Os presidentes Lula e Donald Trump se reuniram na Malásia e sinalizaram o início de um processo de negociação bilateral entre Brasil e os EUA. Os temas centrais serão a redução de tarifas comerciais e a Lei Magnitsky, que impõs sanções a autoridades brasileiras. Reportagem: Eliseu Caetano
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00:00Bem, repercussão lá nos Estados Unidos, porque na primeira parte do encontro, Lula e Trump falaram com jornalistas por cerca de 10 minutos, antes deles fazerem a reunião ali com todo mundo.
00:11Trump disse ser uma honra estar com o presidente do Brasil e que provavelmente eles fariam bons acordos.
00:18Eliseu Caetano, então, direto dos Estados Unidos, já vai contar pra gente quais serão os próximos passos aí, porque as reuniões, segundo os dois presidentes, já começam hoje, né?
00:29Eliseu, bom dia pra você.
00:31Bom dia, Márcia, Nonato e todos que acompanham o Jornal da Manhã, edição de domingo.
00:35A nossa equipe de reportagem da Jovem Pan nos Estados Unidos segue de plantão acompanhando o desenvolvimento, desenrolar das negociações entre Brasil e Estados Unidos,
00:45que agora, ao que tudo indica, deve de fato começar.
00:49Se até este domingo tudo estava no campo do parece que achamos que foi muito bom, agora, de fato, temos algo sendo desenvolvido no campo das tratativas, o que não existia até aqui, até hoje.
01:05O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, agora sim, com tempo suficiente e teve uma conversa ampla e longa com o presidente americano Donald Trump durante a cúpula da ASEAN em Kuala Lumpur, na Malásia.
01:20O encontro, esse, sim, foi diagnosticado dentro da categoria encontro diplomático e teve ênfase aí em temas de comércio e também de cooperação bilateral.
01:32Trump, inclusive, como você bem disse, Márcia, falou em um vídeo durante uma conversa com jornalistas,
01:38que acredita que, abre aspas, podemos fazer alguns bons negócios para ambos os países, fecha aspas.
01:46Já Lula declarou estar otimista de que as relações entre Brasil e Estados Unidos agora, de fato, avancem e que não há razão para ter qualquer outro tipo de conflito entre Brasil e Estados Unidos.
02:00O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou que o encontro foi feliz e que Trump já deu instruções para iniciar um processo de negociação bilateral a partir de hoje.
02:13Mauro Vieira disse o seguinte, abre aspas, vamos estabelecer um cronograma de negociação e definir os setores de que iremos tratar para que possamos avançar, fecha aspas.
02:24Com relação a essa questão dos setores, Trump foi, claro, ele designou três de seus principais funcionários, três de seus principais secretários para tratar essas negociações em âmbitos diferentes.
02:37Diplomáticos, comerciais e com relação às sanções da Lei Magnitsky, que continuam sob a tutela de Marco Urubio, um crítico ferrenho da administração brasileira,
02:49e que estava nessa negociação, ao lado de Donald Trump. Aliás, enquanto Donald Trump ali designou Marco Urubio para tratar essa questão, ele fez também um elogio.
02:59Ele disse, olha, eu acho que você poderia até cuidar bem da questão econômica, mas eu acho melhor deixar você com esse setor para cuidar, porque você vai fazer isso muitíssimo bem.
03:09Durante sua fala, Donald Trump deixou muito claro que as negociações vão começar, mas não deu certeza se elas serão fechadas e também em que termos.
03:18Agora há pouco a gente estava ouvindo aqui na programação da Jovem Pan, nossa comentarista Mônica Rosenberg, e essa é um ponto dos mais interessantes.
03:26Os Estados Unidos, com toda certeza, colocaram nessa mesa muitos pedidos, e pedidos altos para rever todas essas possibilidades.
03:35Ou seja, o que deve acontecer agora é uma negociação.
03:37Eu tenho isso, você quer aquilo, em que ponto, em que termos a gente consegue se ajustar para melhorar as coisas.
03:45Algumas posições podem ser revistas e podem avançar, outras não.
03:50Bom, que termos são esses?
03:52Só eles sabem na mesa.
03:54Mas, por exemplo, a questão das terras raras do Brasil estavam ali.
04:00A questão do petróleo também.
04:02Uma outra questão importante, e aí é importante também que a gente ressalte isso,
04:09é com relação à diferença da Lei Magnitsky e das sanções comerciais.
04:13Donald Trump tem sido muito pressionado aqui nos Estados Unidos, principalmente pela democrata,
04:18para fazer aí uma diminuição, para frear esse impacto financeiro,
04:25que também, obviamente, atinge os Estados Unidos.
