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Apesar de ter sido protocolada, a Reforma Administrativa enfrenta um cenário de paralisação na Câmara dos Deputados! A expectativa é que o texto final não tenha encaminhamento no Congresso, travado pela pressão invisível do lobby do funcionalismo público.

Neste corte, analisamos a força que o lobby de servidores consegue impor em Brasília e o que isso significa para as contas do país.

O programa, com o auxílio do especialista Rodrigo Navarro, discute se a reforma tem chances de sair do papel e evitar que a conta caia "nas costas dos empresários".

Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília.

Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil.

Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.

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Transcrição
00:00O texto final, que viabiliza uma reforma administrativa apresentada pelo Grupo de Trabalho no início deste mês
00:06e protocolado nesta sexta-feira, encontra impasses para tramitar na Câmara dos Deputados e deve ficar travado em 2026.
00:16Parlamentares que articulam a proposta ainda correm contra o tempo para tentar viabilizar a emenda constitucional,
00:24mas as chances são pequenas.
00:26A proposta vem enfrentando resistência justamente do lobby do funcionalismo público
00:32que, apesar de não ser regulamentado, consegue impor a sua força no Congresso.
00:38E para nos ajudar a entender como funciona essa força, digamos assim, invisível,
00:43estamos ao vivo com Rodrigo Navarro, idealizador do anuário Origem e conselheiro da Presidência da República.
00:50Rodrigo, muito bom dia. Bem-vindo ao Meio Dia em Brasília.
00:54E a primeira pergunta é como é que funciona esse lobby?
00:58Como é que funcionam os lobbies em geral, mas especificamente esse dos funcionários públicos?
01:03Ernesto, bom dia. Bom dia aos ouvintes.
01:08A atividade lobby é constitucional.
01:12O direito à petição, a defesa de interesse, você pode chamar de lobby, de advocacy.
01:17A nomenclatura não é o mais importante.
01:19O importante é que essa defesa de interesse seja feita de forma técnica,
01:24lastreada em dados, propositiva.
01:27Então, todos os grupos interessados em um determinado tema
01:31têm esse direito de procurar os seus interlocutores,
01:34ou como a gente chama os stakeholders,
01:36para que sejam apresentadas razões do porquê daquele encaminhamento ser o melhor para aquele tema.
01:44Então, nesse caso, você citou funcionários públicos, a reforma administrativa,
01:49e há outros vários temas tramitando, milhares de temas no Congresso,
01:54que necessitam desses grupos interessados naquele tema de se aproximar e fazer essa defesa técnica.
02:00Não se deve confundir a atividade de lobby ou de relações institucionais com descaminhos, com desvios.
02:08Aí você tem a legislação para que sejam punidos esses desvios.
02:13Mas o importante é fazer uma defesa técnica, propositiva,
02:17muitas vezes com reuniões, com propostas, buscando, nesse caso, no Congresso,
02:22o autor da proposta, o relator, os grupos interessados, as frentes parlamentares,
02:27e todo esse trabalho deve ser feito, diga-se de passagem, com muita transparência,
02:31com as agendas, as claras, e sendo feito isso de forma técnica, como eu disse.
02:36E para integrar essa conversa, temos aqui Wilson Lima, diretamente de Brasília,
02:41e Duda Teixeira, aqui de São Paulo. Boa tarde aos dois. Wilson.
02:45Rodrigo, eu queria te fazer uma pergunta muito simples.
02:50A pergunta seria basicamente no seguinte sentido.
02:55O senhor acha que a regulamentação do lobby, com regras específicas,
03:01deixando tudo muito claro ali no papel, o que é o lobby, o que é o real gov, o que não é,
03:07isso acabaria, de fato, com essa visão distorcida, do que é uma defesa de uma causa específica,
03:19ou, de fato, aquele lobby não republicano, como a gente vê aqui no Congresso?
03:25Olha, com certeza ajudaria nesse processo.
03:28É um trabalho de várias etapas, já foi feito em vários países.
03:33Nenhum país aprovou uma lei de uma determinada forma,
03:36e seu com essa mesma lei de regulamentação do lobby intacta,
03:40sem mudanças, sem alterações, sem aprimoramentos.
03:44E aqui no Brasil, lá se vão mais de 30 anos para dar essa atividade.
03:48Então, eu acho que o pior desto que precisa ser aprimorado constantemente,
03:54porque é isso que vai acontecer, é não ter nenhuma regulamentação.
03:58E isso acaba impactando até a atração de investimentos para o país.
04:01O interlocutor de fora que vem procurar aqui para fazer seus investimentos,
04:06uma das perguntas que ele faz é essa.
04:07Como se dá o relacionamento entre o setor privado e o setor público?
04:11Isso é regulado?
04:12E hoje a gente tem que dizer que não, infelizmente.
04:15É, inclusive, um dos pontos a acender a OCDE para, no caso do Brasil,
04:21querer fazer esse movimento, a regulamentação do lobby é uma necessidade.
04:26E a maioria dos profissionais deseja isso.
04:29Em muitos casos, isso já acontece.
04:31As reuniões aparecem em agendas públicas,
04:34muitas reuniões são gravadas em algumas agências reguladoras,
04:37inclusive isso é de praxe há muito tempo.
04:40Então, a transparência é defendida pelos próprios profissionais.
04:42Isso é muito importante a gente ter essa aprovação.
04:45Já foi aprovada na Câmara, está no Senado,
04:48e a gente espera que, em breve, a gente tenha esse texto base, vamos dizer assim,
04:52aprovado com essas condicionantes,
04:54que vão ajudar nesse processo de transparência e de ética,
