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Corte americana considerou as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump como ilegais. A Casa Branca agora tem até 14 de outubro para recorrer. O tema foi analisado pelo diretor de Internacional Fabrizio Neitzke e pelo mestre em direito internacional Manuel Furriela.

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Transcrição
00:00Nos Estados Unidos, uma corte federal de apelações julgou ilegais as tarifas decretadas pelo presidente Donald Trump.
00:07O resultado saiu agora há pouco e quem traz agora os detalhes é o editor internacional da Jovem Pan, Fabrizio Naitski.
00:14O que isso significa, afinal, para as taxações? As taxações caem, não caem? Bem-vindo, boa noite.
00:20Boa noite, Thiago. Boa noite a todos que acompanham o Jornal Jovem Pan.
00:23Por enquanto, fica tudo igual, porque a corte de apelações deu até 14 de outubro para a Casa Branca se manifestar contra essa decisão que foi votada com sete votos favoráveis e quatro votos contrários.
00:37E aí a Casa Branca tem até o dia 14 de outubro para levar esse caso para a Suprema Corte dos Estados Unidos.
00:44E aí, sim, a gente pode ter algum tipo de modificação efetiva em relação às tarifas.
00:49Importante destacar, aqui, Donald Trump teve um revés em relação àquilo que a gente chama de tarifas globais,
00:56aquelas tarifas que foram anunciadas lá em abril, as chamadas tarifas recíprocas,
01:01e não envolve as taxações a setores específicos da economia,
01:07como foram taxados, por exemplo, o setor do aço, do alumínio, o cobre, os automóveis também.
01:13Então, originalmente, o Brasil havia sido taxado em 10%.
01:18A gente, se voltar no tempo lá para abril, nós fomos taxados em 10%.
01:22Isso significa que essa taxação cairia.
01:26Haver ainda, não está muito claro exatamente, Thiago, o entendimento,
01:30em relação à motivação de algumas tarifas,
01:33porque, no caso do Brasil, nós fomos taxados em 10%,
01:37e aí houve o acréscimo de 40% por conta das decisões políticas
01:41que a gente tem acompanhado aqui nos últimos meses.
01:45O que que entendeu, então, essa Corte de Apelações Federal
01:49lá em Washington, agora há pouco?
01:51Que a invocação da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional,
01:56que foi utilizada pelo presidente Donald Trump,
01:58foi utilizada de maneira incorreta.
02:00O que afirmaram os juízes?
02:02Que a lei concede ao presidente amplos poderes
02:06para tomar medidas em resposta à emergência nacional declarada,
02:09mas nenhuma dessas ações inclui explicitamente
02:13a faculdade de importarifas e outros impostos.
02:17A Corte ainda deixou claro que essa questão de importarifas e impostos
02:21é uma atividade que cabe ao poder congressional,
02:26que deveria ter sido decidido no Capitólio
02:28e não na Casa Branca pelo Poder Executivo,
02:31pelo presidente Donald Trump.
02:33Essa é uma lei de 1977, que ela é usada tradicionalmente
02:38contra inimigos americanos,
02:41utilizada para o congelamento de ativos,
02:44e Donald Trump usou dessa lei
02:47e justificou de maneiras diferentes.
02:49Primeiro ele fala em desbalanceamento comercial.
02:52Não era o caso específico do Brasil, por exemplo,
02:55já que o Brasil importava mais dos Estados Unidos
02:58do que exportava para os Estados Unidos.
03:00Mas ele também falou sobre a questão do fluxo de drogas
03:04que iam para os Estados Unidos,
03:06e ele menciona China, México e Canadá,
03:09no caso de México e Canadá, dois países fronteiriços,
03:13e menciona também a queda da atividade industrial norte-americana.
03:17Ou seja, segundo a Corte,
03:19Trump fugiu do escopo da lei
03:21e utilizou de outros argumentos
03:24para justificar a aplicação dessa lei de emergência
03:28lá nos Estados Unidos.
03:29Em maio, o Tribunal Internacional Comercial dos Estados Unidos
03:33também já havia se manifestado contra essa decisão,
03:37e isso agora levanta algumas dúvidas.
03:39Por exemplo, o que vai acontecer com as tarifas?
03:42Essa é a primeira pergunta.
03:44O que vai acontecer a gente só vai poder descobrir
03:46a partir de 14 de outubro,
03:48quando encerra o prazo para a Casa Branca
03:50apelar a essa decisão.
03:52Em segundo lugar, o que acontece com os acordos comerciais
03:56que foram fechados pelos Estados Unidos
03:58nessas últimas semanas, nos últimos meses?
04:02Acordos, por exemplo, com a União Europeia,
04:04com países asiáticos, o Japão, a Coreia do Sul.
04:08Será que, caso essas tarifas caiam,
04:10os acordos também acabam caindo?
04:12E as promessas que foram feitas de investimentos
04:15em setores da economia americana?
