recém no ano passado.
42:19Porque a gente também,
42:21através da...
42:21Eles não entendiam.
42:23Mesmo se você explicar,
42:23tem 40 graus,
42:25a companhia aqui,
42:26a Operação Brasileira,
42:28a sede é no Rio de Janeiro.
42:29Rio de Janeiro,
42:30você tem facilmente,
42:3238, 39, 40 graus
42:34com sensação térmica
42:35de 44, né?
42:36Mesmo com a temperatura,
42:38às vezes,
42:38eles não entendiam?
42:39Não, porque é uma coisa
42:39que é um fator que,
42:41obviamente,
42:41você pode ter talvez
42:42um banho a mais,
42:42um a menos durante o verão
42:43ou inverno,
42:44mas independente disso,
42:45no verão ou inverno,
42:46o brasileiro toma,
42:47no mínimo,
42:47dois banhos por dia.
42:48Isso.
42:49E talvez não fosse tão fácil
42:51explicar isso
42:52para alguém de fora,
42:53até porque existe
42:54toda a questão
42:54de sustentabilidade,
42:55a questão do uso da água,
42:56que a gente tem que ser
42:57um pouco mais cuidadoso,
42:58etc.
42:59E quando a gente começou
43:00a estudar história,
43:01cultura,
43:01por isso que a gente
43:02estava muito interessante
43:03na história L'Oréal,
43:03que a gente falou,
43:03olha,
43:04para a gente poder entender
43:04o consumidor hoje,
43:06a gente tem que realmente
43:06entender cultura.
43:08E aí foi quando a gente
43:09foi ler Raízes do Brasil.
43:11E Raízes do Brasil,
43:11você percebe, né,
43:12que a questão da nossa
43:13herança indígena,
43:15que tem toda essa questão
43:16da relação com a água,
43:17da questão da higiene,
43:19de tentar estar sempre limpo
43:20e bem cuidado
43:20para evitar doenças, etc.
43:22Num país que você tem
43:23diferenças socioeconômicas
43:24muito importantes,
43:25a questão do banho
43:25da higiene é muito importante.
43:27E não é só na indústria,
43:28na nossa indústria,
43:29você vê a questão
43:30do cuidado dental no Brasil.
43:31E se você comprar
43:32contra os países do mundo,
43:33é impressionante,
43:33a penetração da categoria
43:35no Brasil é gigantesca.
43:36E você pode ir
43:37num lugar de socioeconômico
43:38bem baixo,
43:39e as pessoas estão
43:39bem cuidadas.
43:40Então, eu acho que
43:41a gente começa a descobrir
43:43vários fatores hoje
43:44de comportamentos do consumidor,
43:46também pela questão histórica
43:47e na serança cultural.
43:50Agora, do consumo interno
43:52do Brasil,
43:52vocês que estão com
43:53mais de 20 marcas aqui,
43:56o que é fabricado aqui
43:57e o que é fabricado fora?
44:00A gente tenta fabricar
44:00o máximo possível no Brasil.
44:01Eu diria até,
44:02te passando um número,
44:0295% do que a gente vende
44:04no Brasil
44:04é fabricado no Brasil.
44:07E a gente tem uma das maiores
44:09fábricas do mundo
44:10que está aqui no Brasil,
44:10e o volume dela
44:11é praticamente para atender
44:12o mercado brasileiro.
44:15Então, a gente tenta
44:16nacionalizar o máximo possível
44:17para...
44:17Essa fábrica está onde?
44:18Em São Paulo.
44:19Em São Paulo, tá?
44:19Está aqui em São Paulo.
44:20Tá.
44:21Então, a gente tem hoje
44:22no Brasil,
44:22a gente tem quatro sites,
44:23a gente tem a fábrica
44:24e um CD muito grande
44:26aqui na região de São Paulo.
44:27E depois a gente tem
44:28o nosso laboratório
44:29e também a nossa sede
44:30no Rio de Janeiro.
44:31Você falou muito sobre...
44:36Eu já ouvi você falando
44:37e você falou aqui também
44:38sobre fragrância, né?
44:40Que o brasileiro gosta
44:41de fragrância muito mais
44:42do que em outras regiões.
44:44Tem uma explicação?
44:46Não, tem essa questão.
44:47Acho que a fragrância,
44:48além de despertar
44:49várias emoções
44:50para o consumidor brasileiro,
44:51ela também,
44:52ela traz uma sensação
44:53de higiene.