04:27Ao mesmo tempo em que o tarifácio atingiu outros países do mundo,
04:32também reverbera por aqui.
04:34E essa é uma arma poderosa dos principais críticos do atual presidente.
04:38Então, existe a possibilidade muito grande.
04:42Atenção, viu?
04:43São seis horas da manhã com 36 minutos, pelo horário da Costa Leste dos Estados Unidos.
04:47Sete horas da manhã com 37 minutos aí pelo horário de Brasília.
04:51Atenção.
04:52Aquilo que se fala aqui é o seguinte.
04:54Donald Trump estaria muito inclinado para resolver as questões comerciais relacionadas ao tarifácio.
05:02Diminuir aqui, ganhando de lá.
05:05Com relação à Lei Magnitsky, talvez não.
05:08Isso ficará a cargo de Scott Benson, do Tesouro, e de Marco Rubio,
05:13que são críticos ferozes da atual administração brasileira.
05:17Então, basicamente, o pano de fundo para essas negociações
05:20deve ser o setor econômico, deve ser o setor comercial, o tarifácio.
05:26Já a questão das sanções da Lei Magnitsky, da justiça americana,
05:31aí a questão deve ser um pouco mais delicada de ser resolvida.
05:35Eu separei aqui alguns trechos de falas do presidente Trump
05:39para a gente poder compreender melhor esse cenário.
05:43Ele disse o seguinte,
05:44que acredita que o Brasil pode ir bem,
05:48que do ponto de vista que ele entende uma negociação com o Brasil
05:52pode ser bom para ambos os países,
05:55e que ele vai deixar essa questão para ser resolvida pelo Jameson,
05:59pelo Scott, do Tesouro, e pelo Marco Rubio.
06:03O Marco Rubio não vai cuidar do lado econômico,
06:06mas vai cuidar da questão da Lei Magnitsky.
06:09Ele disse que o Brasil tem todo o interesse nessa conversa,
06:12ou seja, reforçou aquilo que a gente estava trazendo
06:15ao longo da programação nos últimos dias,
06:16foi uma pressão muito mais forte do lado brasileiro
06:20para que essa conversa acontecesse.
06:22Ele não estava ali tão interessado, mas acabou cedendo.
06:26E ele disse o seguinte,
06:27olha, o que temos de certeza é,
06:30quando dois presidentes sentam à mesa,
06:33cada um expõe o seu ponto de vista.
06:35A tendência natural é que a gente consiga chegar a algum acordo.
06:38Eu estou convencido que a gente possa chegar a algum acordo,
06:41com possibilidade de avançarmos,
06:43e de mantermos essa amizade a mais civilizada possível,
06:47e assim nós prometemos manter essa amizade com o Brasil.
06:56Ele também falou do presidente Lula,
07:00que achou o presidente Lula uma pessoa boa,
07:03que ele é bom em técnicas de convencimento,
07:06ou seja, aquilo que até nós brasileiros também achamos do presidente.
07:10Ele é muito bom nessa questão de fala,
07:15mas basicamente esse foi o tom da conversa.
07:18Inclusive, geralmente, as coletivas de imprensa com o Trump
07:21são marcadas por gritarias da imprensa,
07:23todo mundo querendo perguntar.
07:25Nesse caso não foi.
07:26Inclusive, quando uma colega repórter gritou,
07:28ele falou, não, não precisa gritar não,
07:29estamos aqui entre amigos, pode falar.
07:31Foi um tom educado, foi um tom otimista.
07:35Bom, ambas as autoridades se reuniram.
07:37Agora sim, na manhã deste domingo,
07:40temos um canal de negociação aberto.
07:42O que aconteceu até aqui foram tratativas que não chegaram a lugar nenhum.
07:48E agora sim, os dois presidentes sentaram à mesa e decidiram,
07:51vamos colocar os nossos secretários para conversar e para negociar.
07:54Se essas negociações vão resultar em algo ou não,
07:58ainda não sabemos.
07:59Inclusive, o Trump disse isso.
08:00Se vão resultar em algo, não dá para prever.
08:03Mas a expectativa é alta.
08:05É claro que na mesa, os Estados Unidos têm muitos pedidos.
08:08O Brasil também tem muitos pedidos.
08:10É só saber quem vai vencer essa queda de braço
08:12ou se vai haver vencedores também.
08:14Porque pode ter ali uma conversa do tipo,
08:17olha, tiramos as tarifas, diminuímos as tarifas,
08:21mas não a lei magnítica.
08:23Tiramos a lei magnítica, mas não tiramos as tarifas.
08:26De qualquer forma, seguiremos acompanhando tudo isso aqui
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