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No Direto Ao Ponto, o diplomata e ex-presidente do Banco dos BRICS, Marcos Troyjo, avalia o resultado do encontro entre os presidentes Lula (PT/SP) e Donald Trump sobre as sanções americanas. Troyjo aponta que a suspensão de medidas como a Lei Magnitsky, aplicada a ministros do STF, não é a prioridade da Casa Branca, que foca na negociação das tarifas comerciais.

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Transcrição
00:00E nessa natureza política, eu quero falar da camada da sanção contra ministros do governo e também contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Troirro.
00:06Porque o presidente Lula disse que levou também isso para o debate com o Donald Trump nessa conversa ali na Malásia.
00:13Você entende que esse é, digamos, um problema que o governo tem que resolver, principalmente quando olhamos para uma sanção contra um ministro do Supremo Tribunal Federal?
00:23De que maneira que você entende a relevância diplomática do Brasil nessa resolução também, saindo da parte econômica e ficando apenas na sanção que fala sobre perseguição política ou também a empresas norte-americanas que atuam aqui no Brasil?
00:37Pelo que eu entendi, o próprio presidente do Brasil disse que tratou desse assunto e vai continuar tratando.
00:41E que levou a, digamos, fatos verdadeiros que possam levar Donald Trump a mudar o entendimento que ele tem da aplicação da lei Magnitsky, por exemplo.
00:51Ou o fato de o julgamento de Jair Bolsonaro ter provas que coloquem o ex-presidente naquela situação de uma maneira mais transparente também para o presidente Donald Trump.
01:01Como que isso interfere nessa história no teu ponto de vista?
01:04A minha impressão é que os americanos não priorizarão isso. Se por acaso isso vier a fazer parte das conversas, será alguma iniciativa do lado brasileiro.
01:15Eu tenho uma ideia razoavelmente clara do que os americanos querem.
01:19E qual é?
01:21Eu acho, Evandro, são seis coisas.
01:24Por favor, ué, esse programa é exatamente para isso. Vamos lá, comece pela primeira.
01:29Eu acho que eles querem uma... e, desculpe, todas essas seis coisas que eu vou mencionar, não é só com o Brasil, é com qualquer parceiro comercial, tá?
01:43Então vamos dividir nós aí.
01:44Ou melhor, é como se eles tivessem seis mega objetivos e, a depender da parte com a qual eles se sentam,
01:52esses seis mega objetivos podem ter maior aderência ou menor aderência, dependendo, mais uma vez, de quem é o parceiro.
02:01Então vamos lá no...
02:02Então vamos parcelar para que as pessoas, então, possam acompanhar a nossa linha de pensamento também.
02:06Qual seria o primeiro, Troígo?
02:08A ideia de que você introduza a noção de cui pro quo em relação a ambientes de negócios.
02:15Então a maneira pela qual você, país, suas empresas serão tratados na minha jurisdição é também a maneira pela qual eu espero que as empresas americanas,
02:25que o capital americano seja tratado na sua jurisdição, certo?
02:29É quase como se fosse uma espécie de isonomia dos ambientes de negócios.
02:35Bruno mencionou o Bretton Woods aqui.
02:38Se você tivesse uma nova Bretton Woods, eu acho que agora ele ia puxar a reunião para ser em Mar-a-Lago, mas se tivesse a convenção de Mar-a-Lago,
02:46acho que um dos principais elementos seria essa história da isonomia, você emoldurar a maneira pela qual o ambiente de negócios está configurado no outro país quando comparado com os Estados Unidos.
03:00E eu acho que aqui há muito o que resolver, oferecer, negociar, chegar em pontos comuns entre Brasil e Estados Unidos,
03:09mas eu tenho a impressão que com esse mega objetivo, o principal intuito americano é criar menos arestas na presença de empresas americanas na China.
03:20Porque na China você vai montar um negócio, você precisa encontrar um sócio chinês,
03:25mas, essencialmente, você cria uma nova pessoa jurídica, eles ficam com 51%, você 49%.
03:31Aí os americanos argumentam que você passa duas ou três décadas lá, eles absorvem a tecnologia, absorvem os métodos de administração,
03:39e depois dizem assim, escuta, queria comprar a sua parte, foi um prazer te conhecer.
03:42Então, você tem esse tema, esse acho que é um mega objetivo.
03:47Segundo.
03:47Segundo, é esse tema da criticalidade de buracos ou elos frágeis em cadeias globais de valor.