44:54A gente fala que
44:55não adianta querer lançar,
44:56por exemplo, no Brasil
44:56um shampoo que não faça espuma
44:58ou uma fragrância
45:00que não tenha um cheiro forte
45:02e que a pessoa
45:02realmente se identifique com ele.
45:04Acho que o brasileiro
45:05tem essa questão
45:05do que a gente fala
45:06de uma gratificação imediata.
45:08Ele tem que ver aquilo,
45:09aquele investimento que ele faz,
45:10ele tem que sentir,
45:11tem que ver.
45:12Então, acho que a fragrância
45:13tem esse aspecto.
45:15Também tem duas grandes
45:15empresas brasileiras
45:16que fizeram um trabalho
45:17muito bom de criar
45:18uma grande penetração
45:19de fragrâncias no Brasil.
45:20Então, hoje faz parte
45:21do dia a dia
45:22de um consumidor brasileiro.
45:23O que a gente fala?
45:24O segundo maior mercado
45:24do mundo de fragrâncias
45:25tem um potencial ainda gigantesco.
45:26O segundo.
45:27O segundo.
45:28E o luxo?
45:29A gente está falando
45:30de marcas,
45:31mas o luxo,
45:33qual que é o peso
45:34no negócio de vocês?
45:35O luxo,
45:37acho que eu estava
45:37te comentando,
45:38hoje em dia,
45:39talvez nos últimos anos,
45:40se eu pegar o crescimento
45:41acumulado nos últimos anos,
45:43é o mercado que mais
45:44cresce no Brasil
45:44em beleza.
45:47E a razão,
45:47acho que tem um pouco
45:49culpa da indústria,
45:49um pouco também
45:50o desconhecimento
45:51do mercado.
45:52Talvez a gente tinha
45:53aquela imagem de que
45:55beleza,
45:56luxo dentro do mercado
45:57de beleza,
45:58era a compra mais
45:59de free shopping
45:59quando você viajava,
46:01o que não é real.
46:02Ou seja,
46:03acho que isso acabou
46:03criando um preconceito
46:04onde as pessoas falavam assim,
46:05vou comprar isso
46:06fora do Brasil.
46:08E isso acabou
46:08gerando uma falta
46:09de investimento
46:10do próprio varejo
46:11no Brasil,
46:11desenvolver um varejo
46:12de luxo.
46:13Se você comparar
46:13com outros países
46:14da América Latina,
46:15a gente está super
46:15subdesenvolvido
46:16na expressão
46:17de marcas de luxo
46:18no varejo.
46:19Por outro lado,
46:20a própria pandemia
46:21fez com que o consumidor
46:22falasse,
46:23bom, já que eu não posso
46:23viajar,
46:23onde eu vou comprar?
46:24E quando ele percebeu
46:26que o preço
46:26não era tão diferente
46:27de ter as marcas
46:29de luxo no Brasil
46:29e o que ele podia
46:31comprar no free shop,
46:33ele viu que a diferença
46:33não era tão grande
46:34e ele podia parcelar.
46:36E aí ele falou assim,
46:36opa, dá pra comprar
46:37aqui no Brasil.
46:38Então a gente percebe
46:38um aumento da penetração
46:39e um aumento das categorias
46:41aqui no Brasil
46:41que é bastante relevante
46:42pro grupo.
46:43A gente está falando
46:44de mais de 20 marcas
46:46no Brasil,
46:4640 marcas no mundo.
46:4838 marcas.
46:4838 marcas no mundo.
46:50Como é que vocês enxergam
46:51as marcas concorrentes?
46:53Porque vocês,
46:55de alguma forma,
46:56foram comprando
46:59essas marcas
47:00e também vendendo
47:02essas marcas?
47:03Por exemplo,
47:03eu lembro muito
47:04do negócio
47:05que aconteceu
47:06com a Isop, né?
47:07Vocês venderam pra...
47:08A gente comprou,
47:09a gente vendeu
47:09o body shop pra Natura.
47:11Venderam pra Natura.
47:12E depois de um tempo
47:12a gente comprou
47:13Isop deles.
47:14Exatamente.
47:16Como é que vocês
47:16ficam analisando
47:17essas marcas concorrentes?
47:20E eu sei que está vindo
47:21uma aqui pro Brasil,
47:22não é?