04:17Bom, essa é uma grande questão
04:19para a gente descobrir futuramente.
04:21Agora há pouco, o presidente Donald Trump
04:23se manifestou pelas redes sociais,
04:25disse o seguinte, que essa é uma decisão incorreta,
04:28altamente politizada,
04:30e que os Estados Unidos vencerão no final.
04:32Disse também que, sem tarifas,
04:33o país entrará em uma catástrofe total
04:36e ficará destruído.
04:38Fabrício, vou pedir para você continuar aqui com a gente,
04:40porque nós temos um convidado,
04:42o professor Manuel Furriella,
04:44de Relações Internacionais, de Direito Internacional.
04:46A gente vai aqui até o nosso telão.
04:48O Fabrício continua aqui com a gente
04:49para conversar com o professor.
04:51Tudo bem, professor?
04:52Boa noite, bem-vindo.
04:53Muito obrigado mais uma vez por nos atender.
04:56Boa noite.
04:57Bom, professor, são muitas perguntas.
04:59O Fabrício elencou algumas questões aqui.
05:02O presidente Donald Trump já está dizendo
05:04que não vai atender qualquer determinação,
05:07mas se a Suprema Corte se posicionar lá na frente
05:10em relação ao direito,
05:12ele precisa acatar essa determinação, obviamente.
05:15O que pode acontecer, professor?
05:18Bom, primeiro, ele tem que seguir as ordens judiciais,
05:21ele vai ter que atender, acatar as determinações.
05:25Neste caso em específico,
05:26como a ordem não teve aplicação imediata,
05:30somente em 14 de outubro,
05:32foi dado esse prazo até 14 de outubro,
05:35então não há uma aplicação imediata,
05:37aí dá tempo para que ele se organize
05:40e recorra à Suprema Corte,
05:42que é o tribunal que tem capacidade, poder,
05:45para eventualmente modificar essa decisão.
05:49Mas falar em não cumprimento,
05:51nos Estados Unidos isso não existe.
05:53Propriamente as decisões judiciais,
05:55o mundo todo deveria ser dessa forma,
05:57mas em especial em países onde tem,
06:00como é o caso dos Estados Unidos,
06:03o Estado Democrático de Direito bem estabelecido,
06:07não há que se falar e não aplicar.
06:09Mas a gente sabe que Donald Trump é um grande orador,
06:12ele tem todo um discurso realmente muito arraigado
06:16aos pontos de vista dele,
06:18às questões, aos projetos que ele leva adiante,
06:21então aí realmente eu acho que o que ele diz,
06:25neste caso, é muito mais retórico
06:27do que propriamente intenção.
06:29Então não há o que se falar.
06:30Os órgãos, os poderes,
06:32eles têm que cumprir as decisões.
06:34Agora o que a gente tem aí,
06:35também é deixar claro,
06:37que é uma das disputas judiciais aplicáveis
06:40a essa questão das tarifas.
06:42Este em específico discute especificamente
06:46a questão dele aplicar uma lei de emergência nacional
06:49de 1977,
06:51que prevê o que dá poderes ao presidente da República
06:54para enfrentar crises,
06:56ou enfrentar desafios,
06:58até mesmo especificamente a somente alguns países,
07:01alguns estados.
07:03E aqui nós temos dois problemas.
07:06Um, será que efetivamente
07:08é uma questão de crise institucional
07:12ou é uma questão de desafio
07:14que se justificaria para aplicar essa lei?
07:17Então ele tem usado alguns argumentos,
07:19principalmente econômicos,
07:20também tem a questão das drogas,
07:22que a gente sabe também utilizado como argumento,
07:25desafios econômicos principalmente.
07:27Esse é um ponto,
07:29mas especificamente,
07:31ao se levar por esse tribunal,
07:32que é o tribunal de Washington,
07:34a segunda instância,
07:35é um tribunal federal
07:37do circuito de Washington,
07:39nos Estados Unidos ele é dividido
07:40em jurisdições que são chamadas de circuitos,
07:44especificamente para discutir
07:47se ele extrapolou os poderes
07:49que a lei lhe daria.
07:51Então essa é a discussão.
07:52Agora a gente ainda vai aguardar
07:54várias discussões de vários tipos
07:57sobre vários temas em tribunais internacionais,
08:00inclusive, e eu acho que até principalmente,
08:03alguma futuramente que vai ter
08:05no tribunal comercial,
08:07no tribunal de comércio internacional.
08:09Acho que é lá que vai ter
08:10o principal discussão.
08:11Agora é discutir,
08:12ele teria ou não poder
08:13para aplicar as medidas
08:15e pelo que disse o tribunal,
08:17por maioria de votos,
08:18na maior parte dos casos, não.
08:21Fabrício Neitzky.
08:22Professor, a gente viu que,
08:24segundo o julgamento do tribunal,
08:26essa era uma decisão que caberia
08:28ao Congresso americano de impor tarifas,
08:30impor impostos contra outros países.