03:59Então, a experiência da Covid-19 foi muito traumática, chegou um momento que os americanos não conseguiam produzir respiradores,
04:05ou não conseguiam produzir máscaras, então eu tenho a impressão que eles vão buscar, por meio dessas negociações,
04:12diminuir a exposição deles a essas situações críticas.
04:15Terceiro.
04:17Terceiro é o seguinte, nós estamos numa nova fronteira da economia, em que temas como robótica, computação quântica e inteligência artificial
04:30serão a chave com que você abre a nova era.
04:36E parece que existe haver um elemento comum de todos esses novos setores de ponta, que é o tema dos semicondutores e dos chips.
04:45E hoje você tem uma situação em que há uma empresa, por exemplo, em Taiwan, que tem 93% do mercado mundial, que é a TSMC, Taiwan Semiconductor Company.
04:59Então, trazer a produção e a liderança nos chips, no desenho, mas também nos aspectos físicos da produção de semicondutores,
05:06por uma liderança americana, me parece uma prioridade deles.
05:10Tema 4.
05:13É o tema de energia.
05:14Mencionávamos agora há pouco as cripto, mas se você olhar também os grandes centros de dados, que são turbinados por inteligências artificiais,
05:22eles são grandes consumidores de energia.
05:26Eu não sei se você chegou a ver, mas, por exemplo, o secretário de Estado, Marco Rubio,
05:31fez um depoimento no Congresso americano, em abril, maio, mais ou menos,
05:34ele faz uma pergunta para ele sobre liderança americana na área de inteligência artificial,
05:39e ele fala sobre a pré-condição da energia, que haveria uma grande diferença entre, por exemplo, a capacidade da China e a capacidade dos Estados Unidos.
05:48E logo em seguida, ele diz o seguinte,
05:49nós vamos buscar tentar construir elos estratégicos, onde a gente pode ter uma expansão do estoque de energia disponível para nós.
05:58E aí, quem ele menciona? O Paraguai, por conta do superávit energético da Isina do Taipu.
06:05Você consegue pensar em algum país que tem reservas de petróleo abundantes, inclusive offshore,
06:12que tem uma matriz razoavelmente bem equilibrada,
06:15um potencial de geração de energia a partir da água gigantesco, dos fotovoltaicos ou dos eólicos?
06:22É o Brasil.
06:22Então, aqui nós temos um jogo interessante aí nesse tema da energia.
06:26Quinto?
06:27O quinto tema é o tema dos ingredientes ativos da indústria farmacêutica.
06:34É o tal dos APIs.
06:36Mais uma vez, eu acho que eles fizeram lá o mapeamento,
06:39e você tem muito disso concentrado em China e Índia,
06:43eles querem diminuir a vulnerabilidade que eles têm,
06:47então eles vão buscar, mais uma vez, capacidade endógena própria
06:51para a produção desse tipo de insumo da indústria farmacêutica.
06:57Mesmo porque no momento em que a medicina está tão avançada,
07:01você fica muito vulnerável se você não tiver isso.
07:03E para fechar, o sexto?
07:05E o sexto é o seguinte, eu acho que eles vão querer buscar a previsibilidade no acesso
07:10àqueles itens essenciais da ciência do século XXI e da economia do século XXI
07:17que respondem pelo nome de terras raras ou minerais críticos.
07:22E pelo que se comenta, enfim, eu sou geologicamente muito ignorante,
07:27mas pelo que eu tenho ouvido falar, você tem dois grandes estoques,
07:30um está na China, e a China está weaponizando.
07:35Agora está na moda essa palavra.
07:36Verdade.
07:37O weaponizar, ou seja, transformar em up os estoques que elas têm de terras raras
07:43até para virar, mais uma vez, um meio de troca,
07:46uma capacidade a mais nas negociações com os americanos.
07:49E o segundo tema é o Brasil.
07:51Então, enfim, isso é o que eles querem.
07:54Sabe o que é o mais difícil?
07:57O que nós queremos?
08:00Está certo?
08:01Se eles vêm com esse shopping list, com essa lista de compras,
08:04o que a gente quer?
08:07É isso.
08:07Depois eu vou nessa linha, velho.
08:09Vai lá, Jess.
08:10Minha pergunta é na linha das terras raras.
08:13Existem estudos que mostram que a China hoje monopoliza cerca de 90% desse mercado
08:18entre a produção, o uso e a venda.