47:22Está vindo.
47:23Uma nova marca, né?
47:25Então,
47:26o que é interessante
47:26da L'Oreal
47:27que a gente falou
47:27hoje são 38 marcas globais,
47:29mas originalmente
47:30da companhia são três.
47:31Que é L'Oreal Paris,
47:32L'Oreal Profissional
47:33e Queirastase.
47:33As outras 35 marcas
47:35que a gente tem
47:35são aquisições.
47:37Então,
47:37é uma empresa
47:38que está sempre olhando
47:38pra novas marcas.
47:39A gente tenta
47:40procurar complementaridade
47:42de portfólio.
47:43Então,
47:43quais são categorias?
47:44A gente tem praticamente
47:45todas as categorias de beleza.
47:46A gente tem todas
47:47as faixas de preço.
47:48Então,
47:48sempre que a gente olha
47:49alguma marca
47:49que está fazendo
47:50alguma coisa diferente
47:51que poderia agregar
47:52algum tipo de valor
47:52pra gente,
47:53é super interessante
47:54e por que não
47:55fazer uma aquisição.
47:57Mas aqui,
47:57um fator que eu sempre
47:58tenho que explicar
47:58pras pessoas
47:59sobre o modelo
48:00de aquisição da L'Oreal
48:00é muito interessante
48:01porque a gente não
48:02L'Orealiza
48:02as marcas que a gente compra.
48:05A gente procura,
48:05na verdade,
48:06que elas influenciem
48:07o nosso modelo.
48:09É a razão pela qual
48:09a gente comprou essa marca.
48:11Então,
48:11tem vários exemplos
48:12de marcas que a gente comprou
48:13e que elas tinham
48:15alguma coisa
48:15muito específica de modelo.
48:16e era uma marca
48:17de 150 milhões
48:18de dólares,
48:18ou seja,
48:19200 milhões
48:19pra uma empresa
48:20que fatura mais
48:20de 40 bilhões.
48:22E essa marca
48:23conseguiu mudar
48:23completamente
48:24todo o modelo
48:24de negócio da companhia
48:25porque a gente tem
48:25essa abertura
48:26de tentar,
48:27ou seja,
48:28curiosidade,
48:28o que é diferente
48:29e o que isso pode
48:30ajudar a gente
48:31também
48:31com que as marcas
48:32resistentes
48:32sejam mais relevantes
48:33pro consumidor.
48:34Então,
48:34é um modelo
48:34muito interessante
48:35de procurar
48:36complementaridade,
48:37mas também
48:37que a gente pode
48:38aprender com essas marcas
48:38pra influenciar
48:40esse modelo orgânico
48:40da L'Oreal
48:41de estar sempre mutando.
48:42A operação brasileira,
48:44vocês têm cerca
48:45de 3 mil profissionais,
48:47né?
48:47Sim.
48:48Esses 3 mil profissionais,
48:50eles estão no Rio de Janeiro,
48:52eles estão espalhados
48:53em fábricas?
48:54Já que a metade
48:55hoje está,
48:55metade,
48:56metade.
48:56Metade está entre
48:57laboratórios e sede,
48:58metade está entre o CDI.
48:59Qual é o tamanho
49:00dessa operação?
49:02São quantas fábricas?
49:02Você falou de uma fábrica
49:03muito grande
49:04aqui em São Paulo.
49:05Uma fábrica em São Paulo.
49:06É uma fábrica muito interessante
49:07porque geralmente
49:08as fábricas de beleza
49:09é de outras indústrias.
49:10Você tem fábricas
49:11muito especializadas
49:12em uma categoria, etc.
49:14Aqui no Brasil
49:14a gente tem uma fábrica
49:15que é multi-categoria.
49:16Então é uma fábrica enorme
49:17que é uma complexidade
49:18mas super bem gerenciada
49:19com indicadores
49:20muito, muito bons.
49:21Então assim,
49:21a gente tem uma fábrica
49:22que é muito grande.
49:22É uma das maiores fábricas
49:23da L'Oreal no mundo.
49:25E a gente tem,
49:26fora isso,
49:26tem um CD muito grande também
49:27no interior de São Paulo
49:28até porque grande parte
49:29do nosso volume
49:30é vendido em São Paulo.