08:34Você acredita que esse seria
08:35um procedimento viável hoje
08:37dessas tarifas serem aplicadas
08:40pelo Congresso americano?
08:41Há possibilidade disso acontecer
08:43caso haja essa reversão
08:45na esfera judicial?
08:46Bom, prazer em falar contigo.
08:50Esse é um excelente ponto.
08:52Então, o que você tem?
08:53O Congresso americano tem o poder
08:55de editar tarifas, criar impostos,
08:58é uma prerrogativa do legislativo americano.
09:02E nós temos uma situação
09:03onde somente com autorização do Congresso
09:07é que o poder executivo
09:08poderia tomar essas medidas.
09:10No passado, nós tínhamos,
09:12durante a gestão Clinton,
09:14o Fast Track,
09:15que era uma autorização específica
09:18do Congresso
09:19para que o poder executivo
09:21negociasse acordos de comércio internacional,
09:24que envolvia propriamente
09:25a questão de tarifas.
09:27É uma prerrogativa do legislativo.
09:28Então, ali houve uma autorização.
09:31Então, você tem duas formas
09:32onde você pode ter
09:35esse tipo de medida vindo do Congresso.
09:37Eu digo esse tarifaço,
09:39já que o executivo não tinha poder,
09:41não tem poder,
09:42pelo menos é o que está se discutindo.
09:44Então, o que o legislativo fizesse,
09:47esse é o teu ponto,
09:48aliás, muito interessante.
09:49Então, existem duas formas.
09:51Ou o Congresso autoriza o executivo a fazer,
09:55outorga esse poder,
09:57a legislação americana é específica nesse sentido.
10:00Dê agora um exemplo,
10:01que é a questão do Fast Track,
10:02que foi por autorização.
10:03e tem a outra,
10:05que é o governo americano,
10:08o poder executivo,
10:09ou por iniciativa de algum parlamentar
10:11da base de apoio do Trump,
10:13que é muito grande,
10:14ele tem maioria nas duas casas
10:16do legislativo americano,
10:18que fizesse essa proposta
10:20e o Congresso aprovasse.
10:22Mas aí você tem uma série de problemas.
10:25Primeiro, a dificuldade de aprovação,
10:27há um lobby muito forte
10:28sobre esse tema.
10:31Vários setores americanos
10:32sendo afetados
10:33por conta das tarifas,
10:35lobby interno,
10:36tem um lobby internacional
10:37que fica muito mais difuso,
10:40mais diluído no Congresso.
10:41Então, é um desafio
10:42aprovar esse tipo de medida,
10:45mesmo tendo maioria.
10:48E outro ponto também
10:49que é importante
10:50é que o executivo
10:52tem agilidade na negociação.
10:55Tanto é verdade
10:55que a gente percebe
10:56que o Donald Trump
10:57impõe as tarifas,
10:59as altera,
11:00vai e volta.
11:01Veja o caso da Índia,
11:02por exemplo,
11:03já acabado de firmar
11:04um acordo com a Índia
11:05e depois aplicou também
11:07uma sobretaxa,
11:08a semelhança
11:08do que fez com o Brasil,
11:10por conta da importação
11:11de petróleo russo
11:14por parte da Índia.
11:15Então, essa agilidade de mudança
11:17o legislativo não faz dessa forma.
11:19Ele aprova um conjunto de medidas,
11:21mas ele não fica no dia a dia
11:23fazendo ajustes
11:24como faz o Donald Trump.
11:25Então, o que eu acho?
11:27A única viabilidade
11:28que teria aqui
11:29era o Congresso
11:31dar ao Executivo
11:33esses poderes.
11:34Ele próprio
11:35aplicar as tarifas
11:36e depois ficar fazendo ajustes
11:38praticamente diários,
11:40a gente sabe
11:41que há uma maior dificuldade
11:43de aprovação política
11:44e principalmente
11:45nos ajustes
11:46que são necessários.
11:47Então,
11:48não vejo chances,
11:50grandes chances
11:50de viabilidade
11:51pelos motivos
11:52que eu estou dizendo,
11:53mas
11:54o Congresso,
11:56como a gente já mencionou aqui,
11:58o governo Donald Trump
12:00tem maioria
12:01nas duas casas
12:02e isso ajuda
12:03eventualmente
12:04nessa autorização especial.
12:06Acho que essa
12:06que tem mais chance,
12:08essa de pegar por bloco
12:09ou eles tomarem
12:10as decisões,
12:11muito mais difícil.
12:12professor Manuel Furreira
12:14de Direito
12:15e Relações Internacionais.
12:16Obrigado por nos atender
12:17prontamente.
12:18Essa informação
12:19foi divulgada agora há pouco.
12:20Muito obrigado, professor.
12:22Bom descanso
12:22e bom fim de semana.
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