04:57como tem que ser esse trabalho técnico mencionado.
05:01Duda?
05:02Bom, boa tarde.
05:03Hoje, Rodrigo, essa reforma administrativa tem alguns pontos que seriam muito positivos para o país como um todo.
05:12Então, parar com férias de 60 dias, acabar com super salários,
05:19pedir remuneração de acordo com a produtividade, coisas desse tipo.
05:25Só que o lobby do funcionalismo praticamente vai inviabilizar essa reforma administrativa.
05:34O que eu te pergunto é, por que o lobby do funcionalismo,
05:38esses sindicatos que representam os servidores públicos,
05:41eles conseguem sair tão influentes no Congresso?
05:46Ou, perguntando de outra maneira,
05:47por que os nossos parlamentares são tão permeáveis a esse lobby do funcionalismo?
05:55Porque a minha impressão, Rodrigo, e aí,
05:57tento aqui uma resposta, não sei se faz sentido,
06:01mas é que uma vez que o parlamentar vai para Brasília,
06:04já vira meio que uma coisa só,
06:07ele acaba se misturando com esse universo dos funcionários públicos.
06:12Então, a tia está trabalhando no ministério,
06:16o primo aqui trabalha no gabinete de um deputado,
06:19e aí que quando eles,
06:21quer dizer, não precisa que o lobby,
06:24os funcionários façam lobby para os parlamentares impedirem a reforma administrativa.
06:32Os parlamentares já estão meio que junto com esses funcionários públicos,
06:36e aí, naturalmente, vão ser contra qualquer reforma.
06:39O que você acha?
06:42Eu acho que uma das razões para que esse tipo de lobby funcione
06:48é porque é muito bem organizado e de forma,
06:51vamos dizer assim, clusterizada.
06:54São grupos organizados.
06:56Assim como também é, para citar outro grupo,
06:58que também sempre aparece nessas horas,
07:00o pessoal do agro.
07:02O agro também é bastante organizado,
07:04faz um trabalho técnico muito importante
07:06e consegue essa influência nos parlamentares.
07:09O fato de serem funcionários públicos,
07:11estarem em Brasília, a grande maioria,
07:13e você ter o Congresso aí também,
07:15claro que ajuda nessa proximidade,
07:17mas eu diria que o crédito maior
07:20deve ser esse trabalho que é técnico de forma insistente.
07:25Há levantamentos que mostram,
07:27claro, o setor privado faz muito lobby,
07:29eu mesmo participo, por exemplo, da CNI,
07:32tem várias pautas importantes para o país que são discutidas,
07:35e quando você junta 10, 20, 50 entidades setoriais
07:39do setor privado, por exemplo,
07:41é claro que você consegue um poder de influência maior
07:43numa gama maior de parlamentares.
07:46E esse também é o caso do funcionalismo público.
07:49Eles são organizados, preparam bem as suas pautas
07:52e abordam de forma insistente e consistente os parlamentares.
07:56Então, isso acaba tendo esse efeito de resultado positivo
08:01para quem está defendendo essas causas.
08:03Então, é um balanceamento de poder e interesse
08:06que acontece, sim.
08:07Mas, desde que seja de forma ética,
08:10transparente e técnica,
08:12não há problema nenhum disso.
08:14Quer dizer, a questão recebida pelo parlamentar
08:16é importante, porque o parlamentar passa na frente dele
08:20vários temas, e ele não é especialista
08:22na grande maioria desses temas.
08:24Então, ele precisa desse apoio,
08:26é uma atividade essencial,
08:27e que cada vez será mais importante,
08:29porque a quantidade de temas que a gente tem
08:31sobre a mesa, não só essas reformas estruturantes
08:34que são muito importantes,
08:36mas também novos produtos, novos serviços,
08:39vão precisar de novos ambientes regulatórios,
08:41e quem que vai auxiliar nesse processo?
08:43São esses profissionais de relações institucionais
08:46governamentais.
08:48Você acha que a chance de uma reforma administrativa
08:52ser bem-sucedida seria maior
08:55se as reformas fossem só atacando aqueles privilégios
09:00de um pequeno grupo de funcionários públicos?
09:04Porque tem medidas ali que afetam todos os servidores públicos,
09:08mas quando a gente está falando de impedir supersalários,
09:11por exemplo, é um grupo, deve ser 1%,
09:14dos funcionários públicos.
09:15Você acha que ela deveria ser mais centrada
09:17nesse topo da pirâmide do funcionarismo público,
09:21e aí teria mais chance de ir adiante?
09:23Esse processo de negociação de reformas estruturantes muito amplo,
09:30ela passa por esse fatiamento, como você está colocando,
09:35vide a reforma tributária.
09:37Você parte de um texto mais amplo,
09:39e depois você vai aprovando textos base,
09:42depois aprovando os destaques.
09:43Então, sim, é possível que durante essa negociação,
09:46no caso da PEC da reforma administrativa,
09:49você tenha uma concentração de atenção maior
09:53naqueles pontos que há um consenso,
09:55e aqueles pontos onde há um dissenso que você precisa estudar melhor,
09:59ou mesmo eliminar para que a proposição possa avançar,
10:03isso pode acontecer.
10:04Isso é normal, como eu disse, no próprio caso da reforma tributária.
10:07O que é importante é, nós precisamos de maior competitividade,
10:11nós precisamos reduzir o custo do Brasil,
10:13é isso que se espera com essas reformas estruturantes,
10:16e assim como a reforma tributária que está em andamento,
10:20a reforma administrativa, a reforma política,
10:22são outros temas importantes que a gente precisa se debruçar aí
10:26e trabalhar para que a gente tenha um país com um futuro melhor
10:29e menos custo nas costas, principalmente dos empresários.
10:37e menos custo nas costas, principalmente dos empresários.
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