49:31Então até por uma questão
49:32de sustentabilidade
49:33e reduzir a emissão
49:34de gás carbônico
49:35você faz um envio rápido
49:36do produto para o CD
49:37e ele chega rápido
49:38também em São Paulo.
49:40Mas o que é interessante
49:41da L'Oreal
49:42até falando um pouco
49:43sobre a questão
49:44de diversidade
49:45porque a gente está
49:45no Rio de Janeiro
49:46quando grande parte
49:47das indústrias
49:48também está aqui em São Paulo
49:49mas o Rio de Janeiro
49:50quando você fala
49:50de indústria de cosmética
49:51você consegue enxergar
49:52essa diversidade na rua.
49:53Você vê as grandes mudanças
49:54de tendências,
49:55de cores, de cabelo,
49:56de pele
49:57o que talvez
49:58em outras regiões do Brasil
49:59você não consegue enxergar
50:00de forma tão óbvia
50:01como no Rio.
50:02E é uma das razões
50:03pelas quais a gente
50:03também tem o nosso laboratório
50:05que é um laboratório
50:05que está localizado no Brasil
50:07mas é um dos oito hubs
50:08de inovação do mundo.
50:10Vocês chamam de hub
50:11de inovação
50:11centro de pesquisa
50:12como é que você é isso?
50:13A gente pode chamar
50:14todos esses nomes
50:15mas seria que é
50:16um centro de pesquisa avançada
50:17do Grupo L'Oreal
50:18que obviamente
50:20ele desenvolve muita coisa
50:21com base no conhecimento
50:22do consumidor brasileiro
50:24mas muitas das tecnologias
50:25que a gente desenvolve
50:26no Brasil
50:26de cabelo
50:27de proteção solar
50:29de pele
50:30depois elas são exportadas
50:31para o mundo inteiro.
50:32Muita coisa sai para o mundo?
50:33Muita coisa sai
50:34Muita coisa sai
50:35e uma das coisas
50:36que a gente fala
50:36de forma muito aberta
50:37sobre o Brasil
50:39principalmente quando a gente
50:40fala sobre cabelo
50:41não existe consumidora
50:43no mundo
50:43que seja mais exigente
50:44com cabelo
50:44do que a consumidora brasileira.
50:45É mesmo?
50:46Ou seja, uma mulher brasileira
50:47hoje em média
50:48ela usa entre sete
50:49e oito produtos
50:49na sua rotina diária.
50:51Se você comparar
50:52por exemplo
50:52com uma mulher francesa
50:53não vai passar de três.
50:54Então é o creme de pentear
50:56é o shampoo
50:56condicionador
50:57é o óleo
50:58é o creme da tarde
50:59é o creme pré-dormir
51:00para que você
51:01de repente não amasse seus cachos
51:03então é um nível de complexidade
51:04e exigência tão alta
51:05que muitas das tecnologias
51:07que a gente desenvolve no Brasil
51:08depois a gente exporta
51:09para o mundo inteiro
51:10que é o inverso
51:11por exemplo
51:11às vezes na questão de pele
51:12os asiáticos
51:14são muito mais avançados
51:15do que a gente
51:15na questão de pele
51:16então a gente também
51:17pega os conhecimentos deles
51:18e tenta trazer
51:19e adaptar para o Brasil
51:20então é interessante
51:21que os laboratórios
51:22trabalham dessa forma
51:23de uma inovação inversa
51:24então do Brasil para o mundo
51:26mas também do mundo para o Brasil.
51:27Essa exigência da mulher brasileira
51:29que você está trazendo dados
51:31inclusive
51:32sete produtos em média
51:34por dia ela usa
51:36isso
51:36sempre foi assim
51:37ou ela está cada vez mais exigente
51:40está cada vez mais vaidosa
51:42então é interessante
51:43a gente vê a evolução
51:44alguns anos atrás
51:45a gente podia falar sobre cinco, seis
51:46depois entrou sete
51:47entrou o oito
51:47e o que é interessante
51:49que a indústria de cosmética
51:51não necessariamente
51:52ela trabalha
51:53pela demanda do consumidor
51:54a gente também cria demandas
51:55a gente cria novas categorias
51:57então a gente às vezes
51:58cria categorias
51:59que a consumidora nunca imaginou
52:00que existisse
52:00ou que fosse necessário
52:01então o que é legal
52:03dessa indústria
52:03é essa criatividade
52:04também de criar novas rotinas
52:05novas categorias
52:06novos segmentos
52:07que você não sabia
52:08que você precisava
52:09até que ele apareceu
52:10e você falou assim
52:10que incrível
52:11e aí a gente hoje
52:12consegue ver muito
52:13nas mídias digitais
52:13até produtos nossos
52:15que hoje são guardados
52:15na geladeira
52:16e virou o geladinho
52:17até no nosso desenvolvimento
52:19a gente não sabia
52:19então o próprio consumidor
52:20ajuda a gente a criar
52:21novas categorias
52:22a gente está falando
52:23do centro de inovação
52:25de vocês
52:26e de como o Brasil
52:28é relevante
52:29para a operação global
52:30vocês fazem testes
52:32no Brasil
52:32ou em determinadas regiões
52:34determinados estados
52:36que podem ser exportados
52:39para outros países?