08:21E no momento mais difícil da relação comercial Estados Unidos e China
08:24foi exatamente essa proibição do presidente da China, Xi Jinping,
08:29em relação à exportação de terras raras para os Estados Unidos.
08:32Ficaram afetados também pela situação de compra de soja,
08:35mas foi ali a situação das terras raras que abriu um alerta
08:39e até permitiu que Donald Trump entrasse com algumas iniciativas
08:42em relação à exploração de terras raras no mar, em áreas internacionais.
08:47Um projeto que ele já tinha debatido no mandato anterior, mas não levou adiante.
08:52Quando a gente olha para esse assunto, as terras raras são importantes
08:56para vários dos pontos que o senhor bem mencionou aqui.
09:00Desde a tecnologia até mesmo ao desenvolvimento da inteligência artificial,
09:05ela se coloca como um dos pontos principais.
09:08Eles estão utilizando as terras raras, a China, no caso, como uma arma.
09:13Em uma reunião recente com o secretário Scott Bassett,
09:16a China já anunciou ali que teria algum grau de acordo.
09:19Mas como o Brasil poderia instrumentalizar isso em seu próprio favor
09:24e se valeria a pena o Brasil tomar essa posição mais ativa
09:29em relação aos Estados Unidos, como quem sabe um canal de contato
09:35não só diplomático, mas econômico, de favores, de abertura de mercado.
09:39Se você acha que isso é possível e se sim, como a China reagirá ao Brasil,
09:44que nos últimos tempos tem se mostrado um grande parceiro econômico,
09:48diplomático, comercial e até mesmo nessa retórica
09:51ante os Estados Unidos, como ela reagiria a isso
09:53em relação a outros acordos e expansões de mercado
09:56que acontecem também no Brasil com a China hoje.
10:01Jess, eu conversei há um tempo atrás com o presidente
10:04de uma das quatro maiores consultorias do mundo.
10:07Tem quatro grandes, né?
10:07Eu conversei com um deles, o presidente global.
10:10E ele estava vindo...
10:13Ele chegou para essa conversa
10:15vindo de um período num país do Oriente Médio.
10:20E aí, quando ele estava trocando ideias
10:23com os líderes desse país do Oriente Médio,
10:26ele ouviu dos líderes desse país do Oriente Médio
10:29a ideia de que o Brasil seria um ator importante
10:31no jogo da inteligência artificial.
10:34Aí ele ficou surpreso.
10:36Por quê?
10:36Quer dizer, o Brasil não tem o montante de engenheiros,
10:40o montante de recursos,
10:41a parcela do produto interno bruto brasileiro
10:44que é direcionado para pesquisa e desenvolvimento
10:46já é pequena
10:48para desenvolvimento de inteligência aumentada.
10:51Enfim, é uma fração.
10:52Então, por que você...
10:53Eu pergunto a ele, né?
10:54Por que você acha que o Brasil é um ator importante?
10:56Ele disse, olha, porque a energia é fundamental
10:59para o desenvolvimento desse universo,
11:03desse ecossistema da inteligência artificial.
11:06E o Brasil, mais uma vez,
11:07tem essa multiplicidade de fontes energéticas.
11:09Vem por aí, disseram eles,
11:11um fenômeno chamado inteligência artificial verde,
11:14ou seja, que são estoques de capitais disponibilizados
11:17para turbinar energia para a inteligência artificial
11:21a partir de fontes renováveis.
11:22Tudo isso é interessante para o Brasil.
11:25A minha impressão é que
11:26o mesmo jogo que o Brasil pode jogar
11:30como fornecedor de previsibilidade,
11:34multiplicidade, segurança energética,
11:36é um jogo que o Brasil pode jogar
11:38no campo de terras raras e de minerais críticos.
11:42Eu vejo com muito bons olhos
11:45a possibilidade de você trair capital dos Estados Unidos,
11:48tecnologia dos Estados Unidos
11:49para a formação de joint ventures
11:51para o desenvolvimento dessas áreas no Brasil.
11:55Muito bons olhos,
11:56capitais dos Estados Unidos
11:57e de outros países do mundo também.
12:00O Brasil tem uma dificuldade crônica
12:02em poupar e em investir.
12:05Eu acho que esse é um chamariz muito interessante
12:07e que pode vir a criar vocações adicionais
12:10para a nossa economia,
12:11para além, por exemplo,
12:12desse setor tão pujante que é o agronegócio.
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