52:40com certeza
52:41então
52:41a gente tem um exemplo agora
52:43o que é interessante
52:44a gente
52:45às vezes pode pegar
52:46uma tecnologia
52:46a gente acabou de lançar
52:48um produto de pele
52:49que a gente pegou
52:49uma tecnologia
52:49que foi descoberta
52:50no Japão
52:51só que ninguém fez nada
52:53com esse produto
52:53no Japão necessariamente
52:54mas a gente precisava
52:55de uma textura
52:55muito específica
52:56para o Brasil
52:56que fosse disruptiva
52:58então a gente pegou
52:59essa tecnologia
52:59trabalhou no Brasil
53:01testou em todos os tons
53:02de pele
53:02e o Brasil
53:04a gente fala que o Brasil
53:04é um teste
53:07aquele que a gente fala
53:08aquele último grande teste
53:09porque você pega
53:10um país
53:11com umidade
53:12calor
53:13tem a questão socioeconômica
53:15então tem que ser um produto
53:16que seja democrático
53:17que as pessoas possam comprar
53:18tem que ser acessível
53:19então quando você faz
53:20todos esses testes
53:21no Brasil
53:22mesmo que seja uma forma
53:23que foi criada no Brasil
53:24ou que a gente trouxe
53:25para testar no Brasil
53:26ela acaba sendo assim
53:27adaptada
53:28e depois exportada
53:29para o mundo inteiro
53:29então tem vários casos
53:30de produtos de cabelo
53:31e de produtos da pele
53:32que começaram no Brasil
53:33e hoje estão sendo vendidos
53:34no mundo inteiro
53:35olha
53:35eu apresentei o Marcelo
53:37no início do programa
53:38como o primeiro brasileiro
53:40a comandar
53:41a operação
53:43né
53:44antes era comandada
53:45por franceses
53:46era isso?
53:47a gente teve várias nacionalidades
53:48então 65 anos de Brasil
53:5065 anos de Brasil
53:51nos primeiros 60
53:52foram pessoas
53:53foram expatriadas
53:54pois é
53:55o primeiro brasileiro
53:57a comandar
53:57essa operação
53:59né
53:59o que que foi determinante
54:01para você conquistar
54:02esse título?
54:05então
54:05na sua avaliação
54:07minha avaliação
54:08eu sei que você
54:09você foi escolhido
54:11o que que você acha
54:12que foi determinante
54:13para ser o escolhido?
54:14acho que você tem
54:17uma performance
54:19que é avaliada
54:20então eu tive que
54:21eu tive que passar
54:21por vários desafios
54:22eu estava comentando
54:24isso antes
54:24acho que desde
54:25meu primeiro cargo
54:25de presidente
54:27numa outra companhia
54:28eu sempre fui
54:28para mercados
54:29muito difíceis
54:30eu peguei
54:30leste europeu
54:31durante a crise financeira
54:32depois fui para
54:32a América Central
54:33durante alguns momentos
54:34políticos bastante tensos
54:36depois trabalhei
54:37cinco anos na Argentina
54:38com três presidentes
54:39três presidentes
54:40você pegou
54:41a Cristina
54:43o Macri
54:44e o Alberto Fernandes
54:48então
54:48acho que um dos fatores
54:50foi essa questão
54:50de conseguir entregar
54:51bons resultados
54:52em momentos de
54:54eu não diria crise
54:55mas momentos um pouco
54:55mais difíceis
54:57e o Brasil
54:58não é um país fácil
54:59de você gerenciar
55:00porque tem vários fatores
55:01que vão mudando
55:02é um país que tem
55:02muita mudança constante
55:03então
55:03acho que primeiro
55:05teve uma questão
55:05de em vários momentos
55:06de carreira
55:07apesar de ter começado
55:08alguns carros
55:09muito novos
55:09eu consegui mostrar
55:10para a companhia
55:10que eu poderia
55:11já fazer uma gestão
55:12de um modelo de negócio
55:14bastante complexo
55:14como já do Brasil
55:15e por outro lado
55:16também acho que
55:17cada vez mais
55:19companhias como o L'Oreal
55:19e outras empresas
55:20multinacionais
55:20elas percebem que
55:21ter locais
55:23em cargos de comando
55:24pelas relações
55:24que você desenvolve
55:25ou por você conseguir
55:26decodificar a cultura
55:27ou por você conseguir
55:28se conectar com os times
55:29de uma forma diferente
55:30é um fator
55:31que realmente impacta
55:33o negócio
55:33principalmente em países
55:34como o Brasil
55:34onde eu sempre digo
55:36para qualquer pessoa
55:36que vem trabalhar no Brasil
55:37que não é brasileiro
55:38eu falo
55:38olha o time
55:38pela companhia
55:39vai fazer 100%
55:40se você quiser ir
55:41para os 110, 120
55:42vai ser pela conexão
55:44emocional e social
55:45que você vai ter
55:45com o time
55:46então acho que
55:47nós brasileiros
55:48a gente tem esse
55:48zirigdum
55:49que estava de zirigdum
55:51essa brasilidade
55:52agora você está falando
55:53que você
55:55ter experiência
55:57em lidar com crises
55:59e não só crises brasileiras
56:00mas crises latinas
56:02latinas globais
56:03exatamente
56:04globais
56:05exatamente
56:05como é lidar
56:07e presidir
56:08e liderar
56:09empresas
56:09em momentos de crises
56:10Marcelo
56:11então
56:13acho que
56:13foi uma coisa progressiva
56:15fui pegando
56:15desde menores crises
56:16a maiores crises
56:17e etc
56:18e sempre também
56:19não se apavode
56:20é isso?
56:21já tive um momento
56:22de um pouco mais
56:23de dificuldade
56:23mas eu tenho uma tendência
56:25a ser muito pragmático
56:26acho que isso
56:27minha carreira sempre foi
56:28muito pragmatismo
56:30no momento de crise
56:31ou num momento um pouco mais difícil
56:32de pegar dados
56:33ter calma
56:34e tomar boas decisões
56:35então
56:35o feedback que eu recebo
56:37dos meus times
56:38é esse
56:38que
56:38quando tem que acelerar
56:40tem energia
56:40mas quando tem um momento
56:41que a gente tem que parar
56:42e ser pragmático
56:43e tomar decisões
56:44eu tenho muita calma
56:45para fazer isso
56:46e eu passo essa calma
56:46para os times
56:47então
56:47o time em vez de ficar
56:48afobado
56:49no momento de crise
56:50eles tem um direcionamento
56:51muito claro
56:52de como sair
56:53muito bem
56:54nós conversamos
56:55nesta edição
56:56do show business
56:57com Marcelo Zimit
56:59presidente
56:59da L'Oreal Brasil
57:02o primeiro
57:03brasileiro
57:04a sentar
57:05no comando
57:06da maior
57:08empresa
57:09de cosméticos
57:10do mundo
57:11não é pouca coisa
57:13não hein Marcelo?
57:14quem sabe algum dia
57:15do universo
57:15mas no mundo
57:18por enquanto
57:18está bom
57:18Marcelo adorei
57:19obrigado pela presença
57:21aqui diretamente
57:21do Rio de Janeiro
57:22especialmente
57:23para os nossos estúdios
57:25aqui do show business
57:25em São Paulo
57:26obrigado viu
57:27muito obrigado Bruno
57:27eu agradeço
57:29a sua companhia
57:31a sua audiência
57:33o show business
57:34vai ficando por aqui
57:35a gente volta
57:35na semana que vem
57:37até
57:37tchau
57:38a opinião dos nossos comentaristas
57:54não reflete necessariamente
57:56a opinião do grupo
57:57Jovem Pan
57:58de comunicação
57:59Realização Jovem Pan
58:04Jovem Pan
58:05Jovem Pan
58:06Jovem Pan
58:06Jovem Pan
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